O foi um porta-aviões operado pela Marinha Imperial Japonesa. Projetado a partir de uma versão modificada do predecessor , sua construção começou em julho de 1936 no Arsenal Naval de Yokosuka e foi lançado ao mar em novembro de 1937, sendo comissionado na frota japonesa no início de julho de 1939. Ele era capaz de transportar mais de sessenta aeronaves, era armado com uma bateria antiaérea composta por canhões de 127 e 25 milímetros, tinha um deslocamento normal de mais de vinte mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 34 nós.

O Hiryū teve uma carreira ativa na Segunda Guerra Mundial. Ele apoiou a invasão da Indochina Francesa em setembro de 1940 e participou do Ataque a Pearl Harbor e da Batalha da Ilha Wake em dezembro de 1941, enquanto no ano seguinte se envolveu no Bombardeio de Darwin e da conquista das Índias Orientais Neerlandesas em fevereiro e de um ataque contra forças britânicas no Oceano Índico entre março e abril. O Hiryū participou em junho da Batalha de Midway, quando foi danificado por ataques aéreos norte-americanos e deliberadamente afundado para não ser capturado.

Projeto O Hiryū foi um de dois porta-aviões de grande porte aprovados para construção sob o Programa Suplementar de 1931–1932. Foi originalmente projetado como um irmão do , porém seu projeto foi modificado diante de alguns incidentes ocorridos entre 1934 e 1935 que revelaram que os navios da Marinha Imperial Japonesa eram muito pesados acima da linha de flutuação, instáveis e estruturalmente fracos. As alterações implementadas no Hiryū incluíram a elevação do seu castelo de proa, fortalecimento do casco e aumento de sua boca, deslocamento e blindagem.

Características thumb|esquerda|240px|O Hiryū durante seus estágios finais de equipagem em 20 de junho de 1939 O Hiryū tinha 227,4 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 22,3 metros e um calado de 7,8 metros. Seu deslocamento padrão era de 17,6 mil toneladas, enquanto o deslocamento normal chegava em toneladas. Sua tripulação era formada por 1,1 mil oficiais e marinheiros.

Seu sistema de propulsão era formado por oito caldeiras de tubos d'água Kampon que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, cada um girando uma hélice. Este sistema era o mesmo usando nos cruzadores pesados da Classe Mogami. A potência indicada era de 155 mil cavalos-vapor (114 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 34,3 nós (39,5 quilômetros por hora), fazendo do Hiryū o porta-aviões mais rápido do mundo quando entrou em serviço. Podia carregar até 4,5 mil toneladas de óleo combustível, o que lhe proporcionava uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a dezoito nós (33 quilômetros por hora). A exaustão das caldeiras era canalizada para duas chaminés que ficavam na lateral de estibordo abaixo do convés de voo e viradas para baixo.

O porta-aviões tinha um cinturão principal de blindagem que ficava na linha de flutuação e tinha 150 milímetros de espessura na área dos depósitos de munição, enquanto na região das salas de máquinas e tanques de gasolina de aviação ele diminuía para noventa milímetros. Atrás ficava uma antepara interna que tinha a intenção de parar estilhaços. O convés blindado tinha 25 milímetros sobre as salas de máquinas e 55 milímetros sobre os depósitos de munição e tanques de gasolina de aviação.

Convés e hangares O convés de voo do Hiryū tinha 216,9 metros de comprimento por 27 metros de largura. Ele e seu predecessor foram os únicos porta-aviões na história construídos com uma superestrutura a bombordo. Esta também ficava posicionada mais a ré e pegava parte do convés de voo. Nove cabos de detenção foram instalados e podiam parar uma aeronave de até seis toneladas. Um grupo de três cabos ficava posicionado mais à vante a fim de permitir que aviões pousassem pela proa, porém isto nunca ocorreu na prática. O convés de voo ficava apenas 12,8 metros acima da linha de flutuação e esta baixa altura foi alcançada ao reduzir a altura dos hangares. Haviam dois hangares: o superior tinha 171,3 por 18,3 metros e uma altura de 4,6 metros, já o inferior tinha 142,3 por 18,3 metros e uma altura de 4,3 metros. Juntos tinham uma área aproximada de metros quadrados. Essas dimensões causaram problemas no manuseio de aeronaves, pois as asas de um torpedeiro Nakajima B5N não podiam ser estendidas ou dobradas no hangar superior.

As aeronaves eram transferidas dos hangares para o convés de voo por meio de três elevadores, o de vante ao lado da superestrutura na linha central da embarcação e os outros dois mais à ré deslocados para estibordo. O elevador de vante tinha dezesseis por treze metros, o do meio tinha treze por doze metros e o de ré tinha 11,8 por treze metros. Eram capazes de transportar aeronaves de até cinco toneladas. O Hiryū foi projetado para transportar 64 aeronaves, mais nove sobressalentes.

Armamento A principal armamento de defesa antiaérea do Hiryū consistia em doze canhões de duplo propósito Tipo 89 calibre 40 de 127 milímetros. Estes foram arranjados em montagens duplas instaladas em plataformas projetadas da lateral do casco, três em cada lado da embarcação. Estas armas tinham um alcance máximo de 14,7 quilômetros e uma altura máxima de disparo de 9,44 quilômetros a uma elevação de noventa graus. Sua cadência de tiro máxima era de catorze disparos por minuto, porém sua cadência de tiro sustentada era de aproximadamente oito disparos por minuto. O navio era equipado com dois diretórios de controle de disparo Tipo 94 a fim de controlar os canhões de 127 milímetros, um para cada cada lado; o diretório de estibordo ficava no topo da superestrutura e o de bombordo ficava posicionado abaixo do convés de voo.

O armamento antiaéreo leve tinha 31 canhões Tipo 96 de 25 milímetros, produção licenciada da francesa Hotchkiss, instalados em sete montagens triplas e cinco duplas. Duas triplas ficavam em uma plataforma logo abaixo da extremidade dianteira do convés de voo, enquanto o resto ficava nas laterais do casco. Esta era a arma antiaérea leve padrão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, porém ela sofria de sérios problemas de projeto que a deixavam praticamente ineficiente. Segundo o historiador Mark Stille, a arma tinha muitas falhas incluindo a incapacidade de "lidar com alvos em alta velocidade porque não podiam virar e elevar rápido o bastante manualmente ou por energia, suas miras eram inadequadas para alvos de alta velocidade, possuía uma vibração e choque de disparo excessivos". Os canhões tinham um alcance efetivo de 1,5 a três quilômetros e um teto efetivo de 5,5 quilômetros a uma elevação de 85 graus. Sua cadência de tiro efetiva máxima era de 110 a 120 disparos por minuto por causa da frequente necessidade de trocar os cartuchos de munição, que tinham apenas quinze projéteis cada. As armas eram controladas por cinco diretórios Tipo 95, dois em cada lateral e um na proa.

Carreira thumb|240px|O Hiryū durante seus testes marítimos em 28 de abril de 1939 O Hiryū recebeu um nome que significa "Dragão Voador". Seu batimento de quilha ocorreu em 8 de julho de 1936 no Arsenal Naval de Yokosuka e foi lançamento ao mar em 16 de novembro de 1937, sendo comissionado em 5 de julho de 1939. Foi designado em 15 de novembro para a Segunda Divisão de Porta-Aviões. As aeronaves do navio foram transferidas em setembro de 1940 para Ainão com o objetivo de apoiar a invasão japonesa da Indochina Francesa. O Hiryū deu suporte para um bloqueio do sul da China em fevereiro de 1941. A Segunda Divisão de Porta-Aviões, comandada pelo contra-almirante Tamon Yamaguchi, foi designada para a 1ª Frota Aérea em 10 de abril. A embarcação voltou para o Japão em 7 de agosto para uma breve manutenção que terminou em 15 de setembro. Serviu de capitânia para a Segunda Divisão entre 22 de setembro e 26 de outubro enquanto o Sōryū estava em manutenção.

Pearl Harbor

A Frota Combinada, sob o comando do almirante Isoroku Yamamoto, se preparou em novembro de 1941 para a entrada formal do Japão na Segunda Guerra Mundial por meio de um ataque preventivo contra a base da Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. O Hiryū, sob o comando do capitão Tomeo Kaku, junto com o resto da 1ª Frota Aérea sob o comando do vice-almirante Chūichi Nagumo, formada por seis porta-aviões da Primeira, Segunda e Quinta Divisões de Porta-Aviões, se reuniram em 22 de novembro na Baía de Hitokappu em Etorofu. Eles partiram quatro dias depois, atravessando o centro-norte do Oceano Pacífico a fim de evitar rotas comerciais. O Hiryū estava como capitânia da Segunda Divisão, tendo embarcando 21 caças Mitsubishi A6M Zero, dezoito bombardeiros de mergulho Aichi D3A e dezoito torpedeiros Nakajima B5N. Os porta-aviões se posicionaram a 230 milhas náuticas (430 quilômetros) ao norte de Oahu e lançaram duas ondas de ataque na manhã de 7 de dezembro de 1941.

thumb|esquerda|240px|O Arizona explodindo depois de ser atingido por uma bomba perfurante lançada por uma aeronave do Hiryū Na primeira onda, oito B5Ns deveriam atacar os porta-aviões que ficavam normalmente ancorados no lado noroeste da Ilha Ford, mas nenhum estava em Pearl Harbor no dia do ataque. Desta forma, quatro dos B5Ns desviaram e em vez disso foram atacar seus alvos secundários, que eram os navios ancorados no Cais 1010, onde a capitânia costumava ficar ancorada. Esta era o couraçado , que no dia estava em uma doca seca e em sua posição estavam o cruzador rápido e o lança-minas USS Oglala; todos os quatro torpedeiros erraram. Os outros quatro B5Ns atacaram os couraçados e . Os dez B5Ns restantes tinham sido encarregados de lançarem bombas perfurantes de oitocentos quilogramas nos couraçados ancorados no lado sudeste da Ilha Ford, possivelmente acertando uma ou duas, incluindo uma que causou uma explosão interna que destruiu o couraçado . Seis Zeros metralharam aeronaves estacionadas na Estação Aérea Ewa, reivindicando 22 destruídas.

A segunda onda tinha nove Zeros e dezoito B5Ns, mas um de cada abortou por problemas mecânicos. Os Zero metralharam a Estação Aeronaval da Baía Kaneohe e então atacaram Campo de Pouso Bellows, abatendo nesta dois caças Curtiss P-40 Warhawk enquanto tentavam decolar, um bombardeiro Boeing B-17 Flying Fortress desviado do Campo de Pouso Hickam e um avião de observação Stinson 049 Vigilant. Um Zero foi abatido. Os caças que ainda tinham munição metralharam Ewa de novo. Os D3As atacaram vários navios, mas não é possível identificar quais aviões atacaram quais embarcações. Dois D3As foram abatidos durante o ataque.

Outras ações No caminho de volta, Nagumo ordenou que o Hiryū e o Sōryū fossem destacados para atacarem os defensores da Ilha Wake, que derrotaram o primeiro ataque japonês dias antes. Os dois porta-aviões aproximaram-se em 21 de dezembro e lançaram 29 D3As, dois B5Ns e dezoito Zeros a fim de atacarem alvos em terra. Eles não encontraram oposição aérea e 35 B5Ns e seis Zeros foram lançados no dia seguinte. As aeronaves interceptaram os dois caças Grumman F4F Wildcat sobreviventes do Esquadrão Aéreo de Caças 211. Os Wildcat abateram dois B5Ns antes de serem destruídos pelos Zeros. A guarnição de Wake se rendeu um dia depois do desembarque das forças japonesas.