Henrique VI ( — 21 ou ) foi Rei de Inglaterra em dois períodos diferentes, primeiramente entre 1422 e 1461 e depois por um breve período de 1470 a 1471. Foi também o rei disputado da França de 1422 até 1453. Grande parte do seu reinado foi marcado pela Guerra das Rosas, entre as casas de Lencastre (à qual Henrique pertencia) e de York.

Henrique era filho do rei Henrique V de Inglaterra e da sua rainha consorte Catarina de Valois, princesa de França. Devido à morte prematura do seu pai, foi filho único e subiu ao trono com poucos meses. A regência foi assumida pelos tios João, Duque de Bedford e Humphrey, Duque de Gloucester e a sua mãe foi afastada da corte e da sua educação. Henrique foi coroado rei da Inglaterra aos oito anos de idade, na Abadia de Westminster a 6 de Novembro. De acordo com o tratado de Troyes, foi o rei da França, sendo coroado na Catedral de Notre-Dame de Paris a 16 de Dezembro de 1431. No entanto, Henrique não foi aceito pela maioria da nobreza francesa, que reconheciam ao invés dele Carlos VII da França como seu monarca, e não é contabilizado como rei deste país.

Em 1453, o rei encontrava-se à beira da depressão e a sua incapacidade ditou a escolha de Ricardo, Duque de York como regente. Dois anos depois, Henrique sente-se restabelecido e retira todos os cargos a Ricardo de York. Esta decisão precipita o confronto aberto; pouco depois as forças de York e os partidários do rei defrontam-se na batalha de St. Albans, considerada como o início da Guerra das Rosas que havia de durar até 1487.

Em 1460 os York comandados por Ricardo Neville, Conde de Warwick conquistam Londres e a 4 de Março de 1461, depois da vitória na Batalha de Mortimer’s Cross, Henrique VI é deposto e substituído pelo primo Eduardo de York, que se torna Eduardo IV da Inglaterra. Henrique VI é aprisionado na Torre de Londres

Ao atingir a maioridade, o rei mostrou-se um rei inseguro, pouco pragmático e muito influenciável, mais interessado em assuntos de religião que de governo. Em 1445, Henrique casou com Margarida de Anjou, uma mulher ambiciosa que depressa se tornou na verdadeira mão atrás das suas decisões. Vários nobres desagradados com a personalidade do rei e com a influência de Margarida de Anjou, começaram a conspirar para a sua substituição, apoiando a casa de York nas suas crescentes pretensões à coroa.

Henrique VI foi libertado da prisão e solenemente reinvestido como rei da Inglaterra a 30 de outubro de 1470. O seu regresso ao poder foi no entanto breve. As sucessivas vitórias de Warwick haviam-no tornado seguro demais e fizeram-no tomar atitudes menos diplomáticas para com o Ducado da Borgonha. Em resposta, o duque Carlos aliou-se ao exilado Eduardo IV da Inglaterra, conferindo-lhe a ajuda necessária para reaver a coroa. A casa de York venceu a batalha de Tewkesbury a 4 de maio de 1471, quando o príncipe de Gales morreu nos confrontos. Henrique VI foi uma vez mais deposto e colocado sob prisão na Torre de Londres. Sem querer cometer os mesmos erros do passado, Eduardo IV considerou que seria uma ameaça constante e mandou matá-lo no fim do mês de Maio.

A vida de Henrique VI foi o tema principal de uma peça em três partes de William Shakespeare. Henrique foi o fundador do colégio de Eton e do King’s College da Universidade de Cambridge.

Menino-rei esquerda|miniaturadaimagem|Henrique VI, com nove meses de idade, a ser deixado ao cuidado do Conde de Warwick Henrique nasceu a 6 de dezembro de 1421 no Castelo de Windsor. Foi o único filho e herdeiro do rei Henrique V e ascendeu ao trono de Inglaterra com nove meses de idade, em 1 de setembro de 1422, um dia após a morte do pai.Lambert, David; Gray, Randal (1991). Kings and Queens. Collins Gem. Henrique foi o monarca mais jovem da Inglaterra. Em 21 de outubro de 1422, em conformidade com o Tratado de Troyes de 1420, ele tornou-se rei nominal de França após a morte do seu avô, Carlos VI. A sua mãe, Catarina de Valois, na altura com 20 anos não inspirava a confiança dos nobres ingleses, uma vez que era filha de Carlos VI. Esta foi impedida de se envolver por inteiro na educação do seu filho.

Em 28 de setembro de 1423, os nobres juraram lealdade a Henrique VI, que ainda não tinha completado dois anos de idade. Estes convocaram o Parlamento em nome do rei e estabeleceram um conselho regente até que o rei fosse maior de idade. Um dos irmãos de Henrique V, João, Duque de Bedford, foi nomeado regente-sénior do reino e ficou responsável pela guerra que ocorria com a França. Durante a ausência de Bedford, o governo de Inglaterra era liderado pelo outro irmão de Henrique V, Humberto, Duque de Gloucester, que foi nomeado Lorde Protetor e Defensor do Reino. Os seus deveres limitavam-se a manter a paz e a convocar o Parlamento. O tio de Henrique V, Henrique Beaufort, Bispo de Winchester (e mais tarde Cardeal), tinha um cargo importante no Conselho. Após a morte do Duque de Bedford em 1435, o Duque de Gloucester reclamou para si a regência, mas os restantes membros do conselho opuseram-se à sua pretensão.

A partir de 1428, o tutor de Henrique passou a ser Richard de Beauchamp, Conde de Warwick, cujo pai tinha desempenhado um papel decisivo na oposição ao reinado de Ricardo II. No período entre 1430 e 1432, Henrique também teve aulas com o médico John Somerset. Os deveres de Somerset incluíam "ensinar o jovem rei e também manter a sua saúde". Somerset manteve-se na casa real até ao início de 1451, quando a Câmara dos Comuns pediu que este fosse retirado devido à sua "influência perigosa e subversiva sobre Henrique VI".

A mãe de Henrique, Catarina, voltou a casar-se com Owen Tudor e teve dois filhos com ele: Edmundo e Jasper. Mais tarde, Henrique concedeu condados aos seus meios-irmãos. Edmundo Tudor foi o pai do rei Henrique VII de Inglaterra.

Em reação à coroação de Carlos VII de França na Catedral de Reims, em 17 de julho de 1429, Henrique não tardou a ser coroado rei de Inglaterra na Abadia de Westminster em 6 de novembro de 1429, com sete anos de idade. Com 10 anos de idade, foi coroado rei de França na Catedral de Norte-Dame de Paris em 16 de dezembro de 1431. Ele foi o único rei inglês a ser coroado tanto em Inglaterra como na França. Foi pouco depois da cerimónia da sua coroação em Merton Priory no Dia de Todos os Santos, em 1 de novembro de 1437, pouco depois de ter completado 16 anos, que Henrique conseguiu alguma autoridade independente. Isto foi confirmado em 13 de novembro de 1437, mas a sua vontade de participar na administração já era aparente desde 1434. Henrique assumiu finalmente as suas funções reais plenas quando atingiu a maioridade no final de 1437, quando fez 16 anos.Lingard, J. (1854). A History of England. Vol. 5 (new ed.). Boston: Phillips, Sampson and Company Tal aconteceu durante a Grande Fome dos Metais e o início da Grande Depressão na Inglaterra.

Governo e política francesa Henrique, que era tímido e devoto por natureza, para além de ser avesso a enganos e derrame de sangue, permitiu imediatamente que a sua corte fosse dominada por poucos nobres favoritos que não se entenderam em relação à questão francesa quando ele assumiu o controlo do governo em 1437. Após a morte do rei Henrique V, Inglaterra tinha perdido o ímpeto na Guerra dos Cem Anos, ao contrário da Casa de Valois que tinha conquistado terreno a partir das vitórias militares de Joana d'Arc em 1429. O jovem rei acabou por favorecer uma política de paz com a França e, consequentemente, a fação do Cardeal Beaufort e de William de la Pole, Conde de Suffolk, que tinha opiniões semelhantes. O Duque de Glouscester e Ricardo, Duque de York, que defendiam que se devia dar seguimento à guerra, foram ignorados.

Casamento miniaturadaimagem|Um retrato de meados do século XV da Bibliothèque Nationale de France que mostra Henrique a ser coroado rei de França na catedral de Norte-Dame de Paris em 16 de dezembro de 1431 À medida que a situação militar dos ingleses se deteriorava na França, na Inglaterra começava a falar-se de arranjar um casamento para o rei que fortalecesse as ligações estrangeiras de Inglaterra e facilitasse um acordo de paz entre os países em guerra. Em 1434, o conselho inglês sugeriu que a paz com os escoceses poderia ser conseguida através de um casamento entre Henrique e uma das filhas do rei Jaime I da Escócia, mas a proposta não seu em nada. Durante o Congresso de Arras em 1435, os ingleses deram a ideia de uma união entre Henrique e uma filha do rei Carlos VII da França, mas os armagnacs recusaram-se sequer a considerar a sugestão, a menos que Henrique renunciasse à sua pretensão ao trono francês. Outra proposta, em 1438, a uma filha do rei Alberto II da Germânia também falhou.

As perspetivas da Inglaterra começaram a melhorar quando os senhores franceses começaram a esforçar-se mais para resistir ao poder cada vez mais da monarquia francesa, um conflito que culminou na Revolta de Praguerie de 1440. Apesar de os ingleses não terem conseguido tirar vantagem de Praguerie em si, a perspetiva de conseguirem uma aliança com um dos nobres mais rebeldes de Carlos VII era atrativa, de uma perspetiva militar. Por volta de 1441, Carlos, Duque de Orleães, que tinha sido resgatado recentemente, numa tentativa de obrigar Carlos VII a chegar a um acordo de paz com a Inglaterra, sugeriu um casamento entre Henrique VI e uma das filhas de João IV, Conde de Armagnac, um nobre poderoso do sudoeste de França que se encontrava em conflito com a coroa de Valois. Uma aliança com Armagnac teria ajudado a proteger a Gasconha inglesa de ameaças franceses crescentes na região, especialmente face às deserções do inimigo por parte de vassalos ingleses locais, e podia ajudar a aproximar outros nobres franceses da causa inglesa. A proposta foi considerada seriamente entre 1441 e 1443, mas uma campanha militar francesa intensa em 1442 contra a Gasconha interferiu com o trabalho dos embaixadores e assustou o Conde de Armagnac, que começou a duvidar do plano. O acordo acabou por ser abandonado devido a problemas na encomenda de retratos das filhas do conde e à prisão deste por homens de Carlos VII em 1443. esquerda|miniaturadaimagem|Margarida de Anjou no Talbot Shrewsbury Book, 1444-45

O Cardeal Beaufort e o Conde de Suffolk convenceram Henrique de que a melhor forma de conseguir paz com a França seria através de um casamento com Margarida de Anjou, a sobrinha do rei Carlos VII. Henrique concordou, principalmente depois de ouvir histórias sobre a beleza estonteante de Margarida, e enviou Suffolk para negociar com Carlos, que autorizou o casamento com a condição de que não teria de fornecer o tradicional dote e que receberia a província de Maine dos ingleses. Estas condições foram acordadas no Tratado de Tours de 1444, mas a concessão de Maine foi mantida em segredo do Parlamento, uma vez que se sabia que isto seria bastante mal visto pelo povo inglês. O casamento decorreu na Abadia de Titchfield em 23 de abril de 1445, um mês depois do 15.º aniversário de Margarida.Alison, Weir. Britain's Royal Family. p. 133. ISBN 9780099539735. Ela chegou com a sua casa real já estabelecida. Esta era composta na sua maioria não por angevinos, mas por membros da criadagem de Henrique. Este aumento da casa real, que aumentou ainda mais após o nascimento do seu filho, Eduardo de Westminster, em 1453, levou a um aumento da despesa.

Henrique vacilou na concessão de Maine a Carlos, por saber que tal não seria aceite pelo povo inglês, nem pelos duques de Glouscester e de York, mas também porque Maine era vital para a defesa da Normandia. Porém, Margarida estava determinada a que a promessa fosse cumprida. Quando o tratado se tornou público em 1446, a raiva do povo virou-se para o Conde de Sulffok, mas Henrique e Margarida estavam determinados a protegê-lo.

Ascendência de Suffolk e Somerset miniaturadaimagem|210x210px|Salut d'or, que mostra Henrique como rei da Inglaterra e da França