A metodologia PBL (Problem-Based Learning ou Project-Based Learning), em português Aprendizagem baseada em Problemas (ou Projetos) - ABP, é uma abordagem ou um método de ensino-aprendizagem centrado no uso de problemas concretos para estimular o desenvolvimento do pensamento crítico e habilidades de solução em determinada área do conhecimento. É caracterizada por estimular a interação, a proatividade e o desenvolvimento em um grupo acadêmico por meio de discussões profundas.

Definição A resolução de um problema deve ser encontrada em um padrão de informações compostas previamente, para “facilitar” a aprendizagem a cada problema exposto.

A limitação da proposta tradicional, aliada às inovações crescentes, impulsionaram a comunidade científica a pesquisar alternativas de novos processos do ensino/aprendizagem capazes de formar os futuros engenheiros com visão holística, integrando a ciência com a prática através do aprendizado ativo e baseado em competências. Um novo modelo de aprender a aprender, na área de educação, ganhou força com o surgimento do computador; e posteriormente a Internet, fortalecendo o processo de ensino/aprendizagem, favorecendo a todos de maneira igualitária, dando acesso à informação para a geração de conhecimento.http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/072-TC-C2.htm

Lollini (1991) afirma que: "[...] um dos méritos do computador no campo da educação é, o de tentar resolver um dos grandes problemas da educação: como respeitar o ritmo da aprendizagem, como evitar desfasamentos entre os tempos propostos (ou impostos) pela escola e o tempo necessário ao estudante numa atividade particular em um determinado momento da vida. Assim, como em outros sectores da economia, com a evolução dos inputs tecnológicos, a utilização da Internet na educação fortaleceu e, revolucionou à formação de estudante, possibilitando o acesso ao conhecimento sem distinção de cor e raça, distante apenas por um “click”.".

Desta forma, o antigo modelo professor-estudante rompeu-se; e abriu espaço para inovações das mais variadas. Branson Pinto (2001), analisando os modelos educacionais, propôs um modelo que traça a evolução do paradigma educacional com a utilização de computadores na educação. O autor afirma que, no passado, a figura do professor estaria caracterizada como transmissor e único detentor do conhecimento; e ao estudante, o receptor. No presente, mesmo com a relação mais estreita estudante-professor, este continuaria a ser ainda a única fonte de conhecimento e de experiência. Atualmente, através de um modelo centrado na tecnologia, e com a implementação de sistemas especializados, o foco vira-se para o estudante, com estes e os professores a interagirem entre si, tendo como base o conhecimento e sistemas de informação.

Assim, várias propostas de modelos inovadores de ensino-aprendizagem surgiram; e entre elas, a metodologia intitulada Problem Based Learning (PBL) ou Aprendizagem Baseada em Problemas ou ABP, que foi bastante aceita no meio académico; e na atualidade é reconhecida como o que há de mais moderno no ensino superior, sendo um método educativo que surgiu na Universidade de Maastricht; e com maior implementação na Universidade McMaster. Estabelece uma estratégia pedagógica centrada no aluno, onde se procura que este aprenda por si próprio.

Os docentes expõem um caso para estudo aos estudantes. De seguida, os estudantes, estabelecidos em grupos de trabalho, identificam o problema, investigam, debatem, interpretam e produzem possíveis justificações e soluções ou resoluções, ou recomendações. A ABP tem como base de inspiração "os princípios da escola ativa, do método científico, de um ensino integrado e integrador dos conteúdos, dos ciclos de estudo e das diferentes áreas envolvidas, em que os alunos aprendem a aprender e se preparam para resolver problemas relativos a sua futura profissão".

Penaforte complementa essa definição, lembrando que a busca das origens filosóficas da ABP encontra suas raízes na teoria do conhecimento do filósofo americano John Dewey, que se afirma entre o último decénio do século XIX e o terceiro decénio do século XX por meio de movimentos como a Escola Nova e o movimento ativista. Tal como o método de Harvard, o método ABP é um método ativo, de construção da aprendizagem, baseado no estudo de casos/problemas. Neste método, o problema é utilizado como estímulo à aquisição de conhecimento e compreensão de conceitos. Com a evolução do currículo, a resolução de problemas permite também ao aluno desenvolver maior capacidade na resolução de problemas.

O método ABP uma estratégia formativa, através da qual os alunos são confrontados com problemas contextualizados e pouco estruturados; e para os quais se empenham em encontrar soluções significativas. Sendo também um método que ocorre muitas vezes em grupos, a Aprendizagem Baseada em Problemas permite desenvolver o pensamento crítico dos alunos e construir, em conjunto, soluções mais criativas e novos caminhos, já que surgem do trabalho conjunto mais rico.

O problema é o ponto principal num processo de ABP, já que serve de estímulo para a aprendizagem. É importante que o contexto seja real de modo a que o aluno se sinta envolvido no problema e que a colocação das questões iniciais seja orientada pelo professor. Para funcionar, é ainda necessário que o aluno possa ter acesso a fontes de informação, embora estas possam não lhe ser previamente fornecidas, fomentando a pesquisa e seleção de informação. A partir daí, cabe ao aluno estruturar a sua própria aprendizagem, partilhando ideias e informação no seio de um pequeno grupo, sendo o trabalho de grupo essencial para este processo.

No final, deve haver sempre uma discussão/reflexão relativa às conclusões da investigação, culminando o processo numa apresentação oral e/ou por escrito.

Com a mesma sigla apresenta-se a Aprendizagem Baseada em Projetos (diferenciada no português em alguns casos como ABP), na qual os estudantes por meio de experiências autorais, elaboram projetos relacionados às temáticas propostas para aplicação do conhecimento. Essa abordagem apresenta experiências em diferentes áreas do conhecimento.

Resumo histórico

A metodologia ABP surgiu entre o final da década de 60 e início da década de 70 nas Faculdades de Medicina da Universidade de McMaster, no Canadá; seguido pela Universidade de Maastricht, na Holanda. A sua propagação por outras Faculdades de Medicina foi no início lenta, mas depois propagou-se de forma exponencial a outras. O "sucesso do método propagou-se a outras áreas do saber, sendo progressivamente adoptado em Faculdades de Arquitetura, Engenharia, Direito, Negócios".Peixoto, João Paulo. Teixeira,Manuel. Moreira,Daniela. Coelho,Dídia. Mota, Paulo Sergio. Casos do IESF - Estudo de Caso: O Método ABP Caso Home Concept

A partir da década de 80, o cenário mundial modificou-se. Deste ponto em diante, novos modelos de gestão e processos de operações de produtos e serviços tiveram que se adequar à nova realidade. A competição torna-se global; a estabilidade e previsibilidade abrem espaço para mudanças e incertezas; coletividade sobre o individualismo; processos flexíveis e descentralizados; a motivação modelada por Dilbert é substituída pela competência e profissionalismo; e a educação deixa de ter como referência um mero diploma, para se tornar contínua, com o indivíduo como o principal responsável pela sua formação. Na atualidade, na Era da Inovação, a procura pela melhoria contínua remete a uma constante insatisfação com o presente, de maneira a desenvolver estímulos, para que as organizações e pessoas aperfeiçoem as suas habilidades e competências críticas no encontro da excelência. Especificamente na área da formação de conhecimento, o ensino tem se modificado para adequar-se a esta nova realidade, porém, em alguns domínios, este desenvolvimento caminha a passos curtos. Na formação em engenharia especificamente, a implementação de novos modelos educacionais estimulantes, participativos, que remetam os estudantes a encontrarem soluções para problemas vivenciais, relacionando teoria e prática, ainda encontra um hiato. É de salientar que ocorreram modificações, entretanto, a adequação de novas metodologias de ensino-aprendizagem ainda se defronta com o modelo tradicional de ensino.

Freire (1999) afirmava que o educador precisa saber que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. Esta afirmação contrapõe-se ao tradicionalismo implementado pelas escolas de engenharia, onde o mestre, através de seus anos de experiência em áreas específicas, transmitia este saber em aulas expositivas e pouco interativas. O processo tradicional de formação de conhecimento baseia-se apenas na orientação cognitiva, com teoria e prática repassada por um professor, este como principal agente, interagindo de maneira ativa, tornando assim o estudante um agente passivo. Neste modelo, não há incentivo, nem espaço, para desenvolver o autoaprendizado. A resolução de um problema deve ser encontrada em um padrão de informações compostas previamente para “facilitar” a aprendizagem a cada problema exposto.

A limitação da tradicional proposta, aliada às inovações crescentes, impulsionaram a comunidade científica a pesquisar alternativas de novos processos de ensino-aprendizagem, capazes de formar os futuros engenheiros com visão holística, integrando a ciência com a prática, através do aprendido de uma forma ativa e baseada em competências. Este novo modelo de aprender a aprender, na área de educação, ganhou força com o aparecimento do computador e, posteriormente a Internet, fortalecendo o processo de ensino-aprendizagem, favorecendo todas as pessoas, de maneira igualitária, dando acesso a informação para a geração de conhecimento.

As Vantagens do Método ABP

O método apresenta vantagens relevantes para a aprendizagem, das quais se destacam:

Provoca a motivação; Promove o conhecimento de novas áreas do saber; Estimula a criatividade; Impulsiona o pensamento crítico; Fomenta as capacidades de análise e decisão; Desenvolve as capacidades e competências de trabalhar em grupo e de gestão de stress. Trabalha com habilidades de ordem superior tais como: análise, julgamento, justificativa, previsão de resultados e argumentação.

Metodologia

O desenvolvimento do método apresenta-se dividido em três etapas, sendo estas, por sua vez, divididas por vários passos:

1. Formulação do problema

a.Reconhecer assuntos em potencial.Levantar conexões e definir os espaços do problema.Formular perguntas específicas.Definir e especificar o foco

2. Resolução do problema

a.Obter referências e fontes adicionais Apresentado o problema, o aluno precisa de encontrar informação para ultrapassar lacunas identificadas no mesmo. Uma segunda lista é desenvolvida tendo por base o seguinte título: "O que é que necessitamos saber?". As questões apresentadas servirão de guia para a pesquisa, a qual inclui textos, internet, informação técnica, entrevistas com "experts", conjuntos de dados, entre outros. Através da internet é possível obter uma enorme quantidade de informação. A obtenção de fontes assume dois de formas: Fontes empíricas: consiste em observações registadas, sem qualquer análise, estes dados são depois elaborados e analisados com o objectivo de se atingir conclusões; Fontes científicas: consiste em relatórios científicos construídos através de relações conceptuais e validados.

Projectar e conduzir investigações Partindo da questão "Que devemos fazer?", o aluno formaliza uma série de iniciativas a serem desenvolvidas e formula e testa hipóteses e soluções possíveis. Após isto, será necessário desenvolver a pesquisa necessária de acordo com as questões formuladas para o problema em análise.