Valinhos é um município brasileiro do estado de São Paulo. Sua população em 2024 conforme estimativa do IBGE era de habitantes. O município está localizado, estrategicamente, na Região Metropolitana de Campinas.

Conhecida como a Capital do Figo Roxo, Valinhos é hoje também lembrada pela grande produção de goiaba. A cidade é considerada a melhor cidade do Brasil na categoria Indicadores Sociais, de acordo com pesquisa realizada pela Consultoria Austin Rating, para a 2ª edição do Anuário Melhores Cidades do Brasil 2022, da Revista Isto É. Os índices avaliados foram Qualidade de Vida, Educação, Saúde, Habitação, Responsabilidade Social, Atenção ao Jovem e Desenvolvimento Humano. Em 2015, na primeira versão da pesquisa, a cidade havia ficado em 38º lugar.

História O primeiro marco na história de Valinhos registra a concessão de uma sesmaria a Alexandre Simões Vieira no dia 2 de dezembro de 1732, que foi outorgada pelo presidente de São Paulo, Antônio Luís de Távora, o conde de Sarzedas. Conta a história que Alexandre Simões Vieira abriu um caminho novo de Jundiaí aos Goiases, tendo como paragem um ribeirão chamado Pinheiros. Este trajeto novo tinha por objetivo substituir o então caminho da Vila de Jundiaí até a paragem chamada Campinas do Mato Grosso, por este ser ruim e muito longo. Até então, o caminho era conhecido como Estrada de Goiás e passou a ser bastante utilizado a partir de 1722, com a descoberta de ouro em Goiás.

O Pouso de Pinheiros, pelos registros históricos, foi o primeiro marco oficial de uma área dentro do atual município de Valinhos e teve existência quase centenária. Segundo o professor Mário Pires, em seu livro “Valinhos: Tempo e Espaço”, a localização deste Pouso provavelmente é o atual bairro Capuava, o qual o historiador considera a “célula mater” de Valinhos.

No período em que a sesmaria foi outorgada, Campinas ainda era chamada de bairro de Mato Grosso das Campinas, pertencente ao município de Jundiaí. No ano de 1741, Francisco Barreto Leme, juntamente com sua família, fixou-se na região e deu início a um povoado. Em 1774, o então bairro de Jundiaí foi elevado à categoria de Distrito e, em 16 de novembro de 1797, Campinas tornou-se município.

A partir daí, não se sabe precisar quando foi fundada a vila de Valinhos. Porém, na área onde está localizado o município hoje, já naquele período se constatava o desenvolvimento através de grandes fazendas. A fazenda Dois Córregos, hoje bairro Dois Córregos, pertenceu ao brigadeiro Luís António de Sousa Queirós, tido como o homem mais rico da capitania, que chegou a possuir, só em Campinas, dezesseis engenhos de açúcar, e ainda pertenceu a Joaquim Policarpo Aranha, barão de Itapura, também abastado fazendeiro em Campinas.PUPO, Celso Maria de Mello. Campinas, Município do Império.

Outro evento importante foi a epidemia de febre amarela que arrasou Campinas no ano de 1889. Segundo cálculos feitos àquela época, a população de Campinas, que era de vinte mil pessoas, foi reduzida a quatro mil. Não que a maioria tenha morrido, mas sim que muitos, com medo da doença, fugiram da cidade.

Em abril daquele ano, a então Valinhos foi palco de uma importante reunião da Câmara Municipal de Campinas, que cobrou do governo Provincial a convocação da Assembleia Legislativa para que a mesma, em sessão extraordinária, tomasse providências sobre o saneamento da cidade visando evitar novas epidemias.

Embora não tenha sido atingida pela epidemia em 1889, Valinhos não escaparia da febre amarela. No ano seguinte, uma nova epidemia, dessa vez em menor proporção, atingiu Campinas e alcançou Valinhos, Rebouças (hoje Sumaré), Santa Bárbara e Boa Vista, entre outras.

Em função da epidemia da febre amarela de 1889, a Sexta Secção Eleitoral de Campinas foi transferida para Valinhos, onde muitos dos campineiros buscaram refúgio, desenhando o futuro distrito. No ano de 1893, o Diário Oficial do estado do dia 1º de setembro publicou, em sua página 7840, dentro do Expediente da Secretaria dos Negócios da Justiça, ato de criação do “Distrito Policial de Valinhos”.

O tráfego ferroviário pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro de Jundiaí a Valinhos teve início em 28 de março de 1872. Com a precariedade das estradas, as cargas sendo transportadas no lombo de mulas e burros, os trens passaram a ter grande importância, servindo inicialmente para o transporte das sacas de café em grãos, com destino ao Porto de Santos.

Conforme relato do historiador Benedito Otávio, em 1907, ao inaugurar-se a Cia. Paulista, o tráfego ainda era pequeno na Vila de Valinhos, crescendo após a lei de 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão. Com a abolição, havia falta de mão de obra e os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar em 1888, dando um novo impulso à agricultura.

As inúmeras fazendas cafeeiras, que proliferavam em toda a região, motivaram a construção da ferrovia. Em 28 de maio de 1896, a pequena, mas próspera vila de Valinhos foi elevada à categoria de Distrito de Paz, que utilizava as mesmas divisas do Distrito Policial, criado em 1893, para definir os limites do novo distrito.

No dia 30 de dezembro de 1953, o governo do estado promulga a lei 2456, criando o município de Valinhos. A primeira eleição acontece no dia 3 de outubro de 1954, sendo eleito Jerônymo Alves Corrêa o primeiro prefeito, com 1832 votos. O município é oficialmente instalado no dia 1 de janeiro de 1955, quando tomam posse o prefeito e os 13 vereadores.

Geografia miniaturadaimagem|Zona rural de Valinhos. Valinhos possui uma área de 148,538 km², dos quais 83 km² compõem sua área urbana, formando uma mancha descontínua com Campinas e Vinhedo, e 65,538 km² integram sua área rural, predominantemente localizada à oeste da Rodovia Anhanguera e na divisa com Itatiba.

Topografia O município se encontra na região geomorfológica do Planalto Atlântico, constituída predominantemente por rochas cristalinas pré-cambrianas e cambro-ordovicianas, cortadas por intrusivas básicas e alcalinas mesozoico-terciárias. Os sistemas de relevo característicos da área são os colinosos, com predominância de baixa declividade e topo aplainado, e os de morrotes, com declividades médias e altas. Os solos encontrados em Valinhos são os Argissolos Vermelho-Amarelos, que apresentam fertilidade química predominantemente baixa e grande susceptibilidade à erosão.

Hidrografia miniaturadaimagem|Rio Atibaia. A rede hidrográfica do município é composta pelos rios Atibaia e Capivari, pelos ribeirões Pinheiros, Bom Jardim e Samambaia e pelos córregos da Invernada, da Santa Escolástica, Santana dos Cuiabanos, Dois Córregos e da Fazenda São Pedro. A gestão dos recursos hídricos está atrelada à Fundação Agência das Bacias PCJ, que abrange a Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, sendo composta por 57 municípios.

Clima Valinhos tem o clima classificado como tropical de savana (Aw), pela Classificação de Köeppen, segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (CEPAGRI), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A precipitação é irregularmente distribuída ao longo do ano, sendo o verão úmido e o inverno seco. De acordo com o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO-SP), desde março de 2000 a menor temperatura registrada em Valinhos foi de em 18 de julho de 2000 e a maior atingiu em outubro de 2020, nos dias 3 e 8. O maior acumulado de chuva em 24 horas alcançou em 18 de fevereiro de 2003.

Aspectos urbanos miniaturadaimagem|Entrada do Shopping Valinhos. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, a urbanização de Valinhos ocorreu pelo parcelamento de áreas rurais para a implantação de chácaras de recreio, que deram ao município uma imagem de qualidade de vida. Essa imagem, associada à localização estratégica, contribuiu para que, a partir dos anos 1990, ocorresse a implantação de condomínios fechados de forma intensa. Estes passaram a caracterizar a cidade, atraindo uma população de maior poder aquisitivo e de melhor qualificação profissional proveniente de São Paulo e de outros municípios da Região Metropolitana de Campinas. Tal expansão provocou uma reestrutração urbana para atender a nova demanda por serviços, levando inclusive, à inauguração de um shopping no município em 2007, o qual conta com diversas lojas e 3 salas de cinema.

A expansão dos condomínios fechados vem trazendo também implicações ambientais, pois a transformação de muitas fazendas e sítios de figo roxo, goiaba, caju e vinhedos diminui ano a ano a área permeável natural na zona urbana legal de Valinhos. Isso contribui para a ocorrência de enchentes em seus córregos e ribeirões, especialmente no Córrego da Invernada e no Ribeirão Pinheiros, com impactos importantes ao município e a seus munícipes.

Rodovias thumb|SP-065. O município de Valinhos está cercado por amplo sistema viário de alta qualidade, tendo como eixos principais as seguintes rodovias: Rodovia Anhanguera para São Paulo e interior do estado Rodovia Dom Pedro I para Jacareí e São José dos Campos Rodovia José Roberto Magalhães Teixeira (Interligação entre as Rodovias: Anhanguera/Dom Pedro I e a Rodovia do Bandeirantes) Rodovia Francisco Von Zuben para Campinas Rodovia Visconde de Porto Seguro para Vinhedo, Louveira e Campinas Estrada Municipal dos Andradas para Vinhedo Rodovia dos Agricultores para Rodovia Dom Pedro I e Joaquim Egídio

Ferrovias O município é cortado por uma das mais importantes ferrovias do estado e do Brasil, a Linha Tronco da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que o liga às cidades de Colômbia, Campinas e Jundiaí e que atualmente se encontra concedida ao transporte de cargas. O transporte de passageiros pela ferrovia cessou suas atividades no ano de 2001, porém a cidade já não era mais atendida pelos trens de passageiros de longa distância da antiga Fepasa desde 1978. Atualmente, a Estação Ferroviária de Valinhos abriga o Museu da Cidade, enquanto que o seu pátio ferroviário recebe o tráfego de trens cargueiros.

Demografia O município de Valinhos é o sétimo mais populoso da Região Metropolitana de Campinas, atrás de Campinas, Sumaré, Indaiatuba, Americana, Hortolândia e Santa Bárbara d'Oeste. Sua densidade demográfica é de 718,70 hab/km².

Entre 2000 e 2010, a população de Valinhos cresceu a uma taxa média anual de 2,56% e a taxa de urbanização do município passou de 94,62% para 95,16%. No mesmo período, a taxa de envelhecimento da população aumentou de 6,49% para 8,14%.

A renda per capita média mais do que dobrou nas últimas duas décadas, passando de R$745,83, em 1991, para R$ 1.115,34, em 2000, e para R$ 1.570,91, em 2010. Isso equivale a uma taxa média anual de crescimento de 4%. A proporção de pessoas pobres, passou de 5,76%, em 1991, para 3,88%, em 2000, e para 1,17%, em 2010, evidenciando uma tendência decrescente.

Em 2010, a taxa de atividade da população economicamente ativa era de 71,93%. Dessas pessoas, 43,10% trabalhavam no setor de serviços, 20,43% na indústria de transformação, 13,31% no comércio, 6,07% no setor de construção, 3,24% no setor agropecuário, 0,75% nos setores de utilidade pública e 0,15% na indústria extrativa. Segundo a Fundação SEADE, com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2015, o setor de serviços já abrangia 50,51% dos empregos formais no município.

A mortalidade infantil em Valinhos era de 12,64% em 2010 e apenas 2,82% das crianças entre 6 e 14 anos estavam fora da escola. Eram vulneráveis à pobreza 5,9% dos moradores. Ainda no que se refere à vulnerabilidade social, em 2010, 96,94% da população residia em domicílios com banheiro e água encanada.

Considerando-se a população municipal de 25 anos ou mais de idade, em 2010, 3,72% eram analfabetos, 63,93% tinham o ensino fundamental completo, 48,86% possuíam o ensino médio completo e 21,25%, o superior completo.

Composição étnica