Piratini é um município brasileiro e capital simbólica do estado do Rio Grande do Sul.
Fundada por açorianos no final do , célebre pelo fato de ter sediado uma das primeiras experiências republicanas da América Latina e única brasileira antes da Proclamação da República do Brasil em 15 de novembro de 1889, à época da secessão da província de São Pedro do Império do Brasil durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), sendo a primeira sede oficial da República Rio-Grandense ou República do Piratini, entre 11 de setembro de 1836 e 15 de julho de 1842.
Desde maio de 2025, Piratini tornou-se capital simbólica do Rio Grande do Sul em todos os dias 20 de setembro. Desse modo, o governador se instala e instala o seu gabinete na cidade durante este dia, no Museu Histórico Farroupilha Barbosa Lessa, que anteriormente havia sido o Palácio do Governo farroupilha.
Os povos formadores
O índio No Rio Grande do Sul, antes da chegada dos europeus, o território do Estado era habitado por povos indígenas. Os guaranis possuíam uma cultura do tipo floresta tropical. Baseavam sua economia numa horticultura tecnicamente muito simples. Estes nativos utilizavam a terra no sistema de derrubada e queimada ou coivara. Semeavam e colhiam a mandioca, o fumo, o milho, a batata-doce, o feijão, o algodão, a abóbora, e a erva-mate. Caçavam e pescavam com arcos e flechas, além de usarem armadilhas e conheciam técnicas de tecelagem e da cerâmica. Obtinham todo o amido de que necessitavam na alimentação através da horticultura e as proteínas por meio da caça e pesca, de maneira de deveriam alternaras duas atividades.
Moravam em grandes casas comunais, de madeira e palha, onde dormiam em redes. Conheciam a tecelagem, o traçado e a cerâmica. Navegavam nos rios em canoas de troncos ou cascas de árvores. Costumavam enterrar seus mortos, direta ou indiretamente, em vasilhas de cerâmica. Guerreavam com arco e flecha e tacapes. Adotavam a antropofagia quando em guerra, alimentando-se de seus inimigos, entre os mais bravos.
Segundo descrição de Auguste de Saint-Hilaire em 1820, quando em visita ao Rio Grande do Sul: "Eram homens de porte médio, parecendo pequenos devido a largura desconforme de seus corpos. Tinham o pescoço muito curto, a cabeça grande e alongada, cara larga, olhos compridos, estreitos e um pouco divergentes; sobrancelhas negras, cheias e arqueadas; nariz comprido e largo, boca muito grande; cabelos negros e compridos, tez bistreamarelada e, sobretudo nádegas volumosas. Tinham espádua e peito mais largos e membros geralmente mais carnudos.
Os padres jesuítas que deram a primeira civilização o Rio Grande do Sul, fizeram profunda penetração no "país" dos Tapes, que se espalharam por diversas zonas. Aurélio Porto, que analisou com segurança a obra genial dos jesuítas, mostra em levantamentos cartográficos e documentais o que foram as relações dos sacerdotes e os primitivos habitantes de Piratini.
Ainda atualmente é possível identificar características étnicas indígenas presentes na população de algumas regiões do município de Piratini. Estes grupos, mesmo bastante miscigenados como o branco e o negro, ainda carregam traços marcantes característicos dos Guaranis, como por exemplo a tonalidade da pele e os cabelos pretos e lisos.
O nome da Serra dos Tapes que predomina o relevo no município, não está ai em vão. "Tapes" significa "guarani aldeado". Carlos Teschauer, em sua obra "Peranduba Rio-Grandense", aos descrever os limites da Serra dos Tapes, incluiu nele a área de Piratini, onde os Guaranis até o habitavam. Além disso, está presente em acidentes geográficos locais, de origem guarani, como o próprio nome do município, Piratini, além de outros, como os arroios Guarama, Boici, Guará, Monhangaba, etc. Os guaranis, de acordo com José Proença Brochado, do gabinete de Arqueologia da UFRGS, aqui se estabeleceram em sua segunda grande migração, por volta dos séculos XIV e XV. Finalmente ocuparam as duas ilhas de florestas subtropicais da encosta do escudo cristalino voltada para a Lagoa dos Patos, no vale do rio Camaquã e Dorsal do Canguçu, subindo pelo rio Piratini, até suas nascentes.
O português Até meados do , esta região era habitada pelos aborígenes tupi-guarani (Tapes), tendo-se notícias dos primeiros portugueses, quando aqui aportaram os militares do Posto estabelecido no Passo do Acampamento, no rio Piratini, postada a "guarda" próximo ao passo da Maria Gomes, em 1777, de acordo com o Tratado de Santo Ildefonso, no qual se estabelecia ser esse curso d'água o limite meridional dos domínios entre portugueses e espanhóis.
Os primeiros colonizadores do período do Brasil Colonial foram 48 casais provenientes do arquipélago dos Açores, principalmente da Ilha do Faial, que se estabeleceram no local denominado "Capão Grande do Piratinim". Aproveitaram a ocupação do solos concedido, logo estabelecendo seus limites além das frações de terras recebidas. Os açorianos, além de colonizar o município de Piratini, deixaram aqui rastros que em nossos dias são percebidos em nossos dias atuais, como uma rica contribuição cultural, na forma de trabalhar a terra, no acampamento de seus rituais religiosos, na maneira de se utilizar a pesca, no linguajar, nas festas e da forma como construíram suas casas e, em várias outras coisas que marcaram na maneira de agir dos piratinienses.
Os beneméritos ilhéus que cimentaram o gênio e o caráter do povo desta terra, não o deixando estrangeirar-se e resistindo, até mesmo, a influência da influência espanhola em nosso linguajar. Cultiva-se ainda hoje, o "di", o "si", o "qui", português em contraposição ao "dê", ao "sê", ou "quê", de influência castelhana. Simões Lopes Neto, em dois de seus contos, por sinal, histórico, evoca a gente piratiniense, embora não cite lugares: "Deve-se um queijo", o brio e a dignidade dos homens, representados naquele Lessa, descendente dos primeiros açorianos; Em "Trinta Onças", a honestidade inatacável de seus habitantes, do mais humilde aos mais graduado.
O negro A história do Rio Grande do Sul, assim como a do Brasil, silenciou a participação dos negros na formação da sociedade, omitindo terríveis capítulos que foram decisivos para a formação da nossa identidade cultural, negando ao povo negro até mesmo o direito de ser reconhecido como autor fundamental da civilização brasileira.
O negro chegou ao Rio Grande do Sul - particularmente em Piratini - quando da ocupação portuguesa, uma vez que os colonizadores luso-brasileiros já haviam se acostumado com o lucro fácil do trabalho escravo, e não cogitavam dispensar essa forma desumana de trabalho.
Além dos primeiros povoadores de origem portuguesa-açoriana, hoje fazem parte da população outras etnias, como africanos (trazidos como mão-de-obra escrava), espanhóis, alemães e italianos.
História Piratini é uma das regiões mais pitorescas do Rio Grande do Sul, onde a paisagem explica a própria história e o passado vivo na eternidade dessa natureza dominadora. Nela encontramos as três etapas da evolução rio-grandense: , e os Índios, com a penetração dos jesuítas na região, onde mantiveram profundas relações com os nativos, desenvolvendo as reduções dos Tapes, que chegou até a Serra de mesmo nome, e com a instalação da Vacaria do Mar, que cortava o atual município- capítulo preciosos da história antiga do Rio Grande do Sul; o e os açorianos e, finalmente o , e os republicanos de 1835. Em cada um desses períodos, Piratini desempenhou um papel importante, e de um modo especial, durante a década do movimento republicano. O desenvolvimento das reduções dos Tapes, a chegada até a Serra do mesmo nome e a instalação da "Vacaria do Mar", que também cortava o atual território do município de Piratini, constituem importantes capítulos da História do Rio Grande do Sul.
Povoamentos Pré-Colombianos A região sul do Brasil foi inicialmente ocupada por alguns grupos indígenas pampeanos, entre eles os charruas e minuanos, irradiados dos pampas platinos ao Sul e a Oeste. Com o gado das vacarias tornaram-se hábeis cavaleiros numa paisagem de horizontes ilimitados. Deles herdou-se a boleadeira de pedra e a técnica de construção de torrões. Sua mobilidade caracteristicamente nômade, deixou poucos vestígios de ocupação. Os cerritos, aterros circulares ou elípticos construídos no centro da aldeia temporária são vestígios arqueológicos de rituais de sepultamento praticados por estes grupos em regiões da metade sul do estado.
Segundo José Proença Brochado, do Gabinete de Arqueologia e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, os primeiros Guaranis a chegar no Rio Grande do Sul parecem ter executado uma ocupação muito limitada. Nas áreas próximas aos rios, a ocupação se inicia com integrantes do tronco linguístico tupi-guarani, vindos de direções diversas, e que aí chegaram em dois estágios. Primeiro ocupando as várzeas mais férteis dos rios maiores, como as do Uruguai e Jacuí (no ). Na segundo processo de migração, que chegou também pelo norte, desta vez penetrou pela região costeira, seguindo um esquema de ocupação que ao que tudo indica, inicialmente penetrou pelo sistema lacustre litorâneo e ocupando em primeiro lugar a faixa costeira até o extremo sul da Lagoa dos Patos, entre os séculos IX e X. Quando retornaram ao principal sistema fluvial, tributário da Lagoa dos Patos, encontraram amplas várzeas do vale do rio Jacuí, estabelecendo-se então, suas aldeias juntos ás margens como haviam feitos seus antecessores, 700 ou 800 anos antes.
Segui-se o mesmo processo de de explosão demográfica e migratória lineares de seus antecessores. Subindo pelo Jacuí, encontrou-se os seus vestígios, ao redor do , na altura do município de Cachoeira do Sul e no no atual município de Sobradinho. A expansão demográfica, obrigou-os a transbordarem do ambiente das várzeas, levou-os a ocupar outros ambientes próximos, de início não desejáveis aos quais foram, com o tempo, se adaptando. Subiram os vales dos rios tributários do rio Jacuí, cultivando as várzeas cada vez mais estreitas. Depois começaram a ocupar as faixas de floresta pluvial da encosta do planalto. Desta maneira, rodearam-se para o oeste e leste do Jacuí, subindo, muitas vezes, pelos rios menores que descem da região serrana, até altitudes de 400 m até 700 m.
Não se sabe ao certo se ocorreram migrações anteriores ou paralelas pelo vale do rio Uruguai, mas ao que tudo indica , os Guaranis subiram até a sua confluência com o rio Pelotas e desceram penetrando no atual território da República Oriental do Uruguai. Subiram também, por muitos afluentes do rio Uruguai, como o rio Ijuí, na parte alta, em cujos vales muitas vezes, se estabeleceram na falta de florestas de galeria, até mesmo em capões de mato no meio do campo.
Finalmente, ocuparam as duas ilhas de florestas subtropicais na encosta do Escudo Cristalino, voltada para a Lagoa dos Patos, no vale do rio Camaquã e Dorsal de Canguçu, subindo pelo rio Piratini, até suas nascentes. Importantes sítios arqueológicos se localizam no território do atual município de Piratini, como os do Serro do Sandin e da Ferraria.
Contexto histórico regional