The Man with the Golden Gun é um romance de espionagem escrito pelo autor britânico Ian Fleming e o décimo terceiro livro da série James Bond. A história acompanha o agente secreto britânico James Bond que, depois de desaparecer e ser considerado morto em uma missão no Japão, é enviado ao Caribe para matar o assassino profissional Francisco Scaramanga.
Fleming escreveu o romance nos primeiros meses de 1964 em sua propriedade Goldeneye na Jamaica, porém o fez sob grandes dificuldades por causa de sua saúde cada vez pior. Ele morreu em agosto enquanto o primeiro rascunho e o processo de edição estavam em andamento, deixando a história sem boa parte dos detalhes que o autor normalmente adicionava durante o segundo rascunho. A editora Jonathan Cape passou o manuscrito para o autor Kingsley Amis à procura de opiniões e conselhos, porém suas sugestões não foram usadas. A obra aborda a perturbação dos mercados e o declínio do Império Britânico.
The Man with the Golden Gun foi publicado no Reino Unido pela Jonathan Cape em 1º de abril de 1965, oito meses após a morte de Fleming. A recepção da crítica foi ruim por conta da falta de detalhes e polimento do romance, porém as resenhas foram educadas levando em conta a morte do autor. O livro mesmo assim foi um sucesso comercial. Foi serializado no jornal Daily Express e na revista Playboy ainda em 1965, enquanto no ano seguinte adaptado no formato de uma tira em quadrinhos. Foi vagamente adaptado em 1974 como o nono filme da série cinematográfica de James Bond, o segundo estrelado por Roger Moore.
Enredo Um ano depois do agente secreto britânico James Bond desaparecer durante uma missão no Japão, um homem afirmando ser Bond aparece em Londres exigindo se encontrar com M, o chefe do Serviço Secreto de Inteligência. Sua identidade é confirmada, mas durante a conversa Bond tenta matar M com uma pistola de cianeto. Descobre-se que Bond sofreu um ferimento na cabeça no Japão e desenvolveu amnésia. Ele viveu no Japão como um pescador por meses e então viajou para a União Soviética com o objetivo de descobrir sua verdadeira identidade. Os soviéticos fizeram uma lavagem cerebral em Bond e o enviaram para matar M ao voltar para o Reino Unido.
Bond é desprogramado é recebe a chance de novamente provar seu valor para a seção 00. M o envia para a Jamaica e lhe dá a missão aparentemente impossível de matar Francisco Scaramanga, um assassino profissional cubano que acredita-se ser o responsável pela morte de vários agentes secretos britânicos. Scaramanga é conhecido como "O Homem com o Revólver de Ouro" porque usa um Colt .45 revestido de ouro e que dispara projéteis expansivos com revestimento prateado e núcleo dourado.
Bond localiza Scaramanga em um bordel e consegue se tornar seu assistente pessoal sob o nome "Mark Hazard". Ele descobre que Scaramanga está envolvido no desenvolvimento de um hotel junto com um grupo de investidores formado por um sindicato de criminosos estadunidenses e a KGB. Scaramanga e os outros investidores também estão envolvidos em um esquema para desestabilizar os interesses ocidentais na indústria açucareira do Caribe e aumentar o valor da safra de açúcar cubano, contrabandear drogas para os Estados Unidos, contrabandear prostitutas do México para os Estados Unidos e operar cassinos na Jamaica que causarão conflitos entre os turistas e os habitantes locais.
Bond também descobre que seu amigo e aliado estadunidense Felix Leiter, um agente da CIA, também está trabalhando infiltrado na construção do hotel como um engenheiro elétrico, porém na verdade está instalando escutas na sala de reuniões de Scaramanga. Os dois descobrem que Scaramanga planeja matar Bond no final de semana. A verdadeira identidade de Bond é confirmada por um agente da KGB e Scaramanga faz novos planos para divertir os criminosos e o agente soviético ao matar Bond enquanto estão em um trem turístico pela marina. Bond consegue virar o jogo com a ajuda de Leiter e mata a maioria dos conspiradores. Scaramanga é ferido e tenta escapar pelo pântano, conseguindo pegar Bond desprevenido e atingindo ele com uma derringer de ouro escondida. Bond atira de volta e mata Scaramanga com vários tiros.
Antecedentes e escrita thumb|esquerda|240px|Goldeneye, onde Fleming escreveu todos os romances de James Bond O autor britânico Ian Fleming já tinha em janeiro de 1964 publicado anualmente desde 1953 onze livros protagonizados por sua criação James Bond: dez romances e uma coleção de contos. Um décimo segundo livro, You Only Live Twice, estava sendo editado e preparado para publicação, que aconteceu em abril de 1963. Fleming escreveu The Man with the Golden Gun em sua propriedade Goldeneye na Jamaica durante os meses de janeiro e fevereiro de 1964, finalizando-o no início de março. Sua saúde cada vez pior muito o afetou durante o processo de escrita e seu ritmo normal de duas mil palavras em quatro horas por dia caiu para pouco mais de uma hora de trabalho por dia. Ann Fleming, sua esposa, ficou preocupada com o efeito do trabalho sobre seu marido, escrevendo para seu irmão que "é doloroso ver Ian sofrer para dar à luz a Bond". O autor baseou o título do livro no romance The Man with the Golden Arm de 1949, escrito por Nelson Algren; ele também considerou usar Goldenrod e Number 3½ Love Lane.
Fleming voltou para o Reino Unido em março com um primeiro rascunho completo e escreveu para seu amigo e editor William Plomer dizendo que precisava de uma grande revisão. Também disse que "Este é, infelizmente, o último Bond e, mais uma vez, infelizmente, falo sério, pois realmente fiquei sem fôlego e entusiasmo". O autor estava revisando o manuscrito em maio e já tinha corrigido dois terços; escreveu a Plomer dizendo que ainda não tinha decidido "se publico em 1965 ou dou mais um ano de trabalho para que possa terminar com um estrondo em vez de um ganido". Fleming disse que "pessoalmente gostaria de levá-lo de volta para a Jamaica e pintar o lírio no ano que vem". O autor disse que, como este seria seu último romance de Bond, não queria "encurtar o peso dos meus fiéis leitores no último serviço". Ele ficou cada vez mais insatisfeito, mas foi persuadido por Plomer que o livro podia ser publicado. Fleming morreu de um ataque cardíaco em 12 de agosto. Seu obituário no The Times destacou que ele "tinha completado e estava revisando um novo romance, The Man with the Golden Gun".
Apesar da opinião de Plomer sobre o estado do manuscrito, a editora Jonathan Cape ficou preocupada o suficiente com a história para enviar o manuscrito para que fosse lido pelo autor Kingsley Amis. Ele foi pago 35 libras esterlinas e quinze xelins por suas opiniões e conselhos, porém suas sugestões acabaram não sendo utilizadas. A editora tomou essa medida porque achava que o romance não estava no padrão normal de qualidade de Fleming. O autor Raymond Benson comentou que faltava a The Man with the Golden Gun os ricos detalhes e descrições que normalmente estavam presentes nas obras de Fleming; ele sugeriu que esses elementos costumavam ser incorporados no segundo rascunho, com sua ausência demonstrando que trabalho adicional algum foi feito neste caso. O romance foi publicado postumamente oito meses após a morte do autor.
Fleming deu poucas informações sobre datas dentro de suas obras, mas dois escritores identificaram linhas do tempo diferentes a partir de eventos e situações relatados dentro da série James Bond: John Griswold e Henry Chancellor, ambos os quais escreveram livros analisando as obras à pedido da Ian Fleming Publications. Chancellor colocou os eventos de The Man with the Golden Gun em 1963, já Griswold foi mais preciso considerou que a história se passa entre novembro de 1963 e o final de fevereiro de 1964.
Desenvolvimento Inspirações Fleming, assim como fez em suas obras anteriores, usou eventos de seu próprio passado para elaborar elementos da história. Certa vez, enquanto estava em Kitzbühel na Áustria na década de 1930, seu carro bateu em um trem em um cruzamento e foi arrastado por 45 metros nos trilhos. O autor deste momento em diante passou a associar trens com morte, algo que o fez usar trens como elementos de enredo não apenas em The Man with the Golden Gun, mas também em Live and Let Die, Diamonds Are Forever e From Russia, with Love. Chancellor também considerou que Goldfinger foi uma das influências para The Man with the Golden Gun, com uma conferência de criminosos de gangues diferentes são usada em ambos os romances; nesses dois livros, bem como em Moonraker, Bond se disfarça e se infiltra atuando como o secretário do vilão.
O autor também usou nomes de pessoas que conhecia. Alan Ross, editor da The London Magazine, passou para Fleming os efeitos da eletroconvulsoterapia que Bond é submetido e, como agradecimento, o chefe da seção do Serviço Secreto de Inteligência na Jamaica foi nomeado Comandante Ross. Fleming usou o nome de Mark Nicholson, o secretário do Royal St George's Golf Club, para o representante da CIA no hotel. Tony Hugill, o plantador de açúcar mencionado no livro, é nomeado em homenagem a um membro da 30 Assault Unit, uma unidade de comandos formada por Fleming na Segunda Guerra Mundial, que administrou as plantações da Tate & Lyle nas Índias Ocidentais após a guerra. O vilão Francisco Scaramanga é nomeado a partir de George Scaramanga, um colega de Fleming do Colégio Eton com quem ele supostamente teve uma briga. O autor também usou o sobrenome de seu amigo Morris Cargill, um colunista do jornal The Gleaner, como o nome de um juiz da Suprema Corte Jamaicana ao final do livro.
Os efeitos de Dr. No e From Russia with Love, os dois filmes produzidos pela Eon Productions até então, foram refletidos neste livro pelo aumento dos dispositivos usados. Um destes foi a arma de veneno usada na tentativa de assassinato de M. Esta ideia foi tirada de Bohdan Stashinski, um espião soviético que deserdou em 1961. Stashinski foi julgado pelo assassinato dos nacionalistas ucranianos Lev Rebet e Stepan Bandera, afirmando que tinha usado uma pistola de pulverização de veneno para nos atos.
Personagens O protagonista de The Man with the Golden Gun é James Bond. Ele começa o romance tendo passado por uma lavagem cerebral pelos soviéticos, mas é logo desprogramado pelos britânicos. Amis considerou que "lavagem cerebral e deslavagem cerebral evidentemente cobraram seu preço, ... [como] em sua última aparição 007 é, infelizmente, mais do que nunca um homem sem qualidades". Benson considerou que o personagem tem uma personalidade diferente do que nas histórias anteriores e se parece com um robô, também destacando que os toques de humor mostrados por Bond nos romances anteriores desapareceu e que neste livro ele é mais frio e sem emoções. Benson também achou que o personagem não foi desenvolvido mais do que havia sido nos livros passados. Amis achou que a personalidade de Bond regenerou-se para "um estágio mais maduro".
O historiador Jeremy Black descreveu como a menção da Gestapo serve como um quadro de referência para os leitores, separando Bond dos métodos nazistas. Apesar de Bond ser descrito como um instrumento contundente, ele não é um assassino de sangue frio e precisa ser melhor do que tais inimigos e agir de uma maneira mais adequada para um herói britânico. O personagem, com a exibição desse senso moral, é retratado como um cavalheiro. Bond é nomeado para a Ordem de São Miguel e São Jorge ao final da missão, mas recusa e reflete sobre seu próprio nome, "um nome tranquilo, monótono e anônimo", que tinha sido o objetivo de Fleming quando nomeou o personagem.
O nome e título completos de M são revelados pela primeira vez no cânone de Bond em The Man with the Golden Gun, sendo eles "Almirante Sir Miles Masservy KCMG". M, apesar de ter sido alvo de uma fracassada tentativa de assassinato, não apenas perdoa Bond como o envia em mais uma missão.