Rodeio é município brasileiro do Estado de Santa Catarina. Possui área de 129,001 km² e está a uma altitude de 88 metros. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2023, era de habitantes. É um município conhecido por preservar várias tradições trazidas pelos imigrantes fundadores. A primeira "leva" de imigrantes tiroleses de língua italiana (trentinos) chegou no ano de 1875 saídos do Império Austro-Húngaro, vindos da região trentina do Tirol. Posteriormente, vieram também imigrantes do Reino da Itália saídos de Vêneto e da Lombardia.
História Colonização O território que hoje consiste em Rodeio foi fundado em meados de 1875, com a chega dos imigrantes austríacos (tiroleses da região de Trento) e italianos (vênetos e lombardos). Estes imigrantes vieram a pedido de Dr. Blumenau, já que os imigrantes alemães não estavam se adaptando com a região.
A maioria dos imigrantes que se estabeleceu em Rodeio veio da área de língua italiana do Tirol (distrito de Trento), região montanhosa que passou para a Itália após a Primeira Guerra Mundial e foi rebatizada durante o período fascista (em 1923) com o nome Trentino Alto-Ádige/Südtirol. Com o Tratado de Paris Saint-Germain a região tirolesa passou a pertencer ao reino italiano. Hoje, essa região autônoma é dividida em duas províncias autônomas: Trento e Bolzano, pertencentes à República Italiana, mas com um amplo estatuto de autonomia governativa e fiscal sob tutela internacional austríaca.
Vale lembrar que também houve importantes núcleos de famílias vindas do Vêneto e da Lombardia, sendo estas regiões pertencentes ao então Reino da Itália.
De 1363 a 1918, toda a região do Tirol pertenceu ao Império Austríaco e seus habitantes mantinham estreitas relações com os costumes germânicos, haja vista sua nacionalidade austríaca. Na época, os imigrantes austríacos de fala italiana (tiroleses) povoaram boa parte do Vale do Itajaí. Em Rodeio chegou a funcionar a Liga Austro-Brasileira (originalmente Lega Austriaco-Brasiliana di Rodeio nel Municipio di Blumenau), fundada por imigrantes tiroleses em 1909.
Os imigrantes partiram então de Indaial, enquanto as esposas ficaram em Blumenau, começaram então a traçar uma picada feita de machado e facão, seguindo o rumo do Rio Itajaí-Açu, fazendo um longo trajeto, contornando Timbó, até chegarem exatamente até o ponto de partida. Fazendo então a chamada "Picada Rodeio", já que foi feito um "rodeio" pelo território.
Sobre os indígenas, existe poucos relatos, mas os que habitaram a região foram os tapuias, descendentes da tribo dos aimorés. Os relatos mais comuns acerca do assunto é de que essas populações eram perigosas e não gostavam de trabalhar, cometendo vários assaltos e alguns assassinatos. Para tanto foram chamados os ditos "bugreiros" para exterminar com esses povos. Hoje em dia há muitas discussões sobre se realmente eram os "índios" que atacavam sem motivos, ou se não era o oposto, ou até mesmo, se não era um conflito mútuo.
Cabe mencionar que Rodeio constituía-se numa "sociedade da capela", pois todas as relações sociais se passavam nas proximidades de onde era construída a capela. Além disso, havia outros grupos étnicos para além dos tiroleses e italianos, caso dos "caboclos" de Diamante e Rio Morto e dos poloneses que habitavam a localidade de Ipiranga.
Emancipação Em relação à política municipal, Rodeio por muito tempo fez parte de Blumenau, até no começo do século XX quando foi repassado para Indaial e depois para Timbó. Foi então que Timbó ficou divida em dois grandes distritos (Timbó e Rodeio). Após uma eleição fracassada da chapa do Sr. Sílvio Scoz na década de 1930 (na época se votava por chapas, ou seja, se votava pelo partido e se escolhia os vereadores apenas do prefeito e vice-prefeito vencedores). Esse mesmo grupo resolveu separar o distrito de Rodeio, feito que depois de algum tempo se realizou no dia 14 de março de 1937, com a emancipação política de Rodeio.
Sílvio Scoz foi o primeiro prefeito e que governou durante 10 anos seguidos pelo antigo PSD. Vale lembrar que Rodeio foi criado com 2 distritos o de Rodeio e o de Benedito Novo (que abrangia também Doutor Pedrinho). Que se emanciparam mais tarde em 1961 e em 1989, respectivamente. Um dos principais fatores para essa divisão foi os conflitos gerados pela falta de identidade com o município por parte dos descendentes de alemães (Benedito), em relação aos italianos (Rodeio). O atual prefeito da cidade é Valcir Ferrari do PSD.
Cultura Dos imigrantes muito sobrou de sua cultura, hoje cerca de 80% da população rodeense é descendente destes imigrantes que chegaram no fim do século XIX. Dentre as principais colaborações dos imigrantes ficou a culinária, na qual possuí grande importância a polenta, acompanhado normalmente com galinha (polo) e aipim, linguiça (lugànega) e queijo (formài), com chucrute (cràuti) e omelete com carne de porco (fortàia). Todavia existe outros pratos como a minestra (feijão com macarrão), a macarronada e a lasanha. Nas bebidas, o vinho é referência, mas também existe a bira dolce (cerveja caseira e doce), o vin de naranz (vinho de laranja), chamado também sbrèga giaghete (por conta do calor que provoca) e o bonican (licor de ervas).
No quesito diversão ficou os jogos como a mora, a bríscola, a bocha, o cinquilho e a tranca. Além é claro, das danças, músicas e principalmente, do dialeto trentino mantido até hoje pela população, que às vezes cria teatros feitos apenas nessa língua. A tradição trentina se preserva na cidade nas festas, no Museu e no grupo Folk Trentino de dança.
Dentre as festas mais famosas da cidade estão a La Sagra que iniciou-se em setembro de 1988, em homenagem a antiga festa da La Sagra della Dolorata, isto é, de Nossa Senhora das Dores que fora a primeira padroeira da cidade, antes da chegada dos padres franciscanos na virada do século XIX para o XX transformando São Francisco de Assis no padroeiro da cidade. Esta festa foi a primeira "tipicamente" italiana do Vale Europeu, logo depois viriam as festas de Rio dos Cedros, Ascurra, Nova Trento e entre outros, chegou a ser considerada a segunda maior festa da região, estando atrás apenas da Oktoberfest de Blumenau.
A festa tinha como objetivo resgatar os costumes típicos os imigrantes tiroleses, tomando de uma identidade exclusivamente trentina para o município. No entanto, durante os 17 dias de festa havia grupos musicais não apenas trentinos, mas também músicas e costumes germânicos e até mesmo gaúchos nos festejos, pois não há uma unidade cultural no município. Esta festa era organizada pelo Círculo Trentino de Rodeio (entidade ligada a uma Ong italiana) e pela Prefeitura Municipal, no entanto, em 2007 por questões políticas a festa deixou de ser feita pela parceria e passa a existir duas festas: a La Sagra (Círcolo Trentino) e a Saga Trentina (Prefeitura), na qual a primeira perdeu sua força popular concentrando-se em pequenos grupos, enquanto que a última já não existe mais, sendo substituída por uma festa municipal que ocorre durante três dias na semana do aniversário da emancipação da cidade e que aos poucos vai retomando sua grandiosidade, sendo que em 2015 trouxe o grupo gaúcho Garotos de Ouro e em 2016 o cantor Michel Teló.
Entre outras festas importantes, estão o Baile do Vinho, realizado sempre no inverno, o Carnaval de Veneza, realizado no restaurante Adesso Cucina Moser, e a Festa do Colono e do Caminhoneiro, que traz como principal atrativo a carreata com tratores, caminhões, tobatas, cavalos e bois traçados e tantos outros. Durante a década de 1990 havia os CTG's, denominados Rodeio da Amizade e Lenço Colorado, colaboraram com a festa do colono durante anos, trazendo muitas pessoas do litoral e da serra catarinense para os torneios.
Um evento que vem se destacando na cidade é a Gincana de Rodeio, organizada pela LGR - Liga de Gincaneiros de Rodeio com o intuito de promover a integração da juventude de Rodeio com a comunidade.
Em 2017 Rodeio firmou um Pacto de Amizade com a cidade de Fornace (Trento, Itália), com o objetivo de manter os laços transoceânicos entre as duas comunidades, incentivar o crescimento econômico e posteriormente tornarem-se cidades-gêmeas.
No ano de 2019 recebeu o título de Capital Catarinense Trentina, em projeto do deputado Ivan Naatz (PV). Em julho de 2020, através da Lei Ordinária Nº 2156, o município cooficializou o dialeto trentino junto à língua portuguesa.Sancionada Lei que torna Dialeto Trentino Língua Cooficial de Rodeio, Vale do Itajaí NotíciasDialeto Trentino é Língua Cooficial de Rodeio, Vale do Itajaí NotíciasDialeto Trentino se torna a segunda língua oficial de cidade no Vale do Itajaí, NSC TotalLei Nº 2.156, de 14 de julho de 2020
Religião
A religião predominante na cidade é a católica, onde cada bairro possuí uma festa por ano em comemoração ao dia do seu respectivo padroeiro. A ordem que possui autonomia no município é a franciscana que teve papel fundamental na educação da cidade. Em 2015 foi o Centenário das Irmãs Catequistas Franciscanas, que foram as matriarcas da educação no município, e que se espalharam pelos mais diversos países, como Argentina, Angola, Peru e muitos outros. Segue a lista de padroeiros com o dia de comemoração. No caso do bairro São Pedro Novo (Vale Nova) não há uma paróquia própria, sendo que as festas são realizadas juntos com o bairro São Pedro Velho (São Pedrinho), enquanto que no caso da localidade de Rio Belo (pertence ao Rodeio 32) existe uma igrejinha separada. No bairro Diamante existe a festa em honra a Frei Bruno Linden, um missionário franciscano que veio da Alemanha e permaneceu na cidade por 20 anos, e que hoje está em processo de beatificação. No dia de Nossa Senhora existe a tradicional subida ao morro da Abissínia, no bairro Rodeio 32, onde se sobe cerca de dois quilômetros de estrada de chão para professar a fé. O noviciado em Rodeio é um dos mais antigos, formando muitos padres tais como Paulo Evaristo Arns, hoje conta com boa parte de seus noviços advindos da Angola. Outras religiões possuem destaque no município, como a luterana bastante presente nas regiões colonizadas por alemães (Kaspereit, Lagos e Rodeio 12), adventista (sede no Gávea) e evangélica.
Bairros e padroeiros BairroPadroeiroDataCentroSão Francisco de Assis04/10DiamanteSanta Apolônia09/02Rio MortoSão José19/03Nova BrasíliaSanta Rita de Cássia22/05GlóriaNossa Senhora das Glórias15/08São PedrinhoSão Pedro Apóstolo29/06IpirangaNossa Senhora de Lurdes11/02GáveaNossa Senhora do Perpétuo Socorro27/06Rodeio 50São Virgílio26/06Rodeio 32São João Batista24/06Rodeio 12Santo Antônio13/06KaspereitSão Paulo Apóstolo29/06Bairro dos LagosImaculado Coração de MariaDiamantina (Pico)Nossa Senhora de Loreto
Economia A economia rodeense é baseada nas empresas têxteis (fiações e malharias em geral) e madeireiras. Algumas das empresas do ramo são a Kyly, Brandili, Luli Malhas e Priscilla Malhas. Também contribuí para a economia da cidade a economia agropecuária, principalmente na produção de arroz e banana, dentre outros plantios e criações de animais. Existe também uma boa vinícola, talvez a melhor do Vale do Itajaí, a Vinícola San Michelle, com seus vinhos Torre di Luna, da onde veio especialização e tecnologia da Itália para sua fabricação.