Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias (em italiano: Teresa Cristina Maria Giuseppa Gaspare Baldassarre Melchiorre Gennara Francesca da Paola Donata Bonosa Andrea d'Avellino Rita Luitgarda Geltruda Venanzia Taddea Spiridione Rocca Matilde di Borbone delle Due Sicilie; Nápoles, – Porto, ), cognominada de "Mãe dos Brasileiros",; ; , foi a esposa do Imperador Pedro II e Imperatriz Consorte do Brasil de 1842 até a Proclamação da República, em 1889. Nascida como Princesa do Reino das Duas Sicílias, ela era filha do rei Francisco I, pertencente ao ramo italiano da Casa de Bourbon, e de sua esposa, a infanta Maria Isabel da Espanha, uma das irmãs mais novas da rainha Carlota Joaquina, avó paterna de seu marido. Ela patrocinou estudos arqueológicos na Itália e ajudou à Imigração italiana no Brasil.
Casou por procuração com Pedro II do Brasil em 1842. Existe a narrativa de que Dom Pedro II ficou insatisfeito com aparência simples de sua noiva, ao encontrá-la pela primeira vez, entretanto não condiz com o relato de quem esteve presente ao encontro. Eugênio Rodríguez, oficial da Marinha Napolitana que acompanhou a viagem d'além mar de Dona Teresa Cristina e fez um extenso relato da mesma, registrou que ao se encontrarem, ambos estavam bastante nervosos, e Pedro a abraçou, demonstrando sua ansiedade.
No casamento de Teresa Cristina e Pedro, ao contrário do que se dissemina, havia amor; as cartas de Teresa para Pedro transbordam isso, e Pedro a correspondia, pois mesmo na velhice custavam a se separar. Muito se diz que era passiva, entretanto, dentro do convívio familiar Teresa é tida como "controladora, e quer que tudo vá do seu jeito" como narra sua filha Leopoldina. Há cartas em que Teresa pede desculpas a Pedro pelo seu gênio. Teresa foi criada e educada como uma nobre que era, e os princípios dessa educação era respeito às instituições, consciente de seu papel como Imperatriz, resguardou-se de emitir opiniões, compartilhando suas opiniões sobre política com o marido, o que o auxiliou a tomada de decisões. O que mais contrastava na personalidade de Teresa Cristina era sua amabilidade e simplicidade. Mesmo sendo Imperatriz do Brasil, com uma educação primorosa, conseguia fazer qualquer um ficar à vontade em sua presença. Devido à sua personalidade, era tratada com respeito e a sua posição, na corte e em casa, esteve sempre assegurada. Dos quatro filhos que Teresa Cristina e Pedro tiveram, dois meninos morreram preturamente ainda na infância e sua filha a princesa Leopoldina de Bragança morreu de febre tifóide, precocemente aos 24 anos.
A Família imperial brasileira foi exilada em 1889, depois da Proclamação da República do Brasil por oficiais militares. Ser exilada de sua terra adotiva teve um efeito devastador em sua saúde e em seu espírito. Adoeceu, e em lamentação, morreu de uma paragem cardiorrespiratória no dia 28 de dezembro de 1889, na cidade do Porto, em Portugal. Foi muito amada e respeitada pelos seus súditos, em vida e depois de sua morte, e era respeitada até pelos republicanos que derrubaram o império. Teresa Cristina é bem vista por historiadores por causa de sua personalidade, comportamento irrepreensível e patrocínio da Cultura do Brasil.
Início de vida Nascimento miniaturadaimagem|esquerda|upright=0.8|Teresa Cristina, quando princesa, por Michele Albanesi, 1837. Teresa Cristina nasceu no dia no Palácio Real em Nápoles, Duas Sicílias. Era a décima segunda filha, a sétima menina, do então Duque de Calábria, Francisco, que três anos depois tornou-se o rei Francisco I das Duas Sicílias. Pertencia à Casa de Bourbon-Duas Sicílias através de seu pai, do ramo italiano da Casa de Bourbon. Era descendente do rei Luís XIV da França na linhagem masculina, através de seu neto o rei Filipe V da Espanha.
A mãe de Teresa Cristina era a infanta Maria Isabel de Bourbon, filha do rei Carlos IV de Espanha e uma das cinco irmãs mais novas de D. Carlota Joaquina, esposa do rei D. João VI de Portugal, avô paterno de seu marido. Por isso, Teresa Cristina era prima direta de D. Pedro I e prima em primeiro grau e meio de seu futuro esposo, D. Pedro II do Brasil, ou seja o Imperador do Brasil era seu primo-sobrinho, eles estavam ligados por estreitos laços familiares, então foi apresentado ao Papa Gregório XVI um pedido de dispensa especial, para poder finalizar o acordo matrimonial consanguíneo, obtida a dispensa, foi organizado o casamento por procuração, no 30 de maio de 1843, em Nápoles.
Seu pai morreu em 1830, diz-se que sua mãe a negligenciou depois de se ter casado em 1839 com o jovem oficial Francesco, Conde de Balzo de Duchi de Presenzano.
A historiografia conta que Teresa Cristina foi educada em isolamento, em num ambiente de superstição religiosa, intolerância e conservadorismo. Há descrições sobre ela evidenciando uma personalidade tímida e suave, ao contrário de seu implacável pai e de sua mãe impulsiva. Foi descrita como sendo um pouco apagada, tendo-se acostumado a ficar satisfeita com qualquer circunstância que viesse a encontrar.
Alguns historiadores mais recentes tiveram uma visão modificada tanto da corte napolitana, como um regime reacionário e até da passividade de Teresa Cristina. O historiador Aniello Angelo Avella afirma que a interpretação difamada dos Bourbon de Nápoles tem suas origens nas perspectivas geradas no século XIX depois da conquista das Duas Sicílias pelo Reino da Sardenha em 1861, durante a unificação italiana. É revelado em suas cartas pessoais que ela tinha um temperamento forte.
De acordo com Avella, Teresa Cristina não era uma mulher submissa e sim uma pessoa respeitadora do papel imposto pela ética e pelos valores da época.
Casamento Vincenzo Ramírez, embaixador das Duas Sicílias no Império Austríaco, se reuniu em Viena no início da década de 1840 com Bento da Silva Lisboa, 2.º Barão de Cairu, o enviado brasileiro encarregado de encontrar uma esposa para o jovem imperador D. Pedro II do Brasil. Até então, todas as casas reais procuradas mostraram-se reticentes já que temiam que Pedro II fosse desenvolver uma personalidade semelhante a de seu pai D. Pedro I, conhecido por sua inconsistência e por ter várias amantes. Ramírez não deu muita importância para a reputação do monarca e propôs a mão de Teresa Cristina ao imperador.; ; Por fazer parte de uma família grande, e assim capaz apenas de um dote, as perspectivas de casar a princesa com o imperador não podiam ser postas de lado tão facilmente.
miniaturadaimagem|upright=0.8|Teresa Cristina por José Correia de Lima, c. 1843. Aparentemente este retrato atraiu D. Pedro e o fez aceitar o casamento. Foi enviado a Pedro um retrato que muito embelezava a princesa, fazendo com que ele aceitasse a proposta.; ; ; Na verdade, quando o retrato é enviado, o casamento já havia sido fechado e a narrativa maledicente, no intuito de desrespeitar a imagem da última Imperatriz, insiste como se Pedro II houvesse sido enganado. De acordo com o historiador James McMurtry Longo, a pessoa no retrato não era Teresa Cristina. Um casamento por procuração foi realizado em Nápoles no dia , na verdade o casamento foi realizado em 1842, em que o imperador foi representado pelo príncipe Leopoldo, Conde de Siracusa e irmão da noiva.; Uma frota brasileira formada por uma fragata e duas corvetas partiu em 3 de março para as Duas Sicílias a fim de trazer a nova imperatriz até o Brasil.; Ela chegou ao Rio de Janeiro em 3 de setembro, junto a seu irmão o príncipe Luís, Conde de Áquila.; ; ; Pedro imediatamente correu para dentro do navio para receber a esposa. A multidão reunida aplaudiu esse gesto e canhões dispararam saudações. Teresa Cristina se apaixonou à primeira vista por seu marido.
miniaturadaimagem|esquerda|upright=1.0|Casamento por procuração da imperatriz d. Teresa Cristina (1822-1889), filha do rei Francisco I das Duas Sicílias e da infanta Maria Isabel da Espanha. miniaturadaimagem|esquerda|upright=1.0|Medalha comemorativa do casamento feita por Zéphyrin Ferrez , 1843. Pedro, então com dezessete anos, ficou claramente muito desapontado.; ; ; ; Suas primeiras impressões eram apenas de seus defeitos físicos e também o quanto sua aparência era diferente do retrato que haviam lhe enviado. Fisicamente ela tinha cabelos e olhos castanho escuro, era baixa, levemente acima do peso, andava mancando visivelmente e, apesar de não ser feia, era tampouco bonita.; ; ; ; De acordo com o historiador Pedro Calmon, Teresa Cristina não era manca, porém seu jeito estranho de andar era na verdade o resultado de pernas arqueadas que faziam com que ela se inclinasse para a esquerda e para a direita enquanto andava. Foram esmagadas as grandes expectativas de Pedro e ele deixou que seus sentimentos de revolta e rejeição aparecessem. Ele deixou o navio após um pequeno intervalo. Ela percebeu a desilusão do marido e começou a chorar, lamentando que "o imperador não gostou de mim!". A rejeição foi tão grande que ela pensou em se jogar no mar, e o evento tão traumático que ficou gravado em sua memória.; ;
Depois de se recuperar do primeiro encontro com Pedro, Teresa Cristina ficou decidida a fazer o possível para melhorar sua situação, escrevendo à família: "Sei que minha aparência é diferente da que havia sido anunciada. Farei todo o possível para viver de tal maneira que nada leve ao engano de meu caráter. Minha ambição será parecida à de Maria Leopoldina da Áustria, mãe de meu marido, e serei brasileira de coração em tudo que fizer". Apesar de um casamento por procuração já ter sido realizado, um extravagante casamento de estado ocorreu em 4 de setembro na Capela Real do Rio de Janeiro.; ; ;
Os brasileiros esperavam com ansiedade notícias de uma gravidez da imperatriz. Meses se passaram e Teresa Cristina permaneceu sem engravidar, levando a rumores sobre o motivo, dentre os quais um que dizia que o imperador era impotente. A verdade era que Pedro ainda sentia aversão pela esposa e não tinha nenhum desejo em consumar a união. Pela rejeição do marido, a imperatriz pediu permissão para voltar às Duas Sicílias. O imperador finalmente consentiu em ter relações sexuais com ela depois de ficar comovido por sua dor. Mesmo assim, sua atitude com ela inicialmente ainda se manteve fria.
Apesar do casamento ter começado de maneira ruim, Teresa Cristina sempre se esforçou para ser uma boa esposa. Sua constância para cumprir o seu dever e o eventual nascimento de filhos acabaram amolecendo a atitude de Pedro. Os dois descobriram interesses em comum, e suas preocupações e alegrias com os filhos acabaram criando um sentimento de felicidade familiar. Ao todo, a imperatriz deu à luz quatro filhos: D. Afonso Pedro em fevereiro de 1845, D. Isabel em julho de 1846, D. Leopoldina em julho de 1847 e D. Pedro Afonso em julho de 1848.
Imperatriz consorte Vida doméstica miniaturadaimagem|upright=0.8|Teresa Cristina e seus três filhos Isabel, Leopoldina e Pedro Afonso em 1849, por Ferdinand Krumholz. Teresa Cristina tornou-se uma parte vital da família e da Corte. Nunca preencheu o papel de amante romântica ou parceira intelectual, no entanto, a sua devoção ao imperador permaneceu firme, mesmo temendo ser suplantada. Sempre apareceu em público com o marido, que sempre a tratou com respeito e consideração. A imperatriz não foi rejeitada nem desprezada, porém a relação dos dois mudou. Com o tempo Pedro ficou mais maduro e seguro de si, afirmando sua força de caráter e poder, deixando de temer conspirações e aprendendo a discernir quando estava sendo manipulado passou a tratá-la mais como uma amiga íntima e companheira do que como esposa.