Maricá é um município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Localiza-se na região da Grande Niteróihttps://www.ofluminense.com.br/cidades/2022/05/1252139-um-lixo-que-pode-valer-milhoes.htmlhttps://www.osaogoncalo.com.br/geral/126447/chegou-a-hora-apos-votacao-em-todo-o-pais-apuracao-comeca-em-ritmo-lentohttp://www.seaerj.org.br/pdf/SistemaTaquaril.pdf (ou Leste Metropolitano),https://www.producao.ufrj.br/images/documentos/Disserta%C3%A7%C3%B5es/2006/LeonardoRodriguesLagoeiroDeMagalhaes.pdf fazendo limites com Itaboraí, São Gonçalo, Rio Bonito, Niterói, Saquarema e Tanguá. O território municipal estende-se por 361,572 km² e é dividido em quatro distritos: Maricá (sede), Ponta Negra, Inoã e Itaipuaçu.

O acesso ao município pode ser feito tanto pela RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto), que liga o município às cidades de Niterói, São Gonçalo e Saquarema, quanto pela RJ-114, que faz a conexão com o município de Itaboraí e as rodovias RJ-104 e BR-101.

O município de Maricá também é conhecido por suas propriedades rurais – chácaras e grandes fazendas –, muitas delas ricas em conteúdo histórico. O trem também já passou pela cidade – ainda se encontram resquícios daquela época, como estações, trilhos, um túnel e uma ponte no bairro de Inoã, com a inscrição da Estrada de Ferro Maricá. O município possui um aeroporto, não operando voos regulares, somente operações Off-Shore, conhecido como Aeroporto de Maricá, localizado no centro urbano.

Maricá possui um PIB de 134 bilhões de reais, o quarto maior do Brasil, representando 1,23% do PIB nacional em 2023, acima de inúmeras capitais estaduais, estando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento de sua economia está diretamente ligado à extração de petróleo e gás natural na região e ao recebimento de royalties advindos dessas atividades.

História As primeiras ocupações humanas em Maricá datam provavelmente do século XI, quando se tem conhecimento de que a região foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia, que expulsaram os antigos habitantes, falantes de línguas do tronco linguístico macro-jê, para o interior do continente. No século XVI, quando os primeiros europeus chegaram à região, ela estava ocupada pela nação tupi dos tupinambás, também chamados tamoios.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19. Desde essa época, a região já aparecia nos mapas portugueses com o nome "Maricahaa".História. Disponível em http://www.marica.com.br/museu/historia1.html . Acesso em 17 de maio de 2015. Nas últimas décadas desse século, a região começou a ser dividida em sesmarias pelos portugueses, como a de Antônio de Mariz, a de Manoel Teixeira e a de Duarte Martins Moirão. Em 1584, o padre jesuíta José de Anchieta passou pela lagoa de Maricá, onde teria efetuado uma "pesca milagrosa".Maricá. Disponível em http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/riodejaneiro/marica.pdf. Acesso em 17 de maio de 2015.

Em 1635, foi fundada a fazenda São Bento, pertencente aos monges beneditinos do Rio de Janeiro. Porém as atividades econômicas das propriedades da região (extrativismo, agricultura e pecuária) foram prejudicadas pela malária. Em 1675, foi erguida a capela de São José do Imbassaí.Maricáinfo.com. Disponível em https://maricainfo.com/conheca-marica/historia-de-marica. Acesso em 17 de maio de 2015.

A primeira capela de Nossa Senhora do Amparo foi construída na segunda metade do século XVII. A freguesia de Nossa Senhora do Amparo de Maricá foi criada através do Alvará Régio de 11 de janeiro de 1755. Em 1788 foi erguida a atual capela de Nossa Senhora do Amparo, cujas obras começaram no século XVIII, mas só foram finalizadas no século seguinte.

Em 1814, a freguesia de Nossa Senhora do Amparo de Maricá se tornou vila, e emancipou-se de Santo Antônio de Sá com o nome de Santa Maria de Maricá. O nome era uma homenagem à rainha Maria I de Portugal. A vila foi anexada em 1819 a Vila Real da Praia Grande, sendo novamente elevada a vila em 1833.

esquerda|miniaturadaimagem|Maricá, 1970. Arquivo Nacional.No final do século XIX, foi construída uma estrada de ferro que cortou a região, propiciando o escoamento da pesca e das bananas de Maricá para os mercados de Niterói e São Gonçalo. Na mesma época, a abolição da escravidão no Brasil causou grandes prejuízos à agricultura local, que se baseava na mão de obra escrava. Em meados do século XX, a construção da rodovia Amaral Peixoto estimulou a criação de grandes loteamentos, que transformaram as terras rurais em urbanas. No final do século XX tiveram início os condomínios, até hoje em franca expansão. Tudo isso incentivou a indústria da construção civil, o turismo veraneio e o comércio na cidade. Atualmente, o município é um dos que recebem mais royalties derivados do petróleo no estado do Rio de Janeiro.

Visitantes conhecidos do século XIX John Luccock John Luccock foi um dos visitantes estrangeiros que passaram por Maricá em viagem no início do século XIX. Integrante de expedição de conhecimento comercial, científico e político do Brasil, o comerciante esteve em Maricá em 1813, visitando a fazenda Itaocaia e a região de Itaipuaçu. O visitante descreveu a região em um trabalho publicado em 1820, intitulado Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil. Ele relatou a existência de ilhas em Itaipuaçu utilizadas para praticar contrabando, uma entrada de um porto na mesma região, assim como costumes locais, identificando características socioculturais da região. Ele descreveu ainda a fauna, a flora local e as condições de saúde dos moradores da região.

Maximiliano Niuwied O príncipe alemão Maximiliano Niuwied visitou a Vila de Maricá em 1815, em uma expedição científica que contou com mais dois cientistas alemães, Frederich Sellon e Georg Willelm Freireyss. O Príncipe partiu do Rio de Janeiro em um caminho que incluiu Niterói, São Gonçalo, Guaxindiba e, finalmente, Maricá. Existem relatos de que ele visitou a Serra de Inoã até chegar a Freguesia de Maricá, hoje São José. Ele descreveu diversas árvores, animais, brejos e matas, além de participar de uma caçada científica com o grupo de estrangeiros. O livro que escreveu com relatos da viagem se chamou Viagem pelo Brasil. Ele também descreveu a lagoa de São José e os diversos animais que habitavam o local. Visitou também a Vila de Santa Maria de Maricá, descrevendo especialmente a flora e a fauna dos distritos do atual município.

Charles Darwin No dia 8 de abril de 1832, a equipe do naturalista inglês Charles Darwin, composta por sete membros, chegou à localidade de Itaocaia. Embarcados no navio Beagle, os viajantes partiram da Inglaterra com a missão de fazer a cartografia de novas rotas de navegação e descobrir recursos naturais que pudessem ser comercializados. Depois de passarem por alguns campos cultivados, entraram numa floresta descrita por Darwin em seus diários na região de Maricá. Nesta estrada entre Maricá e Niterói, Darwin teve um de seus primeiros contatos com a biodiversidade da Mata Atlântica. Ele se hospedou na fazenda Itaocaia, localizada no Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Maricá, e percorreu um trecho de 2,2 quilômetros pesquisando pela região.

Darwin viajou pelo norte fluminense subindo a Serra da Tiririca, em Niterói, passando por Maricá,Rio Bonito, Itaboraí Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Barra de São João, Macaé e Conceição de Macabu. Em alguns desses lugares, descreveu construções, a natureza e o clima em seu diário de viagens, como no caso da Fazenda Itaocaia, em Maricá, a Estrada do Vai e Vem, a qual percorreu quando viajava pela região de Niterói e ruínas da Fazenda Campos Novos, em Cabo Frio. Em seu diário, destacou o colorido da paisagem, observou uma floresta de acácias, em Itaboraí, e as samambaias de Conceição de Macabu. Descreveu alguns animais que mais o interessaram, como insetos. Darwin passava os dias coletando, observando e estudando o comportamento desses animais e suas anotações foram utilizadas para a formulação da Teoria da Evolução e o princípio da seleção natural.http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/caminho-de-darwin O navio Beagle deixou o Brasil em 5 de julho de 1832, dirigindo-se a Montevidéu, dando continuidade à expedição. Em agosto de 1936, o navio retornou ao Brasil em outra expedição, fazendo suas últimas paradas em Salvador e Recife.

Hoje existe um projeto que busca revitalizar o percurso feito por Darwin, em 1832. O projeto surgiu com as trilhas das comemorações feitas pelos 200 anos de nascimento do naturalista inglês, no ano de 2009. Em Maricá, a trilha faz parte do projeto Caminhos de Darwin e se localiza no Parque Estadual da Serra da Tiririca, cortando as cidades de Niterói e Maricá.

Geografia O município de Maricá é rodeado por maciços costeiros, que formam um arco. As serras principais são: Calaboca, Mato Grosso (onde se localiza o ponto mais alto do município - o Pico da Lagoinha, com 890 metros), Lagarto, Silvado, Espraiado e Tiririca. Outra formação importante é a vasta planície costeira, entre as bases dos maciços e a linha da costa.

O município apresenta um grande complexo lagunar que contempla as lagoas de Maricá, Barra de Maricá, do Padre, Gu

arapina e Jaconé, além dos canais de Ponta Negra e de Itaipuaçu que ligam as lagoas ao mar. A localidade também é conhecida por suas praias oceânicas, dentre as quais destacam-se as de Jaconé, Ponta Negra, Barra de Maricá, Zacarias, do Francês e Itaipuaçu.

A topografia peculiar cria um ambiente propício à prática de esportes como voo livre, trekking e mountain bike, entre outros. A Serra da Tiririca, entre Maricá e Niterói, é coberta pelo ecossistema de mata atlântica e, em sua maior parte, está inserida no Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET.

Área de Proteção Ambiental Estadual de Maricá A Área de Proteção Ambiental Estadual de Maricá, unidade de conservação de 1984, protege uma área tipicamente de restinga, localizada na costa do município. É formada por terras da União, pela antiga fazenda São Bento da Lagoa, a Ponta do Fundão e a Ilha Cardosa. Abriga a Comunidade Pesqueira tradicional de Zacarias, presente na área desde o século XVIII, sítios arqueológicos e o complexo ecossistema de restinga. Este último é formado, entre outros componentes, por tabuleiros costeiros, um duplo cordão arenoso coberto por dunas, brejos, vegetações e fauna de restinga.

Trata-se de um ambiente de alta biodiversidade, com mais de 400 tipos botânicos. Ali são encontradas 19 espécies da fauna e da flora únicas no mundo, endêmicas. Atualmente, a Área de Proteção Ambiental da restinga é ameaçada por projetos presunçosos de resorts na área. Possui, ainda, uma grande área urbana de ocupação rarefeita e formada por dezenas de bairros e condomínios. A maior parte dos domicílios é de uso permanente, sobretudo no centro da cidade e nas localidades mais antigas. Nas áreas do litoral e nas margens das lagoas, as residências são majoritariamente utilizadas para o turismo do tipo veraneio.

Clima Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1986 a menor temperatura registrada em Maricá foi de em 27 de junho de 1994, e a maior atingiu em 31 de dezembro de 2015. Desde 1993, de acordo com o mesmo instituto, o maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de em 6 de abril de 2010. Outros acumulados iguais ou superiores aos foram em 1° de março de 2016, em 17 de fevereiro de 2000, em 19 de junho de 2001, em 23 de junho de 2002, em 24 de março de 2016, em 9 de junho de 1994, em 18 de março de 2003, em 13 de dezembro de 2007, em 6 de agosto de 1997, em 16 de janeiro de 2016 e em 12 de fevereiro de 1998. Março de 2016, com , foi o mês de maior precipitação.

Hidrografia