Luiz Alves é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. Localiza-se à latitude 26º43'14" sul e à longitude 48º55'58" oeste. Sua população estimada em 2022 é de 11.684 habitantes.
A cidade apresenta paisagens naturais, com quedas d'água, grutas e cachoeiras encravadas em campos verdes. É conhecida como "O Paraíso Verde do Vale", devido à grande área de mata atlântica presente no município. Também é conhecida como “Capital Nacional da Cachaça” devido ao grande volume de produção da bebida e por produzi-la tanto de forma artesanal como industrializada.
O município é, também, o segundo maior produtor de banana do estado, destacando-se pela qualidade de suas verduras, do arroz e de outras culturas.
Em novembro de 2008, uma catástrofe ambiental atingiu o Vale do Itajaí, sendo que em Luiz Alves foram registrados vários alagamentos e deslizamentos, que deixaram 11 pessoas mortas, cerca de 500 desalojadas e 300 desabrigadas, além de 500 casas terem sido danificadas e 110 destruídas. Serviços de água, energia elétrica, telefonia, transportes e comunicação foram gravemente prejudicados, além de ocorrências de deslizamentos de terra e formação de crateras na rodovia SC-413 e na estrada que dá acesso à Blumenau. O município ficou cinco dias isolado, tendo sido decretada situação de calamidade pública.
História O início da colonização da área em que hoje se situa o município de Luiz Alves é incerta, pois seu povoamento se deu de forma esparsa através de pessoas vindas de Itajaí que subiam o vale colonizando cada vez mais seu interior, chegando a ocupar seu médio vale, pois a área que compreende o alto Luiz Alves e seus afluentes era terra devoluta e habitada somente por índios Tapuias, que eram nômades, conhecidos hoje pelo nome Xokleng ou Lã-Klanõ, e que ocupavam toda a área do Vale do Itajaí. Por volta de 1867 já era citado o nome da localidade "Luiz Alves" ou "Sertão do Luiz Alves" nos registros de casamento, batismo e óbito da Matriz do Santíssimo Sacramento, em Itajaí.
Em dezembro de 1876, a Comissão encarregada de discriminar as terras do domínio particular, no então município de Itajaí, segue para o rio Luiz Alves, a fim de escolher o melhor local para o estabelecimento de uma colônia, e, em função de tal desejo, foram criados 16 lotes, com 275 metros de frente e 1.100 metros de fundos.
Em 1877, a área territorial da "Colônia Luiz Alves" era de 12 léguas quadradas. Isto significava que, em fins de setembro de 1877 haviam sido medidos 224 lotes. E, em novembro de 1877, a colônia “Luiz Alves” teve iniciado o seu povoamento. Os italianos foram os pioneiros na colonização de Luiz Alves e logo após foram seguidos pelos alemães, austríacos e portugueses. Em 29 de novembro de 1877 chegava o primeiro grupo de 79 colonos. O segundo grupo chegou em 10 de dezembro de 1877 e um terceiro grupo chegou no dia 30 de dezembro de 1877.
Foram esses colonos, italianos e austríacos, que ocuparam os primeiros 52 lotes, sendo 28 lotes às margens do rio Luiz Alves e 24 lotes às margens do Braço do Norte. Já os colonos alemães ocuparam 11 lotes às margens do ribeirão Máximo, enquanto os colonos nacionais tiveram 30 lotes, às margens dos ribeirões Serafim e Braço Seco. E por último os portugueses que ocuparam lotes às margens do Rio do Peixe. O diretor da colônia era Júlio Grothe, que foi demitido em 13 de setembro de 1878 e substituído pelo engenheiro Pedro Luiz Taulois, o qual exerceu a função até a emancipação política de Luiz Alves.
A colônia de Luiz Alves sofreu também vida acidentada, registrando-se vários motins entre os colonos, obrigando o emprego e a permanência de força policial para manter a ordem. Tal situação motivou o seu lento progresso até que, em 1890, o governo da Província de Santa Catarina viu-se na contingência de lhe retirar os favores coloniais, extinguindo a colônia Luiz Alves.
Iniciada em 1877 com 230 colonos, em 1878 elevava o seu número para cerca de 500. Apesar da extinção da colônia, o processo de diáspora foi relativamente lento, apresentando 83 colonos ainda em 1892, no ano seguinte, 78, e em 1894 ainda 6.
Após Pedro Luís Taulois administrar a colônia, os interesses desta passaram a ser dirigidos por Brusque e mais tarde por Blumenau. Em 1893, a companhia Torrens estabeleceu 83 colonos em área medida em Luiz Alves, seguindo-se, nos dois anos seguintes, mais 84, aproveitando assim 167 dos 475 lotes demarcados. Ao se seguir a administração da colônia pelas cidades de Brusque e Blumenau, esta foi relegada ao esquecimento.
Por decreto de 10 de janeiro de 1903, passou a ser Distrito do município de Itajaí. Em 1958, através da Lei Nº 348/58, foi elevado à categoria de município. A emancipação política completa ocorreu no dia 18 de julho de 1958, sendo eleito como primeiro prefeito de Luiz Alves o senhor Guilherme Schwanke.
O município começa a regredir nas décadas de 60 e 70, com a baixa da agricultura. Nessa mesma época, o governo priorizou interesses de outros municípios, arrochando a cidade economicamente. Os luizalvenses foram para as cidades, atraídos pelo bom salário e prosperidade econômica. Pelas décadas de 1970 e 1980, surgiu o plantio da banana, que fez com que diminuísse o êxodo rural e o município desenvolveu-se bastante economicamente.
Aproximadamente em 1977, durante o governo de Wilibaldo Bylardt, e a assistência de Miro Hess, iniciou-se a abertura da SC-413, a eletrificação rural, a retificação das estradas, o ginásio de esporte e o campo da SERAL, calçamento da rua 18 de Julho — no bairro Centro, construção do prédio do BESC, construção de pontes nas comunidades, abastecimento de água – represa e reservatório, obras importantes para o desenvolvimento urbano da região.
As maiores enchentes 1880 – Logo nos primeiros anos de colônia já houve uma grande enchente que geraram muitos prejuízos para os que ali viviam. As chuvas duraram de 22 a 23 de setembro. Houve relatos de que as águas levavam o gado, as plantações, o que mais houvesse pela frente. Perderam a vida 25 colonos (afogados e soterrados), houve deslizamentos de terra, e diversas plantações e pastagens próximas às margens dos rios foram soterradas com terra e areia que veio com as águas. 1911 – Neste ano, Luiz Alves viu-se outra vez sob o domínio das águas. Não se registrou vítimas humanas. Os prejuízos foram todos indenizados com auxílio vindos de diversos pontos do país e de Hamburgo. 1970 – Uma tromba d’água que eclodiu em todo o município na noite do dia 2 de fevereiro fez com que os rios enchessem rapidamente. O nível das águas superou a de 1880. Grandes quantidades de animais afogaram-se, e plantações ficaram debaixo das águas. Não houve vítimas humanas. 1983 e 1984 – Outras enchentes relevantes. 2008 – 21, 22 e 23 de novembro de 2008, ocorreu uma das maiores tragédias na região. O nível das águas foi maior que o da enchente de 1983/1984, porém não a de 1970. Em prejuízos, contudo, superou: deslizamentos de terra, as margens dos rios foram praticamente todos aterrados com terra e areia, 11 pessoas perderam a vida por deslizamentos de terra — nenhuma por afogamento —. O município ficou cerca de 5 dias sem energia elétrica, 6 dias sem os serviços telefônicos e 5 dias isolado dos demais municípios. Centenas de casas foram destruídas ou danificadas e centenas de pessoas desabrigadas, várias pontes caíram, estradas e ruas sem condições de tráfego por conta de crateras e deslizamentos de terra em ruas. 2011 – 21 e 22 de janeiro de 2011, uma tromba d’água entre 18h30 e 20h30 assolou Luiz Alves e região. No município, choveu em aproximadamente duas horas cerca de 150 mm de chuva, o nível do rio Luiz Alves subiu pouco mais de 6 metros do seu nível normal e 8 bairros ficaram isolados do município. Houve inundações em residências e comércio principalmente nos bairros Vila do Salto, Dom Bosco, Centro, Braço Elza, Vila Nova e Rio do Peixe; nos demais bairros houve inundações mas não chegou a atingir residências. Houve outros prejuízos como perdas na agricultura e deslizamentos de terra em vários pontos no município, mas felizmente não houve vítimas. 2011 – 25 de fevereiro, uma tromba d’água no início da manhã assolou apenas a cidade de Luiz Alves. Foram cerca de 3 horas de muita chuva, cerca de 120mm, o que foi o bastante para se contabilizar inúmeros prejuízos materiais. O nível do rio Luiz Alves subiu pouco mais de 5 metros do seu nível normal e o bairro Braço Cunha ficou isolado devido à queda de uma ponte. Houve também inundações em residências e comércio principalmente nos bairros: Vila do Salto, Dom Bosco, Centro, Braço Elza, Vila Nova, Alto Canoas, Braço Miguel, Baixo Canoas e Rio do Peixe. Nos demais bairros, ocorreram inundações, mas não chegou a atingir residências.
Origem do nome do município Muitas são as versões sobre o nome do município, mas a mais aceita é a envolvendo Dom Luiz Alves, e de seu escravo que também era chamado de Luiz Alves. Por ele ter começado ali a colonização de Ilhota, então foi dado o nome ao rio de Luiz Alves. Ele também acompanhou os imigrantes italianos até a colônia de Luiz Alves.
Com a grande popularidade da cachaça e de outros produtos, a nova colônia necessitava de comunicação. Então começava a aparecer as correspondências. Ofereceu-se este trabalho ao negrinho Luiz Alves que pegava as encomendas e saia correndo até os núcleos. Quando alguém lhe perguntava como era o nome da colônia, simplesmente respondia que não sabia. Apenas tinha certeza que ia a 3 núcleos; dos italianos, alemães e portugueses.
O histórico da religião católica em Luiz Alves A colônia Luiz Alves foi iniciada em 1877 com a chegada dos primeiros imigrantes italianos, logo após seguidos pelos alemães e portugueses ao município. Em 1879, já estava edificada a primeira e simples capela dedicada a São Vicente de Paulo. Em 1899, foi construída a segunda capela, com licença dada pelo bispo de Curitiba, Dom Duarte Leopoldo e Silva.
Em 1912, foi criada a Paróquia São Vicente de Paulo. A atual Igreja Matriz São Vicente de Paulo foi iniciada a sua construção em 1941 e concluída em 1952. Em setembro de 2002, foi comemorado o jubileu áureo da sua construção, e em 2012 comemorado seu centenário da paróquia. Umas das curiosidades da paróquia é que toda a igreja é feita de tijolo maciço, sem composição de ferro. Os dois sinos que estão na torre principal o então governador do estado Irineu Bornhausen os doou no natal de 1937.
Em novembro de 1977, foi comemorado o centenário da fundação da colônia de Luiz Alves. No dia 2 de dezembro de 2007, foram comemorados os 130 anos da imigração italiana. Em 18 de julho de 2008, foi comemorado o cinquentenário de emancipação política do município de Luiz Alves. Em 2012, será comemorado o centenário da criação da Paróquia São Vicente de Paulo.
Atualmente a Paróquia São Vicente de Paulo (Centro de Luiz Alves), tem 17 capelas espalhadas por todo o município.
Símbolos oficiais Luiz Alves possui três símbolos oficiais: o brasão, a bandeira e o hino.
O brasão de Luiz Alves (significado das cores e figuras):
Escudo Português, a Cruz, a Moenda, o Arado (todos estes estilizados em prata), quadriculado em cor verde. Coroa mural de prata forrada de vermelho com quatro torres abertas do segundo. Divisa, “Luiz Alves”, de prata em listel vermelho, que contém as seguintes datas: 1877 e 1958 (o período da colônia Luiz Alves)
A bandeira municipal de Luiz Alves (significado das cores e figuras): Verde: matas do nosso município; Amarelo: a riqueza do nosso município; Escudo/centro: Arado: a agricultura do nosso município; Cruz: a forte religiosidade em nosso município; Moenda: a forte produção de cachaça em nosso município;
O hino da cidade, simplesmente intitulado "Hino de Luiz Alves", e foi instituído pela Lei nº 278/77.
Prefeitos