Carlos Alfredo de Brito (Lourenço Marques, 9 de fevereiro de 1933 – Vila Real de Santo António, 7 de maio de 2026) foi um escritor e político português.
Biografia Vindo de Moçambique, instalou-se com a família em Portugal, mais precisamente em Alcoutim, com apenas três anos de idade, em 1936. Por volta dos 17 anos mudou-se para Lisboa, frequentando o Instituto Comercial, hoje ISCAL.
Com a mesma idade, em 1951, Carlos Brito aderiu ao MUD Juvenil, tendo posteriormente aceite o convite para integrar o Partido Comunista Português.
Nos anos 1950 encontra-se colaboração da sua autoria na revista da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Quadrante, iniciada em 1958.
Perseguido pela sua atividade como militante comunista, seria preso três vezes, cumprindo um total de oito anos de cárcere, nas cadeias do Aljube, Caxias e Peniche, onde foi duramente torturado. Liberto em 1966, passou a assumir na clandestinidade, enquanto funcionário do PCP, a responsabilidade por diversas ações de propaganda contra o regime. Em 1967 chegava à direção do partido e, na década de 1970, evidenciava-se como um dos seus operacionais no ramo militar, tendo um papel especial na mobilização do partido para o golpe de 25 de abril de 1974.
Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte, para exercer de seguida, sem interrupções, o cargo de deputado à Assembleia da República, sucessivamente eleito nas legislaturas iniciadas em 1976, 1979, 1980, 1983, 1985 e 1987. Durante 15 anos foi presidente do Grupo Parlamentar do PCP. Em 1980 foi o candidato apoiado por esse partido a Presidente da República, mas abdicaria em prol de Ramalho Eanes, que defrontava o candidato apoiado pela Aliança Democrática, António Soares Carneiro. Entre 1992 e 1998 foi diretor do jornal Avante!, onde afirmou o jornal como um semanário político, contrastando com a linha de semanário partidário anterior.
Assumindo ao longo dos anos o papel de membro histórico do Partido Comunista, em meados da década de 1990, Carlos Brito insurge-se contra o rumo rigidamente marxista-leninista do PCP, tornando-se o protagonista dos chamados renovadores do partido. Dois exemplos incluem o apoio à corrente "Novo Impulso", surgido em 1998, juntamente com Luís Sá, Edgar Correia e João Amaral, com o objetivo de democratizar as estruturas do partido; e a chamada "carta-bomba", dirigida à direção do PCP, em 2000, em que pedia a possibilidade de apresentação de listas alternativas para o Comité Central, a eleição dos coordenadores e um incentivo à liberdade crítica.
Em virtude da sua contestação seria suspenso pelo Comité Central em 2002, por "comportamento fraccionário" e depois, autossuspendeu-se, em 2003, mantendo-se assim até ao fim da vida.
Também em 2003 foi um dos fundadores da Associação Política Renovação Comunista de que foi dirigente e porta-voz. Nas presidenciais de 2006 apoiou o candidato independente Manuel Alegre. Em 2015 aplaudiu o acordo entre o PS, PCP, BE e PEV que deu sustentação parlamentar à investidura do XXI Governo Constitucional, do primeiro-ministro António Costa. Em entrevista à TSF, considerou esse governo «a sua segunda maior alegria política», logo a seguir ao 25 de Abril e, em entrevista ao Diário de Notícias, afirmou: «é o mais importante acontecimento político das últimas décadas da democracia portuguesa».
Condecorações A 9 de Junho de 1997 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, a 25 de Abril de 2004, com a Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.
Família Foi casado com a também histórica ex-comunista Zita Seabra, da qual tem duas filhas, Ana e Rita de Seabra Roseiro de Brito. Foi casado, desde 1987, com Rosa Nunes Lopes Brito.
Morreu a 7 de maio de 2026, no centro de saúde de Vila Real de Santo António, aos 93 anos.
Publicações Poesia Anotação dos Dias, poemas da prisão, 1994 Voz Ocasional, 1997 Saudades de Alcoutim, 1998 O Modo e os Lugares, 2004 Anotação dos Dias, poemas da prisão, 1994 Manhã Interdita, 2011
Prosa Tempo de Subversão, 1998 Vale a Pena ter Esperança, 1999 A Páginas Tantas, 2000 Águas do Meu Contar, 2002 25 Anos que mudaram o Algarve, 2005 Álvaro Cunhal - Sete Fôlegos do Combatente, 2010 Páginas Vividas da Resistência, 2011 As Três Mortes do Lobisomem e outras Rebeldia, 2015 Cadeia do Forte de Peniche – Como foi Vivida, 2016
Resultados eleitorais Eleições legislativas +DataPartidoCírculo eleitoralPosiçãoVotos%+/-ResultadoNotasRef.1975Partido Comunista Português (PCP)Faro1.º (em 9)3.º25 282EleitoAssembleia Constituinte1976Lisboa2.º (em 58)2.º260 554EleitoLíder da bancada parlamentar do PCP (1976–1991)1979Aliança Povo Unido (APU)3.º (em 56)2.º341 6584,2Eleito1980Faro1.º (em 9)3.º34 486Eleito19831.º (em 9)3.º36 1411,9Eleito19851.º (em 9)4.º30 4463,2Eleito1987Coligação Democrática Unitária (CDU)1.º (em 9)3.º20 6834,5Eleito19911.º (em 8)3.º13 9793,7Não eleito
Eleições presidenciais DataPartidos apoiantes1.ª Volta2.ª VoltaResultadoRef.Votos%+/-Votos%+/-1980PCPDesistiu, apoiando António Ramalho Eanes.
Gonçalves, Ilena Luís Candeias. Escritores Portugueses do Algarve''. Edições Colibri, Lisboa, 2006.
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