O jazz de vanguarda (), também conhecido como jazz experimental ou "new thing" () é um estilo musical de improvisação que combina a música de vanguarda erudita com o jazz. Teve origem no início da década de 1950 e se desenvolveu até o final da década de 1960. Um dos primeiros desenvolvimentos dentro do jazz de vanguarda foi o do free jazz, e os dois termos eram originalmente sinônimos. Grande parte do jazz de vanguarda, no entanto, é estilisticamente distinta, pois carece da natureza totalmente improvisada do free jazz e é total ou parcialmente composta.
História miniaturadaimagem|Cecil Taylor tocando piano em seu apartamento, na década de 1960.
Década de 1950 Embora alguns conceitos do jazz de vanguarda tenham sido originalmente desenvolvidos no final da década de 1940 (como a improvisação livre coletiva nas obras de Lennie Tristano de 1949, "Intuition" e "Digression"), o surgimento do jazz de vanguarda (sinônimo de free jazz na época) é geralmente considerado como tendo ocorrido em meados ou no final da década de 1950. Como gênero, o jazz de vanguarda foi fundado por um grupo de improvisadores que rejeitaram as convenções do bebop e do pós-bop, em um esforço para borrar a divisão entre os aspectos escritos e espontâneos desses gêneros. Além de dar continuidade à tradição de experimentação dentro do jazz (um fenômeno evidenciado pelo desenvolvimento de vertentes anteriores do bebop, como o cool jazz, o jazz modal e o hard bop), os artistas de jazz também começariam a incorporar ideias modernistas, como a atonalidade e o serialismo.
Com o lançamento de The Shape of Jazz to Come em 1959, o saxofonista Ornette Coleman abriu caminho para o jazz de vanguarda. Logo depois, juntou-se a ele Cecil Taylor, e juntos formaram a "primeira onda" () do jazz de vanguarda. Eventualmente, alguns passariam a aplicar o jazz de vanguarda de forma diferente do free jazz; o jazz de vanguarda enfatiza a estrutura e a organização através do uso de melodias compostas, métricas e tonalidades variáveis, porém predeterminadas, e distinções entre solistas e acompanhamento (em vez de uma abordagem "livre" à improvisação desprovida de estrutura predeterminada).Mark C. Gridley and Barry Long, "Avant-garde Jazz", The Grove Dictionary of American Music, second edition, supplement on Grove Music Online 4 October 2012.
Década de 1960 Após o surgimento do jazz de vanguarda na década de 1950, a "segunda onda" () do jazz de vanguarda foi marcada por artistas como John Coltrane, Eric Dolphy, Charles Mingus, Albert Ayler, entre outros. Em Chicago, a Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM) começou a desenvolver sua própria vertente de jazz de vanguarda. Os músicos da AACM (Muhal Richard Abrams, Anthony Braxton, Roscoe Mitchell, Hamid Drake e o Art Ensemble of Chicago) tenderam ao ecletismo musical. O poeta Amiri Baraka, figura importante do Movimento de Artes Negras (, BAM), também se destacou nesse movimento.Amiri Baraka, "Where's the Music Going and Why?", The Music: Reflections on Jazz and Blues. New York: William Morrow, 1987. p. 177-180.
Embora o jazz de vanguarda tenha ganhado alguma força ao longo da década de 1960 (especialmente com John Coltrane), a maioria dos músicos de jazz de vanguarda não desfrutou dos mesmos níveis de popularidade. O jazz de vanguarda gradualmente deixou de ser apresentado principalmente em clubes de jazz e passou a ser apresentado em outros espaços, como museus e centros de artes cênicas comunitários, com alguns artistas se mudando para a Europa.
Ver também
Jazz fusion
Bibliografia Berendt, Joachim E. (1992). The Jazz Book: From Ragtime to Fusion and Beyond. Revised by Günther Huesmann, translated by H. and B. Bredigkeit with Dan Morgenstern. Brooklyn: Lawrence Hill Books. Kofsky, Frank (1970). Black Nationalism and the Revolution in Music. New York: Pathfinder Press. Mandel, Howard (2008). Miles, Ornette, Cecil: Jazz Beyond Jazz. Preface by Greg Tate. New York City: Routledge.
Categoria:Gêneros de jazz