A linguística cognitiva abarca os linguistas adeptos de uma abordagem do estudo da língua que se baseia na percepção e conceitualização humana do mundo, ou seja, predominam os estudos sobre a semântica e os significados ao invés dos estudos da gramática ou descrição da línguaLANGACKER, Ronald W. A linguagem e sua estrutura. Petrópolis, RJ, Vozes, 1972 p.14 Segundo Chiavegatto inicialmente os estudos e as pesquisas com foco no significado, foram relegadas ao segundo plano, porque ainda não tinham sido encontrados critérios adequados para tratar cientificamente do inter-relacionamento entre as formas linguísticas, aspectos cognitivos e eventos sociais e culturais para a descrição do funcionamento da linguagem, os primeiros linguistas deram prioridade aos estudos com foco no significante, pois isto permitiria que a ciência da linguagem marcasse sua autonomia diante das demais ciências sócio-humanas modernas.CHIAVEGATTO, Valeria Coelho. Introdução à linguistica cognitiva. matraga, rio de janeiro, v.16, n.24, 77-96, jan./jun. 2009 https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/article/view/27797/19918 - Acesso Setembro, 2019

Desenvolvimento No século XX, a abordagem mais influente no estudo da linguagem foi o estruturalismo: os linguistas se interessaram muito pelos aspectos descritivos e meramente estruturais dos próprios sistemas linguísticos, tais como o sistema de sons e o sistema da gramática. Uma característica central do estruturalismo é que ele focaliza a estrutura interna da língua, e não o modo como a língua se relaciona com o mundo não linguístico. Nem a língua é vista como um sistema autônomo (como no estruturalismo), nem a faculdade da linguagem é vista como uma faculdade autônoma (como na abordagem da Gramática Gerativa). Alguns dos principais linguistas dessa corrente são George Lakoff, Ronald Langacker, Leonard Talmy e Gilles Fauconnier.

Para Chiavegatto (o.c.) foi com Edward Sapir em 1921, que a relação entre língua e cultura começou a ser estudada do ponto de vista da especificidade cultural e relação entre a língua e o povo que dela se utiliza para a comunicação.

Alguns estudiosos da Linguística Textual, influenciados pelos estudos da Cognição, especialmente pelas vertentes conexionistas, consideram que processos sociocognitivos são fundamentais nas atividades de linguagem. Entre eles, MONDADA L.; DUBOIS, D.; KOCH, I. V. G.; MARCUSCHI, L. A.; SCHWARZ, M. Para estes autores, a língua não é meramente um instrumento de representação do mundo, pois há uma dinâmica relação entre a linguagem, o mundo e os sentidos que emergem dessa relação. Para os adeptos desta abordagem, os “objetos” do mundo não espelham objetivamente a realidade das coisas, pois o signo linguístico não é imutável. Há que se considerar os contextos de produção e de recepção, os aspectos discursivos, interacionais, sociocognitivos e históricos da linguagem. Dessa forma, os objetos por meio dos quais os sujeitos compreendem o mundo são elaborados nas práticas discursivas situadas, ou seja, em contextos de interação linguística.

Nessa abordagem questões linguísticas e psicológicas estão estreitamente imbricadas, na medida em que todas duas são concernentes às práticas e aos discursos, cabendo a ressalva que tais pontos de vista devem ser diferenciadas a fim de evitar uma redução de um nível a outro. O fundamento comum de tais abordagens é a importância concedida à dimensão intersubjetiva das atividades linguísticas e cognitivas, responsáveis pela produção da ilusão de um mundo objetivo (da objetividade do mundo), “pronto” para ser percebido cognitivamente pelos indivíduos racionais.MONDADA, Lorenza. Construction des objets de discours et catégorisation: une approche des processus de référenciation. (Tradução: Mônica Magalhães Cavalcante) Rev. de Letras - N0. 24 - Vol. 1/2 - jan/dez. 2002 PDF Acesso Maio, 2014

Ligações externas Augusto Soares da Silva. A Linguística Cognitiva — Uma breve introdução a um novo paradigma em Linguística. Revista portuguesa de humanidades Acesso Maio, 2014 Lorenza MondadaAcesso Maio, 2014 Letícia Queiroz de Moraes. Processos cognitivos na constituição dos significados linguísticos. Anais do VI Congresso Nacional de Linguística e Filologia - 26 a 30 de agosto de 2002 (FEUDUC e UERJ) Acesso em maio de 2014

Categoria:Linguística