thumb|250px|Retrato da Baronesa de Vassouras, Museu Imperial Augusto (August) Müller (Baden, Alemanha, 1815 — Rio de Janeiro, 1883) foi um pintor e professor de artes alemão radicado no Brasil.
Aluno e posteriormente professor da Academia Imperial de Belas Artes, dentre suas obras conservadas pelo Museu Nacional de Belas Artes destacam-se os trabalhos: Jugurta na Prisão, Retrato de um mestre de Sumaca e o Retrato de Grandjean de Montigny.Google Arts & Culture. O Museu Imperial possui o retrato da Baronesa de Vassouras e diversas obras de paisagem do artista, como Rio de Janeiro visto da Ilha das Cobras.
Biografia esquerda|miniaturadaimagem|Rio de Janeiro Visto da Ilha das Cobras Imigrante alemão, e irmão do pintor Guilher Müller, chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1820, juntamente com seu pai. Matriculou-se em 1829 na Academia Imperial de Belas Artes, tendo sido um destacado discípulo de Debret.AUGUST Muller. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22565/august-muller>. Acesso em: 13 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Premiado na exposição de alunos de 1834, Muller foi, no ano seguinte, nomeado professor substituto, por concurso, da cadeira de Paisagem, recebendo o título definitivo em setembro de 1851, com a aposentadoria de Félix-Emile Taunay.
Lecionou até 1860 na Academia, mas pouco afeito ao que considerava mediocridade do ambiente cultural em que vivia, foi se retraindo, até que abandonou de todo a pintura. Entre seus discípulos, figurou Antônio Araújo de Sousa Lobo.
Müller é considerado um dos principais pintores paisagistas da época, além de ter tido um papel significativo na Academia Imperial de Belas Artes.PEIXOTO, Maria Elizabete Santos. "Pintores alemães no Brasil durante o século XIX". 1989 - 2004.
Nas palavras dos críticos:
Embora nem todos tenham uma visão totalmente positiva da arte acadêmica no Brasil no século XIX:
Academia de Belas Artes A Academia de Belas Artes tem, então, não apenas um papel fundamental para o desenvolvimento artístico de August Müller, mas também para diversos dos artistas contemporâneos do pintor alemão.
O Império Brasileiro, durante o Segundo Reinado, destacou-se por investir em criar uma imagem nacional, o que planejava construir com a atuação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e com a Academia Imperial de Belas Artes. Ambas ficaram encarregadas em dar uma nova cara para a monarquia brasileira.SCHWARCZ, Lilia. "A natureza como paisagem: imagem e representação no Segundo Reinado."
Como o Rio de Janeiro era considerada a metrópole do Segundo Reinado, ele acabou por se tornar o polo artístico do país na época, unindo a Academia Imperial de Belas Artes, a Corte e o patrocínio de Dom Pedro II, o que permitia o estudo e desenvolvimento das artes no Brasil. A Academia polarizava o movimento artístico brasileiro na época através do ensino acadêmico, suas exposições e sua colaboração com o governo.Revista Eletrônica Avenida Nº 01. Maio 2016, do Museu Nacional de Belas Artes.
O surgimento da escola de artes deve-se, em grande parte, à Missão Artística Francesa, a qual surgiu em torno de 1815. Com a chegada alguns dos idealizadores e participantes da missão francesa no Brasil, foi feito o decreto de 12 de agosto de 1816, o qual estabeleceu a criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, que depois se tornou Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura, em 1820; por fim, foi nomeada Academia das Artes, em 23 de novembro do mesmo ano por conta de outro decreto. Após a queda da monarquia no país, a escola de artes recebeu o nome oficial de Escola de Belas Artes.
Nicolas-Antoine Taunay é considerado o símbolo da Missão Artística de 1816. Taunay teria deixado a França após a queda de Napoleão pois ele, como bonapartista, achou a situação de seu país insustentável. Após passagem por Portugal, o pintor francês optou por escolher o Brasil para sua estadia. Outras fontes afirmam que Joachin Lebreton, por ser o chefe da Missão Artística Francesa e fundador do Louvre, teria iniciado a missão também no Brasil, ao desembarcar no Rio de Janeiro em 26 de março de 1816, juntamente com Tunay e com Jean Baptiste Debret, o arquiteto Grandjean de Montigny e o escultor Auguste-Marie Tauney, irmão de Nicolas-Antoine.
Mas o foco volta para Nicolas-Antoine Tunay: o parisiense dedicou-se à paisagem e se tornou um dos artistas favoritos de Napoleão. Suas habilidades para retratar as cenas ao ar livre se tornaram um dos exponentes para o trabalho paisagista realizado na Academia Imperial de Belas Artes, o qual August Müller iria posteriormente se inspirar, embora o principal motivo que tenha levado a escola artística dedicar grande parte do ensino de paisagem ao nacionalismo. Baseando-se na literatura que se formava no Brasil, a qual focava na formação de identidade nacional, a produção iconográfica da época, como diz Lilia Schwarcz: Tendo sua primeira exposição em 1829, a Academia de Belas Artes teve turbulências em sua direção, até que, em 1845, o progresso das artes recebeu uma conquista decisiva: a instituição dos prêmios de viagem. A partir dessa época, as exposições e concursos de viagem passaram a ser mais comuns, permitindo ao ensino artístico no Brasil ser considerado organizado e avaliador fundamental para a competência e dedicação dos componentes da missão francesa e de seus discípulos brasileiros.
Pinturas e gêneros miniaturadaimagem|Catete e praia do flamengo vistos da glória Data: 1840 - 1845 Dimensões físicas: w119 x h84 centimeters Procedência: Casa Geyer/Museu Imperial/Ibram/Minc Tipo: Óleo sobre telaOs estudos na Academia Imperial de Belas Artes foram determinantes para os estilos artísticos praticados por August Müller durante sua vida. Com a vinda de membros da Missão Artística Francesa ao Brasil, recebeu-se também a influência direta da arte francesa do início do século XIX, a qual é baseada no estilo Napoleônico e neoclássico. No Brasil, os franceses encontraram não apenas o estilo colonial, mas como também o Barroco português, fazendo nascer a reprodução artística na Academia de Belas de obras influenciadas por todos esses estilos.
Praticou a pintura histórica (Jugurta no fosso de Túlia é sua obra mais conhecida no gênero, tendo-lhe valido a Ordem da Rosa quando exposta) e o retratismo , principalmente o da baronesa de Vassouras, o do Mestre de uma Samuca - encomendado pelo governo imperial - e o do arquiteto Grandjean de Montigny, o qual foi incluído na Exposição da História do Brasil, realizada em 1881 no Rio de Janeiro.
Foi também um paisagista, destacando-se nesse último gênero as vistas do Rio de Janeiro que, entre 1835 e 1840, executou por encomenda do cônsul dos Estados Unidos da América, William Wright, na capital do Império, e que lhe garantem uma situação privilegiada entre os pioneiros da pintura paisagística no Brasil. O paisagismo teve um grande papel durante o Segundo Reinado, exatamente por exaltar a imagem do país e ajudar na formação de identidade nacional, como diz Lilia Schwarcz: "o paisagismo, em especial aquele que destaca a exuberância tropical ou cenas do cotidiano e, mais especialmente, da própria história nacional que, nesse momento, é também redefinida e sujeita a novo calendário."
Quando professor, Müller levava seus alunos ao ar livre para praticar o paisagismo, mas somente após exercícios de cópias de estampas e obras de paisagens europeias. A prática foi criticada por Manuel Araújo Porto Alegre, em uma carta direcionada ao professor, que criticava a demora para a ida ao ambiente natural e que o método utilizado poderia viciar os alunos a apenas reproduzirem cenas da Europa, enquanto as paisagens do Rio de Janeiro apresentavam mais cores e um ambiente completamente diferente.CAVALCANTI, Ana Maria Tavares. "Pintura de paisagem, modernidade e o meio artístico carioca no final do século XIX Reflexões sobre Antônio Parreiras (1860-1937), Baptista da Costa (1865-1926) e Eliseu Visconti (1866-1944)"
Müller também usa do artificio da fotografia, como vários de seus contemporâneos. Baseando-se em fotos, o pintor alemão podia usar uma imagem congelada para a produção de suas obras.CHIARELLI, Tadeu. "História da arte / história da fotografia no Brasil - século XIX: algumas considerações."
Müller foi gracejado com medalha de ouro em 1834, 1840 e 1864 por causa de suas obras apresentadas nas Exposições Gerais de Belas Artes da Aiba.
Principais obras Como paisagismo era a técnica que ensinava na Academia de Belas Artes, Müller se destacava com as pinturas que fazia das paisagens do Rio de Janeiro, mas, além disso, o pintor alemão também se sobressaia como retratista, pintando figuras do cenário brasileiro da época sob encomenda do Império ou retratando personagens históricos de forma a ajudar na formação de identidade nacional através da arte.miniaturadaimagem|Pintura de Jugurta, imperador da Numídia preso pelos romanos.|esquerda
Jugurta Uma das principais pinturas de Müller é a obra Jugurta na Prisão, um retrato do imperador da Numídia Jugurta no que seria uma prisão romana, conhecida como Carcere Mamertino. A prisão, também chamada de carcere Tulliano, é a prisão mais antiga de Roma e, considerada por alguns, a mais antiga do mundo.
Localizada no Fórum Romano, o carcere Mamertino recebeu por mais de mil anos os maiores do povo e Estado de Roma, tais como o Pôncio, o rei dos gauleses Vercingetorix, São Pedro e os conspiradores de Catilina.
Retratado na pintura de Müller, o imperador aprece despido de roupas com exceção de um pedaço de pano vermelho que lhe cobre as genitais. As cores escuras indicam o formato da prisão Mamertina, assim como a presença de mãos de uma pessoa ajoelhado no canto superior esquerdo da tela. Diz-se que, ao ser jogado na prisão, o rei da Numídia, teria gritado: "Como é legal esse seu banheiro, Romanos!"<ref name=":1">Carcere Mamertino (Carcer Tullianum), beniculturali.it via Internet Archive.</ref>
Os inimigos que ficavam aprisionados no carcere Mamertino eram mantidos ali até que os romanos decidissem ser a hora de sua execução ou, como no caso de Jugurta, permaneciam até sua morte.
Mestre de Sumaca Retrato de um mestre de Sumaca, Manuel Correia dos Santos foi encomendado pelo governo imperial para August Müller e apresentado na Primeira Exposição Geral de Belas Artes no Rio De Janeiro. miniaturadaimagem|Mestre de Sumaca, 1839.Alberto Cipiniuk, em seu livro A Face pintada em pano de linho: moldura simbólica da identidade brasileiraCIPINIUK, Alberto. "A face pintada em pano de linho: moldura simbólica da identidade brasileira." classifica a pintura:REIS, Ronaldo Rosas. Educação e estética: ensaios críticos sobre arte e formação humana no pós-modernismo. São Paulo: Cortez, 2005.
No capítulo 1. O biografo e o seu assunto, o retratista e seu modelo, Alberto Cipiniuk coloca em pauta o motivo que teria feito o império encomendar a pintura:
miniaturadaimagem|Grandjean de Montigny, c. 1843, MN Belas Artes|esquerda
Após ter apontado suas próprias indagações como elitistas, Cipiniuk justifica:
Retrato da Baronesa de Vassouras O Retrato da Baronesa de Vassouras exibe Eufrásia Teixeira Leite, uma herdeira e investidora financeira que investiu grande parte de sua fortuna a instituições assistenciais e educacionais da cidade de Vassouras. Sobrinha do barão de Vassouras, Eufrásia acabou por herdar o título, assim como a fortuna feita por seu pai e tio, que faziam as intermediações financeiras com os prósperos fazendeiros de café.Eufrásia Teixeira Leite, na Wikipédia.
Retrato de Gradjean de Montigny