Maryland, também chamada de Marilândia em português, é um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na Região Nordeste do país. Maryland foi nomeada em homenagem à rainha Henriqueta Maria, francesa, esposa do rei Carlos I da Inglaterra.

Maryland foi uma das treze colônias que se rebelaram contra o domínio britânico na região. O cognome do estado é Old Line State, em homenagem às suas "tropas de linha" (troops of the line), que foram por várias vezes elogiadas por George Washington por sua excelente atuação na Guerra da Independência dos Estados Unidos.

O atual hino dos Estados Unidos, The Star-Spangled Banner, foi escrito por Francis Scott Key, um poeta amador que inspirou-se ao ver as tropas norte-americanas defendendo com sucesso um ataque de tropas navais do Reino Unido (à época, a maior potência militar do mundo) contra Baltimore, na guerra de 1812.

História Até 1775

Nativos americanos algonquinos viviam na região há aproximadamente dez mil anos atrás da chegada dos primeiros europeus à região que constitui atualmente o estado de Maryland. O primeiro europeu a explorar a região foi o espanhol Pedro Menéndez de Avíles, então o governador da colónia espanhola de Flórida, tendo explorado o que atualmente a Baía de Chesapeake, atualmente parte de Maryland, em 1572. O primeiro posto comercial foi fundado em 1631, pelo comerciante britânico William Claiborne, da Virgínia.

Em 1631, George Calvert, um nobre britânico, pediu à coroa britânica pelo direito de propriedade e governo da região da Baía de Chesapeake. Calvert era um nobre católico, e queria uma colônia nas Américas onde britânicos católicos, que eram altamente discriminados pelos britânicos em geral (que são em sua maioria protestantes), pudessem praticar sua religião. Seu pedido foi aceito pelo rei Carlos I da Inglaterra no ano seguinte. Porém, George Calvert morreria em abril do mesmo ano. Carlos I então cedeu ao filho de George Calvert, Cæcilius Calvert, a região, que foi nomeada de Maryland ("Terras de Maria"), em homenagem à Rainha Henriqueta Maria da França, esposa de Carlos I. Cæcilius também era um católico. Cæcilius enviou os primeiros colonos à colónia provincial de Maryland, que desembarcaram na região em 1634.

Cæcilius era um católico, mas era obrigado a obedecer aos costumes da Igreja Anglicana da Inglaterra. Porém, ele queria que católicos britânicos tivessem um lugar onde pudessem desfrutar de liberdade religiosa. Cæcilius fez de seu irmão Leonard o governador da colónia. Ao mesmo tempo, incentivava os colonos a sugerirem leis e auxiliar Leonard na administração da colónia. Em 1649, a Assembleia Colonial aprovou uma lei garantindo a todos os cidadãos da província o direito de liberdade religiosa, atraindo numerosos católicos de outras províncias americanas, em especial, da Virgínia.

William Claiborne e seu assentamento comercial faziam parte da colónia. Porém, Claiborne, um protestante, recusou-se a reconhecer a autoridade dos Calvert sobre a região. Em 1654, Claiborne liderou um grupo de protestantes que forçaram os Calvert a saírem do governo. Claiborne controlou Maryland até 1658, quando a coroa britânica forçou-no a ceder o governo novamente para os Calvert. Cæcilius pressionou a Assembleia Colonial a manter a lei que permitia a liberdade religiosa na colônia, e foi atendido. Porém, grupos protestantes não aceitavam um líder católico. Em 1689, novamente os Calvert perderam a posse da região, desta vez, para um grupo protestante chamado The Protestant Association, que exigiu ao governo britânico um novo governador, protestante, que foi enviado à região em 1691. Praticamente todas as igrejas católicas na província foram queimadas pelos protestantes, desde a primeira revolução liderada por Claiborne.

Os Calvert ganharam novamente a posse da região em 1715. A região passou a ser governada por Benedict Leonard Calvert, um protestante. Os católicos da província perderiam o direito a voto em 1718. Os Calvert continuariam a governar Maryland até o início da Guerra da Independência dos Estados Unidos. A população da colônia inglesa passou a crescer drasticamente após a década de 1750, com a prosperidade da indústria do tabaco.

1775—1900 Maryland participou ativamente ao longo da Revolução Americana de 1776. Oficiais da colônia atenderam à todas as Conferências Continentais. Na primeira delas, realizada em Filadélfia, os oficiais de Maryland suportaram ativamente um corte entre toda e qualquer relação comercial com os britânicos. Tropas de Maryland lutaram ativamente ao longo da guerra de independência, e Baltimore desempenhou papel essencial ao longo da guerra, como um polo industrial e fabricante de armas e suprimentos. Poucas batalhas ocorreram no estado, mas a braveza dos soldados de Maryland fizeram com que George Washington elogiasse constantemente as tropas de Maryland que lutaram ao longo da guerra contra os britânicos. Maryland ratificou a Constituição Americana em 28 de abril de 1788, tornando-se assim o oitavo estado a entrar à União. Em 1791, um pedaço retangular de terra ao sudeste do estado foi cedida ao governo para a construção da nova e atual capital americana, Washington, D.C.

Maryland foi atacada duas vezes por tropas britânicas durante a Guerra de 1812. Na primeira, os britânicos, em 1813, derrotaram uma força americana no norte do estado, para posteriormente prosseguirem em direção à capital Washington, DC, onde as tropas britânicas queimaram diversas estruturas governamentais americanas. Estas mesmas tropas britânicas prosseguiram em direção à Baltimore. Esta foi cercada por terra e mar por forças terrestres e navais britânicas. Mas os americanos defenderam com sucesso a cidade. Francis Scott Key, um poeta amador que testemunhara a defesa da cidade, inspirou-se nas imagens da batalha para escrever o atual hino americano, The Star-Spangled Banner.

250px|right|thumb|Pintura da Batalha de Antietam, Guerra Civil Americana

Baltimore tornou-se um dos maiores centros industriais do país durante as primeiras décadas do século XIX. A cidade tornou-se o maior fabricante de navios durante a década de 1840 nos Estados Unidos, e também um grande fabricador de trens a vapor. Foi aqui onde a primeira locomotiva a vapor americana foi construída. Porém, a economia do estado ainda dependia em parte da agricultura. Maryland suportava a prática do trabalho escravo. Em 1861, a Guerra Civil Americana teve início. A população do estado estava dividida. Muitos queriam a sua secessão da União e a união do estado com o recém-formado Estados Confederados da América - de cunho escravista. Outros, por sua vez, queriam que o estado permanecesse na União - os estados do norte industrializado dos Estados Unidos, ou os Estados Unidos propriamente dito, que eram contra a escravidão.

A União não perdeu tempo esperando se Maryland continuava na União ou passava para a Confederação. Isto porque o estado de Virgínia foi um dos estados que secederam dos Estados Unidos. Caso Maryland secedesse também, a capital americana, Washington, D.C., localizada entre Maryland e Virgínia, estaria completamente cercada pela Confederação. Tropas da União invadiram Maryland logo no início da guerra, e o estado participou ao longo da Guerra Civil Americana como um estado do norte. Vários homens do estado lutaram do lado da União. Porém, muitos outros fugiram de Maryland e juntaram-se às tropas da Confederação. Maryland foi palco de numerosas batalhas, dos quais destaca-se a Batalha de Antietam, onde morreram em um único dia mais de 22 mil soldados (12 mil nortistas e 10 mil sulistas). Em 1864, Maryland aprovou uma nova Constituição que abolia a escravidão e adotava penas severas aos cidadãos que haviam suportado a Confederação.

1900— Tempos atuais

Maryland prosperou economicamente durante as primeiras décadas do século XX, especialmente nos anos da Primeira Guerra Mundial. Baltimore, então a maior fabricante de navios militares dos Estados Unidos, tornou-se um grande centro portuário com a construção de diversas fábricas na cidade, bem como de uma base militar.

Em 1919, o Congresso americano aprovou uma lei que proibia a produção, venda, compra e transporte de bebidas alcoólicas. A maioria da população do estado era contra esta medida, e vários líderes políticos destacaram-se como críticos e oponentes desta lei, considerando esta uma violação de seus direitos estatais. Como consequência, o estado passou a ser conhecido como The Free State ("O Estado Livre"), sendo que este cognome é usado ainda atualmente, como uma homenagem às tradições de liberdade política e religiosa do estado.

A Grande Depressão afetou seriamente a economia do estado. Várias empresas faliram, várias fábricas fecharam, e muitos trabalhadores tornaram-se desempregados. Baltimore, uma cidade primariamente industrial, foi muito afetada pela Depressão. Em 1933, mais de 40% da população da cidade estava desempregada. Para minimizar os efeitos da Depressão, o estado criou programas de ajuda social e construiu numerosos abrigos para abrigar os vários sem-teto do estado, sem abrigo porque não tinham como arcar com os custos de aluguel.

A economia do estado recuperou-se com o início da Segunda Guerra Mundial. Os anos da segunda guerra mundial foram anos de grande desenvolvimento industrial no estado, e o êxodo rural, isto é, migração da população rural para cidades, aumentou drasticamente. No final da guerra, Maryland tornara-se um estado primariamente urbano e industrial. A industrialização e urbanização do estado continuaram nas décadas após o fim da guerra. O estado também passou a receber grandes números de afro-americanos procedentes dos estados do Sul, que instalaram-se primariamente em Baltimore. Como consequência, muitas famílias brancas mudaram-se de Baltimore para subúrbios próximos.

Até 1954, as escolas de Maryland eram segregacionistas, com escolas para brancos e outras, geralmente de menor qualidade, para afro-americanos. Porém, neste ano, o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos julgou que tal segregação era inconstitucional. Baltimore uniu seu sistema escolar imediatamente, mas em outras cidades, menos povoadas e de população primariamente branca, a dessegregação demorou muito mais tempo para, até três décadas em algumas pequenas cidades do interior.

Após a década de 1960 em diante, muitas das indústrias de manufaturação moveram-se para outros estados que dispunham de mão-de-obra mais barata. A indústria naval e ferroviária do estado, anteriormente a maior fonte de renda de Maryland, praticamente desapareceu, após o fechamento de numerosas fábricas e a mudança de várias outras para outros estados do Sul. Atualmente, a indústria de manufaturação pouco contribui à economia do estado, dominada atualmente pelo comércio e serviços.

Em 1985, o governo de Maryland começou um programa de limpeza das águas da Baía de Chesapeake, à época altamente poluídas. Este programa possui apoio dos estados de Virgínia, Pensilvânia e Delaware, bem como o Distrito de Colúmbia. Prevê-se que este programa esteja finalizado em torno de 2010.

Geografia 250px|right|thumb|Vista do Rio Susquehanna Maryland limita-se ao norte com a Pensilvânia, ao oeste com a Virgínia Ocidental, a leste com Delaware e o oceano Atlântico e, ao sul, separados através do rio Potomac, com a Virgínia. Próximo ao centro do estado, às margens do rio Potomac, localiza-se a capital norte-americana, o Distrito de Columbia. A baía de Chesapeake quase divide o estado em dois. Contando-se o rio Susquehanna, que desemboca na baía, o estado efetivamente está dividido em dois.