David Samuel Alcolumbre Tobelem (Macapá, 19 de junho de 1977), mais conhecido como Davi Alcolumbre, é um comerciante e político brasileiro, filiado ao União Brasil (UNIÃO). É senador da República pelo Amapá e o atual presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional. De ascendência marroquina, foi o primeiro judeu a assumir a presidência do Senado do Brasil.

Filho de comerciantes, iniciou a carreira política como vereador em Macapá e, posteriormente, foi eleito deputado federal. Elegeu-se ao Senado em 2014, alcançando a presidência da Casa, pela primeira vez, em 2019. Alcolumbre foi o mais jovem presidente do Senado da história.

Seu nome ganhou projeção nacional por sua atuação na articulação política em Brasília e por sua influência sobre a agenda legislativa e a distribuição de cargos e emendas parlamentares.

Em 2025, Davi Alcolumbre foi pela segunda vez eleito presidente do Senado para o biênio 2025-2026, em uma coligação ampla que reunia 94% dos senadores, que o elegeram com 73 votos.

Família e formação Filho de Samuel José Tobelem e de Júlia Peres Alcolumbre, Davi Alcolumbre nasceu em Macapá no dia 19 de junho de 1977. Os pais de Davi possuíam uma loja de peças automotivas chamada Shalom Autopeças, na qual Davi trabalhou.

Os avós maternos, Isaac Menahem Alcolumbre e Alegria Gabbay Peres, possuíam uma mercearia em Macapá. No entanto, de acordo com a revista piauí, com base em relatórios do Serviço Nacional de Informações(SNI), o casal fez fortuna com a extração ilegal de ouro às margens do rio Jari, e o contrabando de ouro até a Venezuela e os Estados Unidos. Ainda segundo a revista, agora com base num relatório da Polícia Federal, dois tios de Davi, Alberto e Salomão, também estariam envolvidos com o comércio ilegal de ouro.

Segundo o Intercept, a família de Alcolumbre enriqueceu também por meio da grilagem de terras.

Davi cursou ciências econômicas no Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP), mas não concluiu o curso. Comerciante, em 1996 tornou-se membro da Associação Comercial e Industrial de Macapá. Vereador de Macapá e início de carreira política Alcolumbre iniciou sua trajetória política em 1999, quando se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), e elegeu-se vereador de Macapá na eleição municipal do ano seguinte, aos 21 anos. Assumindo o mandato na Câmara Municipal em 2001, ocupou a presidência da Comissão de Indústria e Comércio e foi vice-presidente da Mesa. Também entre 2001 e 2002, representou a Câmara Municipal no Conselho Tutelar de Macapá.

Deputado federal (2002-2014) Em 2002 foi eleito deputado federal pelo Amapá pelo PDT, assumindo o cargo na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2003. Durante a legislatura, foi membro das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, e de Defesa do Consumidor. Foi também titular das comissões especiais de Proteção dos Direitos da Juventude, e do Plano Nacional da Juventude. Por dois anos consecutivos, foi coordenador da bancada de seu estado.

O deputado votou à favor da reforma da previdência de 2003. Davi foi relator de um projeto de lei de autoria do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que ampliava benefícios fiscais para a região Norte; seu parecer foi favorável ao projeto.

Em 2005 filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL) e em 2006 foi reeleito deputado federal. Durante a legislatura foi titular, terceiro e segundo vice-presidente da Comissão Permanente de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Com a transformação do PFL em Democratas (DEM) em 2007, passou a exercer a presidência do diretório regional do partido no Amapá. Tornou-se membro também da comissão executiva nacional do DEM e do Conselho Político da Juventude Democratas. Entre março e maio de 2008, exerceu a vice-liderança do partido na Câmara dos Deputados.

Davi foi um dos três deputados amapaenses investigados na Operação Pororoca que foram reeleitos. O deputado foi acusado de corrupção ativa em inquérito penal que tramitava perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Davi dizia que foi investigado espuriamente, e que seu nome havia sido citado de maneira aleatória: “É um trecho de cinco segundos em 2000 horas de gravação”.

Na particularmente acirrada eleição municipal de Macapá de 2008, a primeira que chegou ao segundo turno, Davi apoiou Roberto Góes.

Em 2009, propôs renomear o Aeroporto Internacional de Macapá em homenagem a seu tio, Alberto Alcolumbre. Aprovada, o aeroporto seria inaugurado em 2019.

Em 2009 licenciou-se do mandato de deputado federal e assumiu o cargo de secretário municipal de Obras e Serviços Públicos de Macapá, durante a gestão de Roberto Góes. Retornando à Câmara em março de 2010, voltou a integrar a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática. Ainda no mesmo ano, concorreu a mais um mandato nas eleições realizadas em outubro e foi novamente reeleito para a câmara baixa do Congresso Nacional com votos.

Nas eleições municipais de 2012, Alcolumbre foi candidato à prefeitura de Macapá na coligação Macapá Melhor, composta por DEM, PSDB, PTB e PRP. Com votos, ficou na quarta colocação no primeiro turno do pleito e retornou ao exercício do mandato de deputado. No segundo turno, apoiou Clécio Luís, do PSOL, e explicou que mesmo, não havendo "coerência pragmática" entre eles, os partidos formaram uma "aliança pela moralidade".

Uma matéria do O Estado de S. Paulo mostrou que Alcolumbre usava toda a verba de combustível do seu gabinete no posto de propriedade do seu tio Salomão Alcolumbre. Em nota, o deputado respondeu que, como sua família era dona de 70% dos postos do Amapá, era portanto "inviável não abastecer na empresa de parentes".

Em geral, Davi Alcolumbre foi um deputado do chamado baixo clero.

Senador da República esquerda|miniaturadaimagem|Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, participa de audiência com o presidente da República, Jair Bolsonaro Nas eleições de 2014 foi candidato ao Senado Federal. Venceu o ex-senador Gilvam Borges, com 131 695 votos (36,26% dos votos válidos), tornando-se o primeiro amapaense eleito senador da República. Assumiu o mandato no dia 1 de fevereiro do ano seguinte. Foi logo eleito presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, a única comissão comandada pelo seu partido.

A Folha publicou uma matéria denunciando ex-deputados que ainda não haviam devolvido seus apartamentos funcionais: entre eles, o agora senador Davi justificou-se dizendo que o apartamento funcional pertencia à União e continuaria a ocupá-lo, já que o Senado não dispunha de imóveis o suficiente.

Em julho de 2015, Davi Alcolumbre foi parte da CPI da CBF, que investigava as contas da Confederação Brasileira de Futebol. Nela, o senador votou à favor da quebra do sigilo bancário de Marco Polo Del Nero, então presidente da entidade. Noutra Comissão Parlamentar de Inquérito do mesmo ano, a CPI do Swissleaks, Davi, junto com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), pediram a suspensão da quebra de sigilo fiscal de seis investigados.

Em novembro, votou à favor da manutenção da prisão de Delcidio do Amaral.

Durante o impeachment de Dilma Rousseff, Alcolumbre foi suplente da Oposição na Comissão Especial que julgou a admissibilidade do processo. Afastada a presidente, durante o discurso de posse do vice enquanto presidente interino, o senador declarou à Folha que o "povo brasileiro não merece passar por tudo isso": "O momento não deve ser de longas exposições sobre a economia ou a política, mas sim de discutir quais os caminhos a seguir para a retomada do crescimento". Em 31 de agosto, às 2 da manhã, Davi Alcolumbre declarou seu voto favorável ao impeachment de Dilma: "Não haverá vencedores ou vencidos, mas sim uma nação de mais de 200 milhões de brasileiros que aguarda desta Casa um novo rumo […] Seguir adiante é o que nos resta", discursou.

Na eleição municipal de Macapá de 2016, Davi e o DEM apoiaram novamente o prefeito Clécio Luis. Mesmo da recém criada Rede Sustentabilidade (REDE), Clécio foi o segundo prefeito que mais recebeu recursos financeiros do DEM. O presidente do partido, José Agripino Maia, explicou que o apoio fazia parte da estratégia que previa a candidatura de Davi como governador em 2018. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 1,27 milhão de reais da campanha, 150 mil foram gastos em postos de gasolina de Salomão Alcolumbre, primo de Davi. O prefeito justificou o gasto: "Seria estranho se a gente comprasse em postos que são fornecedores da prefeitura. Não é o caso".

O prefeito já havia retribuído o apoio anterior, em 2012, apoiando a eleição para o Senado de Davi em 2014. Havia a expectativa também que o PSDB viesse a apoiar Davi, em troca do apoio à campanha presidencial de Geraldo Alckmin em 2018.

Em julho de 2017 votou contra a cassação de Aécio Neves no Conselho de Ética do Senado, e em outubro de 2017 votou a favor da manutenção do mandato de Aécio, derrubando decisão da Primeira Turma do STF no processo em que o senador era acusado de corrupção e obstrução da justiça por solicitar dois milhões de reais ao empresário Joesley Batista.

Em 2017, o senador foi escolhido como presidente da CPI do BNDES.

Nas eleições de 2018, Alcolumbre foi candidato ao governo do estado do Amapá mas, angariando 94 278 votos (23,75% dos votos válidos), não conseguiu se qualificar para a disputa do segundo turno.

Logo após a derrota, Alcolumbre pediu a intermediação de Onyx Lorenzoni (DEM, futuro chefe da Casa Civil), para garantir o apoio do presidente-eleito Jair Bolsonaro para a disputa pela presidência do Senado. Em entrevista à revista piauí, Lorenzoni se lembra de explicar ao presidente que “o maior construtor de relações do Congresso se chama Davi Alcolumbre. […] É um craque. Ele abraça todo mundo e as pessoas gostam dele de graça.” O presidente Bolsonaro aceitou apoiar a eleição de Davi Alcolumbre, que no mesmo dia começou sua campanha.

Presidência do Senado (2019-2021) miniaturadaimagem|250x250px|Kátia Abreu toma das mãos de Alcolumbre a pasta contendo as ordens do dia, durante a votação de um requerimento em 1.º de fevereiro de 2019

Iniciada a eleição para mesa diretora do Senado em 2019, por ser o único remanescente da mesa diretora anterior do Senado, iniciou na presidência da Casa e, em 1.º de fevereiro, articulou para presidir a sessão que escolheria o novo presidente; acabou, no entanto, preterido pelo senador de maior idade da Casa, o senador José Maranhão (MDB). A principal disputa era entre o próprio Alcolumbre e o senador Renan Calheiros, do MDB.

Alcolumbre pôs em votação um requerimento para que a votação fosse feita de forma aberta e, ao divulgar o resultado (50 senadores favoráveis e dois contrários), a senadora Kátia Abreu questionou sua legitimidade para presidir a seção. Ela subiu na mesa diretora e, de pé ao lado de Alcolumbre, esbravejou que "Ele é candidato! Ele é candidato e não pode presidir essa sessão!". Tomou então a pasta com as ordens do dia das mãos de Alcolumbre, gritando: "Você acha que é candidato, meu amigo? Você está maluco?". Alcolumbre presidiu a sessão ininterruptamente, num total de sete horas, chegando a usar fralda geriátrica para não ter que ir ao banheiro.

Na eleição, adiada no dia seguinte, Alcolumbre recebeu 42 votos e, já no primeiro turno, foi eleito o novo presidente do Senado Federal, graças ao apoio dos opositores de Renan Calheiros e de parte da base do governo Jair Bolsonaro. Logo após assumir, demitiu 150 funcionários do Senado.

Em 23 de outubro de 2019, por ocasião de viagens do presidente Bolsonaro e do vice Hamilton Mourão, além da ausência no país do então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, Alcolumbre assumiu a presidência da República por dois dias. Enquanto presidente em exercício, assinou o decreto que regulamenta a transferência definitiva das terras da União ao estado do Amapá, atendendo a uma reivindicação estadual que tramitava havia trinta anos.