A Ermida de Nossa Senhora da Boa Viagem, ou Igreja do Campo Santo, é uma ermida portuguesa localizada na ilha Terceira, na cidade de Angra do Heroísmo,Ficha na base de dados SIPA fazendo parte da Diocese de Angra do Heroísmo.
A história desta ermida esta ligada a João Vaz Corte Real que antes de se deslocar para a ilha terceira percorreu várias províncias do reino de Portugal na tentativa de reunir operários e artífices para trazer consigo para a ilha Terceira.
Quando chegou a esta ilha estabeleceu-se na Capitania de Angra, enquanto Álvaro Martins Homem se fixou na Capitania da Praia. É possível que esse mesmo grupo de marinheiros, tivesse vindo para esta ilha depois de João Vaz Corte Real já nela se encontrar, supõem-se que foram eles que edificaram esta ermida com a ajuda do Capitão do donatário e de várias famílias nobres que com ele vieram para a Terceira.
O povoamento da ilha Terceira iniciou-se, pode dizer-se em 2 de Abril de 1474 dado que o Infante D. Henrique deixou como Mestre da Ordem de Cristo, Fernando de Portugal, Duque de Viseu, que era seu sobrinho, este no entanto, e dado o seu falecimento foi a sua esposa Beatriz de Portugal, Duquesa de Viseu, que na menoridade de D. Diogo, Duque de Beja e de Duque de Viseu, dividiu a ilha Terceira em 2 capitanias, e passou a carta de doação a João Vaz Corte Real na data mencionada.
Assim sendo e dados os grandes sentimentos religiosos dos portugueses, particularmente nas classes mais desfavorecidas pode deduzir-se que foram aqueles marinheiros recém chegados que tomaram a iniciativa de erguer uma ermida para o culto religioso. É quase uma certeza que esta ermida no seu início se chamava de Ermida de São Pedro Gonçalves, e que só mais tarde se passou a chamar também de Ermida Nossa Senhora da Boa Viagem, e terá ficado concluída em 1480.
Nesta ermida encontra-se uma imagem muito antiga com esta invocação.
O Dr. Gaspar Frutuoso, não lhe indica o titular, mas chama-lhe “ermida dos mareantes”, e o mesmo se passar com o Padre António Cordeiro.
O titular desta ermida só é mencionada pela primeira vez pelo Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, que informa do seguinte modo: «a (ermida) de S. Pedro Gonçalves dos mareantes, colocada sobre a rocha do mar e um lugar muito vistoso e de recreio».
Quando foi necessário proceder à sua reconstrução devido ao facto de a rocha onde se encontrava se encontrar em perigo de desmoronar foram os marítimos do Corpo Santo que fizeram todos os esforços para a transferência e reconstrução.
Relativamente à sua localização exacta ela só é referida pelo Dr. Alfredo da Silva Sampaio que informa a sua localização na Rocha do Cantagalo.
O novo terreno foi adquirido por escritura lavrada a 8 de Abril de 1927, onde são compradores Manuel da Silva Pimentel, Francisco José de Sousa, João Borges Pimentel e José Inácio Borges de Meneses.
Foram adquiridos na altura três alqueires de terreno. Por ser terreno de mais, ou não, facto é que foi feita uma segundo escritura e compra em 6 de Fevereiro de 1928, onde só assinou Francisco José de Sousa, autorizado pela confraria.
A dona das terra adquiridas era D. Elvira Sampaio Coelho de Sousa que vivia em Lisboa. Não se deslocando à ilha terceira passou no dia 5 de Fevereiro de 1927 uma procuração a Tomé de Castro que foi o seu representou nesta venda.
Depois de todo isto concluído teve início as obras em 1931 com muitos donativos a juntar as lotas dos marítimos do Posto Santo.
Concluídas as obras em 1934, a capela ficou com uma óptima apresentação.
Salienta-se a fachada alta e vistosa com a torre a encima-la, mais abaixo destaca-se uma pequena rosácea e depois uma grande porta e duas janelas laterais.
No interior da ermida, encontram-se três altares, vendo-se no da capela-mor a antiga imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem e nos laterais as imagens de São Pedro Gonçalves e de São Lourenço.
No corpo da ermida há uma caravela em miniatura, o púlpito e o guarda vento, por cima do qual está o coro alto a onde se sobe para a torre por uma escada em caracol.
Para a edificação da ermida a comissão das obras fez um requerimento ao Prelado Diocesano no dia 7 de Março de 1930, dando o Dr. Francisco Garcia da Rosa informação favorável no dia 8 de Março de 1930, data em que foi dada a autorização para o inicio das obras.
As mesmas obras ficaram prontas em 16 de Abril de 1934. A visita canónica é feita no mesmo mês, no dia 24 de Abril de 1934.
Ver também Lista de edificações de carácter religioso dos Açores Angra do Heroísmo
Bibliografia Lucas, Padre Alfredo, Ermidas da Ilha Terceira, 1976.
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