A Universidade Estadual de Maringá (UEM) é uma universidade pública estadual brasileira, com sede no município de Maringá, no estado do Paraná. Criada em 1969, a instituição integra o sistema estadual de ensino superior e está vinculada administrativamente ao Governo do Estado do Paraná. Suas atividades acadêmicas compreendem ensino, pesquisa e extensão universitária.Paraná. Lei Estadual nº 6.034, de 6 de novembro de 1969. Cria a Universidade Estadual de Maringá. Diário Oficial do Estado do Paraná.

A universidade oferece cursos de graduação presenciais e programas de pós-graduação, incluindo cursos de especialização, mestrado e doutorado, distribuídos em diferentes áreas do conhecimento. As atividades acadêmicas são organizadas em centros de ensino e departamentos responsáveis pela oferta de cursos, desenvolvimento de pesquisas e execução de ações extensionistas, conforme a estrutura administrativa definida em seu estatuto.Universidade Estadual de Maringá. Estatuto da Universidade Estadual de Maringá. Disponível em: <https://www.uem.br>. Acesso em: 29 dez. 2025.

O campus sede da Universidade Estadual de Maringá está localizado no município de Maringá e concentra a maior parte da estrutura administrativa, acadêmica e científica da instituição, incluindo unidades de ensino, bibliotecas, laboratórios, hospitais universitários, fazendas experimentais e espaços destinados a atividades culturais. Além do campus principal, a UEM mantém campi regionais em outros municípios do Paraná, como Cianorte, Cidade Gaúcha, Goioerê, Ivaiporã e Umuarama, nos quais são ofertados cursos de graduação e desenvolvidas atividades acadêmicas específicas.Universidade Estadual de Maringá. Campi Regionais. Disponível em: <https://www.uem.br>. Acesso em: 29 dez. 2025.

No âmbito da pós-graduação, a Universidade Estadual de Maringá mantém programas avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em conformidade com o sistema nacional de avaliação da pós-graduação brasileira. Esses programas estão vinculados a linhas e grupos de pesquisa cadastrados em bases oficiais de órgãos de fomento e registro científico.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Plataforma Sucupira. Disponível em: <https://sucupira.capes.gov.br>. Acesso em: 29 dez. 2025.

A universidade desenvolve atividades de pesquisa científica e tecnológica por meio de projetos institucionais e interinstitucionais, envolvendo docentes, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação. As ações de extensão universitária abrangem projetos, programas e serviços voltados à comunidade externa, em áreas como educação, saúde, cultura, meio ambiente e desenvolvimento regional, conforme diretrizes estabelecidas pela política nacional de extensão universitária.Universidade Estadual de Maringá. Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Disponível em: <https://www.uem.br>. Acesso em: 29 dez. 2025.

A Universidade Estadual de Maringá participa de processos de avaliação institucional e integra levantamentos e rankings acadêmicos nacionais e internacionais que utilizam indicadores relacionados à produção científica, formação acadêmica e estrutura institucional. Esses dados são empregados para fins de análise comparativa no contexto do ensino superior brasileiro.Folha de S.Paulo. Ranking Universitário Folha. Disponível em: <https://ruf.folha.uol.com.br>. Acesso em: 29 dez. 2025.

Desde sua criação, a UEM passou por processos de expansão física, acadêmica e administrativa, acompanhando a interiorização do ensino superior público no estado do Paraná e as transformações do sistema universitário brasileiro. A instituição mantém atividades regulares de ensino, pesquisa e extensão, atendendo estudantes de diferentes regiões do país.Universidade Estadual de Maringá. Histórico Institucional. Disponível em: <https://www.uem.br>. Acesso em: 29 dez. 2025.

História

A criação da Universidade Estadual de Maringá insere-se no processo de expansão e interiorização do ensino superior no estado do Paraná, intensificado a partir da segunda metade do século XX. O crescimento econômico e demográfico do norte do Paraná, impulsionado sobretudo pela cafeicultura e pela urbanização acelerada de cidades como Maringá, gerou demandas por formação superior que extrapolavam a capacidade das instituições privadas e das faculdades isoladas existentes até então.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. História econômica do Paraná. Rio de Janeiro: IBGE.

A UEM foi criada pela Lei Estadual nº 6.034, de 6 de novembro de 1969, durante o regime militar brasileiro, período marcado por reformas estruturais no sistema universitário nacional. Sua criação ocorreu em consonância com a Lei nº 5.540, de 1968, conhecida como Reforma Universitária, que promoveu a reorganização administrativa das universidades, a departamentalização do ensino e a ampliação controlada da oferta de vagas no ensino superior público.Paraná. Lei Estadual nº 6.034, de 6 de novembro de 1969. Diário Oficial do Estado do Paraná.Brasil. Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Diário Oficial da União.

As atividades acadêmicas da universidade tiveram início em 1970, a partir da incorporação de faculdades isoladas já existentes em Maringá. Nos primeiros anos, a UEM estruturou seus cursos de graduação nas áreas de Ciências Exatas, Ciências Humanas e Ciências Biológicas, ao mesmo tempo em que organizava seus centros de ensino, departamentos e órgãos colegiados, conforme as diretrizes administrativas estabelecidas pela legislação educacional vigente.Universidade Estadual de Maringá. Histórico Institucional. Disponível em: <https://www.uem.br>. Acesso em: 29 dez. 2025. miniaturadaimagem|Universidade Estadual de Maringá. Interior do Campus-Maringá. Durante a década de 1970, a universidade passou por um processo de consolidação institucional, com a expansão de sua infraestrutura física e administrativa. Esse período também foi marcado pela limitação da autonomia universitária, característica do contexto político autoritário, com forte controle estatal sobre a gestão acadêmica, a organização estudantil e as atividades político-culturais no interior da instituição.CUNHA, Luiz Antônio. A universidade crítica: o ensino superior na República Populista. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

A partir da década de 1980, em meio ao processo de abertura política e redemocratização do país, intensificaram-se na Universidade Estadual de Maringá as mobilizações estudantis, docentes e de servidores técnico-administrativos. Neste escopo, é criado o DCE (Diretório Central dos Estudantes), que visa lutar e estabelecer representação estudantil dentro dos campi. Essas mobilizações estiveram relacionadas a pautas como o fim da cobrança de mensalidades, melhores condições de trabalho, ampliação da autonomia universitária e democratização dos processos decisórios internos. Nesse contexto, ocorreram assembleias, greves e ocupações de espaços administrativos, incluindo episódios de invasão da Reitoria, que expressavam conflitos entre a comunidade universitária e a administração central ou o governo estadual.POERNER, Arthur José. O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Na mesma década, a universidade ampliou sua atuação na pós-graduação stricto sensu, acompanhando a política nacional de fortalecimento da pesquisa científica e da formação de pesquisadores. Foram implantados programas de mestrado e, posteriormente, de doutorado, avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o que contribuiu para a consolidação da UEM como instituição de pesquisa no cenário nacional.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Histórico da pós-graduação no Brasil. Brasília: CAPES.

Durante os anos 1990 e 2000, a Universidade Estadual de Maringá enfrentou debates recorrentes sobre financiamento do ensino superior público, carreira docente, expansão de vagas e políticas de permanência estudantil. Nesse período, a instituição vivenciou novos ciclos de greves e mobilizações, frequentemente articulados em âmbito estadual com outras universidades públicas do Paraná, em defesa do orçamento público e da manutenção do caráter gratuito do ensino superior.Paraná. Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Sistema Estadual de Ensino Superior. Curitiba: SETI.

Paralelamente, a universidade expandiu sua presença regional por meio da criação e consolidação de campi fora da sede, atendendo a políticas estaduais de descentralização do ensino superior. Esses campi passaram a desempenhar papel relevante na formação de profissionais e no desenvolvimento de atividades acadêmicas voltadas às demandas regionais, especialmente no interior do estado.Universidade Estadual de Maringá. Campi Regionais. Disponível em: <https://www.uem.br>. Acesso em: 29 dez. 2025.

Ao longo de sua trajetória, a UEM passou por sucessivas reformulações curriculares, administrativas e institucionais, acompanhando mudanças na legislação educacional brasileira e nas políticas públicas para o ensino superior. A história da universidade é marcada tanto pela expansão de suas atividades acadêmicas quanto por conflitos e disputas em torno de seu papel social, financiamento e autonomia, inserindo-se nos debates mais amplos sobre o ensino superior público no Brasil.SGUISSARDI, Valdemar. Universidade no Brasil: dos modelos clássicos aos modelos contemporâneos. Campinas: Autores Associados.

Movimento estudantil e conflitos institucionais

A trajetória da Universidade Estadual de Maringá também foi marcada pela atuação do movimento estudantil e por conflitos institucionais envolvendo estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos, a administração universitária e o governo estadual. Desde os primeiros anos de funcionamento da universidade, especialmente a partir do processo de redemocratização brasileira, a organização estudantil passou a desempenhar papel relevante nos debates internos da instituição.POERNER, Arthur José. O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Durante o período do regime militar, a atuação política estudantil esteve sujeita a restrições impostas pela legislação autoritária, com limitações à organização de entidades representativas e à realização de manifestações no interior do campus. Ainda assim, registros apontam a existência de mobilizações pontuais relacionadas a condições de ensino, infraestrutura e organização acadêmica, frequentemente acompanhadas por mecanismos de controle institucional.CUNHA, Luiz Antônio. A universidade reformada: o ensino superior no Brasil pós-1964. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

A partir da década de 1980, com a reabertura política, o movimento estudantil da UEM passou por um processo de reorganização, articulando-se em torno de diretórios acadêmicos, centros acadêmicos e do diretório central dos estudantes (DCE). Nesse contexto, ampliaram-se as mobilizações em defesa da gratuidade do ensino superior público, da autonomia universitária, da democratização da gestão institucional e da melhoria das condições de permanência estudantil.SGUISSARDI, Valdemar. Universidade no Brasil: dos modelos clássicos aos modelos contemporâneos. Campinas: Autores Associados.

Entre as décadas de 1980 e 1990, ocorreram episódios de ocupação de prédios administrativos e de invasão da Reitoria da Universidade Estadual de Maringá, geralmente associados a períodos de greve, cortes orçamentários ou impasses entre a comunidade universitária e a administração central. Tais episódios foram caracterizados por assembleias, manifestações e confrontos institucionais, sendo interpretados por diferentes atores como formas de pressão política ou como práticas de ruptura da ordem administrativa.Paraná. Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Sistema Estadual de Ensino Superior. Curitiba: SETI.