A história da ciência no Brasil começou de maneira eficaz somente nas primeiras décadas do século XIX, quando a família real portuguesa, dirigida por D. João VI, chegou ao Rio de Janeiro, escapando do exército de Napoleão que invadira Portugal em 1807. Até então, o Brasil não possuía universidades, mídias impressas, bibliotecas e museus, em contraste às colônias da Espanha, que tiveram universidades desde o século XVI. Esta era uma política deliberada do poder colonial português, que temia o surgimento de classes de brasileiros educados impulsionados pelo nacionalismo e outras aspirações para a independência política, como ocorrido nos Estados Unidos e em algumas colônias espanholas da América Latina.

Período Colonial thumb|direita|Frontispício do Historia Naturalis Brasiliae, primeiro tratado de história natural do Brasil. As primeiras tentativas de estabelecer a ciência no Brasil foram feitas no século XVII, durante o domínio holandês em Pernambuco. No antigo Palácio de Friburgo, situado na então sede da colônia de Nova Holanda, Recife, foram instalados um observatório astronômico — o primeiro do Hemisfério Sul — e um jardim zoobotânico — o primeiro do continente americano, no qual foi reunida uma grande variedade de exemplares da flora e da fauna dos trópicos, que serviram de fonte para os primeiros tratados de história natural do Brasil, como a obra Historia Naturalis Brasiliae dos naturalistas Guilherme Piso e George Marcgraf.

Dentro dessas viagens exploratórias que marcaram a vinda de europeus para analisar a natureza brasileira de forma científica está a vinda de jesuítas para realizar observações astronômicas. Esses jesuítas já se encontravam estabelecidos no Brasil.

Em 1783, ocorreu a expedição do naturalista baiano Alexandre Rodrigues Ferreira, que foi emitido pelo ministro principal de Portugal, Marquês de Pombal, para explorar e identificar a fauna, a flora e a geologia brasileiras. Suas coleções, entretanto, foram arruinadas na França, quando Napoleão invadiu, que estavam sendo transportadas para Paris por Étienne Geoffroy Saint-Hilaire. Em 1772, a primeira sociedade instruída, Sociedade Scientifica, foi fundada no Rio de Janeiro, mas durou somente até 1794. Também, em 1797, um instituto botânico foi fundado em Salvador, Bahia.

O D. João VI incentivou todos os acontecimentos da civilização europeia ao Brasil. Em um período curto (entre 1808 e 1810), o governo fundou a Academia Naval Real e a Academia Militar Real (ambas as escolas das forças armadas), a biblioteca nacional, os jardins botânicos reais, a Escola de Cirurgia da Bahia e a Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro

Dentre importantes viagens exploratórias realizadas no período, estiveram:

Expedição portuguesa ou "Viagem Filosófica" (1785 a 1792): período de difusão das ideias iluministas em que a vinda do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, brasileiro formado na Universidade de Coimbra, explorou a região amazônica. Vinda ao Brasil pelo ilustrador brasileiro José Vieira Couto, formado em Coimbra, que fez um levantamento de recursos minerais, visando a ampliação e a diversificação da produção colonial. Entre suas funções, coube a ele: o planejamento e a realização de expedições para localização de recursos mineralógicos, a coleta de amostras e a realização de análises químicas visando sua classificação para a qual o naturalista mantinha um laboratório. Expedições de Manuel Arruda Câmara (1794 a 1799) Viagem de Henrique Koster (1808 a 1819) Viagem do príncipe Maximiliano (1815 a 1817): realizada sob influência de Alexander Humboldt, o qual fora impedido de entrar no páis em 1800, foi capitaneada pelo príncipe Maximilian zu Wied-Neuwied, junto do ornitologista Freyreiss e do botânico Friedrich Sellow Expedição Rurik (1815 a 1818): com o conde Romanzov Expedição francesa (1816-1822): contou com o conde de Luxemburgo e Augustin Saint-Hilaire. Ocorreu de modo paralelo à Missão Artística Francesa, de Auguste-Marie Taunay, Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret e Joachim Lebreton Expedição austríaca (1817 a 1835): com Carl von Martius, Johann Baptist von Spix, Johann Emanuel Pohl, Johann Natterer e Thomas Ender

Reino Unido a Portugal e Primeiro Reinado Após ser independente de Portugal, declaração feita pelo filho do rei, o D. Pedro I (que se transformou primeiro Imperador do novo país), suas políticas a respeito mais altamente da aprendizagem, a ciência e a tecnologia vieram a uma paralisação relativa. Neste período, ocorreram algumas expedições científicas realizadas por naturalistas europeus, além da imigração de alguns naturalistas do velho continente: Expedição Langsdorff (1824 a 1829), com o barão Langsdorff, Rugendas, Aimé-Adrien Taunay, Hércules Florence, Ludwig Riedel, Christian Hasse, e Nestor Rubtsov Peter Lund (1825) d'Orbigny (1826) Charles Darwin (1832), a bordo do HMS Beagle

Apesar disso as expedições brasileiras se tornaram raras. A mais significativa é a de Martim Francisco Ribeiro de Andrada e José Bonifácio de Andrada e Silva, em 1819.

A ciência se pautou nas descrições da fantástica biodiversidade brasileira, de suas flora e fauna, e também suas geologia, geografia e antropologia. Somando a isso, começou a criação construção de um museu nacional.

Na área educacional, as primeiras escolas de lei foram fundadas em 1827 em Recife e em São Paulo, mas pelas próximas décadas, a maioria dos advogados brasileiros estudou ainda em universidades europeias, tais como a famosa universidade de Coimbra.

Marcos cronológicos de fatos importantes para a ciência nesse período:

1808: Criação do Colégio Médico da Bahia (a partir de 1832, Faculdade de Medicina da Bahia); Escola Médica do Rio de Janeiro (também Faculdade de Medicina, em 1832); Horto, depois Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 1810: Academia Militar do Rio de Janeiro, que durante o século XIX deu origem, em 1855, à Escola Central e, em 1874, à Escola Politécnica. 1818: Museu Real, depois Museu Nacional de História Natural. 1838: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Segundo Reinado

Em 1841, quando o filho o mais novo de D. Pedro I, Imperador D. Pedro II foi coroado aos 14 anos, o Brasil viveu um período de relativa estabilidade política e econômica. Durante o segundo reinado, o Brasil era uma monarquia constitucional, sendo D. Pedro II um monarca instruído que incentivava as artes, a literatura, a ciência e a tecnologia e tinha contatos internacionais extensivos nestas áreas. O apoio principal da ciência brasileira e do assento de seus primeiros laboratórios de pesquisa era o Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. Foi nessa cidade que começaram as associações de profissionais em sociedades e academias. Com, por exemplo: o Imperial Observatório do Rio de Janeiro em 1827; a Sociedade de Medicina, de 1828, depois Academia Imperial de Medicina; Sociedade Vellosiana, feita por naturalistas, que durou de 1851 a 1855, com reuniões nas dependências no Museu Nacional; Reunião de engenheiros, a partir dos anos 1860, no Instituto Politécnico Brasileiro.

Dom Pedro II desenvolveu um interesse pessoal forte e selecionou e convidou muitas personalidades científicas europeias respeitáveis, tais como Hermann von Ihering e Emílio Goeldi, para trabalhar no Brasil. E seus ministros e senadores assistiam frequentemente a conferências científicas no museu. Lá, o primeiro laboratório do fisiologia foi fundado em 1880, sob João Baptista de Lacerda e Louis Couty.

Expedições do período:

Henry Walter Bates (1848 a 1859) Alfred Wallace (1848 a 1852) Fritz Müller (1852) Expedição Thayer da Harvard University (1865 a 1866), com Louis Agassiz Expedições Morgan (1870 a 1878), com Charles Hatt e Orville Derby Hermann von Ihering (1880) Émil Goeldi (1880)

República Brasileira O centralismo da produção científica no Rio de Janeiro começou a se espalhar pelas províncias brasileiras. Para isso foram criadas instituições de ensino, como as faculdades, os museus e as escolas. Tendo como foco a produção de saberes sobre a saúde, como a criação do primeiro serviço sanitário na cidade de São Paulo.

É nesse período que surgem em São Paulo a Escola Politécnica (1894), o Serviço Sanitário de caráter microbiológico (1892) e um Museu de História Natural (1894), todos de caráter público. Além disso, foram também instaladas no estado instituições privadas, como a escola de engenharia Mackenzie (1895) e a Escola de Farmácia (1898).

Em 1895 foi criada no Recife a Escola de Engenharia de Pernambuco.

No Rio Grande do Sul foram criadas uma Escola de Engenharia (1896), uma Escola Livre de Farmácia e Química Industrial (1896) e uma Escola Livre de Medicina e Farmácia (1897).

Universidades Públicas O Brasil foi um dos países latino-americanos que mais demoraram para desenvolver universidades públicas e a produção científica em próprio território nacional. O desinteresse dos portugueses que colonizam o espaço brasileiro e a desmobilização sobre a educação superior atrasaram os espaços universitários, acadêmicos e científicos no Brasil. Até o século XVIII, os centros de ensino superior no Brasil eram espalhados, com pouca definição pública e organização estrutural interna.

A Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), é a primeira universidade brasileira a iniciar um processo de estruturação bem definida de produção acadêmica, formação científica e desenvolvimento de pessoal técnico qualificado. Após, outras universidades começaram a seguir um modelo de organização inspirada nas universidades europeias, principalmente de Portugal, como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPB).

Uma questão importante nessa estruturação mais organizada da Universidade Federal do Rio de Janeiro foi o destaque dado à sua criação, ganhando notoriedade via Associação Brasileira de Educação (ABE) e Associação Brasileira de Ciências (ABC). Os principais pontos enfatizados por essas entidades foram o conceito e as funções desempenhadas pelas universidades brasileiras, sua autonomia e o modelo de Ensino Superior a ser seguido em âmbito nacional.

A partir da década de 1940, a institucionalização da produção científica brasileira começou a tomar caminhos mais sérios e bem estruturados, especialmente devido à influência dos avanços internacionais nas mais diversas áreas. Em especial na física, exemplificados pela pesquisa nuclear e todo o alvoroço em relação aos avanços do uso da energia atômica e dos perigos eminentes da guerra fria e do uso de bombas atômicas entre Estados Unidos da América e União Soviética, resultando em tensões como a crise dos mísseis de Cuba . Pesquisadores estrangeiros que migraram para o Brasil, particularmente para a Universidade de São Paulo (USP), tiveram um impacto imediato e duradouro na instituição. Em 1948, a fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) apresentou-se como outro passo significativo para o progresso da ciência no Brasil, inspirando-se em modelos de organização coletiva da produção científica de países como os EUA, Alemanha, França e Reino Unido.

Até a ditatura cívico-militar, que não tinha o progresso da ciência e o desenvolvimento das universidades públicas como foco de governo e nem de Estado, poucos avanços na produção científica e na organização de como ela se dava foram feitos. Até 1985, através da reorganização nos debates constituintes, após a redemocratização do Brasil, a estrutura da produção científica brasileira se modificou, criando novas diretrizes de políticas públicas que direcionavam de maneira mais direta a organização da ciência. A produção científica brasileira, atualmente, é majoritariamente desenvolvida dentro das universidades públicas, conforme os dados da Clarivate Analytics, principal centro de pesquisa sobre o desenvolvimento científico mundial. Desse modo, é impossível desassociar, atualmente, a ciência e as universidades públicas.