Se procura o museu francês de nome semelhante, veja Muséum national d'histoire naturelle
O Museu Nacional de História Natural e da Ciência / Museus da Universidade de Lisboa (MNHNC / MULisboa) é um organismo da Universidade de Lisboa que tem como missão promover a curiosidade e a compreensão pública sobre a natureza e a ciência, através da valorização das suas colecções e do património universitário, da investigação, da realização de exposições, conferências e outras acções de carácter científico, educativo, cultural e de lazer. O Museu inclui as secções de história e cultura material da ciência, zoologia, antropologia, mineralogia e paleontologia. O seu espólio, do foro científico-cultural, é o resultado em grande parte da investigação do próprio museu, e de diversas expedições científicas para além das doações.
É um local privilegiado para investigadores de todas as nacionalidades, que com o estudo do património científico preservado, permite o desenvolvimento de teses de licenciatura, mestrado e doutoramento.
O Museu Nacional de História Natural e da Ciência também produz ou acolhe exposições permanentes e temporárias, é ainda sede de conferências, debates, promove cursos de formação bem como um variado tipo de eventos tendo sempre como objetivo a divulgação científica, cultural e artística.
O Museu conta também com uma forte vertente ligada às Artes Plásticas, tendo durante 25 anos exposições na Sala do Veado. Actualmente, conta com exposições de arte contemporanea em outros locais das suas instalações, como por exemplo a antiga loja, atrio ou laboratórios. Já contou com artistas como, Sofia Areal, Jorge Molder, Miguel Branco, Ana Vidigal, Joana Vasconcelos, Alexandre Estrela, entre outros.
Instalações O museu situa-se na Rua da Escola Politécnica, 58, em Lisboa. Este imóvel está classificado como Monumento de Interesse Público.
As instalações atuais do Museu Nacional de História Natural e da Ciência ocupam uma área que no século XVII correspondia à cerca do Noviciado da Cotovia com o seu horto, pertença da Companhia de Jesus e que, após a supressão desta, será ocupado pelo Real Colégio dos Nobres (1761–1837), o qual, por sua vez, daria origem à Escola Politécnica (1837–1911), e esta à Faculdade de Ciências, que aí funcionou entre 1911 e 1985.
Também na origem do museu estão as coleções do Real Museu da Ajuda (1858), de que os gabinetes de História Natural na Escola Politécnica foram herdeiros.
O MNHNC engloba os seguintes espaços ou instalações:https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/museu-e-colecoes Anfiteatro e Laboratório Químico Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres Jardim Botânico de Lisboa Jardim Tropical de Lisboa Observatório Astronómico da Escola Politécnica de Lisboa Observatório Astronómico de Lisboa
História O museu teve a sua origem no Real Museu de História Natural e Jardim Botânico, criado na segunda metade do século XVIII, na Ajuda (Lisboa). Foi depois alojado, por pouco tempo, na Real Academia das Ciências e finalmente transferido para a Escola Politécnica (1858), tomando primeiro a designação de Museu Nacional de Lisboa (1861).
O Jardim Botânico de Lisboa foi inaugurado em 1878.
Em 1911, com a criação da Universidade de Lisboa, o Museu foi declarado estabelecimento anexo à Faculdade de Ciências, tomando a denominação de Museu Nacional de História Natural (1926).
Incêndio de 1978 A 18 de março de 1978, um violento incêndio destruiu grande parte do edifício da antiga Escola Politécnica, assim como as coleções de zoologia e parte das coleções de geologia. Começou na madrugada nos pavilhões pré-fabricados na atual jardineta do museu. Perderam-se milhares de exemplares.
Mudança de instalações A Faculdade de Ciências começou então o processo de mudança de instalações para o Campo Grande.
Em maio de 1985 foi criado o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, que passou a partilhar o espaço do Edifício da Politécnica com o Museu Nacional de História Natural.
Em 2003, novos estatutos dos museus autonomizaram-nos da Faculdade de Ciências, passando a ser tutelados diretamente pela Reitoria da Universidade de Lisboa.
O Museu Nacional de História Natural e o Museu de Ciência, juntamente com o Jardim Botânico anexo e o Observatório Astronómico de Lisboa foram fundidos em 2011 num novo organismo tendo adotado a designação de Museu Nacional de História Natural e da Ciência/Museus da Universidade de Lisboa (MNHNC/MULisboa).
Coleções O MNHNC possui as seguintes colecções:
Antropologia O principal acervo refere-se a uma coleção que se encontra entre as mais extensas e bem documentadas do mundo, iniciada em 1981 por Luís Lopes e mais tarde continuada por Hugo Cardoso, de cerca de 1700 esqueletos humanos, provenientes dos cemitérios de Lisboa. Outro acervo conserva a Coleção Silva-Telles, coleção única de esqueletos de origem africana, constituída por mais de 100 crânios e ossos pós-cranianos diversos, depositada no museu pela Sociedade de Geografia. Esta colecção, possui ainda material de contexto arqueológico proveniente do Convento do Carmo e da Quinta da Noiva em Lisboa e da Praça Rodrigues Lobo em Leiria. Inclui-se ainda neste acervo remanescentes de diversas coleções, entre as quais mais de 30 crânios da coleção constituída e doada em 1907 pelo médico e antropólogo Ferraz de Macedo e vários crânios de primatas não-humanos e outro material proveniente de escavações arqueológicas.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-antropologia
Anfíbios e Répteis Trata-se da maior coleção herpetológica nacional. Iniciada na década de 1980, a coleção é rica em espécies portuguesas, possuindo também exemplares de outras regiões do globo, em particular de África. A coleção de anfíbios e répteis é constituída por 1786 lotes (cerca de 3.100 espécimes), sendo uma referência para o estudo da herpetofauna portuguesa e ibérica. A coleção é constituída principalmente por espécimes obtidos no território português, incluindo exemplares de todas as espécies de anfíbios, assim como da maioria das espécies de répteis. A coleção abrange Portugal continental e arquipélagos, mas existem também exemplares de países da Europa, América do Norte, América do Sul e África, em especial Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. A coleção inclui exemplares de várias espécies de anfíbios e répteis da Península Ibérica e do Norte de África, registadas após 1980, estando a coleção praticamente toda digitalizada e georreferenciada.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-anfibios-repteis
Aracnideos A coleção de aracnídeos é constituída por mais de 3.000 lotes, originárias principalmente de Portugal e países africanos de língua oficial portuguesa (PALOPs), que registam as respectivas biodiversidades. Grande parte da coleção resultou da doação particular Barros-Machado, que inclui exemplares obtidos desde os anos 30 do século XX.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-aracnideos
Aves Esta coleção é constituída por mais de 2700 exemplares, representantes de cerca de 300 espécies de cerca de 70 famílias, tratando-se de um importante depósito da biodiversidade da Península Ibérica e arquipélagos macaronésicos (arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde). A coleção representa maioritariamente espécies portuguesas, embora existam também espécies africanas e várias espécies de aves marinhas sub-antárcticas. A maioria dos exemplares apresentam-se sob a forma tradicional de peles, existindo também exemplares naturalizados com valor expositivo e científico, bem como esqueletos, ovos e ninhos.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-aves
Crustáceos Esta coleção tem cerca de 5.000 lotes e compreende mais de 58.000 espécimes, sendo a ordem Decapoda a mais bem representada. A coleção de Crustáceos foi iniciada na década de 1980 sendo essencialmente constituída por exemplares da costa continental portuguesa e dos antigos territórios portugueses em África, estes merecem especial destaque pelo seu número e por terem sido colhidos nas missões desenvolvidas pelo estado português nas colónias africanas nas décadas de 1940, 50 e 60. Mais de 4.300 exemplares documentam a diversidade da fauna carcinológica de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-crustaceos
Insetos A coleção de insetos é composta por cerca de 66.000 exemplares, que documentam a entomofauna portuguesa (de referir as campanhas levadas a cabo entre 1997 e 2003, que visaram representar a biodiversidade portuguesa) mas também de outros países da África, Europa, América e Ásia. Outros acervos importantes resultaram de doações de instituições e particulares, destacando-se a coleção doada pela família Mendoça, constituída por cerca de 13.000 espécimes e respectiva documentação. A coleção continua em crescimento com 2763 registos em 2013 e 2014. Em 2014 foi concluída a digitalização dos dados associados aos espécimes, sendo que 30 535 registos foram publicados e com acesso livre à comunidade científica.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-insetos
Invertebrados não artrópodes Esta coleção é composta por 5.700 lotes, correspondendo a cerca de 45.000 exemplares. A coleção é um importante repositório da biodiversidade portuguesa e de alguns países dos PALOP, nomeadamente Angola, Cabo Verde e Moçambique. Existem também exemplares de outras regiões de África e Europa. Na coleção estão representados diversos filos, sendo que o filo com uma representação mais importante é o Mollusca. A coleção assume particular relevância nos bivalves de água doce, com representantes de todas as espécies nacionais.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-invertebrados-nao-artropodes
Peixes Com cerca de 9.000 lotes a coleção compreende cerca de 75.000 espécimes, constituindo uma referência para o estudo da biodiversidade portuguesa. A coleção de Peixes inclui uma excelente representação da ictiofauna nacional, a nível taxonómico, geográfico e temporal, compreendendo todas as espécies nativas e exóticas referenciadas para Portugal, conferindo assim à coleção particular relevância científica, na medida que esta ictiofauna é muito rica em endemismos. Muitas das espécies nativas de peixes de água doce têm um estatuto de ameaça elevado e muitas das populações que se encontram documentadas na coleção sofreram grandes reduções populacionais na natureza ou já se encontram extintas. A coleção inclui também uma importante representação da biodiversidade marinha da costa continental portuguesa, possuindo os exemplares-referência capturados em território nacional. De destacar as coleções de ictiofauna constituídas por mais de 9.500 exemplares, colhidas nas missões promovidas pelo estado português nas décadas de 1940, 50 e 60, nas antigos colónias portuguesas em África (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe).https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-peixes
Larvas de Peixe Esta coleção teve inicio em 2008, contando atualmente com cerca de 700 lotes e aproximadamente 17.000 exemplares, representando os estádios larvares de 108 espécies, sendo a única do género em Portugal. A maioria foi obtida em rios e estuários de Portugal, mas também possui espécimes da América do Norte, Turquia e República Checa. A coleção inclui representantes de 17 ordens, sendo as ordens Perciformes (35%), Cypriniformes (32%), Clupeiformes (15%) e Syngnathiformes (7%) as mais representativas. A coleção inclui também séries de desenvolvimento únicas de várias espécies endémicas da Península Ibérica.https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-larvas-de-peixes
Mamíferos