O Prinz Eugen foi um cruzador pesado operado pela Kriegsmarine e a terceira embarcação da Classe Admiral Hipper, depois do e , e seguido pelo e . Sua construção começou em abril de 1936 na Germaniawerft e foi lançado ao mar em agosto de 1938, sendo comissionado na frota alemã em agosto de 1940. Era armado com uma bateria principal de oito canhões de 203 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de dezenove mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 32 nós.
O cruzador entrou em serviço no começo da Segunda Guerra Mundial e sua primeira ação foi a Operação Rheinübung em maio de 1941 junto com o couraçado . Nesta, os dois lutaram na Batalha do Estreito da Dinamarca, conseguindo afundar o cruzador de batalha e danificar o couraçado . O Prinz Eugen foi separado do Bismarck em seguida e pouco depois forçado a voltar para a França devido a problemas nos seus motores. Passou por reparos e então participou da Operação Cerberus em fevereiro de 1942, seguindo para a Noruega.
A embarcação foi torpedeada em maio de 1942, enquanto retornava para a Alemanha. Passou meses atuando como navio de treinamento e então deu cobertura para o recuo das forças alemãs na Frente Oriental a partir de 1943. A guerra terminou em maio de 1945 e o Prinz Eugen foi rendido para a Marinha Real Britânica e depois entregue para a Marinha dos Estados Unidos como prêmio de guerra. Foi examinado e usado como alvo de tiro em 1946 para os testes nucleares da Operação Crossroads. Ele sobreviveu aos testes, porém emborcou e afundou em Kwajalein em dezembro.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho do Prinz Eugen Os cruzadores pesados da Classe Hipper Admiral foram encomendados no contexto do rearmamento naval alemão após a ascensão do Partido Nazista ao poder em 1933, que repudiou as cláusulas de desarmamento do Tratado de Versalhes de 1919. A Alemanha assinou o Acordo Naval Anglo-Germânico com o Reino Unido em 1935, que proporcionou a base legal para o rearmamento alemão. O tratado especificava que a Alemanha poderia construir cinco "cruzadores de tratado" de até dez mil toneladas. Os membros da Classe Admiral Hipper estavam nominalmente dentro desse limite, porém na realidade eram muito maiores.
O Prinz Eugen foi originalmente construído com 207,7 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 21,7 metros e um calado máximo de 7,2 metros. Sua proa reta foi substituída após seu lançamento e antes de seu comissionamento por uma proa estilo clipper, aumentando o comprimento de fora a fora para 212,5 metros; esta proa mantinha seu convés muito mais seco em mares agitados. Seu deslocamento projetado era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por três conjuntos de turbinas a vapor Germaniawerft alimentadas por doze caldeiras Wagner de alta pressão a óleo combustível. Seus motores tinham uma potência indicada de 133,3 mil cavalos-vapor (98 mil quilowatts), suficiente para impulsionar o navio a uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 42 oficiais e marinheiros.
O armamento principal consistia em oito canhões calibre 60 de 203 milímetros em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa, com uma sobreposta a outra. Sua bateria antiaérea tinha doze canhões calibre 65 de 105 milímetros, doze canhões calibre 83 de 37 milímetros e oito canhões calibre 65 de 20 milímetros. Também era equipado com doze tubos de torpedo de 533 milímetros em quatro lançadores triplos, dois à meia-nau em cada lado da superestrutura. O Prinz Eugen era equipado com três hidroaviões Arado Ar 196, um hangar e uma catapulta. O cinturão de blindagem tinha setenta a oitenta milímetros de espessura; o convés superior ficava de doze a trinta milímetros, enquanto o convés blindado principal tinha entre vinte e cinquenta milímetros. As torres de artilharia tinham placas frontais de 105 milímetros e laterais de setenta milímetros.
Carreira thumb|240px|A cerimônia de lançamento do Prinz Eugen em 22 de agosto de 1938 O Prinz Eugen foi construído pela Germaniawerft em Kiel. Seu batimento de quilha ocorreu em 23 de abril de 1936, recebendo o número de construção 564 e o nome de contrato "Cruzador J". Originalmente seria nomeado Tegetthoff em homenagem ao vice-almirante austríaco Wilhelm von Tegetthoff, que derrotou a Itália na Batalha de Lissa em 1866, porém foi considerado que os italianos poderiam tomar isso como um insulto, assim a Kriegsmarine decidiu nomeá-lo em homenagem ao também austríaco príncipe Eugênio de Saboia. O navio foi lançado ao mar em 22 de agosto de 1938, com a cerimônia tendo a presença de Arthur Seyss-Inquart, o governador da Marca Oriental, que também fez o discurso de batismo. Também presentes para o lançamento estavam o ditador Adolf Hitler e o almirante Miklós Horthy, o Regente da Hungria e ex-comandante do couraçado austro-húngaro na Primeira Guerra Mundial. O batismo foi feito por Magdolna Purgly, esposa de Horthy. O cruzador foi originalmente construído com uma proa reta, porém após seu lançamento esta foi substituída por uma proa clipper. Uma cobertura para a chaminé também foi instalada.
Seu comissionamento foi ligeiramente adiado devido a pequenos danos sofridos durante um ataque da Força Aérea Real contra Kiel na noite de 1º de julho de 1940. O Prinz Eugen foi atingido duas vezes no ataque, mas os danos foram rapidamente consertados e ele foi comissionado em 1º de agosto. O navio passou o restante de 1940 em testes marítimos no Mar Báltico. As equipes de artilharia realizaram treinamentos no início de 1941. Seguiu-se um curto período em uma doca seca para modificações e melhoramentos finais. O cruzador juntou-se em abril ao recém-comissionado couraçado para manobras no Báltico. Ambos tinham sido selecionados para a Operação Rheinübung, uma surtida para o Oceano Atlântico a fim de atacar navios mercantes Aliadas.
O Prinz Eugen detonou uma mina magnética britânica em 23 de abril enquanto navegava pelo Femernbelt à caminho de Kiel. Um de tanque de combustível, acoplamentos do eixo de uma das hélices e o equipamento de controle de disparo foram danificados. A surtida com o Bismarck precisou ser adiada enquanto os reparos eram realizados. O grande almirante Erich Raeder e o almirante Günther Lütjens discutiram a possibilidade de adiar ainda mais a operação na esperança de que os reparos no couraçado terminassem ou de que o , irmão do Bismarck, pudesse terminar seus testes marítimos em tempo para que participassem da Operação Rheinübung. Entretanto, os dois homens acabaram decidindo que seria mais benéfico voltar com as ações de superfície no Atlântico o mais rápido possível e que os dois navios partiriam sem reforços.
Operação Rheinübung thumb|esquerda|150px|O Prinz Eugen em Kiel Os reparos foram finalizados em 11 de maio de 1941. Partiu para Gotenhafen sob o comando do capitão de mar Helmuth Brinkmann, com a tripulação se preparando para sua surtida ao Atlântico. Se encontrou com o Bismarck em 18 de maio próximo do Cabo Arkona. Os dois foram escoltados por uma flotilha de draga-minas e três contratorpedeiros, o Z10 Hans Lody, Z16 Friedrich Eckoldt e Z23. A Luftwaffe proporcionou cobertura aérea durante a viagem para fora das águas alemãs. Os alemães encontraram o cruzador rápido sueco HM Gotland por volta das 13h00min do dia 20; este os seguiu por duas horas no Kattegat. O Gotland transmitiu um relatório para seu quartel-general, dizendo que "Dois navios grandes, três contratorpedeiros, cinco embarcações de escolta e 10–12 aeronaves passaram por Marstrand, curso 205°/20'". O Alto Comando Naval não ficou preocupado com o risco de segurança representando pelo navio sueco, mas Lütjens acreditou que a segurança operacional tinha sido perdida. O relatório sueco acabou chegando ao capitão Henry Denham, o adido naval britânico na Suécia, que transmitiu essa informação ao Almirantado.
Decifradores de códigos em Bletchley Park confirmaram que um ataque no Atlântico era iminente, pois tinham decifrado relatórios de que o Prinz Eugen e o Bismarck tinham embarcado tripulações extras e requisitado cartas de navegação adicionais. Dois caças Supermarine Spitfire receberam ordens de procurar os alemães pelo litoral norueguês. Os navios chegaram no litoral norueguês na tarde de 20 de maio; os draga-minas foram destacados e o Prinz Eugen, Bismarck e os contratorpedeiros de escolta continuaram norte. Oficiais de interceptação de rádio do cruzador captaram um sinal na manhã seguinte ordenando que aeronaves de reconhecimento britânicas procurassem por dois couraçados e três contratorpedeiros seguindo para o norte no litoral da Noruega. Os alemães avistaram quatro aeronaves não identificadas que rapidamente foram embora às 7h00min. A flotilha chegou em Bergen pouco depois do meio-dia e ancorou no Fiorde de Grimstad. Suas tripulações removeram sua camuflagem báltica e os pintaram com o cinza padrão usado pelos navios alemães no Atlântico.
thumb|250px|Cursos do Prinz Eugen, Bismarck e embarcações em perseguição durante a Operação Rheinübung em maio de 1941 O Prinz Eugen foi reabastecido com 764 toneladas de óleo combustível enquanto estava em Bergen; por algum motivo desconhecido, o Bismarck não reabasteceu. O Prinz Eugen, Bismarck e os três contratorpedeiros de escolta partiram às 19h30min de 21 de maio. A força chegou em mar aberto aproximadamente à meia-noite e seguiu rumo ao oceano Ártico. Foi nesse momento que Raeder informou Hitler sobre a operação, que relutantemente permitiu que ela continuasse como planejado. Os três contratorpedeiros foram destacados às 4h14min do dia 22, enquanto a força passava perto de Trondheim. Lütjens ordenou por volta do meio-dia que seus dois navios seguissem em direção ao Estreito da Dinamarca numa tentativa de entrar nas águas abertas do Atlântico.
Lütjens ordenou às 4h00min de 23 de maio que o Prinz Eugen e o Bismarck aumentassem sua velocidade para 27 nós (50 km/h) para a corrida pelo Estreito da Dinamarca. Os dois ativaram seus radares FuMO ao entrarem no estreito. O Bismarck navegou à setecentos metros de distância na frente do Prinz Eugen; a névoa reduziu a visibilidade para entre três a quatro quilômetros. Gelo foi encontrado em algum momento por volta das 10h00min, necessitando a redução da velocidade para 24 nós (44 quilômetros por hora). As embarcações chegaram a um ponto ao norte da Islândia duas horas depois e foram forçados a navegar em ziguezague para evitarem o gelo. Operadores de radar e hidrofones detectaram o cruzador pesado às 19h22min a uma distância de aproximadamente 12,5 km. A equipe de interceptação de rádio do Prinz Eugen decodificou sinais do Suffolk e descobriu que sua localização tinha sido relatada.
Lütjens deu permissão para o Prinz Eugen atacar o Suffolk, porém Brinkmann não conseguiu distinguir claramente seu alvo e assim não deu ordem para abrir fogo. O Suffolk rapidamente recuou para uma distância segura e passou a seguir os alemães. O cruzador pesado juntou-se ao Suffolk às 20h30min, mas acabou aproximando-se demais dos navios alemães. Lütjens ordenou que suas embarcações atacassem o cruzador britânico; o Bismarck disparou cinco salvos, três dos quais quase acertaram o Norfolk, com estilhaços dos projéteis caindo sobre o convés. O cruzador lançou uma cortina de fumaça e fugiu para um banco de neblina, encerrando o breve confronto. A concussão dos canhões de 380 milímetros do Bismarck desabilitou seu radar FuMo 23, fazendo Lütjens ordenar que o Prinz Eugen assumisse a vanguarda para usar seu radar em funcionamento para realizar as varreduras para a formação. Os cruzadores britânicos atacaram o Prinz Eugen e o Bismarck durante a noite, repassando suas localizações e cursos.
Estreito da Dinamarca
thumb|260px|esquerda|Pintura do Bismarck e Prinz Eugen na Batalha do Estreito da Dinamarca