A Fundação Casa de Rui Barbosa é uma instituição vinculada ao Ministério da Cultura, localizada no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo, situado à Rua São Clemente, 134. A instituição tem como origem um museu-casa, o Museu Casa de Rui Barbosa, criado pelo Decreto n.º 17.758, de 4 de abril de 1927 e inaugurado em 13 de agosto de 1930, localizado em uma das chácaras urbanas mais antigas da cidade, onde viveu o jurista, político, advogado e intelectual brasileiro Ruy Barbosa de Oliveira, de 1895 a 1923. De acordo com a definição do Conselho Internacional de Museus (ICOM): “Museus-Casas são edifícios históricos que já foram habitados e estão abertos ao público para exibir mobiliário e coleções originais de interesse histórico, cultural e etnográfico, preservando o espírito dos antigos donos e a memória da comunidade”. miniaturadaimagem|Logo em formato arquitetônico. Em 1966, o Museu Casa de Rui Barbosa teve sua personalidade jurídica alterada pela Lei nº 4.943 de 6 de abril de 1966, sendo transformado em Fundação Casa de Rui Barbosa.

Além de abrigar o acervo museológico e a biblioteca original da residência do jurista, é uma das mais importantes instituições brasileiras de cultura e preservação de documentos, com acervos documentais inscritos no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO, que reconhece patrimônios documentais de significância internacional, regional e nacional, e acervos literários, iconográficos, correspondências e originais de escritores brasileiros como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Cornélio Pena, Maria Clara Machado, Manuel Bandeira, Antônio Sales, Cruz e Sousa, Antônio Calado, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Rubem Braga, Dalcídio Jurandir, entre outros.

De acordo com o site oficial da Fundação, a principal missão é: "O desenvolvimento da cultura, da pesquisa e do ensino, a divulgação e o culto da obra e vida de Ruy Barbosa" e atividades de preservação e pesquisa nas áreas de museologia, arquitetura, urbanismo, arqueologia e educação, além promover cursos, oficinas e projetos culturais.

Origem e história miniaturadaimagem|257x257px|Jardim e fachada principal do Museu Casa de Rui Barbosa entre 1910 e 1920. A instituição tem sua origem pela vontade de perpetuar o legado e acervo do jurista e político Ruy Barbosa pelo governo federal. Nascido na Bahia em 1849, Ruy Barbosa mudou-se para o Rio de Janeiro em 1879, ao ser eleito para a Assembleia Legislativa da Corte Imperial, onde se fixou até o fim de sua vida. Barbosa era uma figura muito conhecida e de grande destaque nacional, tanto ao longo de sua vida como também postumamente. Ao comprar a casa na Rua São Clemente, mudou-se em 1895 com sua esposa, Maria Augusta Ruy Barbosa (de sobrenome Viana Bandeira, quando solteira) e os seus cinco filhos, residindo no local até a sua morte, em março de 1923. Após seu falecimento, deu-se início o processo do governo pela aquisição de sua propriedade tanto física (sua residência, móveis e objetos, etc.) como intelectual (todas as obras e documentos feitos pelo ex-advogado). No ano seguinte, o governo, na época presidido por Arthur da Silva Bernardes, que autorizou e liberou a verba pelo Decreto nº 4789 de 02 janeiro de 1924, sendo adquirido apenas a casa, os livros, os manuscritos, arquivos e a propriedade intelectual de Ruy Barbosa. O restante dos pertences, como móveis e objetos pessoais, não foram adquiridos, obrigando os descendentes de Ruy a organizar um leilão para a venda dos objetos restantes. Mas foi somente em 1928, com o Decreto nº 5.666 de 5/11/1928, assinado pelo presidente Washington Luís, que foi autorizada a compra e a recuperação de mobiliário e itens que ainda estavam sob posse da família Barbosa, para a instalação da "Casa de Ruy Barbosa".

Diante da representação da figura de Ruy Barbosa para o público, cada cômodo da casa recebeu o nome de algum momento marcante da vida pública do político, escolhidos pelo presidente Washington Luís. Os cômodos receberam nomes referentes a momentos importantes na política e no direito e na vida privada do jurista, como: Sala de Haia (corresponde ao escritório de Ruy Barbosa), Sala Habeas Corpus (corresponde ao quarto do casal), Sala Maria Augusta (corresponde ao quarto de vestir de Maria Augusta - esposa e viúva de Ruy), Sala Pró-Aliados (corresponde a sala de visitas), Sala da Federação (corresponde a sala destinada a bailes e recepções), Sala Buenos Aires (corresponde a sala de música, onde eram se realizados os saraus), Sala Civilista (corresponde a um dos anexos da biblioteca e o lugar preferido de Ruy para trabalhar, recebendo o apelido de “gabinete gótico”), Sala da Constituição (corresponde à biblioteca, por conta da sua contribuição na primeira Constituição Republicana do Brasil, na qual Barbosa exercia a função de Ministro da Fazenda, cargo que ocupou entre 1889-1890), Sala do Casamento Civil (corresponde ao quarto de vestir de Ruy Barbosa), Sala do Código Civil (corresponde ao um segundo escritório particular de Ruy, com a escrivaninha onde o jurista revisou o Código Civil brasileiro de 1916), Sala João Barbosa (corresponde a sala íntima onde recebia convidados após o jantar), Sala Bahia (corresponde à sala de jantar quando havia convidados), Sala Questão Religiosa (corresponde a sala para refeições íntimas) e Sala Queda do Império (corresponde ao escritório do seu genro Batista Pereira e, depois, quarto de dormir do seu filho João), Sala Dreyfus (corresponde ao refeitório dos criados, depois transferido para o espaço situado abaixo da cozinha), Sala do Estado de Sítio, Sala da Instrução Pública e Sala da Abolição (correspondem aos cômodos do sobrado que foi posteriormente ocupado por sua filha Maria Adélia e  seu marido Antônio Batista Pereira, após o casamento).

No dia 13 agosto de 1930 foi inaugurada a Casa de Rui Barbosa pelo Presidente Washington Luís. A inauguração contou com a viúva do jurista Maria Augusta Ruy Barbosa ao seu lado e o Senador João Mangabeira, que realizou o discurso oficial de abertura da casa."Foi essa crença nas forças eternas, foi essa fé na supremacia das forças morais, que te levou, grande morto, a trabalhar mais do que os outros. Não trabalhaste em vão! Esta casa, testemunha muda de teus trabalhos, de tuas vigílias e de teus sacrifícios, a nação transformou-a num templo, santificando-o para o culto da democracia e da lei. De ora avante, será aqui que virão pedir inspirações, beber ensinamentos, reacender a chama da fé bruxoleante, os amigos do direito, os defensores da liberdade, os devotos da lei, os sacerdotes da justiça! Nesta casa se revirá todos os dias tua Pátria, orgulhosa do monumento que, à tua própria glória, fundaste com as tuas mãos.”Desde a criação da casa-museu, a principal preocupação dos organizadores foi manter a memória do proprietário e toda a sua família com a realização de um trabalho extenso e cuidadoso de coleta e interpretação de fatos que se quer manter e, principalmente, conservar toda a vida de um possível esquecimento ao longo dos anos, usando como suporte os objetos, bens e acervo de Ruy e a sua família.

Em 2020, o governo iniciou processos para extinguir a Fundação, para transformá-la em um museu. Tal atitude gerou uma nota de repúdio do Fórum dos Servidores da Cultura.

Características miniaturadaimagem|270x270px|Detalhes da fachada principal do Museu Casa de Rui Barbosa

Arquitetura A Casa-Museu, datada do século XIX, possui estilo neoclássico, com frontão triangular com decorações em baixo relevo; vãos em arco pleno e platibandas ornamentadas por esculturas. Possui estruturas características da segunda metade do século XIX, como cantarias de pedra, cobertura com telhas francesas, argamassas à base de cal, além de elementos como varandas de ferro e clarabóias de ferro e vidro, elementos industrializados e importados.

O jardim da casa-museu é uma parte importante da Fundação Casa de Rui Barbosa. Quando a casa foi adquirida pelo governo federal, houve a destruição de uma parte do jardim com o objetivo era abrir uma rua de ligação entre a Rua São Clemente e a Rua Assunção e foi realizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A intervenção foi sanada quando Washington Luís tomou posse como Presidente da República, em 1926. Mas em 1930, quando estava prestes a ser inaugurada, o jardim passou por uma grande restauração, em parte para torná-lo um jardim público e também para reconstruir o que havia sido destruído quatro anos antes.Mesmo sendo o jardim original, ele sofreu diversas revitalizações ao longo dos anos, principalmente em 2016. Possui 6.000 m² de área e foi um dos locais de lazer da família Barbosa. No jardim, o escritor exercia o seu amor pela jardinagem. Até hoje o espaço preserva árvores plantadas pelo próprio Ruy Barbosa. A principal revitalização que o jardim sofreu foi, na verdade, o primeiro projeto no Brasil a seguir os moldes propostos pela Carta de Florença da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e também pela Carta dos Jardins Históricos Brasileiros.

A Carta de Florença foi redigida no começo da década de 80 pelo Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos, a carta estabeleceu a importância e a definição de um jardim histórico e também a importância da conservação de espaços assim. Mas em 2010, foi elaborada uma carta com as mesmas propostas, referente à preservação desses jardins no Brasil. Foi chamada de Carta de Juiz de Fora e buscou aprofundar o trabalho e realizações da Carta de Florença, além de adaptar seus parâmetros para a realidade brasileira. miniaturadaimagem|234x234px|Biblioteca no Museu Casa de Rui Barbosa O cômodo de maior importância da Casa é, provavelmente, a biblioteca de Ruy Barbosa. Composta por quatro salas anexas uma à outra e é nomeada como Sala Civilista, relembrando a candidatura de Barbosa à presidência da república. Sua arquitetura e decoração lembra um gabinete gótico, justamente pelos móveis compostos na sala que remetem às catedrais góticas europeias. Conhecido por ser muito estudioso e amante de livros, da maior parte do tempo que passava em casa, o intelectual passava em sua biblioteca, lendo ou estudando. É na biblioteca que é arquivado a coleção bibliográfica que Ruy Barbosa acumulou durante a sua vida. Há uma sala anexa à biblioteca, nomeada Sala Código Civil, e relembra um momento muito importante na carreira de Ruy Barbosa, quando o político contribui com a correção ao Código Civil vigente na época, que acabou ficando bastante conhecido por conter mais de 100 emendas ao documento original.

Acervo A Fundação Casa de Rui Barbosa é conhecida por sua tradição no campo da preservação e arquivamento de documentos desde a sua existência. O arquivo Rui Barbosa é constituído de cerca de 60 mil documentos que produziu ao longo de sua vida e que traduziram tanto a sua vida pública quanto a privada. Além do conjunto arquivo Rui Barbosa, há também o conjunto que é constituído por documentos em decorrência das atividades e projetos da casa: O acervo arquivístico institucional; o acervo bibliográfico de apoio às linhas de pesquisa da Fundação; a coleção de cordéis e a Biblioteca Infanto-juvenil Maria Mazzetti. E o mais recente conjunto documental está reunido no Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, que é um acervo é composto por arquivos pessoais de diversos escritores brasileiros, na maioria, pertencentes da escola modernista (todas as gerações). Arquivos pessoais de Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, entre outros e também encontram-se na instituição arquivos pessoais de Antônio Sales e de Cruz e Sousa - escritores representantes do parnasianismo e simbolismo, respectivamente.

Acervo digitalizado