Araçatuba é um município brasileiro localizado no interior do estado de São Paulo, Região Sudeste do país. Situa-se a noroeste da capital do estado, distando desta cerca de 521 quilômetros. Ocupa uma área territorial de 1 167,126 km², sendo que 57,96 km² estão em perímetro urbano. Segundo o censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município era de habitantes, sendo o 42º município paulista mais populoso. Também é a sede e mais populosa das 14 cidades que compõem a Região Imediata de Araçatuba que, por sua vez, é uma das três regiões imediatas que integram a Região Intermediária de Araçatuba.

Foi emancipado de Penápolis no início da década de 1920, e teve sua origem durante a construção da Linha Tronco da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, iniciada em Bauru e com o objetivo de alcançar a região de Corumbá, na fronteira entre o Brasil e a Bolívia. No curso das obras, em 1908, um acampamento ferroviário foi erguido por funcionários da ferrovia, em torno do qual se formou uma povoação. Devido à fertilidade do solo, a localidade atraiu migrantes e imigrantes, com destaque para os italianos vinculados à cafeicultura. Em seguida, estabeleceram-se os japoneses que, na década de 1940, consolidaram-se como a maior formação estrangeira local. Com o tempo, o município atravessou diversos ciclos econômicos: com o declínio do café, a produção migrou para o cultivo de algodão, que impulsionou a diversificação industrial e o posterior surgimento de segmentos produtivos, como o alimentício e a agroindústria sucroalcooleira. Entre os principais destaques econômicos e culturais, sobressaiu a pecuária de corte e engorda, que se consolidou como a principal atividade do município em meados do século XX, e responsável por projetar a cidade nacionalmente nesse período, então conhecida como “Capital do Boi Gordo”.

Na atualidade, o município é sede da Região Administrativa de Araçatuba e possui economia diversificada, baseada principalmente nos setores de serviços e educação, além das atividades agrícola e industrial. Também atua como corredor logístico para infraestruturas como o Gasoduto Bolívia-Brasil e a Hidrovia Tietê-Paraná. A cidade reúne uma relevante presença de manifestações culturais e históricas, bem como por suas atividades esportivas e áreas de preservação ambiental. No setor cultural, dispõe de espaços públicos como o Teatro Municipal Castro Alves, o Cineteatro Sílvia Regina Teodoro, o Museu Araçatubense de Artes Plásticas e o Museu Ferroviário Moisés Joaquim Rodrigues. Complementam as áreas de lazer e meio ambiente, o Parque Ecológico Baguaçu, o Parque Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro (Bosque) e o Parque Náutico Dr. Milton Camargo. Em 2019, foi classificado pelo Governo do Estado de São Paulo como Município de Interesse Turístico (MIT).

Toponímia

thumb|esquerda|Do tupi: arasá, araçá, e tyba, ajuntamento. Ambos os termos estão em relação genitiva, o que dá a ideia de origem, pertencimento, e enseja a inversão dos termos (conforme indicam as setas). A hipótese mais empregada é a forma como os índigenas poderiam ter utilizado para referir-se à região como abundante em araçás (psidium).PINHEIRO, Célio. História de Araçatuba/Célio Pinheiro, Odette Costa Bodstein. - Araçatuba, SP: Academia Araçatubense de Letras, 1997 Araçatuba provém do tupi arasá, araçás e tyba, que significa ajuntamento. Ambos os termos, colocados em relação genitiva, dão o sentido de ajuntamento de araçás.NAVARRO, Eduardo de Almeida. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. Uma outra hipótese indica que o termo poderia ser o nome da filha de um cacique dos caingangues. Todavia, estudiosos afirmam que não pode ser um nome próprio etimologicamente.PINHEIRO, Célio. História de Araçatuba/Célio Pinheiro, Odette Costa Bodstein. - Araçatuba, SP: Academia Araçatubense de Letras, 1997

Numa matéria do jornal A Comarca, de 2 de dezembro de 1964, existe uma contestação sobre o nome da cidade, pois na atualidade não existem tantos pés de araçás no município, árvore de fácil crescimento. De acordo com um livro de Odette Costa, História de Araçatuba, um antigo engenheiro civil afirmou que quando fazia medições de terra na região de Araçatuba, havia encontrado muitos araçás-silvestres e araçázinhos.

História

Origem

O surgimento do município de Araçatuba relaciona-se diretamente à construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), concebida como parte da política nacional de expansão para o interior do Brasil e de conexão com outras regiões sul-americanas. Os trabalhos de construção da ferrovia começaram em 15 de novembro de 1904, sob a direção dos engenheiros Sílvio Saint Martin e Heitor Legru, e a implantação do trecho que ligava Bauru a Itapura, nas barrancas do rio Paraná, seguiu de maneira gradual.

No dia 2 de dezembro de 1908, os trilhos da Linha Tronco atingiram o quilômetro 280, nas proximidades do rio Tietê, área então pertencente ao extenso território de São José do Rio Preto. Nesse ponto foi instalado um acampamento ferroviário formado por habitações rudimentares em meio à mata virgem, além de um vagão adaptado para servir de apoio provisório aos moradores. O núcleo populacional que se desenvolveu ao redor da estação contou entre seus primeiros habitantes Miguel Caputi, Vicente Franco e Machado Melo. A localidade, entretanto, nunca possuiu um fundador oficialmente reconhecido.

Em razão da fertilidade das terras roxas locais, a partir de 1910, a povoação passou a atrair novas famílias de migrantes e imigrantes dedicadas às atividades agrícolas. Os primeiros contingentes eram formados principalmente por italianos, ligados à abertura das áreas agrícolas e à expansão da lavoura cafeeira. Pouco depois, chegaram imigrantes de origem portuguesesa e espanhola, em sua maioria dedicados à pecuária, além dos japoneses, que participaram do cultivo do café e do algodão, bem como do comércio, atividade que contou com a presença dos sírios.

A colonização do território, porém, não foi pacífica, tendo ocorrido em meio a conflitos violentos com os povos caingangues, que foram os habitantes originários da região. O avanço da frente colonizadora provocou o deslocamento e extermínio dos habitantes nativos, que, como defesa ou vingança, também contra-atacavam os desbravadores; como demonstrado no ataque de 1916 à expedição do agrimensor Cristiano Olsen, que resultou no assassinato da equipe.BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 282. Na historiografia oficial e no espaço urbano contemporâneo, a memória dos povos caingangues é registrada por meio de bens culturais e marcos memoriais. Durante esse período, o povoado de Araçatuba era parte do município de Penápolis, este desmembrado de Bauru em 1913. No dia 20 de dezembro de 1917, conforme a Lei Estadual n.º 1.580, Araçatuba recebe a condição de distrito da comarca de Penápolis.

Após a emancipação A emancipação administrativa do município de Araçatuba foi instituída em 8 de dezembro de 1921 pela Lei Estadual nº 1.812, separando-se de Penápolis. O município teve como primeiro intendente eleito Joaquim Pompeu de Toledo, que foi empossado em 1º de janeiro de 1922, e pouco mais de um mês depois, em 19 de fevereiro, foram instalados o distrito-sede e a câmara municipal, ocasião em que assumiram os primeiros vereadores.miniaturadaimagem|Praça Rui Barbosa por volta de 1924 Em 1924, o então prefeito Hermílio de Magalhães Pinto, solicitou a remodelação e a alteração do nome da praça central do município, então denominada Praça Cristiano Olsen, que passou a se chamar Praça Rui Barbosa. No dia 2 de agosto do mesmo ano, em meio à Revolta Paulista, Hermílio foi assassinado em uma emboscada, poucos dias após enviar policiais locais à capital estadual em apoio às forças legalistas de Carlos de Campos, opositor dos revolucionários tenentistas. Descrito como dedicado ao serviço público e alheio aos conflitos da política local, sua morte causou comoção entre os araçatubenses. Em 1928, a comunidade japonesa do município inaugurou a Associação Cultural Nipo-Brasileira de Araçatuba, criada para facilitar a integração dos imigrantes japoneses na cidade.

Declínio do café e transição econômica Com a Crise de 1929, aliada à falta de políticas agrárias, numerosos cafezais no município foram à falência, colocando os cafeicultores na contingência de procurar por culturas mais promissoras para o mercado internacional. Na década de 1930, o algodão mostrou-se uma alternativa econômica relevante no país, e o capital gerado pela cultura atraiu para Araçatuba diversas indústrias de beneficiamento, que se destacaram na produção de óleo, tecidos e alimentos. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por mão de obra nas lavouras e nos setores fabris do município, contando com a instalação de empreendimentos como a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro e as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.

O ciclo do algodão em Araçatuba perdeu protagonismo no início da década de 1950 em razão da incidência de pragas nas lavouras e o esgotamento do solo provocado pelo cultivo intenso do próprio algodão. Ao mesmo tempo, a presença de extensas áreas de solo favorável à pecuária, aliada à posição geográfica do município entre o interior paulista e o centro-oeste, favoreceu a busca pela engorda de animais, que em pouco tempo se tornou o principal setor econômico local, além de receber o título de "Capital do Boi Gordo". Em 1952, o empresário e pecuarista Sebastião Ferreira Maia (Tião Maia) participou da divulgação da pecuária de Araçatuba em nível nacional e implantou o Frigorífico T. Maia, que foi a primeira unidade frigorífica do país construída integralmente com capital nacional. Entre as décadas de 1950 e 1970, o empreendimento manteve relevante participação na geração de empregos e na economia do município, incluindo exportações. Embora a pecuária tenha continuado presente, sua relevância econômica foi reduzida a partir dos anos 1970 com a expansão da indústria sucroalcooleira, que funcionou como uma alternativa à crise petrolífera de 1973. A partir desse ponto, o setor terciário começa a se expandir na cidade.

Consolidação urbana miniaturadaimagem|Avenida Brasília, implantada nos anos 1960 e uma das principais vias da cidade. No final da década de 1930, a cidade passou por um processo de modernização urbana que incluiu a ampliação da infraestrutura pública e a reorganização do espaço urbano. Durante a administração do então prefeito Aureliano Valadão Furquim, foram iniciadas as obras de pavimentação das principais vias da cidade, substituindo os calçamentos de paralelepípedo. O feito tornou a cidade a primeira do interior paulista a receber asfaltamento urbano, o que lhe rendeu na época a denominação de "cidade do asfalto". Em seguida, ocorreu a ampliação dos serviços urbanos e a implantação de equipamentos públicos, incluindo a construção da Biblioteca Municipal (1939), do Estádio Municipal Adhemar de Barros (1940) e expansão das redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Entre as décadas de 1950 e 1960, ocorre a implantação de novos equipamentos institucionais e viários, como a Faculdade de Odontologia de Araçatuba (1954), o Zoológico Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro (1963), a abertura da Avenida Brasília (1967), uma das principais vias arteriais da cidade, e a construção da primeira ponte sobre o rio Tietê no município, conectando a cidade com o então distrito de Major Prado.