thumb|350px|Praça Dr. Sousa Júnior, Angra do Heroísmo: aqui se erguia o antigo Convento de São Sebastião.

A Ermida de São Sebastião localizava-se no centro histórico da cidade e Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira. Fez parte da Diocese de Angra do Heroísmo.

História A construção de uma ermida no local remonta à grande epidemia da peste que grassou na Terceira em 1599, causando um número estimado de sete mil vítimas, vultoso à época. Neste contexto, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo fez o voto público de realizar uma festa em honra de São Sebastião pelo desaparecimento daquela doença.

Estando reunida a Câmara no dia 20 de Janeiro de 1600 com a presença da nobreza, do clero e do povo, foi feito um cortejo que se dirigiu à ermida que havia sido levantada por Frei Pedro dos Santos e Frei Jorge de Saphara em São Bento, que cuidavam dos doentes e celebravam Missa por aqueles que faleciam.

Quando o cortejo regressou trouxe os dois sacerdotes, e entrou na ermida de São Sebastião onde celebrou missa Frei Jorge de Saphara. Ao final, segui-se nova procissão que percorreu as principais ruas da cidade e respectivas igrejas, retornando à ermida. Foi precisamente nesta ocasião que a Câmara de Angra fez o voto de realizar todos os anos na ermida uma festa em louvor de São Sebastião.

Apesar de ter sido extinto o Convento das Freiras Capuchas (Angra do Heroísmo) em 1832, onde se encontrava a ermida, a Câmara continuou a cumprir o voto mas na Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Angra do Heroísmo), para onde tinha sido transferida a imagem do Santo.

Esta procissão terminou com a Proclamação da República Portuguesa, só voltando a ser reiniciada em 1957, quando foi Presidente da Câmara de Angra o Dr. Manuel Nunes Flores Brasil, que foi presidente da Camara de Angra de 21 de Novembro de 1957 a 3 de Junho de 1959.

O Padre António Cordeiro sobre o Mosteiro das Freiras Capuchas e ermida. Expressa-se assim: «O oitavo convento era o que se intitula de São Sebastião, por ser fundado em uma nobre e grande Ermida do Santo, que está indo de São Francisco para a sobredita Conceição das Freiras à face da rua, olhando para o Sul e com retiro para o Norte; era Ermida do Senado da Câmara, que deu a esta fundação para Freiras Capuchas da regra mais apertada e da maior pobreza de São Francisco; há perto de cinquenta anos que se fundou com puras esmolas, e foi grande parte em sua fundação o Capitão Joseph Leal casado em Angra por vezes, e nela morador, cidadão, e Senador antigo do governo da cidade, posto que nascido em a corte de Lisboa».

Informa ainda o padre Cordeiro que esta ermida era pertença da Câmara de Angra e que esta a ofereceu para o Mosteiro das Freiras Capuchas.

Esta ermida ainda segundo o Padre Cordeiro tinha a fachada principal voltada para o Sul e estava à beira da rua, e que do lado do Norte o convento possuía uma cerca ou retiro.

Segundo consta funcionou primeiramente como Recolhimento enquanto não chegaram a Bula Papal e o Alvará Régio sobre o convento.

As obras de construção tiveram início em Outubro de 1661 e acabaram em 1662.

No Imóvel acabado de construir entraram as primeiras religiosas vivendo apenas como recolhidas porque o Breve Apostólico e o Alvará Régio tardavam em chegar.

A ideia do Recolhimento partiu de Manuel Vieira Cardoso que tinha sido Provedor da Fazenda Real na Ilha da Madeira, onde um Recolhimento funcionava em idênticas circunstâncias.

A Bula Pontifícia expedida por Clemente IX, chegou a Angra do Heroísmo a 6 de Outubro de 1669, e, mais tarde, o alvará, a 6 de Outubro de 1769, tendo o Recolhimento passado a Mosteiro de Clausura de religiosas Confessas descalças, da 1.° Regra de Santa Clara, ordem que ainda não existia na ilha Terceira.

Segundo a Carta da Cidade de Angra desenhada por Linschoten estava situada na parte Sul da Praça do Dr. Sousa Júnior, antes Praça Arames de Oliveira, e quase à beira da Rua do Cruzeiro. Como a referida Carta data de 1595, é de supor que a ermida é anterior ao tempo em que Linschoten andou pela Terceira.

Não se sabe a data da sua edificação. Sabe-se no entanto que pertenceu à Câmara Municipal de Angra, como diz o Padre António Cordeiro e que Gaspar Frutuoso a menciona em 1589. Deve ter sido construída pelos anos de 1550.

Esta ermida veio a desaparecer, quando o Mosteiro passou a ser utilizado como Cadeia em 1847.

Bibliografia LUCAS, Alfredo (Pe.). Ermidas da Ilha Terceira. 1976.

Ver também Lista de edificações de carácter religioso dos Açores

Ermida Sao Sebastiao Angra Heroismo Sao Sebastiao Angra Heroismo