O Aeroporto de Anápolis, também conhecido como Aeroporto JK, é um aeródromo público situado no Setor Industrial Aeroporto, a cerca de 4 km a sudeste do centro de Anápolis, no estado de Goiás. Registrado sob os códigos ICAO SWNS e IATA APS, o aeródromo possui elevação de 1.112 metros (3.648 pés) em relação ao nível do mar. Opera exclusivamente sob regras de voo visual (VFR), sem auxílios à navegação por instrumentos, com horário de funcionamento diário das 10h às 22h (UTC−3).

O local adquiriu relevância histórica em 19 de abril de 1956, quando o presidente Juscelino Kubitschek assinou a mensagem ao Congresso Nacional que autorizou a construção de Brasília, após pouso forçado em Anápolis devido a condições meteorológicas adversas. O documento foi assinado em um estabelecimento próximo ao aeródromo. A cabeceira da pista 07 localiza-se a aproximadamente 15 km da cabeceira da pista 06L da Base Aérea de Anápolis (SBAN), que supervisiona o tráfego aéreo da região.

História Originalmente um aeródromo municipal, o local foi palco do evento de 1956 que marcou o início da construção de Brasília. O episódio contribuiu para a criação do Memorial Casa JK, instalado nas proximidades, embora o imóvel tenha enfrentado períodos de deterioração.

A Era de Ouro da Aviação em Anápolis

Durante a chamada era de ouro da aviação comercial brasileira, o Aeroporto de Anápolis (IATA: APS, ICAO: SWNS) desempenhou um papel estratégico na integração regional. Entre 1946 e 1961, o terminal foi uma escala fundamental para a icônica companhia aérea Real Aerovias, que em seu auge chegou a ser uma das maiores operadoras do mundo em frota e conectividade.

Operações da Real Aerovias (1946–1961) Fundada originalmente como REAL (Redes Estaduais Aéreas Limitadas), a companhia iniciou suas operações em Anápolis conectando a cidade diretamente ao Sudeste do Brasil, com voos frequentes partindo de hubs como São Paulo e Rio de Janeiro.

Em 15 anos de atuação (1946–1961), a Real Aerovias transformou o aeroporto local em um movimentado centro de passageiros. A empresa era conhecida por sua eficiência operacional e por operar uma vasta frota de aeronaves Douglas DC-3, o cavalo de batalha da aviação daquela época.

Declínio e Incorporação pela Varig O encerramento das operações comerciais regulares no aeroporto ocorreu devido a dois fatores principais: Fim da Real: Em agosto de 1961, em meio a uma crise financeira e sob influência do governo federal, o consórcio Real-Aerovias-Nacional foi adquirido pela Varig, que optou por reorganizar as rotas regionais. Protagonismo das Novas Capitais: Com a inauguração de Brasília em 1960 e o desenvolvimento do Aeroporto de Goiânia (Santa Genoveva), a logística da aviação em Goiás foi centralizada nas capitais, retirando o protagonismo de Anápolis nos voos comerciais de longo curso.

Legado Até os dias atuais, o aeroporto mantém o seu histórico registro internacional através do código IATA APS. Embora tenha deixado de receber voos comerciais de grande porte, o local permanece como um marco da história da aviação goiana, servindo atualmente à aviação geral e sendo vizinho estratégico da Base Aérea de Anápolis (BAAN).

Em julho de 2021, a Infraero divulgou plano preliminar de desenvolvimento, prevendo a ampliação do aeródromo como polo regional.

Infraestrutura A pista principal, orientada 07/25, é asfaltada e mede 1.218 metros de comprimento por 45 metros de largura. Uma segunda pista, planejada para 3.000 metros, foi iniciada entre 2010 e 2012 com o objetivo de suportar operações de carga pesada, mas permanece não homologada devido a problemas ambientais, como erosão, assoreamento do Ribeirão Extrema e formação de voçorocas.

O balizamento noturno requer solicitação com 45 minutos de antecedência, e o circuito de tráfego deve ser executado no setor sudeste. O terminal de passageiros é de porte reduzido, com projetos de revitalização e ampliação do pátio.

Administração Até 2024, o aeródromo era gerido pelo Governo do Estado de Goiás, por meio da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Em 29 de julho de 2024, a Portaria MPOR nº 344/2024 federalizou o terminal, transferindo a administração para a Infraero, com transição concluída em 27 de novembro de 2024.

A federalização objetivava converter o aeródromo em terminal de cargas, com extensão da segunda pista. Em 2025, divergências emergiram: a Goinfra alegou descumprimento de compromissos pela Infraero, incluindo cobrança de taxas sem contrapartidas e paralisação da segunda pista por questões ambientais; a Infraero afirmou estar executando melhorias operacionais dentro das normas vigentes.

Em outubro de 2025, o Governo de Goiás iniciou obras de recuperação ambiental em 160 hectares, com investimento de R$ 38 milhões (parte de R$ 90 milhões), abrangendo drenagem, contenção de erosão, reconstrução de cabeceira, desassoreamento e reflorestamento. A primeira fase, prevista para conclusão até dezembro de 2025, visa habilitar a entrega do sítio à Infraero para homologação parcial da segunda pista em 2026. A controvérsia administrativa permanece em aberto em novembro de 2025.

Operações O aeródromo não opera voos comerciais regulares, restringindo-se à aviação geral. Nos dois primeiros meses de 2025, registrou 1.580 movimentos (pousos e decolagens), todos domésticos e não regulares, sem transporte de passageiros ou cargas. O plano de longo prazo prevê sua transformação em terminal de cargas, com operações iniciais em 2026, sem concorrência direta com o Aeroporto Internacional de Goiânia.

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