On Her Majesty's Secret Service é um romance de espionagem escrito pelo autor britânico Ian Fleming e o décimo primeiro livro da série James Bond. A história acompanha o agente secreto britânico James Bond enquanto procura pelo supervilão Ernst Stavro Blofeld, encontrando-o escondido nos Alpes da Suíça. Durante sua missão, Bond também conhece e se apaixona pela condessa Tracy di Vicenzo. Este romance é o segundo título da chamada "Trilogia Blofeld", que começou em Thunderball e conclui em You Only Live Twice. O livro foi publicado pela primeira vez no Reino Unido em 1º de abril de 1963 pela editora Jonathan Cape.
Fleming tinha experimentado com um formato diferente em The Spy Who Loved Me, seu livro anterior, mas acabou decidindo que sua obra seguinte seria escrita no seu estilo tradicional. O autor escreveu o livro durante os primeiros meses de 1962 em sua propriedade Goldeneye na Jamaica. Fleming, assim como em obras anteriores, usou experiências passadas e detalhes de pessoas que conhecia para poder criar muitos aspectos de On Her Majesty's Secret Service. A história lida com perturbação dos mercados e da economia envolvendo a interrupção no fornecimento de alimentos, com os temas de comida e bebidas sendo referenciados.
On Her Majesty's Secret Service foi um imediato sucesso comercial. As avaliações da crítica especializada britânica e estadunidense foram positivas, elogiando o retorno para um estilo mais tradicional de história de Bond. Foi adaptado em partes na revista Playboy, serializado no jornal Daily Express em 1963 e também adaptado como uma tira em quadrinhos no Daily Express entre 1964 e 1965. Foi adaptado para o cinema em 1969 como o sexto filme da série cinematográfica de James Bond, o único estrelado por George Lazenby. Foi adaptado também em maio de 2014 como um rádio-drama da BBC Radio 4 com Toby Stephens como Bond.
Enredo O agente secreto britânico James Bond está há mais de um ano envolvido na Operação Bedlam: a busca pela organização terrorista SPECTRE e seu líder, Ernst Stavro Blofeld, depois deles terem roubado duas bombas nucleares e tentado chantagear o Ocidente. Bond está convencido de que a SPECTRE não existe mais, ficando frustrado pela insistência do Serviço Secreto de Inteligência de que a busca continue e por seu fracasso pessoal em encontrar Blofeld. Ele elabora mentalmente uma carta de demissão.
thumb|esquerda|170px|O Colégio de Armas Bond, enquanto dirige pelo norte da França, encontra uma mulher chamada condessa Teresa "Tracy" di Vicenzo. Ele a reencontra em um cassino e paga suas dívidas de jogo. Bond a segue no dia seguinte e impede que ela cometa suicídio, mas ambos acabam capturados por capangas profissionais. São levados para o escritório de Marc-Ange Draco, o chefe do maior sindicato criminal da Europa. Tracy é a filha única de Draco, que acredita que o único modo de impedir outras tentativas de suicídios é para que ela se case com Bond. Draco oferece a Bond um dote de um milhão de libras esterlinas. Bond recusa, mas concorda em continuar em contato com Tracy depois dela passar por assistência médica.
Draco, à pedido de Bond, usa seus contatos para estabelecer que Blofeld está em algum lugar na Suíça. Bond volta para o Reino Unido para seguir outra pista: o Colégio de Armas descobriu que Blofeld assumiu a identidade do conde Balthazar de Bleuville e pediu uma confirmação formal do Colégio do seu título. Bond, sob o pretexto de que uma pequena abnormalidade física hereditária (ausência dos lóbulos das orelhas) precisa de confirmação pessoal, se faz passar por sir Hilary Bray, um representante do Colégio, para visitar o covil de Blofeld nos Alpes suíços. Ele finalmente conhece Blofeld, que passou por cirurgias plásticas para remover seus lóbulos e se esconder da polícia e serviços de segurança.
Bond descobre que Blofeld e sua ajudante Irma Bunt estão fazendo uma lavagem cerebral em um grupo de jovens mulheres britânicas e irlandesas para que realizem atques biológicos contra o Reino Unido e a Irlanda a fim destruir suas economias agrícolas. Bond foge perseguido por agentes da SPECTRE e Blofeld inicia uma avalanche que quase o pega. Bond acaba encontrando Tracy, que está em uma cidade na base da montanha porque seu pai lhe contou que Bond talvez estivesse na vizinhança. Bond está muito fraco para agir sozinho e Tracy o ajuda a fugir para um aeroporto. Ele fica encantado pela engenhosidade e obstinação dela, pedindo-a em casamento, que ela aceita. Bond volta para o Reino Unido e elabora um plano para capturar Blofeld.
Bond, com a ajuda do sindicato de Draco, ataca o covil de Blofeld. A instalação é destruída, mas Blofeld consegue escapar em um bobsleigh. Bond viaja para a Alemanha Ocidental e se casa com Tracy. Os dois partem para sua lua de mel de carro, mas são atacados por Blofeld e Bunt apenas algumas horas depois. Tracy é morta com um tiro.
Antecedentes e escrita thumb|240px|Goldeneye, onde Fleming escreveu todos os romances de James Bond O autor britânico Ian Fleming já tinha em janeiro de 1962 publicado nove livros protagonizados por sua criação James Bond anualmente desde 1953, oito romances e uma coleção de contos. Um décimo livro, The Spy Who Loved Me, estava sendo editado e preparado para publicação, que aconteceu no final de março de 1962. Fleming viajou para sua propriedade Goldeneye na Jamaica em janeiro de 1962 para escrever aquilo que se tornaria On Her Majesty's Secret Service. Ele seguiu sua prática de escrita usual, que ele posteriormente detalhou em um artigo para a revista Books and Bookmen: "Eu escrevo por cerca de três horas pela manhã ... e faço outra hora de trabalho entre seis e sete da noite. Nunca corrijo nada ou volto atrás para ver o que escrevi ... Pela minha fórmula, você escreve duas palavras por dia". Segundo o biógrafo John Pearson, o autor "teve tanto trabalho quanto sempre com o enredo".
Fleming tinha experimentado com um formato diferente em The Spy Who Loved Me, escrevendo a história como uma narrativa em primeira pessoa de uma mulher canadense quem Bond resgata de dois capangas. O autor decidiu retornar para sua fórmula tradicional em On Her Majesty's Secret Service. Ele realizou algumas pesquisas antes de deixar o Reino Unido para ir a Jamaica e entrou em contato com a Agência de Pesquisa de Escritores e Oradores para perguntar sobre "que partes do Reino Unido seriam os melhores alvos para quais bactérias, etc.", bem como encontrar alguém que poderia falar corso e dar informações sobre a Unione Corse. O romance foi escrito entre janeiro e fevereiro de 1962, ao mesmo tempo que Dr. No, o primeiro filme de Bond, estava sendo filmado ali perto. Fleming chegou a visitar as filmagens várias vezes e conheceu o elenco, chegando a convidá-los para jantar em Goldeneye junto com o dramaturgo Noël Coward, seu amigo e vizinho. Fleming ficou atraído pela atriz Ursula Andress e incluiu uma menção a ela no livro.
O primeiro rascunho tinha 196 páginas e era chamado de The Belles of Hell. Fleming posteriormente alterou o título depois de ser informado sobre a existência de um romance de navegação do século XIX chamado On Her Majesty's Secret Service, visto por seu amigo Nicholas Henderson no Portobello Road Market. Fleming achou que era o melhor rascunho que tinha escrito em sua carreira até então. Outras seções foram adicionadas depois dele ter voltado para o Reino Unido e realizado mais pesquisas sobre heráldica e guerra biológica. Robin de La Lanne-Mirrlees do Colégio de Armas em Londres o ajudou com informações e também desenhou o brasão de armas de Bond.
On Her Majesty's Secret Service é o segundo livro da "Trilogia Blofeld", ficando entre Thunderball, em que a SPECTRE é apresentada, e You Only Live Twice, em que Bond mata Blofeld. Blofeld apareceu em Thunderball, mas direcionou as operações à distância e nunca se encontrou com Bond. O primeiro encontro entre os dois personagens ocorre em On Her Majesty's Secret Service. Fleming deu poucas informações sobre datas dentro de suas obras, mas dois escritores identificaram linhas do tempo diferentes a partir de eventos e situações relatados dentro da série como um todo: John Griswold e Henry Chancellor, ambos os quais escreveram livros analisando as obras à pedido da Ian Fleming Publications. Chancellor colocou os eventos em 1961, já Griswold foi mais preciso e disse que a história ocorre entre setembro de 1961 e 1º de janeiro de 1962.
Segundo o escritor John Atkins, Fleming frequentemente era um autor formulaico, mas a morte de Tracy ao final da história mostrou que ele estava preparado para quebrar uma fórmula popular ao evitar um final feliz. O acadêmico Jerry Palmer achou que Fleming estava adotando uma convenção diferente para suspenses: o herói deve permanecer sozinho. Palmer afirmou que convenções determinavam que Tracy precisava morrer, comentando que "James Bond casado é uma contradição em termos".
Desenvolvimento Inspirações thumb|esquerda|240px|O Castelo Mittersill nos Alpes austríacos, a inspiração do Piz Gloria Fleming, assim como fez em todos os livros de Bond, usou no romance eventos e nomes de coisas em sua vida. Ele costumava visitar Kitzbühel na Áustria frequentemente na década de 1930 para esquiar, chegando uma vez a descer deliberadamente por uma encosta que tinha sido fechada por risco de avalanche. A neve cedeu atrás dele e uma avalanche começou, pegando-o no fim. O autor usou esse incidente como modelo para a fuga de Bond de Piz Gloria, o covil de Blofeld. Fleming ocasionalmente se hospedava no clube esportivo do Castelo Mittersill nos Alpes austríacos; os nazistas fecharam o clube em 1940 e o transformaram em um instituto de pesquisa para a chamada "ciência racial". Este centro de pesquisa pseudocientífica inspirou o centro de Blofeld em Piz Gloria.
A conexão de M com o almirante John Henry Godfrey, a inspiração do personagem, ficou ainda mais aparente quando Bond visita a casa de M. Bond toca no local o sino do , o último navio comandado por M; Godfrey comandou a mesma embarcação. O almirante foi o superior de Fleming na Divisão de Inteligência Naval na Segunda Guerra Mundial, sendo conhecido por seu temperamento belicoso e irascível. Fleming também usou o nome de Donald McLachlan, um ex-colega da mesma divisão.
O nome Hilary Bray era de um antigo colega do Colégio Eton com quem Fleming trabalhou na corretora de valores Rowe & Pitman. O título de "Sable Basilisk" foi inspirado no de "Rouge Dragon" do Colégio de Armas. Lanne-Mirrlees era o Rouge Dragon na época e pediu para que Fleming não usasse o título verdadeiro no livro. O autor usou um jogo de palavras para criar o novo título, usando o endereço de Lanne-Mirrlees, um apartamento na Rua Basil, e combinando-o com uma criatura parecida com um dragão, um basilisco. Os ancestrais de Lanne-Mirrlees geralmente não tinham os lóbulos das orelhas e Fleming usou esse atributo físico para Blofeld. Lanne-Mirrlees, durante sua pesquisa, descobriu que a linhagem dos Bonds de Peckham tinham o lema familiar de "O Mundo Não é o Bastante", com Fleming se apropriando dele para a família do seu Bond.
Fleming também usou referências históricas para os nomes de alguns personagens. Por exemplo, o nome de Marc-Ange Draco foi baseado em El Draco, o apelido espanhol dado para sir Francis Drake. O pano de fundo de Tracy di Vicenzo foi inspirado em Muriel Wright, uma amante do autor da época da guerra que morreu durante um ataque aéreo. A dor de Bond pela perda de Tracy reflete da dor de Fleming pela morte de Wright. O autor cometeu alguns erros, como Bond pedindo por meia garrafa de champanhe Pol Roger; Patrick Leigh Fermor, um amigo de Fleming, destacou que Pol Roger era o único champanhe da época que não era vendido em meias garrafas.
Personagens