thumb|right|250px|Maratonistas a caminho de Atenas nos Jogos de 1896. Maratona é uma corrida realizada na distância oficial de 42,195 km, normalmente em ruas e estradas. Única modalidade esportiva que se originou de uma lenda, seu nome foi instituído como uma homenagem à antiga lenda grega do soldado ateniense Fidípides, um mensageiro do exército de Atenas, que teria corrido 42 km entre o campo de batalha de Maratona até Atenas para anunciar aos cidadãos da cidade a vitória dos exércitos atenienses contra os persas e morreu de exaustão após cumprir a missão.

Corridas de longa distância, entretanto, existem em documentos muito mais antigos e já eram disputadas séculos antes da civilização grega, no Antigo Egito. O faraó Taraca, da XXV dinastia, rei de Cuxe, e que viveu séculos antes dos acontecimentos entre atenienses e persas, instituiu uma corrida de longa distância para manter seus exércitos em alto preparo físico, numa distância aproximada de 100 km, o que nos dias de hoje é considerada uma ultramaratona. Esta corrida é hoje revivida no Egito com o nome de "Pharaonic 100km" e é disputada entre a pirâmide de Hawara, em Faium, e as pirâmides de Sacara, a sudoeste do Cairo. Mas foi a lenda do soldado grego que despertou a imaginação das gerações seguintes e a corrida e morte de Fidípedes, incorporada num popular poema de Robert Browning, no século XIX, que habitava a imaginação de Pierre de Coubertin quando decidiu reviver os Jogos Olímpicos no fim daquele século.

Uma das mais longas, desgastantes e difíceis provas do atletismo, a maratona é, ininterruptamente, uma prova olímpica desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos, em Atenas 1896. Sua distância atual, percorrida pela primeira vez em Londres 1908, só se tornou oficial em 1921. Popularizada em fins do século XX como corrida de massa, mais de 500 maratonas são realizadas anualmente em todo mundo. Algumas delas são disputadas por apenas algumas dúzias de atletas enquanto outras podem comportar dezenas de milhares de participantes. No calendário olímpico a maratona é, tradicionalmente, o último evento dos Jogos Olímpicos.

A maratona lendária Reza a lenda que, no ano de 490 a.C., quando os soldados atenienses partiram para a planície de Marathónas para combater os persas na Primeira Guerra Médica, suas mulheres ficaram ansiosas pelo resultado porque os inimigos haviam jurado que, depois da batalha, marchariam sobre Atenas, violariam suas mulheres e sacrificariam seus filhos. Ao saberem dessa ameaça, os gregos deram ordem a suas esposas para, se não recebessem a notícia da sua vitória em 24 horas, matar seus filhos e, em seguida, suicidarem-se.

Os gregos ganharam a batalha, mas a luta levou mais tempo do que haviam pensado, de modo que temeram que elas executassem o plano. Para evitar isso, o general grego Milcíades ordenou a seu melhor corredor, o soldado e atleta Fidípedes, que corresse até Atenas, situada a cerca de 40 km dali, para levar a notícia. Fidípedes correu essa distância tão rapidamente quanto pôde e, ao chegar, conseguiu dizer apenas "vencemos", e caiu morto pelo esforço.

No entanto, Heródoto conta — no que é considerada por historiadores modernos como apenas uma versão romanceada — que, na realidade, Fidípedes foi enviado antes da batalha a Esparta e outras cidades gregas para pedir ajuda, e que tivera de correr duzentos e quarenta quilômetros em dois dias, voltando à batalha com os reforços necessários para vencer os persas. Só depois disso, teria corrido até Atenas para anunciar a vitória e então morrer pelo esforço.

Seja como for, cerca de anos mais tarde, em 1896, quando da criação dos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, Fidípides foi homenageado com a criação dessa prova, cuja distância foi estipulada em cerca de 40 km — a distância aproximada de Maratona a Atenas — mas que desde 1921 tornou-se oficialmente de 42,195 km, depois de ser disputada nesta distância em Londres 1908.

A maratona olímpica moderna Distância da maratona olímpica Ano Distância(km) Atenas 1896 40 Paris 1900 40,26 St. Louis 1904 40 Londres 1908 42,195 Estocolmo 1912 40,2 Antuérpia 1920 42,750 Paris 1924 em diante 42,195 Quando os Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram início em 1896, seus criadores e organizadores procuravam por algum grande evento popular que relembrasse a antiga glória da Grécia. A ideia de organizar uma maratona veio de Michel Bréal, um amigo do barão Pierre de Coubertin, que queria que tal prova fizesse parte do evento inaugural, no que foi apoiado por Coubertin e pelos gregos.

Os organizadores gregos fizeram uma seletiva para a maratona olímpica, realizada em 10 de março de 1896, vencida por Charilaos Vasilakos em 3h18min (e onde o futuro primeiro campeão olímpico chegou em quinto). O vencedor da primeira maratona olímpica, disputada apenas um mês depois da seletiva grega, entre a planície de Maratona e o Estádio Panathinaiko, no centro de Atenas, foi o pastor de ovelhas e carregador de água grego Spiridon Louis, em 2h58m50s, a primeira marca oficial para esta prova.

As primeiras maratonas disputadas não tinham uma distância exata fixa, mas nos primeiros Jogos Olímpicos ela tinha cerca de 40 km de distância, aproximadamente a distância entre Maratona e Atenas pela rota mais plana. Em outros lugares, ela diferia para mais ou menos dependendo da rota traçada na região. Em 1907, os organizadores do Comitê Olímpico Internacional decidiram que nos Jogos seguintes, Londres 1908, ela deveria ter a extensão de 25 milhas ou 40 km. Com a largada marcada para ser em frente ao Castelo de Windsor e a linha de chegada em frente ao camarote real no Estádio Olímpico de White City, depois de uma volta inteira na pista de atletismo, o percurso inteiro mediu exatos 42,195 km. Disputada pela primeira vez nesta distância em Londres, acabou sendo assim oficializada em maio de 1921, pela Federação Internacional de Atletismo.

Maratona feminina Disputada ininterruptamente nos Jogos pelos mais de oitenta anos seguintes apenas como uma prova masculina — não se imaginava que as mulheres fossem capazes de correr tal distância — a maratona feminina foi introduzida em Los Angeles 1984, com a norte-americana Joan Benoit sendo a primeira campeã olímpica da história. A primeira maratona feminina oficialmente disputada sob a égide da IAAF foi a do Campeonato Europeu de Atletismo de 1982, corrida exatamente na cidade de Atenas onde tudo se originou, e vencida pela portuguesa Rosa Mota.

Até que isso acontecesse, as mulheres participaram extraoficialmente de diversas maratonas através das décadas, mostrando sua capacidade de correr a distância. A primeira mulher tida hoje como maratonista foi a francesa Marie-Louise Ledru, que em 1918 completou a Tour de Paris Marathon em 5h40m e chegou na 38ª colocação. Oficialmente, a IAAF reconhece a inglesa Violet Piercy como tal, que com sua marca extra-oficial de 3:40:22 na Polytechnic Marathon, entre Londres e Windsor, na Inglaterra de 1926, seria a primeira recordista mundial da distância para mulheres. Antes do reconhecimento da maratona como prova olímpica e prova oficial da IAAF, a norueguesa Grete Waitz quebrou por quatro vezes o recorde mundial.

O recorde olímpico da maratona pertence ao etíope Tamirat Tola, com a marca de 2:06:26 em Paris 2024. Entre as mulheres, ele é da holandesa Sifan Hassan, 2:22:55, conquistado também em Paris 2024.

Popularização A partir dos anos 1970, a maratona passou a ter uma popularidade como nunca havia conhecido antes, sendo a prova extenuante como é. O fenômeno, conhecido internacionalmente como "running boom", aconteceu depois da vitória do norte-americano Frank Shorter nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, o que causou uma febre pelas corridas de rua, pelo jogging recreativo e pela maratona em todos os Estados Unidos e de lá espalhou-se pelo mundo. Entre a primeira maratona olímpica em 1896 e a primeira maratona anual em 1897 — a Maratona de Boston — as duas disputadas por pouco mais de uma dezena de homens, e as mais de 550 maratonas existentes hoje no mundo, milhares de pessoas em boa condição física, homens e mulheres de todas as idades, passaram a tomar as ruas de cidades em todos os continentes correndo a prova. Em 2011, apenas nos Estados Unidos, cerca de 518 000 pessoas completaram uma maratona.Running USA's Annual Marathon Report 2011. Time-to-run.us (26 de fevereiro de 2012). thumb|esquerda|270px|Largada da Maratona de Estocolmo, uma das maiores da Europa. Muitas destas maratonas integram a Associação Internacional de Maratonas e Corridas de Rua (AIMS), que desde sua criação em 1982 cresceu o suficiente para hoje abrigar mais de 350 provas-membro em 98 países e territórios diferentes. Seis das mais populares e prestigiadas maratonas filiadas à associação formaram a World Marathon Majors, um grupo de provas especiais que criou um ranking bienal entre maratonistas de elite e premiam os principais atletas, homens e mulheres, com US$ 500 000 a cada ano. Fazem parte da WMM as maratonas de Boston, Nova York, Chicago, Londres, Berlim e Tóquio.

Além destas seis, algumas das mais populares e importantes maratonas pelo mundo são disputadas anualmente em Amsterdam, Rotterdam, Honolulu, Estocolmo, Seul, Fukuoka, Rio de Janeiro, São Paulo, Lisboa, Buenos Aires, Milão, Viena, Roma, Los Angeles, Hamburgo, Paris, Pequim, Frankfurt, Dublin, Casablanca e Sydney.

Algumas maratonas têm lados históricos ou pitorescos. A Maratona de Boston é a mais antiga, com sua primeira edição remontando a 1897. Na Europa, a Maratona de Košice, na Eslováquia, data de 1924, é das primeiras europeias. A britânica Polytechnic Marathon, a primeira a ser criada na Europa em 1909, foi extinta em 1996. A Maratona do Sol da Meia-Noite de Tromsø, na Noruega, corrida de noite debaixo de sol pelas características da região, cruza o Ártico no Paralelo 70 N e é a maratona mais ao norte do planeta certificada pela AIMS.

Algumas outras maratonas exóticas são a Great Wall Marathon, disputada sobre a Grande Muralha da China, a Great Tibetan Marathon, disputada a m de altitude entre mosteiros budistas no norte da Índia e a Polar Circle Marathon, disputada inteiramente sobre o gelo da Groenlândia, a cada mês de outubro sob temperaturas de —10 °C. A Maratona de Istambul é a única no mundo onde os corredores atravessam dois continentes, Ásia e Europa, através de uma ponte sobre o Bósforo. A Maratona de Londres é disputada em dois hemisférios, ocidental e oriental, pois a cidade é cruzada pelo Meridiano de Greenwich, e o percurso da Detroit Free Press Marathon, nos Estados Unidos, cruza por duas vezes a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos.

A popularidade da maratona, transformada através dos anos em um evento de massa, fez com que, em algumas delas, o número de corredores inscritos seja tão grande que os organizadores foram obrigados a criar largadas em pontos e horários diferentes para a partida dos atletas. A Maratona de Nova York, por exemplo, teve em 2011 mais de 47 mil corredores cruzando a linha de chegada e a de Londres em 2013 mais de 34 mil. A 100.ª Maratona de Boston, em 1996, teve mais de 38 mil inscritos, então um recorde mundial.

Regras da IAAF A Federação Internacional de Atletismo (IAAF — International Association of Athletics Federations) estabelece que a distância oficial da maratona deva ser de exatos 42,195 km (42 mil 195 metros), com um adendo de 42 metros.IAAF Competition Rules 2012–2013 – Rule 240. None. Retrieved on 18 April 2013. Os fiscais oficiais e medidores de quilometragem destas provas acrescentam ao final mais um metro por quilômetro percorrido, para reduzir o risco de que alguma falha na medição produza uma distância final inferior à estipulada.