Não confundir com fluorescência.
miniatura|Aloe hereroensis, com inflorescência sustentada por pedúnculo ramificado miniatura|Amorphophallus titanum tem a maior inflorescência não ramificada do mundo. Fotografia da planta em floração em 2000 no Fairchild Tropical Botanic Garden, em Miami, Flórida, nos Estados Unidos. miniatura|Racemo de Byrsonima tuberosa, planta do cerrado brasileiro
Em botânica, uma inflorescência é um grupo ou conjunto de flores disposto no caule de uma planta e formado por um ramo principal ou por um sistema de ramos. As inflorescências são classificadas pela disposição das flores no eixo principal, o pedúnculo, e pela sequência temporal da floração, que pode ser determinada ou indeterminada.
Morfologicamente, uma inflorescência é a parte modificada do sistema caulinar das espermatófitas na qual as flores se formam sobre o eixo da planta. As modificações podem envolver o comprimento e a natureza dos entrenós e a filotaxia, além de alterações nas proporções, compressões, dilatações, adnações, conações e reduções dos eixos principal e secundários.
Uma inflorescência também pode ser definida como a porção reprodutiva de uma planta que sustenta um conjunto de flores segundo um padrão específico.
Características gerais
As inflorescências são descritas por características como a disposição das flores no pedúnculo, a ordem em que florescem e a maneira como os agrupamentos florais se organizam. Essas categorias são aproximações, pois uma mesma planta pode combinar mais de um tipo. Como as flores participam da reprodução vegetal, as características das inflorescências resultam em grande parte da seleção natural.
O caule que sustenta toda a inflorescência recebe o nome de pedúnculo. O eixo principal acima do pedúnculo, no qual se inserem as flores ou os ramos secundários, é a raque. A haste de cada flor da inflorescência é o pedicelo. Uma flor que não pertence a uma inflorescência é chamada de flor solitária e sua haste também recebe o nome de pedúnculo. Cada flor de uma inflorescência pode ser chamada de florete, sobretudo quando é pequena e se encontra reunida em um agrupamento compacto, como num pseudanto. A fase de frutificação de uma inflorescência é a infrutescência. As inflorescências podem ser simples ou compostas, como as panículas. A raque pode assumir formas simples, compostas, umbeladas, espiciformes ou racemosas.
Em algumas espécies, as flores se desenvolvem diretamente no caule principal ou no tronco lenhoso, e não nos brotos principais da planta. Esse fenômeno é chamado de caulifloria e ocorre em famílias botânicas distintas. Uma forma extrema é a flagelofloria, na qual ramos longos e semelhantes a chicotes crescem do tronco principal em direção ao solo, podendo atingir o subsolo. As inflorescências se formam diretamente nesses ramos.
Flor terminal
Os órgãos vegetais podem crescer segundo dois esquemas, o monopodial ou racemoso e o simpodial ou cimoso. Nas inflorescências, esses padrões de crescimento recebem os nomes de indeterminado e determinado. A distinção depende da formação ou não de uma flor terminal e do ponto onde começa a floração.
Inflorescência indeterminada: crescimento monopodial, ou racemoso. A gema terminal continua crescendo e formando flores laterais. Não se forma uma flor terminal. Inflorescência determinada: crescimento simpodial, ou cimoso. A gema terminal forma uma flor terminal e deixa de crescer. Outras flores surgem depois a partir das gemas laterais.
As inflorescências indeterminadas e determinadas também são chamadas de inflorescências abertas e fechadas, respectivamente. O padrão indeterminado de disposição floral deriva do padrão determinado. Um mecanismo impede a formação da flor terminal nas inflorescências indeterminadas, e esse mecanismo surgiu independentemente em linhagens diferentes.
Numa inflorescência indeterminada não há uma verdadeira flor terminal, e o caule costuma apresentar uma extremidade rudimentar. Em muitos casos, a última flor verdadeira formada pela gema terminal, chamada flor subterminal, endireita-se e assume a aparência de uma flor terminal. Um vestígio da gema terminal pode permanecer visível acima dela.
Nas inflorescências determinadas, a flor terminal costuma ser a primeira a amadurecer, num desenvolvimento precoce, enquanto as demais tendem a amadurecer a partir da base do caule. Esse padrão recebe o nome de maturação acrópeta. Quando o amadurecimento começa no ápice do caule, a maturação é basípeta. Quando as flores centrais amadurecem primeiro, a maturação é divergente.
Filotaxia
Assim como as folhas, as flores podem se distribuir ao longo do caule segundo padrões distintos. Uma descrição mais detalhada desses arranjos encontra-se em filotaxia.
A disposição das folhas dentro dos botões recebe o nome de ptixia.
Quando uma flor ou um agrupamento floral se encontra na axila de um pedúnculo, a posição da bráctea em relação à haste que sustenta as flores pode ser expressa por termos próprios e servir como caráter diagnóstico.
Entre as posições típicas das brácteas estão:
Algumas plantas têm brácteas que subtendem a inflorescência, enquanto as flores se encontram em hastes ramificadas. As brácteas não estão unidas às hastes florais, mas podem estar adnatas ou presas ao caule principal. Adnação é a fusão de partes diferentes e não relacionadas. Quando as partes fundidas são do mesmo tipo, diz-se que estão conatas. Em outras plantas, as brácteas subtendem o pedicelo ou o pedúnculo de flores isoladas.
Entre as posições metatópicas das brácteas estão:
Quando a bráctea se prende à haste que sustenta a flor, seja o pedicelo ou o pedúnculo, ela é chamada de recaulescente. Em alguns casos, essas brácteas ou bractéolas são muito modificadas e parecem apêndices do cálice. A recaulescência é a fusão da folha subjacente com a haste que sustenta o botão, ou com o próprio botão, de modo que a folha ou bráctea fica adnada à haste floral. Quando a formação do botão se desloca para uma posição do caule claramente acima da folha subjacente, a condição é chamada de concaulescente.
Organização
Não há consenso único para a definição dos tipos de inflorescência. A classificação a seguir baseia-se em Morphologie der Blüten und der Blütenstände, de Focko Weberling, publicado em 1981. Os grupos principais são separados pelo padrão de ramificação. Dentro de cada grupo, são consideradas a interseção dos eixos e as modificações do modelo básico. As inflorescências podem ter muitas flores, sendo plurifloras, ou poucas, sendo paucifloras. Também podem ser simples ou compostas.
Inflorescências simples
miniatura|Inflorescência de floretes do disco sésseis formando o capítulo
Indeterminadas ou racemosas
As inflorescências simples indeterminadas são chamadas de racemosas. O principal tipo de inflorescência racemosa é o racemo, termo derivado do latim clássico racemus, "cacho de uvas".Oxford English Dictionary, verbete "raceme", acepção botânica 2. Os demais tipos racemosos podem ser derivados desse padrão por dilatação, compressão, espessamento ou redução dos eixos. Também existem formas intermediárias entre os tipos mais definidos.
Um racemo é uma inflorescência não ramificada e indeterminada, com flores pediceladas distribuídas ao longo do eixo. Uma espiga é um tipo de racemo cujas flores não possuem pedicelo. Um corimbo racemoso é uma inflorescência não ramificada e indeterminada, de topo plano ou convexo, porque os pedicelos externos se tornam progressivamente mais longos que os internos. Uma umbela é um tipo de racemo com eixo curto e pedicelos florais de comprimento semelhante, que parecem partir de um mesmo ponto. É característica das Umbelliferae. Um espádice é uma espiga de flores densamente dispostas em torno de um eixo e acompanhada ou envolvida por uma bráctea muito modificada, a espata. É característica da família Araceae. Uma cabeça floral ou capítulo é um racemo muito contraído, no qual as flores individuais sésseis ficam reunidas sobre um receptáculo alargado. É característica das Dipsacaceae. Um amento é uma espiga ou um racemo escamoso e geralmente pendente. Inflorescências cimosas ou compostas superficialmente semelhantes também recebem esse nome.
Determinadas ou cimosas
As inflorescências simples determinadas são chamadas de cimosas. O principal tipo é a cimeira, cujo nome deriva do latim cyma, no sentido de "broto de couve", por sua vez vindo do grego kuma, "algo inchado".Collins English Dictionary, 8.ª ed., 2006.Oxford English Dictionary, verbete "cyme", acepção botânica. As cimeiras podem ser divididas segundo o esquema abaixo.
Apenas um eixo secundário: monocásio As gemas secundárias se desenvolvem sempre no mesmo lado do caule: cimeira helicoidal ou botrix Os pedicelos sucessivos ficam alinhados no mesmo plano: drepânio As gemas secundárias se desenvolvem alternadamente no caule: cimeira escorpioide Os pedicelos sucessivos se distribuem em uma espécie de espiral: cíncino, característico de Boraginaceae e Commelinaceae Os pedicelos sucessivos seguem um trajeto em zigue-zague no mesmo plano: ripídio, encontrado em membros de Iridaceae Dois eixos secundários: cimeira dicásica O eixo secundário também é dicásico: dicásio, característico de Caryophyllaceae O eixo secundário é monocásico: cimeira escorpioide dupla ou cimeira helicoidal dupla Mais de dois eixos secundários: pleiocásio
Uma cimeira também pode ficar tão comprimida que assume a aparência de uma umbela. Em sentido estrito, esse tipo pode ser chamado de cimeira umbeliforme, embora normalmente seja chamado apenas de "umbela".
Outro tipo de inflorescência simples determinada é a cimeira racemiforme ou botrioide. Trata-se de uma estrutura semelhante a um racemo, mas com uma flor terminal, muitas vezes chamada incorretamente de "racemo".
Um racemo ou uma cimeira reduzidos que crescem na axila de uma bráctea recebem o nome de fascículo. Um verticilastro é um fascículo com estrutura de dicásio, comum entre as Lamiaceae. Verticilastros sucessivos com brácteas reduzidas podem formar uma inflorescência espiciforme, normalmente chamada de "espiga".
Inflorescências compostas
As inflorescências simples formam a base das inflorescências compostas, também chamadas de sinflorescências. Nelas, cada flor individual é substituída por uma inflorescência simples, que pode ser racemosa ou cimosa. As inflorescências compostas são formadas por caules ramificados e podem apresentar arranjos cuja relação com o ramo principal nem sempre é fácil de reconhecer.
Um tipo de inflorescência composta é a inflorescência dupla, na qual a estrutura básica se repete no lugar das flores individuais. Um racemo duplo, por exemplo, é um racemo em que cada flor foi substituída por outro racemo simples. O mesmo padrão pode se repetir e formar estruturas triplas ou de ordem superior.
Os racemos compostos podem terminar em um racemo final, sendo homeotéticos, ou não terminar dessa maneira, sendo heterotéticos. Um racemo composto é chamado com frequência de panícula, embora esse emprego difira da definição de Weberling.
As umbelas compostas são umbelas em que as flores individuais foram substituídas por umbelas menores, chamadas umbélulas. A haste que une as umbélulas laterais à haste principal recebe o nome de raio.
O tipo mais comum de inflorescência composta determinada é a panícula, no sentido usado por Weberling, também chamada de "cimeira paniculiforme". Trata-se de uma inflorescência determinada cuja ramificação se torna progressivamente mais intensa e irregular do ápice para a base, e na qual cada ramificação termina em uma flor.
O chamado corimbo cimoso é semelhante ao corimbo racemoso, mas tem uma estrutura paniculiforme. Outro tipo de panícula é a antela. A antela é um corimbo cimoso cujas flores laterais ficam acima das flores centrais.