Capitalismo é um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção e sua exploração com fins lucrativos.Chris Jenks. Core Sociological Dichotomies. Londres, Inglaterra, Reino Unido; Thousand Oaks, California, US; New Delhi, India. SAGE. p. 383. As características centrais deste sistema incluem, além da propriedade privada, a acumulação de capital, o trabalho assalariado, a troca voluntária, um sistema de preços e mercados competitivos.Heilbroner, Robert L. "Capitalism". Steven N. Durlauf and Lawrence E. Blume, eds. The New Palgrave Dictionary of Economics. 2nd (Palgrave Macmillan, 2008) Louis Hyman and Edward E. Baptist (2014). American Capitalism: A Reader. Simon & Schuster. . Em uma economia de mercado, a tomada de decisão e o investimento são determinados pelos proprietários dos fatores de produção nos mercados financeiros e de capitais, enquanto os preços e a distribuição de bens são principalmente determinados pela concorrência no mercado.

Economistas, economistas políticos, sociólogos e historiadores adotaram diferentes perspectivas em suas análises do capitalismo e reconheceram várias formas dele na prática. Estas incluem o capitalismo de livre-mercado ou laissez-faire, capitalismo de bem-estar social e capitalismo de Estado. Diferentes formas de capitalismo apresentam diferentes graus de mercados livres, propriedade pública, obstáculos à livre concorrência e políticas sociais sancionadas pelo Estado. O grau de concorrência nos mercados, o papel da intervenção e da regulamentação e o alcance da propriedade do Estado variam nos diferentes modelos de capitalismo.Macmillan Dictionary of Modern Economics, 3rd Ed., 1986, p. 54. A maioria das economias capitalistas existentes são economias mistas, que combinam elementos de mercados livres com intervenção estatal e, em alguns casos, planejamento econômico.Stilwell, Frank. “Political Economy: the Contest of Economic Ideas.” First Edition. Oxford University Press. Melbourne, Australia. 2002.

As economias de mercado existiram sob muitas formas de governo, em diferentes momentos históricos, lugares e culturas. No entanto, o desenvolvimento das sociedades capitalistas marcado por uma universalização das relações sociais baseadas no dinheiro, uma classe de trabalhadores assalariados consistentemente abrangente e uma classe que domina o controle da riqueza e do poder político desenvolveu-se na Europa Ocidental em um processo que levou à Revolução Industrial. Os sistemas capitalistas com diferentes graus de intervenção direta do governo tornaram-se dominantes no mundo ocidental e continuam a se espalhar.

O capitalismo foi criticado por estabelecer o poder nas mãos de uma classe minoritária que existe através da exploração de uma classe trabalhadora majoritária; por priorizar o lucro sobre o bem social, os recursos naturais e o meio ambiente; e por ser um motor de desigualdades e instabilidades econômicas. Os defensores argumentam que o sistema proporciona melhores produtos através da concorrência, cria um forte crescimento econômico, produz produtividade e prosperidade que beneficia grandemente a sociedade, além de ser o sistema mais eficiente conhecido para alocação de recursos.

Etimologia Outros termos algumas vezes utilizados para se referir ao capitalismo: Modo de produção capitalista Liberalismo econômico Economia de livre-empresa"free enterprise." Roget's 21st Century Thesaurus, Third Edition. Philip Lief Group 2008. Mercado livre "...based on voluntary cooperation, free exchange, or mutual aid." Economia laissez-faireBarrons Dictionary of Finance and Investment Terms. 1995. p. 74 Economia de mercado Merriam-Webster Unabridged Dictionary Liberalismo de mercado Mercado auto-regulador

A palavra capital vem do latim capitale, derivado de capitalis (com o sentido de "principal, primeiro, chefe"), que vem do proto-indo-europeu kaput significando "cabeça".Etymology of "Cattle" Capitale surgiu em Itália nos séculos XII e XIII (pelo menos desde 1211) com o sentido de fundos, existências de mercadorias, somas de dinheiro ou dinheiro com direito a juros. Em 1283 é encontrada referindo-se ao capital de bens de uma firma comercial.

O termo capitalista refere-se ao proprietário de capital, e não ao sistema econômico, e o seu uso é anterior ao do termo capitalismo, datando desde meados do século XVII. O Hollandische Mercurius usa o termo em 1633 e 1654 para se referir aos proprietários de capital. David Ricardo, na sua obra Principles of Political Economy and Taxation (1817), usa frequentemente a expressão "o capitalista".Ricardo, David. Principles of Political Economy and Taxation. 1821. John Murray Publisher, 3rd edition.

Samuel Taylor Coleridge, poeta inglês, usou o termo capitalista em seu trabalho Table Talk (1823).Samuel Taylor Coleridge. Tabel The Complete Works of Samuel Taylor Coleridge. page 267. Pierre-Joseph Proudhon usou o termo capitalista em seu primeiro trabalho, O que é a propriedade? (1840) para se referir aos proprietários de capital. Benjamin Disraeli usou o termo capitalista em seu trabalho Sybil (1845). Karl Marx e Friedrich Engels usaram o termo capitalista (Kapitalist) em O Manifesto Comunista (1848) para se referir a um proprietário privado de capital.

O termo capitalismo surgiu em 1753 na Encyclopédia, com o sentido estrito do "estado de quem é rico". No entanto, de acordo com o Oxford English Dictionary (OED), o termo capitalismo foi usado pela primeira vez em inglês pelo escritor William Makepeace Thackeray em seu trabalho The Newcomes (1854-1855), onde significa "ter a posse do capital".James Augustus Henry Murray. "Capitalism" page 94. Ainda segundo o OED, Carl Adolph Douai, um socialista teuto-estadunidense e abolicionista, usou o termo capitalismo privado em 1863.

O uso inicial do termo capitalismo em seu sentido moderno foi atribuído a Louis Blanc, em 1850, que definiu o termo na frase “O que eu chamaria de 'capitalismo' é a apropriação do capital por poucos, em detrimento da maioria.”, e Pierre-Joseph Proudhon, em 1861.Braudel, Fernand. The Wheels of Commerce: Civilization and Capitalism 15-18 Century, Harper and Row, 1979, p.237 Marx e Engels foram os primeiros a referirem-se ao sistema capitalista (kapitalistisches System)Karl Marx. Chapter Twenty-Five: The General Law of Capitalist Accumulation. Das Kapital.

e ao modo de produção capitalista (kapitalistische Produktionsform) em Das Kapital (1867).Saunders, Peter (1995). Capitalism. University of Minnesota Press. p. 1 O uso da palavra "capitalismo" em referência a um sistema econômico aparece duas vezes no Volume I de O Capital, p. 124 (Edição alemã) e, em Theories of Surplus Value, tomo II, p. 493 (Edição alemã).

História Mercantilismo

esquerda|thumb|Uma pintura de um porto francês de 1638, no auge do mercantilismo. O período entre os séculos XVI e XVIII é comumente descrito como mercantilismo. Associa-se este período à exploração geográfica da Era dos Descobrimentos por parte de mercadores, especialmente da Inglaterra e dos Países Baixos; à colonização europeia das Américas; e ao rápido crescimento do comércio exterior. O mercantilismo foi um sistema de comércio com fins lucrativos, embora as commodities ainda fossem em grande parte produzidas por métodos de produção não-capitalista.

Enquanto alguns estudiosos veem o mercantilismo como o primeiro estágio do capitalismo, outros argumentam que o capitalismo não surgiu até mais tarde. Por exemplo, Karl Polanyi, observou que "o mercantilismo, com toda a sua tendência para a comercialização, nunca atacou as salvaguardas que protegeram [os] dois elementos básicos do trabalho de produção e da terra de se tornar os elementos do comércio"; assim atitudes mercantilistas para o regulamento da economia estão mais próximas das atitudes feudais, "eles discordavam apenas sobre os métodos de regulação."

Além disso, Polanyi argumentava que a marca do capitalismo é a criação de mercados generalizadas para o que ele referia como "mercadorias fictícias": terra, trabalho e dinheiro. Assim, "não foi até 1834 um mercado de trabalho competitivo, com sede na Inglaterra, portanto, não pode-se dizer que o capitalismo industrial, como um sistema social, não existiu antes desta data".Polanyi, Karl. The Great Transformation. Beacon Press, Boston.1944.p87

Evidências de comércio mercante de longa distância, orientado e motivado pelo lucro foram encontradas já no segundo milênio a.C., com os antigos mercadores assírios.Warburton, David, Macroeconomics from the beginning: The General Theory, Ancient Markets, and the Rate of Interest. Paris: Recherches et Publications, 2003.p49 As primeiras formas de mercantilismo da época formaram-se já no Império Romano e, quando este expandiu-se, a economia mercantilista também foi ampliada por toda a Europa. Após o colapso do Império Romano, a maior parte da economia europeia passou a ser controlada pelos poderes feudais locais e mercantilismo entrou em declínio. No entanto, o mercantilismo persistiu na Arábia. Devido à sua proximidade com países vizinhos, os árabes estabeleceram rotas de comércio para o Egito, Pérsia e Império Bizantino. Como o islã se espalhou no século VII, o mercantilismo espalhou-se rapidamente para a Espanha, Portugal, Norte da África e Ásia. O sistema mercantilista finalmente retornou à Europa no século XIV, com a propagação mercantilista de Espanha e Portugal.The Rise of Capitalism

Entre os princípios fundamentais da teoria mercantilista estava o bulionismo, uma doutrina que salientava a importância de acumular metais preciosos. Mercantilistas argumentavam que o Estado devia exportar mais bens do que importava, para que os estrangeiros tivessem que pagar a diferença de metais preciosos. Teóricos mercantilistas afirmavam que somente matérias-primas que não podem ser extraídas em casa devem ser importadas e promoveram os subsídios do governo, como a concessão de monopólios e tarifas protecionistas, que foram necessários para incentivar a produção nacional de bens manufaturados.

thumb|Robert Clive após a Batalha de Plassey. A batalha começou o domínio da Companhia Britânica das Índias Orientais na Índia.

Comerciantes europeus, apoiados por controles, subsídios e monopólios estatais, realizaram a maioria dos seus lucros a partir da compra e venda de mercadorias. Nas palavras de Francis Bacon, o objetivo do mercantilismo era "a abertura e o bem-equilíbrio do comércio, o apreço dos fabricantes, o banimento da ociosidade, a repressão dos resíduos e excesso de leis suntuárias, a melhoria e administração do solo; a regulamentação dos preços…".Quoted in Sir George Clark, The Seventeenth Century (New York: Oxford University Press, 1961), p. 24.

Práticas semelhantes de arregimentação econômica tinham começado mais cedo nas cidades medievais. No entanto, sob o mercantilismo, dada a ascensão contemporânea do absolutismo, o Estado substituiu a corporações locais como regulador da economia. Durante esse tempo, as guildas funcionavam essencialmente como um cartel que monopolizava a quantidade de artesãos que ganham salários acima do mercado.Mancur Olson, The rise and decline of nations: economic growth, stagflation, and social rigidities (New Haven & London 1982).