Jorge Afonso Argello, conhecido como Gim Argello (São Vicente, 5 de abril de 1962), é um político, empresário e corretor de imóveis brasileiro. Foi deputado distrital pelo Distrito Federal por dois mandatos consecutivos entre 1999 e 2007, período em que presidiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal entre 2001 e 2002. Assumiu o mandato de senador pelo Distrito Federal em julho de 2007, após a renúncia de Joaquim Roriz, permanecendo no cargo até 2015.
Em 2016, foi preso preventivamente no âmbito da Operação Lava Jato, sendo posteriormente condenado em primeira instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as condenações por reconhecer a incompetência da Justiça Federal para julgar o caso, que foi remetido à Justiça Eleitoral. Em 2024, as ações penais foram definitivamente arquivadas.
Desde 2025, é presidente do diretório distrital do Avante no Distrito Federal.
Vida pessoal Nascido em São Vicente, no estado de São Paulo, Jorge Afonso Argello mudou-se ainda na infância para Taguatinga, no Distrito Federal, onde seu pai atuava no comércio local. É bacharel em Direito e construiu sua trajetória profissional no setor privado como corretor de imóveis e empresário do ramo imobiliário em Brasília.
Carreira política Nas eleições distritais de 1994, concorreu ao cargo de deputado distrital pelo Partido da Frente Liberal (PFL), obtendo 7.184 votos, mas não foi eleito.
Nas eleições distritais de 1998, foi eleito deputado distrital pelo Distrito Federal, sendo reeleito em 2002, já pelo PMDB. Entre 2001 e 2002, presidiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Em 2005, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nas eleições de 2006, foi eleito primeiro suplente na chapa ao Senado Federal encabeçada por Joaquim Roriz. Com a renúncia de Roriz, em julho de 2007, assumiu o mandato de senador pelo Distrito Federal, exercendo-o até fevereiro de 2015.
Após deixar o Senado, permaneceu atuando na política partidária. Em 2022, filiou-se ao Partido Republicano da Ordem Social (PROS), migrando posteriormente para o Solidariedade e, em 2025, para o Avante, assumindo a presidência do diretório distrital da legenda no Distrito Federal.
Indicação ao Tribunal de Contas da União Em 2014, Gim Argello foi indicado pelo Senado Federal para ocupar uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), aberta com a aposentadoria de Valmir Campelo.
A indicação contava com o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do governo da presidente Dilma Rousseff. Contudo, a indicação foi contestada por parlamentares da oposição, entidades representativas de auditores e integrantes do próprio tribunal. O então presidente da Corte, Augusto Nardes, manifestou-se solicitando a observância dos requisitos constitucionais de reputação ilibada para a posse no cargo.
Após o Plenário do Senado rejeitar, por 25 votos a 24, um requerimento de urgência que permitiria a apreciação direta do nome de Argello sem sabatina prévia na Comissão de Assuntos Econômicos, o senador desistiu formalmente da candidatura em abril de 2014. Com sua desistência, o Senado indicou posteriormente o jurista Bruno Dantas, que foi aprovado e assumiu o cargo na Corte de Contas.
Desempenho eleitoral Ano Eleição Partido Cargo disputado Votos % Resultado Notas 1994 Distritais no Distrito Federal PFL Deputado Distrital 7.184 — Primeira candidatura a deputado distrital. 1998 Distritais no Distrito Federal PFL Deputado Distrital 10.345 1,03 Eleito para o primeiro mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal. 2002 Distritais no Distrito Federal PMDB Deputado Distrital 17.868 1,45 Reeleito para o segundo mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal. 2006 Gerais no Distrito Federal PMDB 1º suplente de senador 657.217 51,83 Eleito primeiro suplente na chapa de Joaquim Roriz, assumindo o mandato de senador em 17 de julho de 2007 após a renúncia do titular. 2014 Gerais no Distrito Federal PTB Senador 271.525 18,92 Disputou a reeleição ao Senado Federal, sendo derrotado por Reguffe.
Investigações e processos judiciais
Ao longo de sua trajetória política, Gim Argello foi alvo de investigações e ações judiciais relacionadas à sua atuação na administração pública. Entre os principais episódios estão uma ação popular referente à criação de cargos na Câmara Legislativa do Distrito Federal e as investigações decorrentes da Operação Lava Jato.
Ação popular Durante sua gestão como presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em 2002, Argello foi alvo de uma ação popular que questionou a criação de cargos em comissão efetuada por meio do Ato n.º 227/2002. Em 2009, a 5.ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal julgou a ação procedente, decisão confirmada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) em 2010. Recursos posteriores interpostos perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) foram rejeitados, mantendo-se a condenação de ressarcimento ao erário dos valores despendidos.
Operação Zelotes Em 2015, Gim Argello teve seu nome citado nas investigações da Operação Zelotes, que apurava um suposto esquema de compra de medidas provisórias destinadas a beneficiar montadoras de veículos e outras empresas. Porém, não houve condenação de parlamentares no processo.
Operação Lava Jato
Em 2016, no âmbito da Operação Lava Jato, Argello foi preso preventivamente na Operação Vitória de Pirro (28.ª fase da investigação), em investigação relacionada aos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.
Em outubro de 2016, foi condenado em primeira instância pelo juiz Sergio Moro a 19 anos de prisão, pena reduzida em 2017 pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) para 11 anos e 8 meses.
Em junho de 2019, teve a punibilidade extinta e foi posto em liberdade após ser beneficiado pelo indulto natalino concedido pela Presidência da República, Michel Temer.
Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as condenações proferidas pela 13.ª Vara Federal de Curitiba, reconhecendo a incompetência da Justiça Federal para processar o caso e determinando a remessa dos autos à Justiça Eleitoral.
Em 2023, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) homologou o arquivamento definitivo das ações penais, decisão que transitou em julgado em março de 2024.
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