José Joaquim Pinheiro (Angra, 22 de dezembro de 1833 — Angra do Heroísmo, 21 de novembro de 1894) foi um jornalista, escritor e historiador açoriano, pioneiro da homeopatia, que se distinguiu pela publicação de uma detalhada história da ilha Terceira, em 6 volumes.Almanach Açores, edição de 1934, p. 125.Enciclopédia Açoriana: Pinheiro, José Joaquim.Urbano de Mendonça Dias, Literatos dos Açores, pp. 98-102. Vila Franca do Campo, Emp. Tip. Ltda., 1931.Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. II, pp. 168-169. Lisboa, Europa-América, 1990.
Biografia José Joaquim Pinheiro foi funcionário da Repartição das Obras Públicas do Distrito de Angra do Heroísmo. Para além das suas atividades profissionais, dedicou-se à história açoriana e manteve extensa colaboração em vários periódicos publicados na ilha Terceira, com destaque pra O Liberal, O Angrense, O Incentivo e o semanário O Grémio Literário de Angra. Também se dedicou à escrita de ficção, tendo publicado várias obras de cariz literário. Foi um dos pioneiros da homeopatia, matéria a que se dedicou apaixonadamente tendo mantido uma forte atividade de divulgação daquela técnica e dos seus resultados.
Como jornalista foi redactor principal do periódico O Liberal (1863-1864) e colaborou em O Angrense, o órgão do Partido Progressista no Distrito de Angra do Heroísmo, e ainda no Incentivo e no semanário O Grémio Literário de Angra, órgão daquela agremiação angrense.
Destacou-se pela obra Épocas Memoráveis da Ilha Terceira dos Açores, um compêndio dos factos e das grandezas da ilha Terceira, recentemente reeditada.Épocas Memoráveis da Ilha Terceira dos Açores. Instituto Açoriano de Cultura, Angra do Heroísmo, 2020 (ISBN 978-989-8225-64-1). A obra é um compêndio dos factos e das grandezas da ilha Terceira. Divide-se em seis épocas, a primeira de 1450 a 1580 (Idade de ouro), a segunda de 1580 a 1583 (Idade de prata); a terceira de 1583 a 1640 (Idade de ferro), a quarta de 1640 a 1645, a quinta de 1645 a 1820 e a sexta de 1820 a 1832. Esta última foi redigida pelo seu filho Manoel Pinheiro depois do falecimento do pai, com base em apontamentos por ele deixados. Na conclusão, sugere a construção de um caminho de ferro na ilha de São Miguel.
José Joaquim Pinheiro não foi um historiador na moderna acepção do termo e a sua obra, de sabor patriótico e exaltante, pode-se inscrever nos propósitos de divulgação e de fomento da auto-estima dos terceirense. Continua a ser uma obra meritória, tendo servido por muito tempo como base de formação da juventude e do auto-conhecimento dos terceirenses.
O seu artigo «Introdução da Imprensa nos Açores», publicado em O Conimbricense em 1886 e transcrito no volume VIII do Arquivo dos Açores, é uma fonte imprescindível para a história da imprensa açoriana.
Obras publicadas Entre muitas outras, com destaque para a colaboração dispersa por múltiplos periódicos, é autor das seguintes obras: Um caso de expulsão da taenia, pelo tratamento homeopático. Angra do Heroísmo, Tip. do Futuro, 1866; Introdução da Imprensa nos Açores, O Conimbricense, n.º 4042 a 4044, Maio de 1886 [também in Arquivo dos Açores, vol. VIII. pp. 485-493. 2.ª ed., Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 1982]; Épocas Memoráveis da Ilha Terceira dos Açores. Angra do Heroísmo, Tip. do Lutador (a primeira, segunda, terceira e quarta época), Tip. Minerva (a quinta e a sexta época), edição do autor, 1890-1896; Memória descritiva da horrorosa catástrofe na Ilha Terceira dos Açores, na noite de 22 para 23 de Julho de 1891, Angra do Heroísmo, Tip. Minerva, 1891. Memória histórica da Vila da Praia da Vitória (edição incompleta devido à doença que o vitimou), 1896. Referências
Bibliografia António Ornelas Mendes e Jorge Forjaz, Genealogias da Ilha Terceira, vol. VII, p. 616, Dislivro Histórica, Lisboa, 2007 (ISBN 978-972-8876-98-2). Alfredo Luís Campos, Memória da Visita Régia à Ilha Terceira, Imprensa Municipal, Angra do Heroísmo, 1903.
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