Tapes é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. É o 27ª mais antigo município do estado.

Fundado no século XIX, originou-se de uma estância, fazenda de produção de charque. Naquele contexto, sua localização privilegiada no mapa gaúcho, às margens da Lagoa dos Patos, aliada às condições naturais de sua orla lacustre, foi fator decisivo para que a povoação se desenvolvesse. Povos indígenas, africanos e portugueses dos Açores construíram as bases do que seria a cidade. Mais tarde, o aglomerado se tornaria um importante núcleo de escoamento da produção econômica da região centro-sul gaúcha.

A riqueza natural do município é frequentemente invocada nas discussões sobre o norteamento de seu futuro, com reiterada defesa do turismo ecológico, o qual, segundo algumas visões, poderia simultaneamente se valer da riqueza histórica e cultural da região. Vale citar que as zonas rurais do município abrigam reservas florestais de Butiá, nas quais vivem pelo menos mais de 50 espécies vivas do bioma pampa ameaçadas de extinção.

Na atualidade, a economia do município baseia-se principalmente na rizicultura, na pecuária bovina, no comércio e no turismo de verão.

Dentre os eventos que mais atraem visitantes à cidade destacam-se os relacionados ao folclore, à música popular, ao artesanato, à dança, ao automobilismo, à pesca e à religião. No campo do tradicionalismo sul-riograndense, o município realiza anualmente o Acampamento da Arte Gaúcha, que visa promover revelações de talentos da música nativista gaúcha. A cidade integra as regiões Centro-Sul, Costa Doce, Metade Sul , Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre e Microrregião de Camaquã.

Pré-Colombianos thumb|esquerda|200px|Padre jesuíta no Brasil do século XVIII. Os povos pré-colombianos do município eram os índios Patos, de cultura Guarani, um ramo dos Quíchuas do Peru (também conhecidos por Incas). Povos pacíficos de cultura neolítica. Os Patos foram caçados por aventureiros paulistas que vinham de barco e os levavam para São Paulo como escravos. Foi tão intenso esse tráfico, que dois terços da população do estado de São Paulo falava guarani e não o português.

Em São Paulo os Patos morriam desidratados, pois eram obrigados a vestir roupas de lã (estilo português) e a trabalhar na lavoura sob escaldante sol tropical. Relatos da época diziam que os indígenas eram imorais, pois não tinham vergonha de mostrar suas genitálias. Os que se recusavam a vestir-se eram condenados pelos Tribunais da Santa Inquisição que atuaram no Brasil Colônia.

No século XVII, os padres jesuítas espanhóis, com sede em Assunción, no Paraguai, resolveram estabelecer reduções à margem esquerda do rio Jacuí. Roque Gonzáles, padre jesuíta vindo de Guairá, fundou a primeira redução, próxima a atual cidade de Ijuí.

Um século mais tarde as reduções se espalhavam por boa parte do atual Rio Grande do Sul. No atual município de Sertão Santana, havia uma redução da erva mate. A erva mate era mascada pelos índios Guaranis, pois ela combatia a fadiga. Esse hábito foi assimilado pelos bandeirantes. Como não havia pés de erva mate em todos os locais, Antonio Raposo Tavares resolveu secar a erva e levá-la na bandeira, daí surgiu o tradicional chimarrão.

No município de Tapes havia ainda uma fazenda de gado no Morro da Formiga, margem direita do canal de Itapoá (nome que significa pedra redonda).

Em 1752 essas reduções foram arrasadas pelo exército português, pois os caciques Sepé Tiaruju e Nicolas Nhemguirú recusaram-se a cumprir o que determinava o Tratado de Madrid, assinado dois anos antes. O gado jesuítico permaneceu como gado sem dono, espalhado pela vastidão do pampa gaúcho (e era chamado de gado chimarrão). Servia de alimento aos índios charruas que habitavam o extremo sul do Rio Grande do Sul, altamente belicosos e nômades. Foi do cruzamento desses índios com o europeu que surgiu o gaúcho.

Para aproveitar esse gado chimarrão, surgiram as charqueadas. Inicialmente em Pelotas, e mais tarde por toda a margem direita da Lagoa dos Patos. O gaúcho caçava o gado selvagem no campo e o vendia nas charqueadas, onde os escravos faziam o charque e os portugueses ficavam com o lucro. Em Tapes, a realidade não foi diferente. Era assim que funcionava a charqueada de Brígida Calderon e Patrício Vieira Rodrigues. Localizava-se à margem direita da Sanga da Charqueada, no local onde atualmente se localiza o Loteamento Luiz Carlos Wolf. Havia um ancoradouro de barco onde hoje se localiza o Camping Municipal Antonio Joaquim Simchen, onde ancorava um barco de nome Tapes, por isso o local era chamado de Porto de Tapes.

Há suas controvérsias quanto a existência de uma tribo indígena denominada Tapes. O termo era usado pelos bandeirantes paulistas para designar os índios e as aldeias do Rio Grande do Sul.

História A região foi habitada por índios da tradição Tupi-Guarani. Por volta de 1808, atraídos pela fertilidade do solo e pela abundância das pastagens da região, imigrantes açorianos estabeleceram-se na área, instalando estâncias e charqueadas que foram a base da economia local por algum tempo.

Posteriormente, decorrentes da própria configuração geográfica, desenvolveram-se a prática da agricultura e da pecuária que constituem atualmente a principais riquezas do município.

thumb|esquerda|230px|Figueira no Camping de Tapes.

Mesclado com a cultura indígena, os açorianos e negros, seguidos dos imigrantes, desenvolveram suas tradições, seus usos e costumes que hoje ainda fazem parte do cotidiano da cidade. Em 1824, Patrício Vieira Rodrigues adquiriu a antiga Sesmaria de Nossa Senhora do Carmo. No ano seguinte, estabeleceu uma charqueada na foz de um arroio na Lagoa dos Patos, e passou a chamar-se Arroio da Charqueada. Em função desta atividade é criado no local um porto, que deu origem à cidade de Tapes.

A primeira sede do município, denominada Freguesia de Nossa Senhora das Dores de Camaquã, foi criada dia 29 de agosto de 1833. Sua emancipação política e administrativa ocorreu em 12 de maio de 1857, mas por questões políticas ou econômicas, a Freguesia passava a integrar ora no território de Porto Alegre, ora de Camaquã, chegando inclusive a pertencer a Triunfo e Rio Pardo.

Em 16 de dezembro de 1857, foi elevada à categoria de Vila, sendo esta a data considerada como a de emancipação política do município.

Em 25 de junho de 1913, o município desincorporou-se definitivamente de Porto Alegre e, em 22 de maio de 1929, através de um plebiscito, foi realizada a transferência da Sede da Vila de Nossa Senhora das Dores para o Porto de Tapes, então 2º distrito.

Posteriormente, o Decreto nº 10 de 21 de setembro de 1929, muda o nome do município de Dores de Camaquã para município de Tapes, sendo Primeiro Intendente o Senhor Manoel Dias Ferreira Pinto.

Origem do nome thumb|esquerda|270px|Nascer do Sol na Lagoa dos Patos em 2009 Acredita-se que o nome da cidade tenha origem devido aos índios que viviam no território antes da chegada dos colonizadores; ou ainda devido a Serra de Tapes, um acidente geográfico da região; ou por último, consequência de um dos barcos da charqueada do Coronel Patrício que tinha este nome, mas até hoje não se tem uma origem por definitiva.

Segundo o professor Miguel Angel Z. Sanchis, historiador da cidade, dizer que o nome Tapes tem origem na serra do mesmo nome é em primeira análise um erro, porque a Serra de Tapes localiza-se a mais de 200 km de distância da cidade, nos municípios de Piratini e Canguçu, ao sul do estado. Desta forma, não há nenhuma vinculação direta entre a serra e o município de Tapes. Nem sequer com o município mãe, Dores de Camaquã.

Uma outra hipótese considera os índios Tapes como primitivos habitantes da região, daí o nome do município, entretanto, esta versão, numa primeira análise, também carece de sentido. Os índios Tapes habitavam o planalto gaúcho, ao centro-norte do estado, igualmente distante. Os índios que habitavam esta região eram, segundo os pesquisadores, os Aranches.

A versão de que um barco de nome "Tapes", utilizado na charqueada do Coronel Patrício Vieira Rodrigues, teria dado o nome ao porto é bem mais razoável, mas há dificuldades em comprovar a teoria porque, em primeiro lugar, não há comprovação de que este barco realmente existiu. Ruy Quadros Machado relatava um boato popular sobre a existência de uma corrente, presa junto a margem da Sanga das Charqueadas, perto do suposto estabelecimento do Coronel Patrício, junto a atual Vila dos Pescadores. O povo dizia haver mergulhado na ponta daquela corrente os objetos de valor do Coronel, devido ao avanço das tropas farroupilhas. Outros acreditavam tratar-se do barco Tapes. Populares, acreditando na versão da caixa, teriam forçado a corrente, rebentando-a. Ali morria a história. Uma das citações célebres do barco Tapes é do poeta Paulo Martins, que citou o mesmo em versos.

A hipótese mais provável é a de que os padres jesuítas, vindos da Argentina e Paraguai, cruzaram o rio Uruguai, fugindo da perseguição dos bandeirantes, a procura de índios amansados com intuito de escravizá-los. Em fuga chegaram ao norte do estado, fundando as Reduções Jesuíticas de Tape (1626).

Na linguagem dos indígenas, Tapes era caminho, trilha para o mar, para a Europa, onde afinal os jesuítas tinham suas pátrias, credos e possibilidades de manter comércio. Era zona de Tape o atual estado do Rio Grande do Sul. Com o estabelecimento dos jesuítas nas reduções gaúchas, Tape passou a ser dali ao mar. Os nativos do local eram índios do caminho (Tapejaras, Tapes). Do rio Jacuí ao Rio Grande qualquer lugar era bom caminho. thumb|direita|270px|Barcos no ancoradouro do Clube Nautico Tapense em 2009.

Com o início da colonização portuguesa (por volta de 1720), o termo Tape deve ter sido assimilado pelo português (ganhando o plural) e designado "lugar de caminhos". O início da exploração do gado, abandonado pelos jesuítas no retorno ao Paraguai (1640), fez com que surgissem "caminhos" para os portugueses escoarem o couro e, posteriormente a carne para o mercado externo. O gado da região da campanha, para chegar ao mar, deveria cruzar o caminha da serra, ou a Serra de Tapes. Com o tempo, devido ao forte avanço da colonização, a região do Tapes perdeu força e área, devido à polarização causada pelo porto de Pelotas e de Porto Alegre, passando a denominar a estreita faixa entre a Lagoa dos Patos e a Serra do Sudeste.

É possível especular isso nas expressões usadas, principalmente por pessoas da serra, nascidas no início do século e ainda vivas, referindo-se a região e não a cidade, usando termos como: "lá para a banda dos Tapes". Outro forte indício disso é o apelido do General Zeca Neto, um dos líderes da Revolução Federalista de 1923 (Chimangos x Maragatos): o "Condor do Tapes". Ora, sabe-se que a área de atuação era basicamente de Pelotas a Guaíba e apesar da atuação de habitantes de Tapes na Revolução Federalista, ele era camaqüense. O apelido mostra que Tapes não era só o nome dado a cidade, mas a toda região citada. Desta forma, voltando na história, o barco Tapes talvez tivesse este nome devido a sua área de atuação, os Tapes, sua região de trabalho.

Por algum motivo, atualmente perdido na história, foi adotado o nome da região para definir o "Porto de Dores" (que certamente foi a primeira denominação usada para Tapes), talvez por ser um dos melhores portos / caminho da Lagoa dos Patos. Ou talvez porque esta região, antes do desenvolvimento trazido pelo arroz, tenha sido apenas um caminho, um porto, um tapes.

Breve Histórico de Algumas Regiões da Cidade

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