Alvarenga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que menos de está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 48% da população vivendo na zona urbana, Alvarenga contava, em 2009, com três estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,592, classificado como baixo em relação ao estado.
O desbravamento da região teve início na segunda metade do século XVII, intensificado-se após a descoberta de ouro no futuro povoado de Cuieté (atual Conselheiro Pena). No entanto, somente após a chegada de João de Barros e sua filha, Maria Guanhães, é que se iniciou a formação dos primeiros núcleos habitacionais, que se desenvolveram em função das terras férteis e propícias ao cultivo do café. Em 1890, foi criado o distrito, subordinado a Caratinga, que passou a pertencer a Itanhomi em 1923 e a Conselheiro Pena em 1938 e se emancipou em 1962, instalando-se em 1º de março de 1963.
A agropecuária e o setor de prestação de serviços correspondem às principais fontes de renda do município. O artesanato e os grupos musicais e de dança configuram-se como algumas das principais manifestações culturais, juntamente com os eventos festivos tais como o Carnaval, as comemorações do aniversário da cidade e as celebrações tradicionais religiosas da Festa de Nossa Senhora da Saúde, padroeira municipal.
História O desbravamento da região do atual município de Alvarenga teve início na segunda metade do século XVII, tendo se intensificado após a descoberta de ouro no futuro povoado de Cuieté (atual município de Conselheiro Pena) pelo bandeirante paulista Antônio Rodrigues Arzão. O local até então era habitado exclusivamente pelos Botocudos e os primeiros exploradores chegaram ao lugar através do rio Manhuaçu, adentrando seus afluentes à procura do metal, cuja exploração legal seria possível somente na década de 1740, após autorização do Conde de Bobadela. Em 1745, a região da atual cidade foi desbravada e habitada pelo paulista José Pereira de Alvarenga, o que deu identidade à localidade, batizada algum tempo depois de Ribeirão do Alvarenga.
Durante décadas os indígenas foram exterminados pelos colonizadores, que tinham objetivo de dominar as terras. Os nativos que sobreviviam eram catequizados e dominados, sendo que no começo do século XIX restavam poucos representantes da etnia, a maioria servindo como mão de obra das fazendas existentes nas redondezas. Ribeirão do Alvarenga estava situado no caminho da estrada ligando Vila Rica — atual Ouro Preto, então capital da Província de Minas Gerais — a Cuieté, visando ao transporte do ouro, que viria a se esgotar após 1780.
Na década de 1830, passou pela região uma caravana que abria caminho pela mata. O grupo seguiu viagem, porém afixaram-se no lugar João de Barros e sua filha Maria Florinda dos Prazeres, conhecida como Maria Guanhães, de apenas 11 anos de idade. Juntos ergueram uma capela e deram início à formação do arraial. Nos anos seguintes vieram outros pioneiros, dando sequência ao povoamento da região, e na década de 1850, a posse das terras foi dada aos irmãos, Tristão Cristiano de Vasconcelos e Basílio Rodrigues de Vasconcelos. O acesso a outras regiões mineiras foi facilitado após a abertura de uma estrada ligando Cuieté a Ponte Nova, passando por Alvarenga, com objetivo de conectar a região a outra estrada que partia de Ouro Preto a Vitória (cujo trecho daria origem à BR-262).
As terras continuaram a ser repartidas e vendidas, favorecendo a formação de novos núcleos habitacionais, que se desenvolveram em função das terras férteis e propícias ao cultivo do café. Pelo decreto de 10 de abril de 1880 foi criado o distrito, denominado Floresta e subordinado a Caratinga, passando a fazer parte do município de Itanhomi pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, e posteriormente de Conselheiro Pena pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938. Pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, o distrito passou a ter seu nome atual (Alvarenga), sendo emancipado pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, e instalado em 1º de março de 1963.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º25'02" de latitude sul e 41°43'43" de longitude oeste e está a uma distância de 464 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Tarumirim, a norte e oeste; Inhapim, a oeste e sul; Pocrane, a sudeste; e Conselheiro Pena, a leste e norte.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Ipatinga e Imediata de Caratinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Aimorés, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente O relevo do município de Alvarenga é predominantemente montanhoso. Em aproximadamente 90% do território alvarenguense há o predomínio de áreas com mares de morros e terrenos montanhosos, enquanto cerca de 9% é coberto por lugares ondulados e os 1% restantes são áreas planas. A altitude máxima encontra-se na Serra do Pinhão, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está no rio Manhuaçu, com 294 metros. Já o ponto central da cidade está a . A vegetação predominante é a Mata Atlântica, cujas reservas remanescentes ocupavam hectares em 2011, ou 9,1% da área total municipal.
O principal manancial que passa por Alvarenga é o rio Manhuaçu, porém o território municipal é banhado por vários cursos hídricos de pequeno porte, sendo alguns deles os ribeirões Alvarenga e Padre Ângelo e o córrego Floresta, fazendo parte da bacia do rio Doce. Há a presença de uma usina hidrelétrica, classificada como uma pequena central hidrelétrica (PCH), a PCH Cachoeirão. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que também atingiram vários municípios do leste mineiro banhados pelo rio Doce e seus afluentes, e em 2005 e 2009 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Alvarenga por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 15/01/2003 Julho 11/07/2004 Fevereiro 01/02/2005 Agosto 16/08/2003 Março 01/03/1997 Setembro 23/09/2002 Abril 02/04/2015 Outubro 29/10/1996 Maio 22/05/2002 Novembro 30/11/1997 Junho 13/06/2009 Dezembro 21/12/2013 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima alvarenguense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, março, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em junho de 2008, por exemplo, a precipitação de chuva na cidade não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1995 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Alvarenga foi de no dia 1º de março de 1997. Outros grandes acumulados foram de em 2 de abril de 2015, em 15 de janeiro de 2003 e em 30 de novembro de 1997. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 815º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 0,8652 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (23,29%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,98%) tinham de 15 a 64 anos e 477 pessoas (10,73%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 72,9 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,8.
Em 2010, a população alvarenguense era composta por brancos (39,49%), 140 negros (3,15%), 71 amarelos (1,60%), pardos (55,69%) e três indígenas (0,07%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (98,56%), sete na Região Norte (0,16%), 18 no Nordeste (0,39%), três no Centro-Oeste (0,06%) e dois no Sul (0,06%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (96,1%) e, desse total, eram nascidos em Alvarenga (80,32%). Entre os naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 58 pessoas (1,31%), seguido pelo Espírito Santo, com 38 residentes (0,85%), e por Sergipe, com nove habitantes residentes no município (0,20%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Alvarenga é considerado baixo pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,592 (o 4331º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores abaixo ou ligeiramente abaixo da média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,441, o valor do índice de longevidade é de 0,798 e o de renda é de 0,589. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 40,2% e em 2010, 67,3% da população vivia acima da linha de pobreza, 14,3% encontrava-se na linha da pobreza e 18,4% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,526, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 53,6%, ou seja, 26,7 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 2,0%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Alvarenga está composta por: católicos (74,55%), 980 evangélicos (22,04%), 143 pessoas sem religião (3,21%), três de outras denominações cristãs (0,07%) e cinco de religiosidade não determinada (0,13%).
Política e administração