foi um cineasta, produtor, roteirista, montador, escritor e pintor japonês, considerado um dos mais importantes do século XX. Seus filmes influenciaram todas as gerações de diretores posteriores a ele.
Com uma carreira de cinquenta anos, Kurosawa dirigiu 30 filmes. É amplamente considerado como um dos cineastas mais importantes e influentes da história do cinema. Em 1989, foi premiado com o Óscar pelo conjunto de sua obra "pelas realizações cinematográficas.
Biografia Juventude Akira, o mais novo de oito filhos de Shima e Isamu Kurosawa, nasceu num subúrbio de Tóquio em 23 de março de 1910. Shima Kurosawa tinha 40 anos de idade na época do nascimento de Akira, e Isamu, 45. Cresceu numa família com três irmãos mais velhos e quatro irmãs mais velhas. De seus três irmãos mais velhos, um morreu antes de Akira nascer e um já estava crescido e fora do lar. Uma das suas quatro irmãs mais velhas também havia deixado a casa para formar a sua própria família antes de Kurosawa nascer. A irmã que nascera logo antes de Kurosawa, a quem ele chamava de "Pequena Grande Irmã", também morreu repentinamente após uma curta doença quando ele tinha 10 anos de idade.
O pai de Kurosawa trabalhava como diretor de uma escola secundária dirigida pelos militares japoneses e os Kurosawas descendiam de uma linhagem de antigos samurais. Financeiramente, a família estava acima da média. Isamu Kurosawa gostava da cultura ocidental, dirigindo programas atléticos e levando a família para ver filmes ocidentais, que estavam naquela época apenas começando a aparecer nos cinemas japoneses. Mais tarde, quando a cultura japonesa se afastou dos filmes ocidentais, Isamu Kurosawa continuou a acreditar que os filmes foram uma experiência positiva de ensino.
Kurosawa inicialmente tentou ser pintor. Após se formar no Ginásio Keika, frequentou o Centro de Pesquisas de Arte Proletária no ano de 1928, aos 18 anos. A investida pictorial não funcionou, devido à falta de dinheiro, mas suas características artísticas o acompanharam durante toda a sua trajetória no cinema, onde ele pintava quadros como "storyboards" de seus filmes. Mesmo assim continuou com sua paixão pelas artes, principalmente a literatura; de onde tirou inspiração para a grande maioria de suas obras.
Sofreu também grande influência do irmão, Heigo, quatro anos mais velho, na sua paixão por cinema. Heigo trabalhava como Benshi, uma espécie de "narrador de filmes" do início do século no Japão. Infelizmente, com o advento dos filmes sonoros a profissão de narrador se tornou obsoleta, e Heigo viu-se sem emprego. O fato deprimiu tanto o irmão de Kurosawa que ele acabou se suicidando com um tiro no peito esquerdo aos 27 anos de idade. Kurosawa demorou para aceitar o ocorrido, mas se recuperou alguns anos depois e ingressou de vez na carreira cinematográfica. Em 1936 viu um anúncio no jornal para um teste de assistente de diretor e desde então não parou mais de trabalhar em filmes. De 1943 a 1965 foram vinte e quatro dirigidos por ele.
Seu primeiro trabalho foi Sugata Sanshiro (1943) e o último foi "Depois da Chuva" (Ame agaru) (1999) concretizado postumamente por Takashi Koizumi, seu discípulo. Foi o introdutor do gênero chambara (samurai) no cinema, com temas como a honra acima de tudo. Sofrendo de fadiga mental em 1971, tentou frustradamente suicidar-se cortando os pulsos por mais de trinta vezes. Em 1985 o Festival de Cinema de Cannes homenageou-o pelo seu filme "Ran" do qual ele mesmo dizia que era a "obra de sua vida". "Ran" foi baseado em adaptações do livro Rei Lear de William Shakespeare. Kurosawa também adaptou obras do russo Dostoiévski. Muitos de seus filmes tiveram refilmagem na Europa e Estados Unidos.
Diretor em treinamento (1935–1941) Em 1935 o novo estúdio de filmes Photo Chemical Laboratories, conhecido como P.C.L. (que mais tarde se tornaria um grande estúdio, o Toho), aconselhado por diretores assistentes. Apesar de ele não ter demonstrado anteriormente qualquer interesse em filmes como uma profissão, Kurosawa apresentou o ensaio exigido, que pedia aos candidatos para discutir as deficiências fundamentais dos filmes japoneses e encontrar maneiras de corrigi-las. Sua visão, meio zombeteira, era que se as deficiências eram fundamentais, então não havia jeito de corrigi-las. O ensaio de Kurosawa rendeu-lhe um convite para fazer os exames de acompanhamento, sendo que o diretor Kajiro Yamamoto, que estava entre os examinadores, gostou de Kurosawa e insistiu para que o estúdio o contratasse. Com 25 anos de idade, Kurosawa foi contratado pela P.C.L. em fevereiro de 1936.
Durante os seus cinco anos como diretor assistente, Kurosawa trabalhou com inúmeros diretores, mas a figura mais importante para o seu desenvolvimento, de longe, era Kajiro Yamamoto. De seus 24 filmes como diretor-assistente, ele trabalhou em 17 sob a supervisão de Yamamoto, muitos deles comédias encenadas pelo popular ator Kenichi Enomoto, conhecido como "Enoken". Yamamoto cultivou o talento de Kurosawa, promovendo-o diretamente de terceiro diretor assistente para diretor assistente chefe depois de um ano. A responsabilidade de Kurosawa aumentou, e ele trabalhava em tarefas como construção de cenários e desenvolvimento de filmes, locação de cenários, revisão de roteiro, ensaios, iluminação, dublagem, edição, montagem e subdireção. No último filme de Kurosawa como diretor assistente, Horse (Uma, 1941), Kurosawa cuidou da maior parte da produção, visto que Yamamoto estava ocupado com as filmagens de outro filme.
Um importante conselho que Yamamoto deu a Kurosawa foi que um bom diretor precisava dominar a prática de escrever roteiros. Kurosawa logo percebeu que os ganhos potenciais de seus roteiros eram muito mais altos do que ele ganhava como diretor assistente. Kurosawa, mais tarde, iria escrever ou coescrever todos os seus próprios filmes. Ele também frequentemente redigia roteiros para outros diretores. Esses roteiros extras serviriam para Kurosawa como uma alternativa lucrativa que durou bem até a década de 1960, depois que ele se tornou mundialmente famoso.
Filmes de Guerra e seu casamento (1942–1945) Nos dois anos seguintes ao lançamento de Uma, em 1941, Kurosawa procurou por uma história que ele poderia usar para sua carreira de diretor deslanchar. No fim de 1942, cerca de um ano depois do começo da guerra entre Japão e Estados Unidos, o romancista Tsuneo Tomita publicou um romance de judô inspirado em Miyamoto Musashi chamado Sanshiro Sugata, cujos anúncios intrigaram Kurosawa. Ele comprou o livro no dia de sua publicação, leu-o de uma vez e imediatamente pediu para o estúdio Toho garantir os direitos para o filme. O instinto inicial de Kurosawa provou estar correto, visto que, depois de alguns dias, três outros grandes estúdios japoneses também se ofereceram para comprar os direitos. A Toho venceu e Kurosawa começou a pré-produção em sua estreia como diretor. thumb| Pôster do filme de estreia do diretor japonês Akira Kurosawa, Sugata Sanshiro (1943). Embora não seja a entrada mais famosa do registro de produções de Kurosawa, o filme é visto como um exemplo prematuro da compreensão imediata do processo de filmagem do diretor, e inclui muitas de suas marcas registradas, como o uso de wipes (transições de imagens de uma cena para outra). As filmagens de Sanshiro Sugata começaram em locações em Yokohama, em dezembro de 1942. A produção transcorreu tranquilamente, mas conseguir a aprovação do filme completo pelos censores era um outro assunto. A censura considerou a obra muito "britânico-americana" (uma acusação equivalente, na época, a uma acusação de traição) e foi somente com a intervenção do diretor Yasujiro Ozu, defensor do filme, que Sanshiro Sugata foi finalmente aceito para estrear em 25 de março de 1943. (Kurosawa tinha acabado de completar 33 anos). O filme tornou-se um sucesso da crítica e comercial. No entanto, o departamento de censura decidiu, mais tarde, cortar cerca de 18 minutos da produção, muito do que hoje é considerado perdido.
Ele, em seguida, tratou das operárias de fábricas no período da guerra em Ichiban utsukushiku, um filme de propaganda militar que ele filmou em um estilo de semi-documentário no começo de 1944. A fim de conseguir representações realistas de suas atrizes, o diretor as fazia viver em uma fábrica durante as filmagens, comer a comida da fábrica e se chamarem umas às outras pelos nomes de suas personagens. Ele usuária métodos semelhantes com seus atores por toda sua carreira
Durante a produção, a atriz que interpretava o papel de líder das operárias da fábrica, Yoko Yaguchi, foi escolhida pelas suas colegas para apresentar suas demandas ao diretor. Ela e Kurosawa estavam constantemente em conflito, e apesar disso, os dois, paradoxalmente, tornaram-se íntimos. Eles se casaram em 21 de maio de 1945, com Yaguchi aos dois meses de gravidez (ela nunca mais retomou sua carreira de atriz), e o casal permaneceria junto até sua morte em 1985. Eles teriam dois filhos: um menino, Hisao, nascido em 20 de dezembro de 1945, que trabalharia como produtor de alguns dos últimos projetos de seu pai, e Kazuko, nascida em 29 de abril de 1954, que se tornaria uma estilista.
Pouco antes de seu casamento, Kurosawa foi pressionado pelo estúdio contra sua vontade para dirigir uma sequência de seu filme de estreia. Zoku Sugata Sanshiro foi um filme descaradamente propagandístico que estreou em maio de 1945 e é geralmente considerado um de seus piores filmes.
Kurosawa decidiu escrever o roteiro de um filme que seria tanto amigável com a censura como uma produção de baixo custo. Tora no o wo fumu otokotachi, baseado na peça de kabuki Kanjinchō e estrelada pelo comediante Enoken, com quem Kurosawa trabalhou muitas vezes quando ele era diretor assistente, foi terminado em setembro de 1945. Nessa época, o Japão havia se rendido e a ocupação do país tinha começado. Os novos censores americanos interpretaram que os valores promovidos no filme eram excessivamente "feudais" e baniram a obra (Ele não seria lançado até 1952, o ano em que outro filme de Kurosawa, Ikiru, também foi lançado). Ironicamente, enquanto estava em produção, o filme já tinha sido atacado pelos censores japoneses do período em guerra como muito ocidentalizado e "democrático" (eles, particularmente, não gostaram do personagem interpretado por Enoken), então o filme provavelmente não seria visto nos cinemas mesmo se a guerra tivesse continuado, assim como depois da sua conclusão.
Primeiras obras pós-guerra (1946–1950) Com o fim da Guerra, Kurosawa, absorvendo os ideais democráticos da ocupação, buscou fazer filmes que iriam estabelecer um respeito renovado pelo indivíduo e sua consciência. Como o cinema norte-americano em ascensão absoluta, Akira teve de adaptar seus temas, chegou a declarar: "Os americanos são bem firmes nisso.... se quer ter um sucesso acima deles, seja como eles". O primeiro desses filmes Waga seishun ni kuinashi (1946) (Sem arrependimentos de nossa juventude), inspirado pelo Incidente Takigawa e o caso de espionagem do período pré-guerra de Hotsumi Ozaki, ambos de 1933, criticava o regime do Japão pré-guerra por sua opressão política. Atipicamente para esse diretor, a personagem principal é uma mulher, Yukie (Setsuko Hara), nascida em uma família de classe média-alta, que questionava seus valores em uma época de crise política. O roteiro original teve de ser quase todo reescrito e, devido ao seu tema controverso (e porque a protagonista era uma mulher), a obra completa dividiu a crítica, mas, no entanto, ele conseguiu ganhar a aprovação do público, que transformou o título do filme ("Sem arrependimentos de...") em um bordão do pós-guerra.