Drosera rotundifolia L., vulgarmente conhecida como rorela, orvalhinha e orvalhinha-redonda, é uma planta carnívora perene da família Droseraceae. Caracteriza-se pelas folhas dispostas em roseta basal, de forma circular, cobertas por tentáculos glandulares que segregam uma substância viscosa utilizada na captura de insetos. A espécie ocorre sobretudo em ambientes húmidos e oligotróficos, estando associada a turfeiras e solos permanentemente encharcados.
Em várias tradições de medicina popular europeia, Drosera rotundifolia tem sido usada para aliviar tosse, bronquite e espasmos respiratórios, sendo tradicionalmente preparada em infusões calmantes para o trato respiratório. Os extratos de D. rotundifolia têm também respaldo científico em estudos farmacológicos como agente anti‑inflamatório e para efeitos antiespasmódicos, e compostos como flavonoides e naftoquinonas são considerados responsáveis por essas atividades.
Distribuição e ecologia Drosera rotundifolia apresenta uma ampla distribuição no hemisfério norte, ocorrendo na Europa, Ásia e América do Norte. Prefere habitats frios a temperados, com elevada humidade e solos pobres em nutrientes minerais. É comum em turfeiras, charnecas húmidas, pântanos e margens de zonas alagadas.
A espécie obtém parte dos nutrientes essenciais através da digestão de pequenos insetos, compensando a pobreza dos solos onde se desenvolve. A floração ocorre geralmente durante os meses de verão, sendo as flores pequenas, brancas e de curta duração.
Taxonomia A espécie foi descrita por Carl Linnaeus em 1753, na obra Species Plantarum. Integra o género Drosera, um dos mais representativos das plantas carnívoras, com várias centenas de espécies descritas a nível mundial.
A Drosera rotundifolia distingue-se de espécies próximas, como Drosera intermedia e Drosera anglica, pela forma arredondada das folhas e pela disposição da roseta junto ao solo.
Portugal Trata-se de uma espécie nativa de Portugal, ocorrendo associada sobretudo a turfeiras e zonas húmidas bem conservadas, maioritariamente no norte e centro. A sua presença está intimamente ligada a habitats com regime hídrico estável e baixos níveis de perturbação antrópica muitas vezes associada a musgos do género sphagnum.
A degradação e drenagem das zonas húmidas têm contribuído para a regressão das suas populações, tornando-a um importante indicador da qualidade ecológica destes ecossistemas.
Proteção Em Portugal, Drosera rotundifolia não possui estatuto legal de proteção específico, nem consta das listas nacionais de espécies legalmente protegidas, embora a sua ocorrência esteja associada a habitats cuja conservação é regulada por legislação ambiental nomeadamente turfeiras e zonas húmidas.
Em vários países europeus, a espécie beneficia de medidas de conservação ao abrigo da proteção dos habitats naturais, sendo desaconselhada ou proibida a colheita de exemplares silvestres.
Cultivo O cultivo de Drosera rotundifolia é possível, mas requer condições semelhantes às do seu habitat natural. Necessita de substratos ácidos e pobres em nutrientes, elevada humidade e água isenta de sais minerais. A espécie exige ainda um período de dormência invernal, com temperaturas baixas, para completar o seu ciclo biológico.
O cultivo deve ser feito exclusivamente a partir de plantas produzidas em viveiro, evitando a recolha de exemplares na natureza. miniaturadaimagem|Pormenor de folha de Drosera rotundifolia.
Ver também Pinguicula vulgaris Pinguicula lusitanica Drosera intermedia Drosophyllum lusitanicum Utricularia australis Utricularia gibba Utricularia subulata
rotundifolia Categoria:Flora de Portugal Categoria:Plantas descritas em 1753