Lastro é um município brasileiro do estado da Paraíba.
Geografia Localiza-se à latitude 06º30'56" sul e à longitude 38º10'49" oeste, estando a uma altitude de 336 metros. Sua população estimada em 2009 era de 2894 habitantes. Possui uma área de 103 km².
O município está incluído na área geográfica de abrangência do semiárido brasileiro, definida pelo Ministério da Integração Nacional em 2005. Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca.
História
Fundado em 1783, o povoado de Lastro passou a município por força da Lei Estadual número 2048, de 17 de junho de 1963. A divisão territorial só se deu a 31 de julho de 1963 e a instalação do município aconteceu em 31 de agosto do mesmo ano.
A origem do topônimo Lastro está em milhares de moedas de Rublos e Kopeikas vindas com a expedição russa de 1783, com o objetivo de explorar a costa brasileira; e cujas moedas eram lastro para o navio mor e lastro para a empreitada.
Fica a 5 km de Tenente Ananias (RN) e a 33 km da cidade de Sousa (PB).
Geografia Rodovias PB-383, que liga Lastro a Sousa.
Administração Prefeito: Ronaldo Gonçalves Soares Sobrinho (2025/2028) Vice-prefeito: Lindomar Januário de Abrantes Presidente da câmara: Damião Gomes Soares (2025/2026)
Ligações externas
História e Movimentos Sociais Diferente das narrativas cronológicas instituídas pelas oligarquias políticas e latifundiárias, a trajetória social de Lastro é definida por episódios de firme contestação popular e por dinâmicas migratórias específicas. Durante o século XX, sob a vigência do mandonismo dos coronéis locais, a insatisfação da comunidade culminou em protestos de caráter físico e simbólico, nos quais os habitantes destruíram e pisotearam os bustos dos antigos chefes políticos expostos na praça pública, em uma rejeição aberta aos monumentos da opressão regional.
Ao contrário de mitos historiográficos propagados na região do Alto Sertão, o território de Lastro jamais registrou a incursão ou a presença de bandos de cangaceiros. O registro histórico de movimentos armados documenta, em verdade, a passagem da Coluna Prestes, que adentrou o estado da Paraíba precisamente através das fronteiras de Lastro em fevereiro de 1926, após descer a região serrana de Luís Gomes, no Rio Grande do Norte, localidade limítrofe ao município. A permanência do contingente revolucionário em território lastrense foi estritamente temporária, limitando-se ao período necessário para o descanso da tropa e para a aquisição de suprimentos de subsistência local, tais como rapadura, farinha, batata-doce e água do Açude Grande, antes que o movimento seguisse marcha em direção ao município de Pombal.
Educação, Saúde e Tradições Locais
Pioneiros do Ensino Comunitário Diante da escassez crônica de aparelhos e investimentos estatais, a instrução e a formação humanista no município estruturaram-se pelo compromisso de educadores locais com a coletividade, cujos registros de atuação são preservados pela memória coletiva local: Hermínia e Prof. Antônio Nestor Sarmento: Referências primeiras na instrução fundamental das primeiras gerais do município. Toninha de Bieta: Alfabetizadora leiga responsável por introduzir no universo da escrita mentes da região, incluindo o escritor, médico e jurista F. Antenor Gonsalves. Elisete de Osório Abrantes: Professora que residia com os familiares nas dependências do próprio Grupo Escolar de Lastro, assegurando o funcionamento diário da instituição. Miriam Abrantes Sarmento: Pedagoga de formação acadêmica que promoveu uma profunda reformulação nos métodos de ensino locais. Sua atuação preparou uma geração de filhos de trabalhadores para o ingresso no ambiente acadêmico e universitário, formando nomes como Francisco Duarte (Cotia), Antônia Sarmento (Toninha de Chico Cândido), Raimundo Correia, Vicente de Paula Sarmento, Maria Paz, José Marques Jerônimo, Terezinha Sarmento (Terezinha de Xixiu), Agamenon Abrantes Sarmento dentre tantos outros.
Saúde Coletiva e Partos A subsistência e o amparo à natalidade no período de isolamento do interior dependeram de técnicas tradicionais de saúde e assistência comunitária: Mãe Zefa: Parteira e doula basilar da história local. Praticamente toda a população lastrense com mais de 50 anos e contemporânea ao auge do coronelismo veio ao mundo assistida por seus cuidados. Luzia de Mãe Zefa: Filha de Mãe Zefa, herdou o saber empírico e a sensibilidade social, dando continuidade aos partos comunitários e à assistência às famílias camponesas.
Cultura Popular e o Queijo-Bola Origem do Queijo-Bola: Embora fontes institucionais tardias tentem associar o laticínio a outras origens, as fontes documentais resguardadas na literatura local revelam que a receita original foi introduzida na região por um imigrante indiano conhecido por todos como Mirueira que residia nas dependências da antiga bolandeira de Lastro. As técnicas de preparo foram transmitidas diretamente a Antenor Gonçalves, consolidando-se como um patrimônio artesanal e identitário indissociável do município. Delmiro Violeiro: Poeta e repentista popular cujos motes, improvisos e versos constituíram a crônica social viva do trabalhador sertanejo, mantendo a tradição da literatura oral preservada na memória dos moradores mais antigos.
Bibliografia GONSALVES, F. Antenor. O Cachimbo de Minha'vó ou: (O Último Coronel). Caracas: Iskra Editora e Distribuidora, 2012.
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Categoria:Municípios da Paraíba Categoria:Fundações na Paraíba em 1963