O idioma basco (euskara, ) é uma língua isolada ancestral dos bascos, povo nativo do País Basco, região que abrange as áreas da Comunidade Autónoma do País Basco, da Comunidade Foral de Navarra, ambas no norte da Espanha, e o departamento de Pirenéus Atlânticos, no sudoeste da França.

A língua possui 936.812 falantes fluentes, ou seja, pessoas que compreendem e falam o basco proficientemente (Euskaldunes) e 412.996 quase falantes (Cuasi-Euskaldunes), pessoas que compreendem o idioma, mas que possuem dificuldades ao falar na língua. O idioma é listado como em situação "vulnerável" pelo Atlas de línguas ameaçadas da UNESCO, porém, se encontra em um estado de renovação amplo, onde 70% dos nativos abaixo dos 30 anos são capazes de falar o idioma, em contraste com a população mais velha, onde 77,9% dos idosos com mais de 70 anos não tinham nenhum grau de conhecimento do idioma.

O mais antigo artefato com escritas em língua basca já encontrado é datado do século 1 a.C, sendo conhecido como Mão de Irulegi. Não se sabe ao certo a origem do idioma, porém já foi confirmado que o basco se trata da única língua pré-indo-europeia que sobrevive até os dias de hoje no continente europeu. Atualmente, além da versão padronizada criada no fim da década de 60 pela Euskaltzaindia, são cinco os dialetos bascos vivos: o biscaio, o guipuscoano e o alto navarrês, na Espanha, o navarrês-lapurdiano e o zuberoano, na França. Embora os nomes dos dialetos coincidam com os nomes das províncias bascas, as fronteiras dialetais não são iguais às fronteiras provinciais.

O basco é o único idioma isolado ainda vivo na Europa ocidental. Sua estrutura sintática é o SOV (sujeito-objeto-verbo). Tipologicamente, a sua morfologia-aglutinante e seu alinhamento ergativo-absolutivo tornam o basco um idioma gramaticalmente único na Europa. Por outro lado, é estimado que 40% de seu léxico seja atualmente emprestado de línguas românicas e seu sistema de escrita oficial é o alfabeto latino.

Etimologia Há apenas um endônimo para o basco (desconsiderando variações fonéticas de outras formas dialetais), euskara. Duas principais hipóteses a respeito da origem etimológica desse termo são discutidas. A primeira é de que o radical eus- seria alusivo ao nome dos Ausci, uma tribo aquitana identificada pelos romanos, com o sufixo -(k)ara ("jeito (de fazer algo)"). Portanto, "falar em euskara" seria "falar do jeito dos Ausci". Alfonso Irigoyen, por outro lado, afirma que o radical eus- é derivado do verbo do basco antigo enautsi "falar" (no basco moderno seria o verbo esan). Portanto, o significado de euskara seria algo como "jeito de falar". Uma evidência a favor dessa hipótese, segundo ele, se encontra no livro Compendio Historial, escrito em 1571 pelo escritor basco Esteban de Garibay, onde ele chama a língua basca de enusquera.

Já para os exônimos, em francês o idioma é chamado comumente de basque ou, mais recentemente, euskara. Já no espanhol existe uma grande variedade de termos espanhóis para designar a língua; atualmente, é chamado mais comumente de vasco, lengua vasca ou euskera. Tanto os termos vasco quanto o "basco" do português vêm do etnônimo latino Vascones, que por sua vez remonta ao termo grego antigo ουασκωνους (ouaskōnous), etnônimo criado por Estrabão em seu livro Geografia (23 d.C., livro III).

O termo "vasconço" (em espanhol, vascuence), derivado do latim vasconĭce, adquiriu conotações negativas ao longo dos séculos, e não é bem-visto pelos falantes do basco de maneira geral. Seu uso mais antigo foi documentado no século XIV, quando uma lei promulgada em Huesca decretava que o uso do árabe, hebraico ou do "vasconço" em ações de compra e venda seria punido com uma multa de 30 sols franceses.

Distribuição geográfica

O idioma se encontra majoritariamente restrito às províncias de Navarra, da Comunidade Autônoma Basca, na Espanha, e no departamento dos Pirenéus Atlânticos, na França. São aproximadamente 1,350 milhões de pessoas que possuem algum grau de conhecimento no idioma, sendo cerca de 950 mil fluentes e cerca de 400 mil falantes passivos no País Basco.

Fora da Europa, há algumas comunidades comunidades bascófonas em que se podem encontrar descendentes de segunda ou terceira geração de imigrantes bascos que preservaram seus dialetos originais ou fizeram híbridos de dialetos tradicionais. Um exemplo disso é a comunidade de origem basca no estado americano de Idaho que manteve o idioma vivo até os dias de hoje.

As diásporas bascas foram concentradas nos continentes americanos e nas Filipinas. Este movimento diaspórico é chamado de "oitava província" algumas vezes, fazendo alusão às sete províncias históricas do País Basco. Muitos bascos vieram durante a colonização da america espanhola enquanto navegadores ou membros do clero da Igreja Católica, como nos casos do Peru e da Venezuela

Dialetos

O idioma é dividido em cinco dialetos vivos: o biscaio, o guipuscoano, o alto navarrês, o navarrês-lapurdiano e o zuberoano. Há também uma versão centralizada do idioma, chamada de euskara batúa, que é usada em meios onde mais de um dialeto se encontram ou participam, como escolas, telejornais, eventos públicos e literatura.

Os dialetos modernos do basco possuem divergência dialetal baixa, tanto que conseguem estabelecer comunicação entre si sem o uso do euskara batúa na maioria dos casos, exceção apenas ao zuberoano e ao biscaio, que, por serem os dialetos das regiões mais ao leste e oeste da região, são menos compreensíveis para os demais falantes. Os dialetos bascos são novos em comparação com o idioma em si, é estimado que seu surgimento se deu durante o período da Idade Média, após a queda do Império Romano.

Há também dialetos transicionais, ou seja, regiões onde o dialeto falado não pode ser encaixado dentro de um grupo específico, pois possui características de mais que um dos principais grupos dialetais. Há quem chame isso de "sobreposição" entre dialetos. Dentre as variações transicionais mais relevantes do basco estão: A fala da parte norte do vale Deba (em Guipúscoa), que possui características do biscaio e do guipuscoano; a fala de Burunda (em Navarra), que entrelaça os dialetos biscaio, guipuscoano e alto navarrês; a fala do nordeste de guipuscoa, que junta os dialetos guipuscoano, o navarrês-lapurdiano e o alto navarrês; a variação região de Urdazubi-Zurgarramud (em Navarra), que liga o alto navarrês com o navarrês lapurdiano; há a região do vale Aezkoa (também em Navarra), que liga os mesmos dialetos em uma variação distinta; e a variação de Amikuze (nos Pirenéus-Atlânticos) que liga o zuberoano com o navarrês-lapurdiano. + Comparação de dialetos bascosEuskara batúaBiscaioAulestia, G. Basque English Dictionary University of Nevada Press, 1989GuipuscoanoAlto navarrês Camino, I. (ed) Nafarroako Hizkerak Nafarroako Euskal Dialektologiako Jardunaldia 1997 (PDF)Gaminde, Iñaki Aditza Ipar Goi Nafarreraz Udako Euskal Unibertsitatea, Pamplona (1985)Navarrês-LapudianoLafitte, Piarres (ed.) Grammaire Basque Pour Tous II - Le Verbe Basque Haize Garbia, 1981ZuberoanoCasenave-Harigile, J. Hiztegia II Eüskara - Français Hitzak 1993Portuguêsnaizzaradagarazaretediranazzaradagarazariediranaizzeradagerazeratediranaizza(r)adaga(r)aza(r)atedi(r)enaizzaredagarezaiztedi(r)enizziradagiraziraedira(eu) sou(tu) és(ele/ela) ésomos(vós) sois(eles/elas)são

Línguas pidgin de origem basca A língua basca possui duas línguas pidgin: pidgin basco-islandês e pidgin-algonquino. Ambas as línguas têm uma história em comum que remonta ao ou até mesmo antes, quando a caça intensiva de baleias no golfo da Biscaia teve como consequência a extinção da espécie. Os povos bascos eram conhecidos devido às suas técnicas inovadores de caça às baleias, mas tanto os franceses, como ingleses e holandeses também pescavam ao largo do mar Cantábrico e do golfo da Biscaia. Isso originou a extinção da espécie nessa zona e fez com que os bascos desenvolvessem técnicas e métodos para chegar aos mares setentrionais a fim de caçarem baleias e pescarem bacalhau, o que, posteriormente, tornou-os pioneiros na área. Quando um missionário jesuíta francês, Pierre Biard, chegou à costa oriental do Canadá, mais especificamente à Nova Escócia, foi surpreendido por nativos que o saudaram com palavras como adesquidex, que significava "bons amigos". Anos mais tarde, com um aprofundamento no conhecimento da língua e das suas origens, descobriu-se que adesquidex vem da palavra basca adiskide, que significa "amigo". Isto mostra uma força económica dos pescadores bascos que por ali passaram e criaram, espontaneamente, uma língua pidgin com os nativos das duas maiores ilhas da costa oriental do Canadá. Ainda hoje, em certa localidades de Terra Nova (Newfoundland) é possível encontrar nomes de ruas e localidades de origens bascas. A outra língua pidgin de origem basca é a pidgin basco-islandesa, também datada da mesma época. É uma língua criada também entre os locais islandeses e os pescadores bascos que chegaram às águas setentrionais em busca de baleias e bacalhau. Embora esta última tenha sido adaptada a normas germânicas, é claramente uma língua de léxico essencialmente basco.

História e classificação As evidências de habitação na região do atual País Basco se tornaram abundantes apenas a partir do período neolítico. Porém, só se encontram registros de assentamentos agrários nas montanhas a partir da idade do bronze. Com os primeiros sinais plausíveis de invasores só sendo encontrados na idade do ferro, é aí onde estima-se que houve as primeiras movimentações de indo-europeus para dentro do País Basco. No século 2 a.C os romanos começaram sua conquista da península ibérica, que foi concluída no final do século 1 a.C, o general Pompeu fundou a cidade de Pompeiópolis (atualmente Pamplona) em Navarra por volta do ano 75 a.C, até onde sabemos, essa foi a primeira cidade construída no País Basco.

Diferente de seus vizinhos ibérios e aquitanos, que lutaram diversas vezes em rebeliões contra o domínio romano, os bascos parecem ter aceitado a soberania romana sem objeções. Não há registros de qualquer luta nesse período de tempo no País Basco, e as relações parecem ter sido amigáveis, como possível ver na quantidade de palavras emprestadas do latim que o basco apresenta desde um período muito antigo.

Por volta do século IX os bascos começaram a formar Estados nacionais próprios, sendo o primeiro deles o território de Araba, que foi rapidamente absorvido para o Reino das Astúrias. No século X surgiu o señorio de Biscaia, e o señorio de Guipuzcoa surge no século seguinte, ambos conseguiram lidar com repetidas tentativas de anexação por parte das coroas das Astúrias e de Leão. Enquanto isso, os bascos franceses eram dominados pelo Ducado da Gasconha. No século XIII, tanto Biscaia quanto Guipuzcoa foram nominalmente incorporadas ao Reino de Castela, e na prática mantiveram grande parte de sua autonomia local. Assim iniciando um período próspero para os bascos (principalmente com a colonização das Américas enriquecendo as cidades portuárias bascas, que possuíam posicionamento privilegiado para o comércio triangular.) que duraria até as invasões napoleônicas.

Após o domínio de Napoleão, surge a constituição espanhola de 1812, que buscava estabelecer um regime centralizado e eliminar todas as diferenças em direitos e privilégios que tinham se estabelecido ao longo dos anos, Tais privilégios envolviam as províncias forais bascas, que o governo pressionou fortemente para a taxação e a obrigação do serviço militar na região, que foi isenta de tais obrigações durante séculos. Durante as décadas seguintes, a longa tradição de emigração por motivos econômicos foi reforçada, e um amplo número de bascos emigrou para o Novo Mundo, primeiro para a américa espanhola e depois para o Oeste dos Estados Unidos.