thumb|300px|Praça Minas Gerais em Mariana thumb|300px|Museu da Inconfidência em Ouro Preto thumb|300px|Placa explicativa sobre o Quadrilátero Ferrífero, dentro do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. Quadrilátero Ferrífero é uma região localizada no centro-sul do estado de Minas Gerais, que é a maior produtora nacional de minério de ferro bruto. O estado foi recentemente superado pelo Pará nos quesitos de produção beneficiada e também de valor comercializado, conforme dados de 2020 publicados pela Agência Nacional de Mineração, com destaque para a região de Carajás. De toda a produção nacional, 48% saem da região,Anuário Mineral Brasileiro: principais substâncias metálicas / Agência Nacional de Mineração; coordenação técnica de Marina Dalla Costa. – Brasília: ANM, 2022. 30 p. ; il. - Disponível em: <https://www.gov.br/anm/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/serie-estatisticas-e-economia-mineral/anuario-mineral/anuario-mineral-brasileiro/amb-2021-ano-base-2020.pdf> que tem uma área de aproximadamente 7 mil quilômetros quadrados e abrange os municípios de Caeté, Itabira, Itaúna, João Monlevade, Mariana, Ouro Preto, Rio Piracicaba, Sabará e Santa Bárbara, entre outros. Além do minério de ferro, também são extraídos do Quadrilátero Ferrífero ouro e manganês.
Foi um importante polo aurífero na época do ciclo do ouro, quando os portugueses colonizaram a região em busca de esmeraldas, uma raridade sobre a qual circulavam boatos sobre a sua existência. No entanto, ao invés de esmeraldas, encontraram ouro de tonalidade escura, dando origem ao nome Ouro Preto para o local do descobrimento. O Ciclo do Ouro no século XVIII impulsionou o desenvolvimento da área do Quadrilátero Ferrífero, atraindo uma grande população em busca de riquezas. A exploração mineral, especialmente a extração de ouro, teve um impacto significativo na sua formação histórica e econômica.
O povoamento teve início com a mineração no século XVII. Com a sua decadência, no fim do século XVIII, a região ficou estagnada. No fim do século XIX, com a fundação de Belo Horizonte, houve um novo surto de povoamento.
Lá encontra-se parte de duas das mais importantes bacias hidrográficas do estado, a do Rio Doce e a do Rio das Velhas.
Desde o século XX, sua produção, em especial a extração de minério de ferro, abastece as usinas siderúrgicas nacionais e produz, em grande parte, para exportação através da Vale S.A., antiga CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). O minério é escoado através da Estrada de Ferro Vitória a Minas até os terminais do Porto de Tubarão, em Vitória, capital do Espírito Santo (tanto a ferrovia Vitória-Minas quanto o Porto de Tubarão pertencem à Vale S.A.).
Parte do transporte do minério é feito por túneis subterrâneos, chamados minerodutos. Um deles liga Mariana a Anchieta, no estado do Espírito Santo, com extensão de aproximadamente 400 km e atravessando 25 municípios.
Há também o Mineroduto Minas-Rio,que liga a cidade de Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais, ao terminal marítimo de Porto do Açu, no Rio de Janeiro. De lá, a maior parte do minério é enviada para a China. O comprimento total do duto é de 525 km, passando por 32 municípios. O transporte pelo duto tem a duração de três dias e utiliza bombas de alta pressão. A empresa responsável pela estrutura é a Anglo American e as operações tiveram início no final de 2014.
Municípios integrantes
Alvinópolis Belo Horizonte Barão de Cocais Caeté Congonhas Igarapé Itabira Itabirito Itatiaiuçu Itaúna Jeceaba João Monlevade Mariana Mateus Leme Moeda Nova Lima Ouro Preto Ouro Branco Raposos Rio Acima Rio Manso Rio Piracicaba Sabará Santa Bárbara Santa Luzia São Gonçalo do Rio Abaixo São Joaquim de Bicas SarzedoCMunicípios do QFe - VUFOP, 2009 (visitado em 22-4-2010)
Geologia A geologia desempenhou um papel crucial na trajetória histórica e cultural brasileira desde o final do século XVII, quando a descoberta de ouro na área das cidades históricas de Minas, dentro do Quadrilátero Ferrífero, marcou um ponto de virada. Para além da influência cultural evidente na própria nomenclatura do Estado de Minas Gerais e em seu gentílico, a geologia e a atividade mineradora deixaram uma marca nas expressões culturais da época. Durante esse período, floresceu a arte barroca, representada nas construções religiosas dos primeiros assentamentos.
No início do século XIX, após o início do declínio da produção de ouro na região, esforços de naturalistas europeus que estudavam a região deram origem aos primeiros registros textuais e de seções geológicas regionais. Mesmo após estas iniciativas e o reconhecimento internacional dos teores e estimativas das reservas de minérios de ferro, na região central de Minas Gerais, apenas em 1946Quadrilátero Ferrífero: avanços do conhecimento nos últimos 50 anos / organizado por Paulo de Tarso Amorim Castro, Issamu Endo, Antonio Luciano Gandini. — Belo Horizonte : 3i Editora, 2020. 480 p. teve início um amplo projeto de conhecimento da geologia da região, que se deu por meio de um convênio entre o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e o United States Geological Survey (USGS). O projeto, coordenado por John van Nostrand Dorr II, culminou em 1969 com a publicação do mapa de integração regional (figura) e seu texto explicativo.
A região expõe uma sucessão de unidades litoestratigráficas que registram processos geológicos de abrangência regional e global durante as eras Neoarqueana e Paleoproterozoica. O Quadrilátero Ferrífero trata-se então de uma das áreas clássicas do estudo do superéon Pré-Cambriano no mundo. alt=Morfologia, estratigrafia, e desenvolvimento estrutural do Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais, Brasil.|centro|miniaturadaimagem|600x600px|Morfologia, estratigrafia, e desenvolvimento estrutural do Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais, Brasil. (Dorr, 1969)
Estratigrafia Em linhas gerais, o Quadrilátero Ferrífero (QF) compreende quatro macrounidades rochosas: os complexos metamórficos arqueanos; a sequência metavulcanossedimentar do tipo greenstone-belt, também de mesma idade; as rochas supracrustais de idade paleoproterozoica e as coberturas sedimentares cenozoicas intramontana, tectonicamente controlada juntamente com as detrito-lateríticas, como resultado do intemperismo.
Complexos metamórficos Os complexos metamórficos (granito-gnaissicos) compreendem rochas cristalinas de idade arqueana de composição tonalítica a granítica e subordinadamente por granitos, granodioritos, anfibolitos e intrusões de rochas de natureza máfica e ultramáfica. Análises geocronológicas de zircões detríticos apontam idades de cerca de 3,81 Ga para o protólito da crosta do Grupo Nova Lima, situado acima desses complexos, e a idade das rochas granitoides mais jovens varia de 2,78 a 2,61 Ga. Há ainda os granitos Santa Bárbara de 3,2 Ga
Supergrupo Rio das Velhas Este compreende rochas metavulcânicas e metassedimentares que caracterizam o greenstone-belt também de idade arqueana. Essas rochas apresentam ampla distribuição regional, ocorrendo em toda borda leste-sudeste do Cráton São Francisco (SF).
É composto, da base para o topo, pelos grupos Quebra Osso, Nova Lima e Maquiné, sendo que o primeiro é composto por metakomatiítos, metabasaltos toleíticos e metariolíticos. O Grupo Nova Lima compreende rochas metassedimentares de composição carbonática, siliciclástica e formações ferríferas bandadas do tipo Algoma. Acima deste, em discordância erosiva, situa-se o Grupo Maquiné, no qual estão presentes níveis conglomeráticos na base, quartzitos maciços e sericíticos, sericita-quartzo xistos, metaconglomerados oligomíticos e polimíticos, além de filitos.
Supergrupo Minas É uma sequência metassedimentar de idade paleoproterozoica constituída predominantemente por sedimentos plataformais clásticos e químicos em contato tectônico com a unidade subjacente.RONCATO. J.G., 2016. Evolução de turbiditos e sua mineralização aurífera no lineamento Córrego do Sítio e área Cuiabá-Lamego, Supergrupo Rio das Velhas: Geoquímica, Geocronologia in situ LA-ICP-MS em sulfetos.Tese de Doutorado. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 301p.
A coluna estratigráfica do Supergrupo Minas e suas subdivisões datam desde o início do século XX, mas a mais aceita foi a proposta por Dorr 1969, sendo sua atual configuração uma junção de contribuições de diversos estudos posteriores. Propõe-se que estratigrafia do Supergrupo Minas seja formada por cinco grandes unidades.
Da base para o topo, encontram-se sedimentos clásticos do Grupo Tamanduá (motivo de discussões sobre a estratigrafia do SG Minas), sedimentos clásticos do Grupo Caraça, sedimentos químicos do Grupo Itabira, sedimentos clásticos e químicos do Grupo Piracicaba e sedimentos do tipo flysh do Grupo Sabará.
O Grupo Caraça é constituído por rochas clásticas que repousam discordantemente sobre as unidades vulcanosedimentares do Supergrupo Rio das Velhas. É dividido em duas formações: Moeda e Batatal. A formação quartzítica basal, inicialmente definida por Quartzito Caraça e renomeada de Formação Moeda,Wallace R.M. 1958. The Moeda Formation. Soc. Bras. Geol., Bol., vol. 7, nº2, p.59-60. ocupa a base do Grupo Caraça. É composta dominantemente por litologias de composição quartzítica, que incluem metaconglomerados, filitos, quartzitos de grão fino a grosso com conteúdo variável de sericita. A Formação Batatal é constituída por filitos sericíticos, filitos grafitosos, formação ferrífera e, subordinadamente por metacherts.Maxwell C. H. 1958. The Batatal Formation. Sociedade Brasileira de Geologia, Bol. vol. 7 n°2, p. 60-61
O Grupo Itabira, composto dominantemente por sedimentos químicos, é dividido em duas unidades intergradacionais, as formações Cauê na base e Gandarela no topo. A Formação Cauê, compreende itabiritos, itabiritos dolomíticos e anfibolíticos, além de lentes de filito e marga. O contato com a Formação Batatal é gradacional. Sobreposta gradacionalmente à Formação Cauê, a Formação Gandarela é formada essencialmente por itabiritos dolomíticos, dolomitos e mármores.Almeida L. G. 2004. Evolução Tectônica da porção central do sinclinal Dom Bosco, Quadrilátero Ferrífero - Minas Gerais. Dep. de Geologia da Universidade Federal de Ouro Preto. Dissertação de mestrado, 110p.
O Grupo Piracicaba é a sequência clástica de topo, dividido da base para o topo nas formações Cercadinho, Fecho do Funil, Tabões e Barreiro. A Formação Cercadinho é composta por quartzito, quartzito ferruginoso, filito ferruginoso, filito dolomítico e dolomito. A Formação Fecho do Funil é formada por filito dolomítico, filito e dolomito. A Formação Taboões consiste, essencialmente, de ortoquartzitos finos e equigranulares. A Formação Barreiro é formada, predominantemente, por xisto, filito e filito grafitoso.
No topo do Supergrupo Minas ocorre uma sequência de rochas imaturas com contribuição vulcanogênica, que constitui o Grupo Sabará. Esta sequência tem uma espessura de 3 - 3,5 Km e é composta por xistos, filitos, metarenitos, metavulcanoclásticas, metaconglomerados e metadiamictitos. O contato inferior e superior do Grupo Sabará com as unidades do Grupo Piracicaba e com o Grupo Itacolomi, respectivamente, dá-se por meio de uma discordância erosiva.
Estudos realizados nas proximidades de Lavras Novas, ao sul da cidade de Ouro Preto, no Sinclinal Dom Bosco, caracterizaram duas unidades litoestratigráficas integradas ao Grupo Sabará: a inferior, Formação Saramenha, e a superior, Formação Estrada Real.Barbosa A. L. M. 1968. Contribuições recentes à geologia do Quadrilátero Ferrífero. Ouro Preto, Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto. 68p
A Formação Saramenha é caracterizada por intercalações de metadiamictitos, metapelitos, metarritmitos, metarenitos, xistos e filitos negros. As maiores espessuras são alcançadas pelos xistos, metadiamictitos e metapelitos, respectivamente.