Cesta do Povo é uma rede de supermercados brasileira com atuação no estado da Bahia. Foi fundada em 1979 pelo Governo da Bahia na gestão de Antonio Carlos Magalhães a partir do Programa de Abastecimento de Alimentos Básicos, sendo que foi anunciada em 1.º de junho e entrou em funcionamento em 21 do mesmo mês do ano. Com foco em subsidiar os principais produtos da cesta básica para tornar acessível à população de baixa renda, foi administrada pela estatal Empresa Baiana de Alimentos (EBAL) até 2018, quando foi privatizada.
Chegou a estar presente em 242 municípios baianos com um total de 300 lojas.
História Em 1979, durante o segundo governo de Antonio Carlos Magalhães, foi instituído o Programa de Abastecimento de Alimentos Básicos, com o objetivo de ampliar o acesso da população a gêneros alimentícios essenciais a preços reduzidos. Nesse contexto, a criação da rede Cesta do Povo foi anunciada em 1.º de junho daquele ano, iniciando suas atividades em 21 de junho. A rede passou a ser administrada pela Empresa Baiana de Alimentos (EBAL), estatal pública vinculada ao Governo da Bahia, responsável pela implantação e operação do programa em todo o estado.
Durante os governos de Waldir Pires e, posteriormente, Nilo Coelho, a Cesta do Povo enfrentou um período de retração operacional em decorrência de redefinição das políticas estaduais de abastecimento. Nesse contexto, diversas unidades da rede foram desativadas ou tiveram suas atividades suspensas, reduzindo significativamente sua presença no interior e na capital baiana. A diminuição da estrutura da Cesta do Povo refletiu as dificuldades orçamentárias enfrentadas pelo estado e o processo de reavaliação do modelo de atuação da rede, que voltaria a ser expandida nos governos seguintes, com o terceiro governo de seu fundador, Antônio Carlos Magalhães.
A partir da década de 1990, a empresa passou por sucessivos programas de reestruturação administrativa, buscando reduzir despesas, racionalizar sua operação e recuperar o equilíbrio financeiro, até 2006, no final do segundo governo de Paulo Souto. Embora tenham sido implementadas medidas de modernização da gestão, fechamento de unidades deficitárias e revisão de processos internos, a EBAL passou a acumular prejuízos operacionais a partir do governo Jaques Wagner. O crescimento das redes privadas de supermercados e atacarejos reduziu ainda mais a competitividade da estatal, cuja estrutura administrativa e custos operacionais permaneciam elevados.
Na década de 2010, a situação financeira da EBAL agravou-se de forma significativa. A redução do número de lojas em funcionamento, o elevado passivo trabalhista e tributário, o endividamento junto a fornecedores e a necessidade contínua de subsídios públicos levaram o Governo da Bahia a concluir que o modelo empresarial havia se tornado economicamente insustentável. Estudos elaborados no âmbito do Programa Estadual de Desestatização indicaram que a manutenção da empresa exigiria investimentos incompatíveis com sua capacidade de geração de receitas, reforçando a opção pela alienação do controle acionário como alternativa para encerrar a dependência de recursos públicos e preservar parte de suas operações por meio da iniciativa privada.
A empresa passou por reestruturação após grande crise financeira provocada pela gestão dos ex-diretores administrativo e financeiro da Ebal, Geraldo Oliveira e Antônio Mário Bastos, respectivamente. No final de 2014, o governador eleito para a gestão 2015-2018, Rui Costa, anunciou a privatização da rede, devido aos inúmeros repasses feitos pelo Tesouro Estadual, que já chegou atingir 60 milhões de reais em determinados anos, para manter ativa a rede de supermercados.
Privatização O processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (EBAL), responsável pela administração da rede Cesta do Povo, teve início durante a transição para o governo de Rui Costa (PT). Em dezembro de 2014, antes mesmo da posse do novo governador, integrantes da equipe de governo anunciaram a intenção de buscar investidores privados para assumir o controle da empresa. A decisão foi justificada pelo elevado custo de manutenção da estatal, que consumia aproximadamente R$ 60 milhões anuais em recursos do Tesouro Estadual, além da necessidade estimada de cerca de R$ 200 milhões para modernizar sua estrutura e recuperar sua competitividade no setor varejista. Estudos encomendados pelo Estado à consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) concluíram que o modelo de negócios da empresa era economicamente inviável diante do aumento da concorrência e das limitações operacionais da rede.
Ao contrário do que o então governador justificava para a concessão, a Cesta do Povo figurou entre as principais redes varejistas de alimentos da Bahia. Durante grande parte de sua existência, a Empresa Baiana de Alimentos (EBAL) apresentou resultados financeiros positivos e consolidou-se como uma das maiores empresas do setor supermercadista estadual. Em 2012, a rede registrou faturamento de aproximadamente R$ 600 milhões, liderando o ranking das empresas supermercadistas de maior receita na Bahia. Nos anos seguintes, mesmo diante do aumento da concorrência e do avanço das grandes redes privadas, a Cesta do Povo permaneceu entre as maiores varejistas do estado. Em 2015, segundo o ranking anual da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), ocupava a segunda posição entre os supermercados baianos, a quinta colocação na Região Nordeste e o 39º lugar no ranking nacional das maiores empresas do setor supermercadista.
A autorização legal para a alienação do controle acionário da EBAL foi incorporada à Lei Estadual n.º 13.204, de 11 de dezembro de 2014, que promoveu a reforma administrativa do Poder Executivo baiano e autorizou o Estado a realizar operações societárias envolvendo a empresa. Em seguida, o Decreto Estadual n.º 15.959, de 12 de fevereiro de 2015, instituiu uma Comissão Especial encarregada de elaborar estudos de avaliação econômico-financeira, definir a modelagem da desestatização e conduzir os procedimentos necessários à alienação da participação acionária do Estado. Segundo o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), a decisão foi precedida por estudos que apontavam um déficit operacional acumulado desde 2012 e analisavam três alternativas: encerrar as atividades da Cesta do Povo, realizar elevados investimentos para sua recuperação ou promover a venda do controle da empresa, sendo esta última a opção adotada pelo governo estadual.
A reestruturação da Empresa Baiana de Alimentos (EBAL) culminou no fechamento de diversas unidades da rede Cesta do Povo e na alienação do controle acionário da estatal. Os estudos de avaliação econômico-financeira realizados no âmbito do processo de desestatização indicavam valor mínimo de R$ 81 milhões para a venda da empresa. Entretanto, após duas licitações sem interessados, o terceiro leilão, realizado em 11 de abril de 2018, resultou na arrematação da EBAL por R$ 15 milhões pela NGV Empreendimentos e Participações Ltda., sociedade constituída em 2017 com capital social inicial de R$ 500, posteriormente elevado para R$ 1 milhão pouco antes da realização do certame.
A privatização não transferiu integralmente os ônus financeiros da empresa ao adquirente. O passivo remanescente da EBAL permaneceu sob responsabilidade do Estado da Bahia, que continuou efetuando pagamentos por meio de conta-corrente específica administrada pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SDE). A gestão desses recursos foi posteriormente objeto de ressalvas do TCE-BA, que apontou deficiências nos mecanismos de controle interno, especialmente quanto à ausência de conciliação entre a movimentação bancária e os respectivos registros contábeis.
Subsidiárias Credicesta Poucos dias após a conclusão da privatização, o Governo do Estado editou o Decreto nº 18.353, de 27 de abril de 2018, instituindo o Programa Credicesta. O programa passou a utilizar a estrutura e a marca vinculadas à antiga Cesta do Povo para viabilizar a concessão de crédito consignado a servidores públicos estaduais ativos, aposentados e pensionistas, em parceria com o Banco Máxima (posteriormente Banco Master). A iniciativa foi apresentada pelo governo como instrumento de ampliação do acesso ao crédito e de estímulo à atividade econômica. Posteriormente, o programa passou a ser objeto de questionamentos e investigações por órgãos de controle e pelo Ministério Público, envolvendo alegações de práticas comerciais potencialmente abusivas na oferta de crédito consignado e no tratamento de dados pessoais dos beneficiários.
Após a privatização da EBAL, o Programa Credicesta passou a ser alvo de críticas e controvérsias. Em dezembro de 2025, veículos de imprensa do estado passaram a expor o indício de irregularidades no programa, operacionalizado em parceria com o Banco Master, que havia se tornado objeto de reclamações de servidores públicos estaduais em razão de supostas práticas abusivas relacionadas à oferta de crédito consignado.
A Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (AFPEB) ajuizou ação perante o Tribunal de Justiça da Bahia questionando a legalidade da operação do programa. Entre as alegações apresentadas pela entidade estavam a ocorrência de descontos em folha sem autorização, cobranças por serviços não contratados, contratação irregular de operações de crédito e elevadas taxas de juros. Beneficiários também relataram, em reportagens jornalísticas, o recebimento frequente de ofertas de crédito por telefone, bem como dificuldades para cancelar cobranças consideradas indevidas.
Posteriormente, o Master, instituição financeira responsável pela operação do Credicesta, passou a enfrentar questionamentos relacionados à sua situação financeira e ao seu modelo de negócios. A partir de 2025, o banco tornou-se objeto de ampla cobertura da imprensa e de medidas adotadas por órgãos reguladores, em razão de preocupações quanto à sua estrutura patrimonial, à captação de recursos e à sustentabilidade de suas operações. Em razão da vinculação do Credicesta ao Banco Master, esses acontecimentos repercutiram sobre o programa e ampliaram o debate acerca de sua gestão e da proteção dos servidores públicos usuários da modalidade de crédito consignado.
Ainda em 2025, o Master passou a enfrentar uma crise institucional e reputacional em decorrência de investigações sobre sua atuação no mercado financeiro. As apurações, conduzidas por órgãos de persecução penal e de fiscalização, tiveram ampla repercussão na imprensa e levantaram questionamentos sobre a governança da instituição, seus mecanismos de captação de recursos e a comercialização de ativos financeiros.
Em 4 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou nova fase da investigação relacionada ao Banco Master e prendeu o controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, a operação apurava um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a negociação de títulos de crédito falsos. Em razão de o Banco Master ser o operador financeiro do Credicesta, a investigação ampliou os questionamentos públicos acerca da gestão do programa e da parceria mantida entre o Estado da Bahia e a instituição financeira.
Ver também Lista das maiores varejistas do Brasil Lista de feiras e mercados públicos em Salvador Central de abastecimento Segurança alimentar
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