Jeca Contra o Capeta é um filme brasileiro de 1975, do gênero comédia, dirigido por Pio Zamuner, produzido pela PAM Filmes e estrelado por Mazzaropi.
Sinopse Num vilarejo do interior, o bandido encrenqueiro Camarão é morto e as suspeitas recaem sobre Augusto, o filho do caipira Poluído. Agora a família terá de provar que o filho não é o responsável pelo crime. Enquanto isso, a notícia da aprovação da lei do divórcio provoca um tumulto entre os moradores locais e alegra uma viúva fazendeira, que nutre uma paixão por Poluído, embora este seja feliz no casamento. Recorrendo a uma série de chantagens, Dionísia fará de tudo para ter o caipira e sua família em suas mãos.
Elenco Mazzaropi como Poluído Geny Prado como Dona Poluição Roberto Pirillo como Augusto Néa Simões como Dionisía Polidoro Leonor Navarro como Dona Almeirinda Rose Garcia como Ritinha Macedo Neto como o falso Advogado Fausto Rocha Jr. como o hippie sósia de Jesus Cristo Carlos Garcia como Camarão Jair Talarico como Nardão Jorge Pires como Padre Cavagnole Neto como Delegado José Velloni como Justino Aparecida de Castro José Mauro Ferreira Élcio Rosa Aparecida dos Santos
Análise e temas Os principais temas explorados em O Jeca contra o capeta incluem:
Debate sobre o divórcio: A trama começa justamente com a repercussão da aprovação da Lei do Divórcio no Brasil. Embora a lei só tenha sido aprovada no país em 1977 (Lei nº 6.515/1977), o debate sobre o tema já ocupava espaço na sociedade brasileira durante toda a década de 1970. O assunto é tratado de forma cômica, mostrando diferentes opiniões da população do interior sobre as mudanças nos "tradicionais costumes". Valorização da família e da fidelidade conjugal: A tentativa da viúva Dionísia de conquistar o protagonista Poluído contrasta com a lealdade dele à esposa. O casamento aparece como um valor moral importante, típico das obras de Mazzaropi. Injustiça e crítica ao sistema jurídico: O filho de Poluído é acusado injustamente de assassinato, e a narrativa mostra as dificuldades enfrentadas por pessoas simples diante da polícia, da justiça e de indivíduos oportunistas. Religiosidade popular: No filme aparecem figuras associadas tanto ao diabo quanto a Jesus Cristo, mas sem um tratamento teológico profundo. A religiosidade é apresentada como parte do imaginário popular brasileiro, misturando humor, simbolismo e elementos do folclore. Embora o título faça referência ao "capeta", o antagonista central do filme não é uma figura demoníaca literal; Em uma leitura simbólica, o "capeta" representa as atitudes moralmente condenáveis presentes na comunidade — como a chantagem, a manipulação, a injustiça e a ganância — personificadas principalmente pelos personagens Dionísia, Camarão e o advogado. Assim, Mazzaropi desloca o mal do plano sobrenatural para o comportamento humano. Crítica aos costumes e à modernização: O filme retrata um Brasil rural em transformação, onde novas leis, mudanças sociais e comportamentos urbanos chegam ao interior e geram conflitos cômicos.
Recepção Rendeu Cr$ 15.258.957,70 e público de 2.602.630 espectadores, sendo o filme brasileiro com a maior bilheteria e público de 1975 e a segunda maior bilheteria entre as produções de Mazzaropi, perdendo apenas para seu antecessor, O Jeca Macumbeiro.
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