A P-36 foi a maior plataforma semissubmersa de produção de petróleo no mundo, antes de seu naufrágio em março de 2001, que levou a 11 óbitos. A plataforma era de propriedade da estatal brasileira Petrobras, custou 350 milhões de dólares e apresentava-se como um ícone da importância e tamanho da empresa na época. O acidente de seu naufrágio representou a maior perda financeira da história do Brasil no segmento da exploração e produção de petróleo.
Construção A plataforma Petrobras-36 (P-36) foi construída entre 1986 e 1994 pelo Estaleiro Fincantieri, em Gênova e Palermo. Recebeu inicialmente o nome Spirit of Columbus (SOC) e pertencia à empresa SANA SpA, subsidiária da Midland and Scottish Resources (MSR), destinada ao Campo de Emmerald, no Mar do Norte, com configuração voltada à perfuração e construção de poços. Com a desistência da MSR em explorar esse campo, a unidade permaneceu inativa até 1997, quando foi arrendada pela Petrobras, passando a se chamar P-36.
O contrato foi negociado pela Brasoil, com intermediação da empresa Marítima Navegação e Engenharia, e incluía a adaptação da plataforma para operação no Campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Originalmente projetada para perfuração e produção com capacidade de 100 mil barris/dia, a unidade foi convertida exclusivamente para produção. Com a posterior decisão de instalá-la no Campo de Roncador, sua capacidade foi ampliada para 180 mil barris de petróleo por dia e 7,2 milhões de m³/dia de gás.
Por razões ligadas a incentivos fiscais concedidos pelo governo italiano, a plataforma manteve bandeira daquele país. Essa condição implicou exigências adicionais, como a presença de certificadora italiana, parte da tripulação composta por italianos e a manutenção da torre de perfuração.
O arrendamento previa ainda que, ao término do contrato, a Brasoil poderia adquirir a plataforma da Petro-Deep Inc. (empresa criada pela Marítima para gerenciar a operação junto à SANA) por um valor simbólico de um dólar. Durante todo o período contratual, a unidade permaneceu afretada à Petrobras.
A conversão da unidade foi coordenada pela Marítima, por meio da Petromec Inc., que subcontratou diversas empresas especializadas: a Noble Denton (responsável pelo projeto naval), a Amec (projeto da planta de óleo e gás), a Davies Industries (construção e montagem no Canadá), a RINA (certificação italiana, exigida pela bandeira da unidade) e a ABS (certificação americana, utilizada por familiaridade da Petrobras).
A P-36 entrou em operação no Campo de Roncador em 16 de maio de 2000, ligada administrativamente à Unidade de Negócios Rio de Janeiro (UN-RIO) e com base de apoio em Macaé. Em março de 2001, quando ocorreu o acidente que resultou no seu naufrágio, a plataforma produzia cerca de 84 mil barris de petróleo por dia e 1,3 milhão de m³ de gás natural.
Acidente Na madrugada do dia 15 de março de 2001 ocorreram três explosões em uma das colunas da plataforma, sendo a primeira às 0h22min e a segunda às 0h39m (não há informações sobre o horário da terceira explosão). Segundo a Petrobras, 175 pessoas estavam no local no momento do acidente, das quais 11 morreram, todas integrantes da equipe de emergência da plataforma. Depois das explosões, a plataforma inclinou-se em 16 graus, devido ao bombeamento de água do mar para o seu interior, o suficiente para permitir alagamento, que levou ao seu naufrágio. Tentativas de resgate e aprumo foram feitas em seguir, injetando-se nitrogênio e ar comprimido nos tanques, para remover a água acumulada, porém sem sucesso, abandonaram a mesma.
No momento do acidente, a plataforma produzia cerca de 84 000 barris de petróleo e 1 300 000 metros cúbicos de gás, por dia, oriundos de 6 poços interligados.
A plataforma afundou cinco dias após as explosões, no dia 20 de março, em uma profundidade de 1 200 metros e com estimadas 1 500 toneladas de óleo ainda a bordo. Segundo a agência nacional de petróleo (ANP) do Brasil, o acidente foi causado por "não-conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto". Segundo o relatório de investigação do acidente realizado pela ANP, 6 atividades marcantes, que tinham relação direta com o naufrágio da unidade, apresentaram não-conformidades, sendo eles: alagamento da coluna e flutuador, a admissão de água de lastro em proa bombordo, submersão contínua da plataforma, a evacuação e abandono da plataforma, as tentativas de salvamento da plataforma e o impacto ambiental.
Em 2007 a P-36 foi substituída pela plataforma P-52, FPSO P-52, construída em Singapura e no Brasil.
Vitimas O acidente resultou na perda de 11 vidas, sendo todos membros da equipe de resposta à emergência que tentavam controlar o acidente, seus nomes são:
Adilson Almeida de Oliveira Charles Roberto Oscar Emanoel Portela Lima Ernesto de Azevedo Couto Geraldo Magela Gonçalves Josevaldo Dias de Souza Laerson Antônio dos Santos Luciano Cardoso Souza Mário Sérgio Matheus Sérgio dos Santos Souza Sérgio dos Santos Barbosa
Punições Segundo levantamento realizado pela empresa Marsh, o acidente representou perdas da ordem de US$ 500 milhões à época do acidente, o que significa cerca US$ 905 milhões ajustado para o ano de 2019.
o Ibama multou a Petrobras pelo derramamento de óleo bruto e diesel (havia cerca de 10 mil barris estocados) e pela dispersão química feita à época e considerada danosa pelos órgãos ambientais. o vazamento de óleo e diesel ocorreu a 150 km do litoral, o que evitou maiores danos aos ecossistemas costeiras.
O Ministério Público Federal ingressou com uma ação civil pública cobrando R$ 100 milhões de reparações.
Em 2018, a judicialização das punições aplicadas pelo Ibama e as exigidas pelo Ministério Público Federal (MPF) atingiam o valor de 1,469 bilhão de reais.
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