Mogi Guaçu é um município do estado de São Paulo, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 22º22'15" sul e a uma longitude 46º56'38" oeste, estando a uma altitude de 617 metros. Sua população é de 153.658 habitantes segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2022. Possui uma área de 812,75 quilômetros quadrados. O município é formado pela sede e pelo distrito de Martinho Prado Júnior.
Topônimo
thumb|esquerda|Do tupi: mboîa, cobra, e 'y, rio. Guaçu é um sufixo que forma o grau aumentativo. Os dois primeiros termos estão em relação genitiva, o que dá a ideia de origem, pertencimento, e enseja a inversão dos termos (conforme indicam as setas). A composição resultante seria mboîy. A semivogal î pode ter som de "gê" em início de sílaba; daí a origem desse som no topônimo.NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 588.
O nome vem do tupi antigo moî'ygûasu, que significa "grande rio das cobras" (moîa, "cobra + 'y, "rio" + ûasu, "grande"), referindo-se ao Rio Moji-guaçu.
História
Até o século XVII, os índios caiapós habitavam a região.
"Desbravadores do território brasileiro, entre 1650-1655 e que viajavam rumo ao oeste de Minas Gerais e a Goiás em busca de ouro, pedras preciosas e escravos índios, às margens do rio Moji-Guaçu, formaram um vilarejo no lugar denominado Cachoeira de Cima, para dar pouso a outros mineradores de ouro, vindos da freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Jundiaí, os quais se embrenhavam pelos sertões do Brasil em busca desse metal precioso e encontraram naquele local maior facilidade para a travessia do rio.
Entre os anos de 1720 e 1722, foi fundado um novo povoado, distante cerca de cinco a seis quilômetros da Cachoeira de Cima, rio abaixo, à sua margem direita.
Esse novo núcleo teve como seus fundadores os irmãos Salvador e José Franco de Godoy, Joaquim José de Campos e Silva e outros.
Entre 1720 e 1722 se constituiu em povoado, recebendo o nome de Nossa Senhora da Conceição do Campo. Em 1740 foi elevada a primeiro distrito de Nossa Senhora do Desterro do Mato Grosso de Jundiaí".
Em 1728, o vilarejo foi elevado ao título de "freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo". Suas divisas eram o rio Atibaia ao sul e o rio Grande ao norte de seu território.
Em 1751 com a elevação de Mogi Mirim a segundo distrito de Jundiaí, desmembrando-se de Conceição do Campo, a localidade passou a chamar-se Mogy Guassú na grafia arcaica. Em 1769 a freguesia de Mogi-Mirim é elevada a condição de vila, e com isso Mogy Guassú passou a pertencer ao novo município.Genealogia-Mogi Guaçu-SP. Disponível em http://www.imigrantesitalianos.com.br/MOGI_GUACU.html. Acesso em 15 de junho de 2015.
Em 9 de abril de 1877, a Lei nº 16 do governador da província, Sebastião José Pereira, elevou a freguesia de Moji- Guaçu a município, emancipando-se de Moji-Mirim.
No dia 8 de janeiro de 1881, houve a primeira sessão da Câmara Municipal, sendo seu presidente Lucas Gabriel da Silva Negri e demais vereadores José Franco de Godoy, João Batista de Toledo Silva, Joaquim da Rocha Franco, Joaquim Gonçalves A. de Oliveira e Ivo da Cunha, tendo secretariado a sessão o vereador Arthur Grillet.
Na segunda sessão, realizada no dia 10 do mesmo mês, foram escolhidos os dirigentes do novo município: presidente Lucas Gabriel da Silva Negri; secretário Arthur Grillet; vereadores João Franco de Godoy, João Baptista de Toledo e Silva, Joaquim Rocha Franco, Joaquim Gonçalves de Oliveira, João José da Cunha e Pedro de Arruda". (O texto entre aspas foi transcrito do livro Mogi Guaçu - Três Séculos de História, de Ricardo Artigiani).
O desenvolvimento econômico começou com a produção de café e a instalação do ramal ferroviário da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (1875).
Com a abolição da escravatura em 1888, deu-se início à fase industrial através de imigrantes italianos que instalaram as primeiras cerâmicas - o pioneiro foi o padre José Armani, com sua fábrica de telhas. Isso se deveu à grande quantidade de um tipo de argila encontrado no município, chamado taguá.
Em 1909, foi instalada a iluminação elétrica na cidade, substituindo os lampiões de querosene. thumb|300px|esquerda|Centro de Mogi Guaçu em 1925. Nas décadas de 1940 a 1970, proliferaram inúmeras indústrias cerâmicas na cidade, produzindo nas duas primeiras décadas pisos cerâmicos e tubos de barro para redes de esgoto, cuja produção chegava a ser exportada para países da América do Sul. Nos anos 70, essa produção foi modernizada, passando as cerâmicas a produzirem pisos esmaltados de alta qualidade, suprindo o mercado nacional.
Passou a ser comarca somente em 30 de dezembro de 1966, quando o desembargador Márcio Martins Ferreira, presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a declarou instalada.
Hoje Mogi Guaçu tem um perfil econômico diversificado, abrigando empresas do ramo de papel e celulose, de alimentação, de metalurgia e de cosméticos, entre outras espalhadas nos cinco distritos industriais.
Além da diversificação industrial, uma características de poucos municípios, Mogi Guaçu também se destaca pela sua produção agrícola da laranja (que ocupa o terceiro lugar na produção estadual) e do tomate (terceiro lugar na produção do estado). O comércio também alcançou expressão, atraindo consumidores de cidades vizinhas.
O comércio cresceu em torno da igreja matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição, que se tornou a padroeira do município, localizada na praça Rui Barbosa, conhecida como Recanto. A cidade também conta com dois modernos centros comerciais (shopings).
Geografia Área total: 812,75 km² Área Urbana: 47,63 km² Bairros: 225 Marco zero - Na Praça dos Expedicionários, no Centro.
Rodovias
SP-340, que interliga Campinas ao sul de Minas Gerais SP-342 Ferrovias Variante Guedes-Mato Seco da antiga Fepasa
Hidrografia thumb|Rio Mogi Guaçu cortando a cidade. Rio Mogi Guaçu Além do Rio Mogi Guaçu, que corta a cidade, a hidrografia do município assinala os rios Oriçanga e das Pedras, e, na zona urbana conta com os córregos Canta-Galo, do Centenário, dos Macacos, do Areião e dos Ipês.
Relevo Topografia: suavemente ondulado, porém plano em alguns bairros da zona Norte, como o Parque Cidade Nova e Ipês. Altitude média: 640 metros Altitude da sede municipal (Paço Municipal): 617 metros Altitude de maior elevação: 838 metros (Fazenda Bela Vista) Textura superficial: Predomínio da Terra roxa e argila, principal matéria-prima das cerâmicas da cidade.
Terremoto de 1922 Mogi Guaçu teve o segundo maior terremoto registrado no estado de São Paulo (5,1 graus na escala de Richter) em 27 de janeiro de 1922. O sismo provocou rachaduras em diversos imóveis e quedas de objetos dentro das casas. Uma morte por ataque cardíaco foi atribuída ao abalo sísmico. UFPR 23 de abril de 2008 thumb|300px|direita|Mapa mostrando os efeitos do terremoto em Mogi Guaçu em 1922.
Clima O clima é tropical de altitude ou subtropical com inverno seco (Köppen: Cwa), com temperatura média mínima de 15,05 °C e máxima de 27,87 °C. O verão é quente e úmido, com temperaturas entre 18 e 28 °C, com picos de máxima de 35 °C e mínimas podendo chegar a 14 °C. A primavera começa seca e termina úmida, sendo essa a estação mais oscilatória em questões de temperatura, sendo que podemos registrar mínimas em torno de 5 °C e máximas que podem chegar em raros casos a 36 °C. No outono, começa ligeiramente úmido e fica seco com o passar das semanas. Março e abril podem registrar ainda picos de 30 °C e mínimas superiores a 15 °C, algo que fica mais raro com a proximidade de maio, onde as máximas raramente superam os 26 °C e as mínimas poucas vezes atingem os 13 °C. No outono, podemos ter mínimas que chegam a 5 °C em maio e 2 °C em junho e máximas baixas, que, às vezes, são menores que 12 °C, ou altas, principalmente no início da estação.
O inverno é seco, mas a entrada de frentes frias não são raras. As temperaturas máximas ficam em torno de 20-25 °C em junho e julho, e as tardes salvo raros casos não descem abaixo de 10 °C, como nos anos de: 2000, 9,6 °C; 1996, 7,0 °C; e 1994, 7,5 °C; e chegam ao patamar de 25-28 °C em agosto e no início de setembro, onde são comuns dias muito secos com grandes oscilações térmicas maiores até de 22 °C, quando a temperatura é de 7 °C ao amanhecer e chega a 29 °C durante a tarde. Mínimas chegam raramente a 1 °C, mas acontecem e máximas podem chegar a mais de 30 °C, principalmente no mês de setembro. A menor temperatura já registrada em Mogi Guaçu foi de -4 °C, em junho de 1918 e a maior foi de 40,2 °C, em 7 de outubro de 2020.
Clima: Tropical de Altitude cwa ou cwb Temperatura média anual: 21,44 °C Temperatura média mínima anual: 15,05 °C Temperatura média máxima anual: 27,87 °C Temperatura mais baixa: -4 °C em julho de 1918 Temperatura mais alta: 40,2 em outubro de 2020 Chuvas anuais: de 1 100 mm a 1 700 mm Dias de geada média anual: 1
Demografia
Dados demográficos thumb|Vista Panorâmica. Dados do Censo de 2010 População Urbana: 130 366 Rural: 6 950 Homens: 68 115 Mulheres: 69 171 Total: 137 286 Densidade demográfica Urbana: 2.737 hab/km² Densidade demográfica Rural: 8 hab/ hab/km² Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 1,99;
Classe Social Classe Média, A,B e C:84,7% Classe Pobre, D e E:15,3%
+ EtniasCor/RaçaPorcentagemBranca84,6%Negra2,8%Parda12,0%Amarela0,2%Indigena0,1% Fonte: Censo 2000
Taxa de alfabetização: 97,9% (2010) IDH-M Educação: 0,774 (2010) Mortalidade infantil até 1 ano (por mil nascidos vivos): 7,71 (2011) Expectativa de vida (anos): 76,10 (2010) IDH-M Longevidade: 0,852 (2010) IDH-M Renda: 0,764 (2010) Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal: 0,8631 (2012), fazendo do município o 86.º melhor para se viver no Brasil, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,774 (2010)
Política e administração
Poder Executivo Prefeito: Rodrigo Falsetti (2021/2024) O atual prefeito dé filiado ao partido Cidadania). Guaçuano, foi eleito em 2020 pela primeira vez prefeito do município. O atual vice-prefeito é Major Tuckumantel, militar reformado, natural de Pirassununga.
Subdivisões
O município é subdividido em 152 bairros, além do distrito de Martinho Prado Júnior.
Cidades-irmãs Mogi Mirim
Economia
O município de Mogi Guaçu foi considerado em 2007, por mais um ano, um dos "300 municípios mais dinâmicos do Brasil" segundo a revista Atlas do Mercado Brasileiro, da Gazeta Mercantil (edição de maio de 2007). Mogi Guaçu ocupa o 65º lugar entre os municípios que obtiveram resultado acima da média nacional (120% em relação a média). Na classificação pela Divisão dos Mercados de Consumo, o município tem um Índice de Potencial de Consumo de 0,109%, comparando com a população de 141.559.
Indústria
Por volta do ano 1908, iniciou-se a produção de cerâmicas e telhas no município. A pioneira foi a Cerâmica Martini. Com o passar da primeira metade do século XX, surgiram empresas ceramistas como: Cerâmica São José, Cerâmica Mogi Guaçu, Cerâmica Gerbi e Indústria Chiarelli. No ano de 1957, Mogi Guaçu ganhou título de "capital da cerâmica".
Em todo o Brasil, o nome da cidade lembrava tijolos de qualidade, telhas tubos, manilhas e pisos. Era o auge da atividade ceramista na região, no momento em que as velhas olarias adiantavam-se na mecanização e assumiam perfil industrial. Na década de 1960 surgiu a Indústria de Papel Celulose Champion (a atual International Paper), que fez com que a cidade tivesse um aumento populacional bem significativo, ultrapassando a cidade de Mogi Mirim tanto populacionalmente como economicamente. Na década de 1980, a recessão na construção civil no Brasil causou dificuldades para o segmento ceramista guaçuano. Hoje apenas a Cerâmica Lanzi em recuperação judicial continua ativa no segmento cerâmico de Mogi Guaçu.