A Folkcomunicação é uma disciplina científica que tem como objetivo o estudo da comunicação popular e o folclore na difusão de meios de comunicação de massa. A denominação inicial, bem como seu conteúdo, foram criados pelo professor Luiz Beltrão de Andrade Lima em 1967.

Beltrão afirma que a folkcomunicação é a comunicação de grupos sociais rurais e urbanos, marginalizados social e culturalmente, sem acesso ou representação nos meios de comunicação estabelecidos (imprensa, rádio, televisão) e precisam comunicar aos seus pares alguma informação. Folkcomunicação é, assim, o processo de intercâmbio de informações e manifestação de opiniões, ideias e atitudes da massa, através de agentes e meios ligados direta ou indiretamente ao folclore.

As manifestações da folkcomunicação podem se dar na forma de cantadores, ex-votos, folhetos de cordel, frases de pára-choque de caminhão, grafite, entre outras formas.

Origens A folkcomunicação surgiu no Brasil na década de 1960 como um marco teórico dentro das ciências da comunicação social. Foi desenvolvida pelo jornalista, professor e pesquisador brasileiro Luiz Beltrão de Andrade Lima (1918–1986), que buscava compreender como as populações marginalizadas criavam e mantinham suas próprias formas de comunicação fora da mídia de massa institucional. O termo comunicação popular é uma tradução direta de folkcomunicação, cunhado por Lima para capturar a interseção entre folclore (popular) e comunicação, refletindo sua percepção de que os agentes e práticas populares usados para compartilhar informações fora dos sistemas institucionais estavam profundamente enraizados nas tradições folclóricas.

O interesse de Beltrão por formas alternativas de divulgação de informação surgiu após observar como as expressões tradicionais da cultura popular — tais como a narrativa oral, os ex-votos e os festivais — desempenhavam funções comunicativas em comunidades frequentemente excluídas do discurso dominante. As reflexões de Lima surgiram no contexto das acentuadas disparidades econômicas e da diversidade cultural do Brasil, onde muitos cidadãos não tinham acesso aos canais dominantes, como jornais, rádio e televisão. Sua primeira articulação publicada da teoria apareceu em março de 1965, em um artigo acadêmico que examinava o ex-voto como meio jornalístico. Matriculando-se no primeiro programa de doutorado em Comunicação da Universidade de Brasília, Lima apresentou sua tese em 1967 com o título Folkcomunicação: um estudo dos agentes e dos meios populares de informação de fatos e expressão de ideias. No entanto, a divulgação de suas ideias foi dificultada durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), pois a teoria criticava implicitamente as políticas públicas ao reconhecer as dimensões políticas e expressivas da cultura popular.

Conceito A folkcomunicação é definida por Lima como a troca de informações e a expressão de opiniões, ideias e atitudes entre as massas por meio de agentes e meios enraizados no folclore e na cultura popular. Isso inclui contadores de histórias, vendedores ambulantes, artistas de festivais e figuras religiosas que atuam como intermediários entre as massas e os sistemas de comunicação dominantes.

A teoria destaca o papel dos “comunicadores populares” — formadores de opinião que interpretam o conteúdo da mídia de massa para suas comunidades e transmitem as preocupações locais às instituições formais. Isso se alinha à teoria do fluxo de comunicação em várias etapas proposta por Elihu Katz e Paul Lazarsfeld. Esses mediadores ajudam a traduzir, filtrar e contextualizar as informações, tornando-as acessíveis a públicos que podem ser excluídos devido a barreiras culturais, geográficas, econômicas ou ideológicas.

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