Rio Claro é um município brasileiro do interior do estado de São Paulo. Faz parte da Região Geográfica Imediata de Rio Claro que, por sua vez, integra a Região Geográfica Intermediária de Campinas. Está a 85 km do Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas e a 173 km da capital São Paulo. Com uma população de habitantes, estimada pelo IBGE em 2022, ocupa uma área total de 498,422 km². É o 34.º município brasileiro com o melhor IDH e 105.º município com o melhor PIB do país. O município é formado pela sede, pelos distritos de Ajapi e Assistência, e pelos povoados de Batovi e Ferraz.

Topônimo A cidade foi fundada com o nome de "São João Batista de Rio Claro", por Decreto Imperial, em 9 de dezembro de 1830. Emancipado com a denominação de São João do Rio Claro, pela Lei Provincial n.º 44, de 30 de abril de 1857. Pela Lei Estadual n.º 975, de 20 de dezembro de 1905, sua denominação foi alterada de São João do Rio Claro para Rio Claro. IBGE Cidades

História A região de Rio Claro era habitada pelo homem desde, no mínimo, AP. Os primeiros habitantes ocuparam as regiões próximas aos rios Passa-Cinco, Cabeça e Corumbataí e seus afluentes — em terraços fluviais ou em elevações. Fabricavam artefatos líticos para a caça e provavelmente ocuparam intensivamente a região.

Em aproximadamente AP, os antigos povos foram substituídos pelos tupis-guaranis, semi-sedentários, que os portugueses encontraram posteriormente disseminados ao longo da costa ao chegarem no Brasil no início do século XVI. Na região de Rio Claro, eles habitavam as áreas próximas aos atuais centros de população (vilas e cidades), coincidindo com eles em alguns casos. Os tupis-guaranis de Rio Claro estariam possivelmente associados etnologicamente aos Guaranis-Kaiowás. É possível, inclusive, que eles tenham disputado territórios na região de Rio Claro com povos de outras culturas, como povos etnologicamente associados aos Jê Meredionais, possivelmente aos Kaingangs.

Colonização Após a chegada dos portugueses no Brasil, as expedições dos séculos XVI, XVII e XVIII para o interior do futuro estado de São Paulo trouxeram muitos problemas para a população indígena residente. Muitos indígenas eram mortos, escravizados para o trabalho nas lavouras, ou assimilados via cooperação com os europeus ou via catequização. Já os resistentes migravam paulatinamente para o interior, deixando as áreas anteriormente ocupadas para buscar refúgio nas regiões inexplorados pelos europeus, além daquela de Rio Claro. Em princípios do século XVIII, a população europeizada da Capitania de São Vicente não ultrapassava os e se organizava em vilas relativamente próximas ao litoral. Enquanto isso, no interior, pioneiros se arriscavam a viver nos sertões, longe da opressão do domínio colonial e das distinções e de privilégios sociais que os tinham reprimidos em sua antiga pátria. O interior era também escolhido por juízes para exilar criminosos e por escravos para suas fugas. thumb|esquerda|Fazenda Grão Mogol, de Guálter Martins Pereira thumb|esquerda|Sobrado do Barão de Dourados, atual Museu Histórico Pedagógico Amador Bueno da Veiga

Em 1718, a descoberta de ouro no Mato Grosso acelerou o processo de ocupação do interior da capitania de São Paulo e, particularmente, da região de Rio Claro. Moradores de várias vilas, fascinados pelo "Eldorado" de Cuiabá, procuraram uma rota alternativa à do rio Tietê, evitando assim o risco das "febres dos pântanos". Em 1723, a cargo de abrir um caminho oficial a Cuiabá, o governador da Capitania de São Paulo, Rodrigo César de Meneses, enviou o sargento-mor Luiz Pedroso de Barros, que concluiu com sucesso sua missão em 1724.

Seria natural se imaginar que no caminho — conhecido como "Picadão de Cuiabá", houvesse uma parada para que os condutores de mulas pudessem descansar antes das cuestas do Planalto Ocidental paulista. A parada de Ribeirão Claro provavelmente não passava inicialmente de um abrigo coberto de folhas à beira do Córrego da Servidão, mas foi o suficiente para, no decorrer dos anos, formar um núcleo de comerciantes de suprimentos para os tropeiros que se tornaria o futuro povoado.

Século XIX Em 1817, iniciaram-se as concessões de sesmarias do atual município. Com a chegada de grandes fazendeiros, foram trazidos para a região razoável número de africanos e afro-brasileiros, na condição de escravos. A origem desses homens e mulheres com o tempo foi se perdendo, mas no recenseamento de 1822, dos africanos de Rio Claro eram originários de locais sob domínio português, como Reino do Congo, Cabinda, Benguela e Moçambique.

Em 1823, foi celebrada a primeira missa da região numa capela da fazenda Costa Alves, próxima à atual estrada entre Rio Claro e o distrito de Ajapi. Algum tempo depois, seria construída uma capela para atender à população do povoado às margens do Córrego da Servidão, no local onde hoje é o Espaço Livre do bairro Santa Cruz e que inicialmente era a parada dos tropeiros. Em 1827, o povoado é elevado à condição de Capela Curada, e a antiga capela dá lugar à Paróquia Matriz São João Batista, que seria finalizada em 1828. Em 9 de dezembro de 1830 o povoado seria elevado à categoria de Freguesia com o nome de São João Batista de Rio Claro e, em 7 de março de 1845 seria emancipado, tornando-se o município de São João do Rio Claro.

Formação territorial-administrativa thumb|Estado de São Paulo (1850). Histórico da formação do município: Capela curada de São João Batista de Rio Claro criada em 10/06/1827. Freguesia criada no município de Piracicaba por Decreto Imperial de 09/12/1830. Freguesia transferida para o município de Limeira pela Lei nº 25, de 08/03/1842. Vila criada pela Lei nº 13, de 07/03/1845, desmembrando-se do município de Limeira e anexando territórios do município de Mogi Mirim. Recebe foros de cidade pela Lei nº 44, de 30/04/1857. Denominação alterada para Rio Claro pela Lei nº 975, de 20/12/1905.

Geografia Rio Claro se localiza na região Centro-Leste do Estado de São Paulo. Situa-se a 22º24′39” de latitude sul e 47º33′39” de longitude oeste, a km da capital São Paulo. Ocupa uma área total de km².

Limita-se com Corumbataí ao norte; Leme a nordeste; Araras a leste; Santa Gertrudes a sudeste; Iracemápolis e Piracicaba ao sul; Ipeúna a oeste; e Itirapina a noroeste. Compõe a microrregião de Rio Claro, a mesorregião de Piracicaba e é formado por três distritos: Rio Claro (distrito-sede), Ajapi e Assistência. alt=Marco Zero de Rio Claro|miniaturadaimagem|Marco Zero do município, localizado na Igreja Matriz

Vegetação e áreas verdes thumb|Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade

A vegetação natural do município é predominantemente formada por floresta estacional semidecidual. Há também focos de cerrado, cerradão e floresta paludosa. A vegetação natural ocupa da área total do município, enquanto as áreas de reflorestamento, .

O Horto Florestal de Rio Claro foi criado em 1909. Edmundo Navarro de Andrade teve sua residência no Horto, fazendo do local centro de diversas pesquisas sobre o eucalipto, onde foram arquivados os resultados de seus trabalhos, dando origem ao Museu do Eucalipto em 1916. A partir de 2002, pelo Decreto Estadual nº 46.819, o antigo Horto Florestal de Rio Claro foi classificado na categoria de Floresta, que visa o manejo sustentável dos recursos, a pesquisa e a visitação pública, tornando-se a Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (FEENA). É considerado como o maior ponto turístico da região. Um pool de projetos para exploração do parque, vem sendo desenvolvido pela associação denominada "Amigos do Horto". Através da restauração de museus, instalações e remodelação das áreas verdes para exploração do turismo ecológico. Seu acesso, é pavimentado e sua área verde impõe respeito e grandiosidade.

O Lago Azul, ocupando uma área de aproximadamente 130 mil m² e o lago, que é mais um ponto de atração, ocupa uma área de .

Hidrografia thumb|Ribeirão Claro

A principal calha de drenagem é a bacia do Corumbataí, que se encontra dentro dos limites da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos 5 (Piracicaba, Capivari, Jundiaí). Nela estão presentes as 17 microbacias hidrográficas do município: Alto Ribeirão Claro, Alto Corumbataí, Médio Corumbataí, Jacutinga, Assistência, Baixo Ribeirão Claro, Ibitinga, Sapezeiro, Cachoeirinha, Servidão, Alto Cabeça, Campo do Cocho, Baixo Corumbataí, Baixo Cabeça, Médio Cabeça, Baixo Passa-Cinco e Rio Jacu. O principal rio que banha o território é o Corumbataí, seguido por seu maior afluente — o Passa-Cinco.

Geologia thumb|Jardim Público de Rio Claro thumb|Lago no meio de canavial em Rio Claro

Rio Claro se encontra no setor paulista do flanco nordeste da Bacia Sedimentar do Paraná: uma área de rochas sedimentares e vulcânicas das seguintes formações: Paleozoico: Grupo Itararé; Formação Tatuí e Grupo Passa Dois (formações Irati e Corumbataí); Mesozoico: Formação Piramboia, Grupo São Bento (formações Botucatu e Serra Geral); Cenozoico: Formação Rio Claro e depósitos

Geomorfologicamente, o município está situado na Depressão Periférica Paulista, na Zona do Médio Tietê. Em seu relevo há o predomínio de colinas baixas, formas suavizadas separadas por vales jovens, sem planícies aluviais importantes. A altitude média do município é m do nível do mar, com elevações entre m e m, prioritariamente. As áreas de maior altitude estão localizadas na região nordeste do município e as de menor circundam os cursos d'água, em especial o Rio Corumbataí.

Quanto aos solos, em Rio Claro há a presença das classes: Argissolos Vermelho-Amarelos ( da área município): solos que apresentam algumas limitações agrícolas que estão condicionadas à baixa fertilidade, acidez, teores elevados de alumínio e a suscetibilidade aos processos erosivos, principalmente quando ocorrem em relevos mais movimentados. Latossolos Vermelhos () e Latossolos Vermelhos-Amarelos (): de alto potencial, devido às boas condições físicas do solo e ao relevo suave característico. Contudo, para uma fertilidade adequada, é necessário corrigir sua acidez e adubá-los. Normalmente, são resistentes a processos erosivos, mas o uso intensivo de mecanização pode levar à sua compactação. Neossolos Litólicos (): solos que são encontrados na porção nordeste (com a presença de siltitos e argilitos da Formação Corumbataí) e na área sul (com a Formação Irati e as intrusões de diabásio), além das áreas de maior relevo. Em Rio Claro, são distróficos, apresentando baixa fertilidade natural. Demandam, portanto, uso mais intenso de adubação e de calagem.

Clima O clima no município é classificado como tropical de altitude, ou Cwa, de acordo com a classificação de Köppen-Geiger. A temperatura média é de °C e a pluviosidade média anual é mm. O verão é quente e chuvoso, com temperaturas em janeiro ultrapassando a máxima média de °C e mm de precipitações. O inverno é mais frio e mais seco, com mínimas médias em julho chegando a °C e mm de precipitações. Julho é também, ao lado de agosto, o mês com maior amplitude térmica — a máxima média é do mês é de °C.

Demografia População

Composição étnica Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 136.235 brancos (67,64%), 50.989 pardos (25,32%), 13.263 pretos (6,58%), 787 amarelos (0,39%) e 128 indígenas (0,06%).

Dados demográficos População (2022): Densidade demográfica (hab./km²): 404,11 (2022)

Governo O Poder Executivo do município de Rio Claro é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários, seguindo o modelo proposto pela Constituição Federal.