Tavares é um município brasileiro do estado da Paraíba, localizado na Região Geográfica Imediata de Princesa Isabel. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2022 sua população era estimada em 14 759 habitantes. Sua área territorial é de 239 507 km². Distante por rodovia 420 km da Capital João Pessoa e a 140 km da cidade de Patos, sede regional.
História
A história do município remonta ao século passado quando o Pe. Francisco Tavares, chegou a região, então habitada por umas 8 de famílias. Ao examinar a fertilidade da terra e suas condições climáticas de um sertão promissor, resolveu fazer paradeiro nesse lugar e lutar pelo ideal de povoar uma vila.
Por volta de 1870, confrontou-se com o senhor Major Florentino, da região do Mixila (Sítio), que tivera, também, o propósito de formar um vilarejo na região de origem, contra as bênçãos e as ideias do padre, chegando a fundar uma feira livre lá no referido sítio, apressando, dessa maneira, a ação criadora do padre que, debaixo de um Juazeiro, bem no centro de Campina (local onde hoje fica a rua principal) celebrou a primeira missa e edificou um altar improvisado de varas, elevando ao mesmo tempo a imagem do arcanjo São Miguel, que posteriormente recebera do proprietário local, Sr. Manoel Antônio do Nascimento, o qual doou, ainda, quatro hectares de terra como primeiro patrimônio da paróquia de São Miguel. Tal fato teria se dado em 4 de fevereiro de 1874, quando o povoamento do sítio Campina contava apenas com duas residências: uma na fazenda Casa Nova e outra na Lagoa dos Paulinos.
Para celebrar o seu povoamento o padre Francisco Arcoverde Tavares edificou uma capela com a imagem de São Miguel, na condição de Padroeiro, o qual ficou sendo homenageado por nove noites seguidas, nas segunda quinzena do mês de Setembro.
A escolha de São Miguel Arcanjo como padroeiro da cidade teria sua razão numa homenagem póstuma, prestada ao filho do doador da imagem e do patrimônio da paróquia, que se chamava Miguel e que teria sido devorado por uma onça nas proximidades da lagoa dos Paulinos. Quanto ao nome Tavares, o mesmo seria uma homenagem ao sacerdote Francisco Tavares, pelos seus relevantes feitos.
Com a chegada do Padre, foi edificada uma capela em homenagem ao arcanjo São Miguel, atual padroeiro. O município alcançou sua independência político-administrativa, através do Projeto de Lei n.º 2.150, em 10 de Setembro de 1959, sendo que, sua emancipação política e administrativa ocorreu em 17 de Novembro de 1959.
Geografia Relevo Em termos de relevo a cidade localiza-se no Maciço de Teixeira, denominado como zona fisiográfica do Sertão Alto, uma área cristalina elevada de constituição granítica e gnáissica, no centro-sul do município e de constituição filítica e xística, na porção Norte e Noroeste. O município conta com uma altitude de 724 metros, apresentando topografia irregular de relevo forte ondulado e montanhoso na porção norte, tornando-se ondulado na parte central e forte ondulado no Sudeste. Destacam-se a Serra do Cedro e a Serra do Capitão do Norte e Noroeste e, a Serra Vermelha no Sudeste.
Vegetação A vegetação originária do município era dominada pelas Caatingas que são formações vegetais de porte variáveis, caducifólias de caráter xerófilo com grande quantidade de plantas espinhosas e que possuem formas comuns de resistência à carência de água. Tal vegetação divide-se em dois tipos:
1.Caatinga hipoxerófila – que predomina nas regiões centro-sul e sudeste, denominada como Caatinga de clima menos seco. Apresenta-se densa e com porte arbóreo, estando a frequência de cactáceas baixas e bromeliáceas restritas às áreas mais pedregosas e rochosas;
2.Caatinga hiperxerofila – predominante na porção Norte e Noroeste do município, caracterizada por apresentar grau mais acentuado de xerofitismo. Sua formação é densa e de porte arbóreo baixo ou arbóreo-arbustivo, com pouca concentração de cactáceas e bromeliáceas.
As espécies mais encontradas são: Imburana-de-cheiro (Leguminosae), Mororó (Leguminosae), Catingueira (Leguminosae), Canafistula (Leguminosae), Umbunzeiro (Anacardiaceae), Aroeira (Anacardiaceae), Braúna (Anacardiaceae), Juazeiro (Rhamnaceae), Mandacaru (Cactaceae), Facheiro (Cactaceae) e Jurema (Leguminosae).
Hidrografia O município está localizado na bacia hidrográfica do rio Piancó, sendo cortado por vários ribeirões, dentre eles: Tavares, Canoas, Arara, Mocambo, Catingueira, entre outros.
Clima O município está incluído na área geográfica de abrangência do semiárido brasileiro, definida pelo Ministério da Integração Nacional em 2005. Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca.
Apresenta clima quente e semiárido, com chuvas de verão-outono e um período de estiagem de cinco a sete meses, apresentando uma precipitação pluviométrica média anual de 778,2 mm, sendo que o período chuvoso compreende, geralmente, os meses de fevereiro a junho, quando, então, se inicia a estação seca, a qual perdura até o mês de novembro, época das primeiras trovoadas. A temperatura média anual varia entre 22 e 23 °C, sendo registradas temperaturas mínimas mensais de 17°C e máximas mensais de 27°C, sendo, geralmente, junho e julho os meses mais frios e dezembro e janeiro os mais quentes.
População Os dados dos últimos censos do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística – IBGE, apontam que a população majoritária habita as áreas ‘oficialmente’ rurais do município, muito embora, desde a década de 80 do século XX, se observe um declínio desta população e, concomitantemente, o crescimento da população que reside nas áreas urbanas, movimento este que acompanha a tendência regional e que está relacionado à busca de bens e serviços como postos médicos, escolas, bancos etc.; por parte da população rural.
Ainda de acordo com dados do IBGE (Censo Agrícola – 95), o município apresenta uma elevada concentração de imóveis rurais, 99,9%, cujas áreas são inferiores a cinco hectares (gráfico 2), os quais ocupam apenas 0,24 % de toda área municipal, o que nos permite perceber que a concentração de terras, como no restante do país, é um dos problemas que afeta diretamente os pequenos agricultores, que, dessa forma, são “obrigados” a estabelecerem relações de parcerias com médios e grandes proprietários, visando assegurar a produção familiar.
A pirâmide social no município é assim composta: abaixo, estão os pobres, os despossuídos, os moradores das pontas de ruas; são mulheres chefes do lar, cujos maridos não mais existem, seja por motivo de morte, seja por abandono da casa: são lavadeiras, engomadeiras, as que buscam sustento para si e para os filhos que ficaram, “ajudando” nas casas de “família”, são pais de famílias que vivem do alugado, do bico: ajudante de pedreiro; vendedores de ovos, galinhas; carrinhos de pipoca, confeitos; são os que nada têm,nada possuem e cujos filhos, crianças ainda, passam o dia de porta em porta a mendigar uma comidinha para si e para os seus outros irmãos; são rapazes, os ajudantes de armazéns, das madeireiras, das casas de construção. Um pouco mais acima da pirâmide, ficam os pequenos proprietários, os que possuem um pedaço de terra, mas o qual é tão pequeno, que para alimentarem a família e fazerem a semente para o inverno que de novo há de vir, se Deus quiser, são “obrigados” a entrarem em relação com os médios e grandes proprietários, os quais possuem mais terra e com os quais deixam parte da produção. São esses médios e grandes proprietários, que junto com os grandes comerciantes, funcionários públicos e profissionais liberais formam o topo da pirâmide social.
Por sua vez, os comerciantes mais solidificados no município foram os que conseguiram firmarem-se como atravessadores, tanto na época do algodão quanto no ciclo do feijão, culturas que tiveram seu ponto alto no município, a primeira, nas primeiras décadas do século XX e, a segunda, nas últimas décadas daquele mesmo século, época em que a cidade era conhecida como a “terra do feijão”.
Comunidades De acordo com a metodologia adotada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a realização do censo, o município foi dividido em 15 áreas, sendo três (03) na sede do município e doze (12) na zona rural. Dentre as comunidades rurais, merecem destaque: Mocambo, Arara, Inácio Alves, Curisco, Pau d’Arco, Boa Vista, Lagoa, Riacho do Meio, Minadouro, Domingos Ferreira, Queimadas, Bonito, Cacimbinha, Cumbre, Castanheira, Olho d’Água Seco, Pitomba, Lajedo Bonito, Manoel do Mato, Macambira e os distritos de Jurema, Belém e Silvestre.
Economia Algodão herbáceo, arroz, batata-doce, cana de açúcar, fava, feijão, mamona, mandioca, pão e milho, são as principais lavouras temporárias, presentes na região, sendo que o destaque é sem dúvida para o feijão, o milho e a mandioca. Dentre as culturas permanentes sobressaem-se o algodão arbóreo e as frutas, com destaque para o caju, a goiaba e a manga.
As famílias dos pequenos agricultores, com melhores condições financeiras, possuem vacas, cujo leite algumas famílias manufaturam nas próprias casas, obtendo-se então, o queijo e a manteiga, produtos que são consumidos internamente pelas famílias e, também, comercializados nos próprios sítios. São criados, ainda, porcos, caprinos e galinhas, que além de servirem para o consumo familiar, chegam a movimentar um pequeno comércio, o qual vem sendo cada vez mais, ocupado pelos atravessadores.
O comércio local é composto de pequenas mercearias, casas de construção, madeireiras, bares, boates, clubes dançantes, lojas de roupas. A maioria dos estabelecimentos localizados na área urbana do município é propriedade de funcionários ou de agricultores médios e, ainda, de ex-agricultores, isto é, pessoas que se aposentaram na agricultura, venderam suas terras e se estabeleceram na cidade passando a investir no negócio.
Existem, ainda, alguns casos de médios e grandes agricultores, que passaram a investir no negócio, sem, contudo, abandonarem a agricultura. Nos sítios o comércio é composto quase que exclusivamente de bares-mercearias, isto é, um mesmo estabelecimento, em geral muito pequeno e ligado à casa do proprietário, onde se vendem bebidas e alguns poucos gêneros alimentícios e materiais de limpeza. Há, também, uma rede de comércio ambulante, portanto, feito de porta em porta, por vendedoras/es de roupas e acessórios como bijuterias, maquiagens, utensílios domésticos etc., e que é movimentada, sobretudo por jovens mulheres. Este tipo de comércio está presente tanto nos sítios e povoados como na sede do município. Ainda nesta rede de comércio ambulante podemos incluir os feirantes, isto é, os vendedores de roupas e bijuterias, cereais, frutas e verduras, animais (bovinos, suínos e ovinos), são os que “fazem as feiras”, que percorrem diferentes praças de mercados1, localizadas nos diferentes municípios da região, em diferentes dias da semana. Em Tavares a feira acontece às segundas-feiras, em Princesa Isabel, Juru e Água Branca, aos sábados; mas, há feiras mais distantes, como as de Afogados e Tabira, municípios pernambucanos, que acontecem, respectivamente, nas quartas e quintas-feiras.
Pelos circuitos das feiras circulam pessoas e mercadorias. O raio que tais fluxos abrangem varia bastante; muitos feirantes ficam apenas na feira local; outros ‘fazem’ também as feiras dos municípios vizinhos; alguns se deslocam para mais longe: Tabira (vendedores/compradores de suínos e bovinos e matérias primas: ferro, couro etc.); Afogados.PE, onde a procura é por gênero alimentício; Patos, Caruaru e Serra, os dois últimos, municípios pernambucanos que se destacam pelo comércio de roupas e acessórios: brincos e maquiagens.