350px|thumb|Programa nuclear iraniano:* Usinas nucleares * Reatores de pesquisa * Outras instalações nucleares * Minas de urânio

O programa nuclear iraniano foi lançado na década de 1950, com a ajuda dos Estados Unidos, como parte do programa Átomos para a Paz. O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que proíbe o desenvolvimento dessas armas, porém garante o direito de dominar a tecnologia nuclear para fins pacíficos.Qual o problema de um Irã nuclear? . Por Salem Hikmat Nasser. Originalmente publicado em Valor Econômico, 23 de maio de 2006.Haidar, J.I., 2015."Sanctions and Exports Deflection: Evidence from Iran," Paris School of Economics, University of Paris 1 Pantheon Sorbonne, Mimeo

Até a Revolução Islâmica de 1979, o governo dos Estados Unidos apoiou os planos do Irã de ter acesso à tecnologia nuclear para fins pacíficos. No governo de Gerald Ford, os Estados Unidos apoiaram a intenção do Xá Reza Pahlavi no sentido de iniciar o programa nuclear iraniano, com assistência técnica norte-americana. Na época, o Chefe de Gabinete da Casa Branca era Dick Cheney, e o Secretário da Defesa era Donald Rumsfeld, que também participaram das negociações. Ambos serviram posteriormente ao governo Bush (Cheney como vice-presidente, e Rumsfeld como secretário da Defesa), período em que a controvérsia sobre o programa nuclear iraniano atingiu o seu ponto mais tenso, e o Irã chegou a ser considerado como o próximo alvo, depois da invasão do Iraque.

Após a Revolução, o governo do Irã abandonou temporariamente o programa, mas acabou por voltar a lançá-lo, embora com menor assistência ocidental. O programa actual, administrado pela Organização de Energia Atômica do Irã, inclui diversos centros de pesquisa, uma mina de urânio, um reactor nuclear e instalações de processamento de urânio que incluem uma central de enriquecimento. A primeira usina nuclear, Bushehr I, deveria ter começado a operar em 2009, mas isso não ocorreu. Também não há previsão para completar o reator de Bushehr II, embora seja prevista a construção de 19 usinas nucleares.

Em 14 de julho, o governo iraniano e as nações do P5+1 anunciaram a conclusão das negociações sobre o acordo em relação ao programa nuclear para retirar as sanções econômicas impostas ao país. Em troca, os iranianos aceitaram várias restrições de longo prazo em relação ao programa nuclear e inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. O governo do Irã afirma que seu programa de pesquisa nuclear tem fins civis e pacíficos.

Histórico Pré-Revolução Islâmica Em 1976, o presidente americano Gerald Ford forneceu Plutônio para as usinas nucleares iranianas. Segundo uma avaliação de 1974 da CIA afirmou que "Se [o Xá] chegar a governar até meados dos anos 1980 ... e se outros países [particularmente Índia] procederam com o desenvolvimento de armas não temos dúvida Irã vai seguir o exemplo".

Pós-Revolução Islâmica

O projeto nuclear de Bushehr estava a cargo da empresa alemã Kraftwerk Union AG, uma joint venture da Siemens AG e AEG Telefunken. Em janeiro de 1979, a Kraftwerk parou de trabalhar no projeto, deixando um reator 50% completo e outro 85% completo, alegando o não pagamento de 450 milhões de dólares adicionais. A companhia já tinha recebido 2,5 bilhões de dólares do contrato total, mas parou a construção sob pressão dos Estados Unidos.Nuclear Threat Initiative: Russia: Nuclear Exports to Iran: Reactors.Internationalization of the Nuclear Fuel Cycle: Goals, Strategies, and Challenges (2009). Nuclear and Radiation Studies Board (NRSB). Em 1979, o governo iraniano estava na iminência de ter armas nucleares.Imminent Iran nuclear threat? A timeline of warnings since 1979.

Em 1995, o Irã firmou um acordo com a Rússia para concluir Bushehr I mediante a instalação de um reator de água pressurizada VVER-1000 de 915MWe, até 2009 - o que efetivamente não aconteceu.

O Irã anunciou que está trabalhando em uma nova central nuclear de 360 MWe em Darkhovin e indicou seu interesse em desenvolver instalações de médio porte e explorar novas minas de urânio. O governo iraniano afirma que o objectivo do programa é desenvolver centrais nucleares e que planeia usá-las para gerar 6 mil MW de electricidade até 2010. Os governos dos Estados Unidos e de outras nações alegam que o programa é uma cobertura para uma tentativa de obter armas nucleares. O governo iraniano nega categoricamente tais acusações e insiste que exercerá o seu direito à tecnologia nuclear para fins pacíficos. UOL, 17 de junho de 2009. Não há justificativa técnica para seguir com investigação nuclear, diz Irã. De acordo com relatório do Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional,14 de janeiro de 2013, indicou que o Irã se encaminha para produzir material para construir pelo menos uma bomba nuclear para meados de 2014, em meio a sanções econômicas que afetam sua economia mas que não conseguem deter o programa nuclear. Baseando-nos na trajetória atual do programa nuclear iraniano, estimamos que poderá atingir sua capacidade crítica em meados de 2014", ressaltou a associação no relatório. Esta avaliação se baseia no crescimento das reservas de urânio enriquecido do Irã, na quantidade de centrífugas e em uma postura de não-cooperação mantida por Teerã frente à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).programa nuclear iraniano

Nos últimos meses de 2009, o Irã pediu assistência da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), visando obter combustível para seu reator de pesquisa, usado para produzir isótopos destinados a uso médico. Depois de obter a aprovação dos Estados Unidos, Rússia e França, a Agência promoveu um encontro em Viena, em outubro, para discutir o projeto, e preparou uma minuta de acordo para enriquecimento do urânio na Rússia e sua posterior transformação em combustível, a ser realizada na França. Dado o grau de desconfiança mútua, a minuta de acordo foi acrescida de várias cláusulas de garantias. O Irã pretendia que a troca fosse simultânea e feita em território iraniano. O Diretor Geral AEIA, Dr. Mohamed ElBaradei propôs que o urânio fracamente enriquecido (LEU) fosse embarcado para um terceiro país, possivelmente a Turquia, lá permanecendo sob custódia da Agência, até que o combustível fosse finalmente enviado ao Irã. A proposta foi aceita pelos EUA, Rússia e França. Introductory Statement to the Board of Governors, por Mohamed ElBaradei, Diretor Geral da AIEA. Viena, 26 de novembro de 2009.

Na época, o negociador do programa nuclear iraniano, Said Jalili, disse esperar que fosse firmado rapidamente um acordo com os ocidentais. "Teerã acolhe sempre de boa vontade as negociações com base no conjunto de suas proposições", declarou. Porém a Agência Internacional de Energia Atômica e o chamado grupo P5+1 (também chamado UE3+3, formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONUO Conselho de Segurança é composto por 15 membros, sendo 5 membros permanentes (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China), que têm direito de veto. Há outros 10 membros, rotativos e com mandatos de dois anos (Brasil, Turquia, Líbano, Bósnia e Herzegovina, Gabão, Nigéria, Áustria, Japão, México e Uganda). mais a Alemanha), condicionaram a negociação à suspensão das atividades de enriquecimento de urânio.Iran-Nucléaire: Espoir d'un accord rapid. Paris Match, 8 de novembro de 2009. O Irã acabou por rejeitar a proposta, alegando falta de garantias, e, em fevereiro de 2010, começou a produzir urânio enriquecido a 20%.Téhéran attend une réponse rapide à son offre d'échange d'uranium enrichi. Le Monde, 18 de maio de 2010.

Controvérsia Em entrevista à publicação alemã Freitag, Noam Chomsky declarou que "o Irã é percebido como uma ameaça porque não obedeceu às ordens dos Estados Unidos. Militarmente essa ameaça é irrelevante. Esse país não se comportou agressivamente fora de suas fronteiras durante séculos (...) Israel invadiu o Líbano, com o beneplácito e a ajuda dos Estados Unidos, até cinco vezes em trinta anos. O Irã não fez nada parecido".Der Freitag, 31 de março de 2010. Die Mullahs sind nicht lebensmüde. David Goessmann/Fabian Scheidler. Reproduzido por: Carta Maior, 20 de abril de 2010. Chomsky: o que está em jogo na questão do Irã .

Em discurso pronunciado a 11 de fevereiro de 2010, durante as comemorações do 31° aniversário da Revolução Islâmica, o presidente Ahmadinejad declarou que seu país havia iniciado a produção de urânio enriquecido a 20%, para uso civil. Globo.com, 11 de fevereiro de 2010. Presidente do Irã diz que país já tem capacidade para produzir urânio a 80% Disse também que, "em Natanz, temos capacidade de enriquecê-lo a mais de 20% e também a mais do que 80%, mas não faremos isso porque não precisamos", disse o presidente. Segundo relatório de Yukiya Amano, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica - cujos inspetores acompanham de perto a atividade nuclear no Irã -, a usina nuclear de Natanz tem apenas uma "cascata"Como enriquecer urânio (diagrama do processo) capaz de enriquecer urânio a 20%.DW-World.de, 11 de fevereiro de 2010.Presidente do Irã diz que país já tem urânio enriquecido a 20%

O urânio enriquecido a 80% já é considerado weapons-grade, isto é, um nível adequado à fabricação de armas nucleares, embora bombas atômicas normalmente usem material enriquecido a 90% ou mais. Little Boy, a primeira bomba atômica a ser usada em uma guerra e que foi lançada pelos Estados Unidos contra a cidade japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, continha 64 quilos de urânio enriquecido a 80%. O Irã garante que seus objetivos são pacíficos: medicina nuclear e geração de energia elétrica.Diário Catarinense, 12 de fevereiro de 2010. Urânio na dose para a bomba

Em 6 de abril de 2010, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, excluiu o Irã e a Coreia do Norte da nova doutrina nuclear americana. Segundo a doutrina, os Estados Unidos se comprometem a não usar armas nucleares contra os países que não possuam esse tipo de armamento e que respeitem as regras do TNP. O governo iraniano entendeu a exclusão como uma ameaça de ataque nuclear ao Irã e reagiu enviando uma carta à ONU, em 13 de abril. A carta denuncia formalmente Obama por chantagem, afirmando que a tanto a doutrina nuclear quanto o discurso do governo dos Estados Unidos revelam a intenção de recorrer a armas atômicas contra o Irã, que é signatário do TNP. "Os Estados Unidos, de maneira ilegítima, identificaram um país não nuclear como alvo de suas armas atômicas e preparam planos militares com esta base", diz o documento. Na mesma carta, o Irã reafirma seu compromisso com um mundo sem arsenais nucleares e exorta os países membros da ONU a promover a destruição total desses arsenais "pois é a única garantia contra o recurso a tais armas ou à ameaça de utilizá-las".France Press/Folha online, 14 de abril de 2010 Irã denuncia na ONU "chantagem nuclear" dos Estados Unidos Sanções do Conselho de Segurança thumb|Conselho de Segurança das Nações Unidas O Conselho de Segurança da ONU já adotou três resoluções de sanção contra o Irã para pressioná-lo a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio. Os Estados Unidos e seus aliados pressionavam para que houvesse uma quarta resolução desse tipo. Enquanto o P5+1 (França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Rússia e China) discutia o conteúdo dessa quarta resolução de sanções contra o Irã, o governo iraniano se manifestou preparado para reabrir as discussões sobre a troca de urânio iraniano, enriquecido a 3,5%, por urânio fabricado no exterior, enriquecido a 20%, conforme um acordo preexistente, apoiado pela Organização das Nações Unidas. As potências ocidentais viam o acordo como uma forma de retirar do Irã uma boa parte do seu urânio pouco enriquecido.Irã aceita mediação do Brasil para negociar acordo de troca de combustível nuclear. O Globo, 5 de maio de 2010.