Maria do Rosário Nunes (Veranópolis, 22 de novembro de 1966) é uma professora e política brasileira, atualmente deputada federal pelo Rio Grande do Sul, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), reconhecida pelo seu trabalho como defensora dos direitos humanos.

Exerceu de 1.º de janeiro de 2011 até 1.º de abril de 2014 o cargo de Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e, atualmente, ocupa uma cadeira na Câmara Federal. Em 2014, foi aprovada para o curso de doutorado em Ciência Política, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)..

Biografia Formação Maria do Rosário graduou-se em pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1993. Em 1999, tornou-se especialista em violência doméstica pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2009, tornou-se mestre em educação pela UFRGS, é doutora em Ciência Política também pela UFRGS.

Carreira política Iniciou sua trajetória política em 1985 no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), pelo qual foi eleita vereadora em Porto Alegre, para a legislatura 1993–1996 com 7555 votos. No ano seguinte à posse, migrou para o Partido dos Trabalhadores (PT), pelo qual conquistou a reeleição em 1996 sendo a vereadora mais votada com mais de 20 mil votos. Maria do Rosário não chegou a concluir o seu segundo mandato na Câmara Municipal, pois em 1998 foi eleita deputada estadual com 77 mil votos, sendo a segunda mais votada no Rio Grande do Sul, na eleição daquele ano.

Em 2003 assumiu o seu primeiro mandato como deputada federal e, em 2006, foi reeleita. Em 2002 teve 143 mil votos e foi reeleita com 110 mil votos, ficando sempre entre os candidatos mais votados do estado. Em 2004, foi candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Raul Pont. A derrota para José Fogaça tirou o ciclo do PT na cidade de Porto Alegre, que durava desde a vitória de Olívio Dutra em 1988.

No PT já exerceu cargos na direção do partido, em nível municipal e estadual, e concorreu à presidência nacional do partido em 2005 tendo sido derrotada. Foi vice-presidente nacional do PT durante a gestão 2005-2007 e membro da Executiva Nacional (2007-2008). Atua na corrente interna Movimento PT.

Em 2008 foi a candidata do PT para a prefeitura de Porto Alegre. No primeiro turno, após figurar em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, ficou em 2.º lugar, com 22,73% da preferência do eleitorado (179 587 votos), credenciando-se para disputar o segundo turno com José Fogaça, candidato à reeleição. No segundo turno conseguiu 327 799 votos (41,05% do total), sendo derrotada por Fogaça."Com 38.876 votos a mais, Fogaça melhora seu desempenho nas urnas desde 2004". Zero Hora. 27 de outubro de 2008.

Nas eleições de 2010, Maria do Rosário foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral gaúcho para concorrer a uma possível reeleição.Ogliari, Elder. "Justiça barra candidatura de Maria do Rosário no RS". Estadão. 3 de agosto de 2010. Acessado em 21 de dezembro de 2010. O TRE encontrou problemas com as dívidas da campanha de 2008, quando concorreu à prefeitura de Porto Alegre. Com diversos recursos, inclusive direcionados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Maria do Rosário foi absolvida das acusações e pôde concorrer. Tal resposta por parte do TSE, no entanto, só foi divulgada um dia depois das eleições de 3 de outubro. Durante a apuração dos votos, a candidata figurava em último lugar e sem votos. Depois da decisão do TSE, Maria do Rosário foi reeleita para um terceiro mandato com pouco mais de 146 mil votos, sendo a sexta mais votada no Rio Grande do Sul. Ainda durante as eleições de 2010, Maria do Rosário coordenou o programa de governo da então candidata Dilma Rousseff nas áreas de direitos humanos, educação e políticas para as mulheres.

Secretaria de Direitos Humanos thumb|esquerda|Em discurso como Secretaria de Direitos Humanos, no primeiro mandato de Dilma Rousseff

Em 8 de dezembro de 2010, a presidente eleita, Dilma Rousseff, confirmou a escolha da parlamentar gaúcha para ocupar a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, que tem status de ministério. Ela recebeu, no dia 1 de janeiro de 2011, no Palácio do Planalto, o título de Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República entregue por Dilma Rousseff.

Tomou posse no dia 3 de janeiro, pedindo ao Congresso a aprovação do projeto de lei que cria a Comissão da Verdade e prometendo cumprir as metas do 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos. Também pediu ao Congresso a aprovação da proposta de emenda constitucional do trabalho escravo, que prevê a expropriação e a destinação para a reforma agrária de todas as terras onde a prática seja encontrada.

Deixou a pasta em 1.º de abril de 2014, sendo substituída pela ministra Ideli Salvatti, que trocou a Secretaria de Relações Institucionais para assumir a Secretaria de Direitos Humanos.

Processo contra Jair Bolsonaro

thumb|Jair Bolsonaro discutindo com a deputada Maria do Rosário no plenário da Câmara dos Deputados durante discussão sobre a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, entre outros assuntos

Em 11 de novembro de 2003, no Salão Verde do Congresso Nacional, Maria do Rosário e o então deputado Jair Bolsonaro (PL-RJ) concediam entrevistas sobre o caso Liana Friedenbach e Felipe Caffé (o crime consistiu na tortura e assassinato do jovem Felipe Silva Caffé, de 19 anos, e da menor Liana Bei Friedenbach, 16 anos, por cinco rapazes, um deles identificado como Roberto Aparecido Alves Cardoso, menor infrator conhecido como "Champinha", além do estupro e tortura desta última por ambos os criminosos). A uma rede de TV, Bolsonaro criticava a lei da maioridade penal, já que o acusado dos crimes era menor de idade, enquanto Maria do Rosário discorria sobre o mesmo assunto para outros repórteres, o que acabou em um bate-boca gravado pelas câmeras de televisão.

O registro mostra Maria do Rosário declarando: "O senhor é que promove essas violências. Promove, sim…". Em seguida, Bolsonaro pede: "Grava isso aí, grava isso aí, me chamando de estuprador". A voz da deputada, ao fundo, afirma: "É, sim, é". Jair Bolsonaro então diz: "Jamais estupraria você porque você não merece".

Em 9 de dezembro de 2014, Maria do Rosário defendeu os membros da Comissão da Verdade no plenário da Câmara. Na sequência, Bolsonaro pediu a palavra e durante a sua manifestação se dirigiu diretamente à deputada: "Não saia, não, Maria do Rosário, fica aí, fica aí. Há poucos dias, no Salão Verde, você me chamou de estuprador, e eu disse que não estupraria você porque você não merece. Fica aqui para ouvir."

Devido a essa discussão Maria do Rosário abriu um processo contra Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar, e em, 21 de junho de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia e o transformou em réu, acusado de incitação ao crime de estupro.

CPI da Petrobras Em 9 de abril de 2014, a deputada federal Maria do Rosário protagonizou um bate boca com o deputado federal Delegado Waldir (PSDB) na CPI da Petrobras. Durante o depoimento do tesoureiro do PT João Vaccari Neto no Congresso, Waldir chamou Neto de "maior corrupto e ladrão da história do país" e acusou o PT de "patrocinar a corrupção" no Brasil. Revoltada com as declarações, Maria do Rosário questionou a sanidade mental de Waldir: "O senhor passou no psicotécnico? Como passou no concurso para delegado?"

No início da sessão, Waldir foi acusado pelo deputado Jorge Solla (PT-BA) de suspeita de envolvimento com o ato de um funcionário da Câmara dos Deputados que soltou cinco roedores no Plenário da CPI, assim que Vaccari entrou no recinto. Waldir afirmou na ocasião que processaria o PT, Rosário e Solla.

Blitz da Lei Seca Na madrugada de 11 de abril de 2015, durante uma blitz da Operação Balada Segura, a deputada teve o seu veículo retido por estar sem a devida documentação. Mais tarde enalteceu em sua conta do Twitter o trabalho dos fiscais e, por meio da sua assessoria, complementou "Cometi o erro em esquecer a documentação. Agi como deveria. Acatei a fiscalização e punição porque mesmo sendo uma simples distração, é o que dita a Lei".

Operação Lava Jato Maria do Rosário foi acusada pelo ex-diretor da Odebrecht (atual Novonor), Alexandrino de Alencar, em acordo de delação premiada, de receber caixa dois da empreiteira na campanha eleitoral de 2010. A deputada defendeu-se das acusações, respondendo que "quem não deve, não teme". O Supremo Tribunal Federal investigou o caso, e em 2018 arquivou o processo por falta de provas.

Desempenho eleitoral AnoEleiçãoColigaçãoPartidoCandidata aVotosResultado1992Municipal de Porto AlegrePCdoB, PMDBPCdoBVereadora7 5551996Municipal de Porto AlegreFrente Popular <small>(PT, PPS, PCB)<small>PT20 8381998Estadual do Rio Grande do SulFrente Popular <small>(PT, PSB, PCdoB, PCB)<small>Deputada estadual76 6582002Estadual do Rio Grande do SulFrente Popular <small>(PT, PCdoB, PCB, PMN)<small>Deputada federal143 9012004Municipal de Porto AlegreFrente Popular <small>(PT, PCdoB, PCB, PL, PSL, PMN, PTN)<small>Vice-prefeita378 099 <small>(2° turno)<small>2006Estadual do Rio Grande do SulFrente Popular - A Força do Povo <small>(PT, PCdoB)<small>Deputada federal110 0812008Municipal de Porto AlegreFrente popular por Porto Alegre <small>(PT, PRB, PSL, PTC)<small>Prefeita327 799 <small>(2° turno)<small>2010Estadual do Rio Grande do SulDeputada federal143 128 2014Estadual do Rio Grande do Sul127 9192018Estadual do Rio Grande do Sul97 3032022Estadual do Rio Grande do SulFederação Brasil da Esperança <small>(PT, PCdoB, PV)<small>151 0502024Municipal de Porto AlegreO Povo de Novo na Prefeitura Prefeita254 128 <small>(2° turno)

Ligações externas

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