Campina é um bairro histórico situado na cidade paraense de Belém do Pará (estado brasileiro do Pará); é o segundo mais antigo abrigando parte do centro histórico da capital paraense, que foi criado após o então bairro Cidade na época da Capitania do Grão-Pará. Assim muitas de seus casarões foram criadas no período colonial brasileiro, dispostas em quarteirões irregulares com ruas estreitas pavimentadas com pedras de lióz, além de possui pontos turísticos como: o Theatro da Paz (uma das sete maravilhas brasileiras), a Estação das Docas, o Ver-o-Peso, a Academia Paraense de Letras.

Este bairro abriga o centro comercial da cidade, característica mantida desde o final do século XIX, que popularmente lhe atribuiu a denominação informal de Comércio, estampados em algumas de suas placas de ruas. No entanto a denominação oficial do bairro permanece Campina.

Com o tombamento histórico-patrimonial, o bairro tornou-se uma área com empreendimentos imobiliários estagnados, enquanto novas áreas habitacionais mais atraentes surgiam (bairro de Nazaré), ganhando assim um aspecto mais comercial e turístico, permanecendo valorizado; com grande variedade de serviços, localização estratégica, o contato com o patrimônio histórico, a comodidade e, principalmente o fato do bairro ser ponto de passagem da procissão religiosa do Círio de Nazaré, responsáveis por ainda manter o metro quadrado da Campina entre os mais caros da capital paraense.

A primeira grande avenida da cidade foi aberta nesta região, nomeada 15 de Agosto, atualmente é uma das mais importantes da capital paraense (avenida Presidente Vargas em ). Onde estão as sedes de instituições financeiras e empresariais, configurando o coração financeiro. Apesar de ser o segundo bairro mais antigo de Belém, Campina concentra o maior número de imóveis históricos da capital paraense, abrigando centenas de casarões e sobrados que datam dos séculos XVIII e XIX; juntamente com o bairro da Cidade Velha, formam um Conjunto Arquitetônico e Centro Histórico de Belém, considerado um dos maiores e mais íntegros conjuntos urbanos do país tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2011. O bairro destaca-se também pela grande quantidade de praças, sendo o local com maiores áreas de praças.

A intensa atividade comercial na porção norte da Campina, causa uma pequena presença de moradores, o que torna o local soturno as noites e madrugadas (insegurança). Apesar do tombamento, ainda existem problemas que dificultam a conservação do patrimônio; o principal deles, é a má utilização da área, onde casarões seculares são ocupados por estabelecimentos comerciais que descaracterizam essas construções, com uso de placas publicitárias obstruindo as fachadas, causando poluição visual, além da presença de camelôs de forma indiscriminada. Há também casarões que estão sendo destruídos virando estacionamentos clandestinos e, abandono dos proprietários contribuem ainda mais para a depredação da memória da cidade.

Toponímia O topônimo "campina" foi devido a antiga formação geográfica da região, que inicialmente compreendia um terreno alagado e quase sem árvores próximo ao igarapé do Piry ou pântano. Para que está se tornasse apta a construções, foi necessário fazer vários aterramentos até que o solo ficasse firme, criando traçados tortuosos e desnivelados no bairro.

História miniaturadaimagem|250x250px|Incialmente o povoado era semelhante a uma ilha circundado pelo igarapé do Piry (alagado/pântano), que após aterrado ocorreu o crescimento dos bairros Inicialmente a cidade de Belém era uma ilha circundado pelo alagado do Piry e seus afluentes, separado do "continente" no contexto da Conquista do Pará (1615–1621) quando era apenas o povoado colonial português Feliz Lusitânia, onde ocorreu a fundação de Belém em 1616. A expansão do núcleo de ocupação belenense no Forte do Castelo para outras áreas em direção ao leste (os futuro bairros Cidade e Campina) ocorreu através de doações de terras aos colonos portugueses e as ordens religiosas. Com o crescimento da povoação, em 1626 o alagado/pântano do igarapé do Piry é transposto por uma ponte, surgindo assim na margem direita da baía um caminho com limite na aldeia do Una (a então praia da Campina), núcleo inicial da Campina posteriormente chamado de rua Direita dos Mercadores ou Direita da Cadeia (atual rua João Alfredo em ).

Em 1640, os mercedários (ordem religiosa espanhol) liderados pelo padres João da Mercê e Pedro de La Rua Cirne, à meio caminho entre a aldeia do Una e o bairro Cidade estabeleceram a Igreja das Mercês e o Convento dos Mercedários (), construida em taipa e coberta de palha (primeira instituição mercedária do Brasil), onde posteriormente desenvolveu-se o Largo das Mercês. Logo em seguida, os capuchinnhos (ordem religiosa italiana) junto com os indígenas fundaram a igreja e o Convento de Santo Antonio (atual Colégio Santo Antônio em ). Inicialmente a ocupação do bairro, que estava limitada a região próxima a então praia da Campina na baia do Guajará (posteriormente aterrada para criar a Rua da Praia, atual rua 15 de Novembro em ).

O interior do bairro da Campina era o alagadiço igarapé do Piry, que por muitos anos foi considerado um pântano, que somado ao pouco crescimento da população impediram a expansão da cidade. Por volta de 1676, colonos e agricultores açorianos chegaram na região e ajudaram a expandir o bairro, tendo assim a necessidade de abrir uma rua para abrigar os novos habitantes, denominada Rua São Vicente (atual rua Manoel Barata em ); a partir desse momento a cidade começa a apresentar um aumento populacional e o bairro começa a se distanciar do litoral com novas ruas. Na Campina a atividade comercial determinou este crescimento, formando o embrião do primeiro porto, que posteriormente em 1734 também seria o mercado de escravos, a cadeia e, o pelourinho da cidade. Nessa época, devido o crescimento populacional foram erguidas outras fortalezas para apoiar o Forte do Presépio, a Fortaleza da Barra e o Forte de São Pedro Nolasco (na atual Estação das Docas).

No século XVII a cidade de Belém ainda não era sede do governo, assim os governadores e os capitães-gerais alugavam as residencias dos moradores para repousar. Em seguida, ocuparam um palacete de pedra e cal nas próximidades do mercado do Ver-o-Peso, conforme registrado por Bettendorf em 1699, que foi chamado a "Casa da Residência" (residência oficial dos governadores), que era formado por 14 janelas com balaústres de madeira na fachada principal e três nas laterais. Um local que foi relevante na vida colonial, junto à mudança da sede do governo do Maranhão para o Pará neste mesmo século (XVIII).

Em 1803, a grande área do igarapé do Piry (em ) foi aterrado no governo do Conde dos Arcos, unindo a então ilha de "Santa maria de Belém do Grão-Pará" ao continente; o que determinou os rumos da evolução urbana da cidade, ocorrendo em seguida construções monumentais no bairro, principalmente pelas mãos do arquiteto Antonio Landi.

A principal atividade econômica de Belém no período colonial era a exportação de drogas do sertão, que eram determinadas especiarias extraídas das florestas, como castanha-do-pará, cupuaçu, canela, urucum e plantas medicinais. A única estrutura portuária da cidade neste período era a Doca do Ver-o-Peso, que atualmente é um grande complexo de mercados. Em 1774, a província do Grão-Pará foi desmembrada do Maranhão e a capital que antes era São Luís passou a ser Belém, fato que contribuiu ainda mais para o crescimento populacional. No início do século XIX o bairro ficou razoavelmente demarcado em dois setores: o Commércio, que era a parte litorânea e mais antiga do bairro e a Campina, a zona de aterramentos do Pântano de Piry. Entre 1835 e 1836 Belém tornou-se o theatrum da Guerra da Cabanagem, um levante popular revolucionário. Em 7 de janeiro de 1835 os rebeldes atacaram e ocuparam a capital da província em apenas um dia. Em agosto de 1835, os rebeldes invadiram a cidade novamente, e muitos embates e escaramuças foram travados pelas ruas e esquinas da cidade, inclusive no próprio bairro, luta essa que se estendeu por nove dias, encerrando após a retirada das tropas legalistas da cidade. O momento mais culminante dessa batalha foi o Embate dos Mercedários. Na época, o convento da Igreja das Mercês foi transformado em depósito de pólvora e armas, o que seria crucial para os cabanos. Durante o embate 800 cabanos morreram na ação, entre eles o líder Antônio Vinagre. Depois da evacuação das tropas imperiais, Belém foi sitiada e bombardeada até 13 de maio de 1836, quando Belém foi abandonada pelos cabanos e tropas legalistas retomaram a capital, a guerra pelo interior da província se estendera até 1840. miniaturadaimagem|250x250px|Rua Conselheiro João Alfredo no início do Século XX. Após a guerra, Belém estava devastada e teve sua economia enfraquecida, assim como outras cidades da província. Mas o advento da Revolução Industrial Francesa (1760-1830) impulsionou a comercialização da borracha na segunda metade do século XIX. Ocorreu o aterramento da área praiana da baia do Guajará, localizada próxima a alfândega comercial, para criação em 1848 da primeira via pública de trânsito do tipo boulevard, denominada Rua Nova do Imperador (atual Boulevard Castilhos França). Uma das primeiras vias largas da cidade projetada com uma preocupação paisagística influênciada pelo Art Nouveau.

Entre 1860 e 1920, acontece o maior surto econômico da região, gerada pela riqueza da produção da borracha. O apogeu de Belém transcorre entre 1890 e 1912, época em que as construções da cidade seguiam padrão europeu, principalmente com traços culturais ligados a França, este Ra o período da Belle Époque em Belém. O bairro ganhou grandes obras de urbanização durante o governo do Intendente Antônio Lemos, que realizou obras de saneamento, calçamento de ruas e a criação dos sistemas de bondes elétricos. Com o início do ciclo econômico da borracha, a Doca do Ver-o-Peso já não atendia a quantidade de navios e embarcações que vinham a Belém, com isso foi construído o Porto de Belém (1909), com estrutura de ferro importada da Inglaterra, os primeiros três galpões foram concluídos em 1909 em um trecho de 120 m de cais e um armazém de 2 000 m² para carga geral, onde hoje está localizado a Estação das Docas. Enquanto os barões da borracha e famílias abastadas construíam seus palacetes em bairros distantes como Nazaré, Umarizal e Batista Campos, a Campina se configurou como centro comercial de Belém, característica que carrega até os dias de hoje.centro|miniaturadaimagem|550x550px|Mapa da cidade de Belém na década de 1791, apresentando os dois primeiros bairros: Cidade e Campina.

Centro Histórico de Belém O tombamento patrimonial da Campina e a expansão da área urbana local com o surgimento de vários outros bairros, gerou a criação de novos pólos urbanos e novas áreas habitacionais mais atraentes (como o bairro de Nazaré), tornando o bairro uma área onde os empreendimentos imobiliários ficaram estagnados (leis municipais proíbem a construção de edifícios no local), porém o velho centro ainda sobressai sobre a maioria dos demais bairros, ganhando um aspecto mais comercial e turístico, atraindo grande números de pessoas que por ali circulam diariamente, seja para trabalhar no comércio, fazer feira, compras ou pagamentos.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o centro histórico de Belém é constituído pelos dois primeiros bairros da cidade: Cidade Velha e Campina, Juntos os dois bairros somam uma população de aproximadamente 18 284 moradores.