thumb|upright=1.6|Escultura Corvo e O Primeiro Homem, de Bill Reid, ilustrando parte de um mito criacionista do povo Haida, nativo do território do atual Canadá. Criacionismo é a crença religiosaEvolution Vs. Creationism, Eugenie Scott, Niles Eldredge, p. 114 de que a humanidade, a vida, a Terra e/ou o universo são a criação de um agente sobrenatural. No entanto, o termo é mais comumente usado para se referir à rejeição, por motivação religiosa, de certos processos biológicos, particularmente a evolução. Desde o desenvolvimento da ciência evolutiva a partir do século XVIII, vários pontos de vista criados tiveram como objetivo conciliar a ciência com a narrativa de criação do Gênesis. Nessa época, aqueles que mantinham a opinião de que as espécies tinham sido criadas separadamente eram geralmente chamados de "defensores da criação", mas eram ocasionalmente chamados "criacionistas" em correspondências privadas entre Charles Darwin e seus amigos.
À medida que a controvérsia da criação versus evolução se desenvolveu, o termo "antievolucionistas" tornou-se mais comum. Em 1929, nos Estados Unidos, o "criacionismo" tornou-se o primeiro termo especificamente associado com a oposição de cristãos fundamentalistas para a evolução humana e a crença em uma Terra Jovem, embora seu uso tenha sido contestado por outros grupos que acreditam em vários outros conceitos de criação.
Desde os anos 1920, o criacionismo, nos Estados Unidos, foi estabelecido em nítido contraste com as teorias científicas, como a da evolução,For example, the Scopes Trial of 1925 brought creationism and evolution into the adversarial environment of the American justice system. The trial was well-publicized, and served as a catalyst for the wider creation–evolution controversy; Giberson & Yerxa (2002), pp. 3-4.Evolution's status as a "theory" has played a prominent role in the creation–evolution controversy. In scientific terminology, "theories are structures of ideas that explain and interpret facts". It is understood, therefore, that "evolution is a fact and a theory". In contrast, when strict creationists refer to evolution as a theory, they often mean to characterize evolution as an "imperfect fact", drawing upon the vernacular conception of "theory" as "part of a hierarchy of confidence running downhill from fact to theory to hypothesis to guess"; Gould SJ (May 1981). Evolution as fact and theory. Visitado em 12 de abril de 2010; Moran L (2002). Evolution is a fact and a theory. Visitado em 12 de abril de 2010. Original work published 1993. que decorrem a partir de observações naturalistas do Universo e da vida. CriacionistasCampbell D (2006, 21 February). "Academics fight rise of creationism at universities". The Guardian. Visitado em 7 de abril de 2010. acreditam que a evolução não pode explicar adequadamente a história, a diversidade e a complexidade da vida na Terra.For the biological understanding of complexity, see Evolution of complexity. For a creationist perspective, see Irreducible complexity. Criacionistas conservadores das religiões judaica e cristã geralmente baseiam as suas crenças em uma leitura literal do mito da criação do Gênesis. No entanto, outras grandes religiões têm mitos criacionistas diferentes, enquanto que os vários indivíduos religiosos variam em sua aceitação das descobertas científicas. Por exemplo, Papa Francisco, o líder mundial dos católicos romanos, afirmou que o evolucionismo e a teoria do Big Bang são linhas de pensamento corretas e que não entram em conflito com o catolicismo. Além disso, os chamados criacionistas evolucionários possuem diferentes conceitos de criação e aceitam a idade da Terra e a evolução biológica conforme descrito pela comunidade científica.See, e.g., Corey MA (1993). "Making sense of the 'coincidences'". In MA Corey, God and the new cosmology: The anthropic design argument (pp. 157-174). Lanham, MD: Rowman & Littlefield.
Quando a corrente principal da pesquisa científica produz conclusões teóricas que contradizem a interpretação criacionista literal de escrituras consideradas sagradas por religiosos, os que defendem o criacionismo, muitas vezes, acabam por rejeitar conclusões obtidas através do método científico, teorias científicas ou a metodologia usada nos estudos. A rejeição do conhecimento científico tem suscitado controvérsias políticas e teológicas. Dois ramos derivados do criacionismo—"ciência da criação" e "design inteligente"—têm sido caracterizados como pseudociências pela grande maioria da comunidade científica. A mais notável preocupação de criacionistas é contestar o processo de evolução dos organismos vivos, a ideia da origem comum, a história geológica da Terra, a formação do sistema solar e a origem do universo.Royal Society statement on evolution, creationism and intelligent designNational Association of Biology Teachers Statement on Teaching Evolution IAP Statement on the Teaching of Evolution Joint statement issued by the national science academies of 67 countries, including the United Kingdom's Royal Society (PDF file)From the American Association for the Advancement of Science, the world's largest general scientific society: , AAAS Denounces Anti-Evolution Laws
Uso do termo Dentro do termo criacionismo, um vasto espectro de hipóteses podem ser enquadradas, que podem vir a sustentar interpretação em diversos graus de literalidade de livros sagrados como o Gênesis ou o Corão.
Na maioria das civilizações antigas, tanto como nas atuais, é possível encontrar relatos tentando explicar a origem de tudo como um ato intencional criativo, muitas vezes destacando uma figura como o originador da vida.
Tradições criacionistas Movimentos criacionistas existem entre pessoas de diferentes religiões como o judaísmo, hinduísmo, cristianismo e islamismo.
Fé bahá'í
A Fé Bahá'í sustenta a harmonia entre religião e ciência como um princípio fundamental. Os Bahá'ís se referem à narração bíblica da criação como um símbolo, embora importante e cheia de significados simbólicos. Longe de aceitar a ideia de uma Terra Jovem, a teologia Bahá'í que se refere à Terra como antiga.
A humanidade, de acordo com os bahá'ís, mudou de forma física ao longo do tempo. A teologia Bahá'í sustenta que a humanidade é uma espécie de essência - uma realidade essencial e parte da criação eterna de Deus; como uma espécie biológica, no entanto, a humanidade passou por várias mudanças e adaptações físicas ao longo do tempo. A fé Bahá'í refere-se à evolução (como um progresso de forma física) e ao ato de criação divina como processos relacionados ou até mesmo como um mesmo processo visto de diferentes contextos. Entretanto, a literatura Bahá'í sustenta que a humanidade é distinta de outras partes da criação da Terra - que a humanidade só tem uma alma, e é capaz do pensamento abstrato e do desenvolvimento espiritual.
Grécia Antiga
Segundo os gregos antigos, conforme o texto antigo Teogonia, de Hesíodo, o princípio de todas as coisas está associado a um CaosHesíodo, Teogonia, A Cosmogonia, 116-133 Primordial, num tempo em que a Ordem não tinha sido ainda imposta aos elementos do mundo. Do Caos nasceu Gaia (a Terra) e depois Eros (o Amor). Posteriormente, Caos engendrou o Érebo (as trevas infernais) e a noite (Nix), e da união de Érebo e Nix nasceram o dia (Hemera) e o Éter. Gaia engendrou o céu (Urano), as montanhas (Óreas) e o mar (Ponto). A partir destes deuses primordiais nasceram também os Titãs, os Gigantes e as Ninfas dos Bosques, sendo os principais deuses filhos e descendentes dos Titãs. Prometeu, filho do titã Jápeto, criou artesanalmente a raça humana – homens e mulheres – moldando-os com argila e água. E então Atena, deusa da sabedoria, ao ver essas criaturas, insuflou em seu interior alma e vida.
Hinduísmo No hinduísmo, o tempo não é linear como em outras crenças. Aqui, o tempo tem uma natureza circular, pois a criação e a evolução são repetidas eternamente, em ciclos de renovação e destruição simbolizados pela dança rítmica do deus Shiva. "Na noite do Brahma – essência de todas as coisas – a natureza é inerte e não pode se mover até que Shiva assim o deseje. Shiva desperta de seu sono profundo e através de sua dança faz aparecer a matéria à sua volta. Dançando, Shiva sustenta seus infinitos fenômenos e, quando o tempo se esgota, ainda dançando, ele destrói todas as formas por meio do fogo e se põe de novo a descansar".
Iorubá
Na crença de Iorubá, o processo de criação envolve várias divindades. Em uma das versões, Olorum – Senhor Deus Universal – criou primeiramente todos os Orixás (divindades) para habitar Orun (o Céu, mundo espiritual), com o objetivo de usá-los como auxiliares para executar todas as tarefas que estariam relacionadas com a própria criação e o posterior governo do mundo. Então, Olorum encarregou Obatalá de criar o mundo; mas este, com pressa, não rendeu a Bará os tributos devidos e, durante sua caminhada, parou para beber vinho de palmeira e, embriagando-se, adormeceu. Oduduá, a Divina Senhora, foi ao encontro de Obatalá e, ao vê-lo adormecido, pegou os elementos da criação e começou a formação física da terra. Ela mandou que cinco galinhas-d'angola começassem a ciscar a terra, espalhando-a, dando assim origem aos continentes. Oduduá soltou então os pombos brancos - símbolo de Oxalá – e assim nasceram os céus. De um camaleão fez surgir o fogo e, com caracóis, ela criou o mar.
Islamismo O criacionismo islâmico é a crença de que o universo (incluindo a humanidade) foi criado diretamente por Deus, como é explicado no Alcorão. Ele geralmente vê o Livro do Gênesis como uma versão corrompida da mensagem de Deus. Os mitos da criação do Alcorão são vagos e permitem uma ampla gama de interpretações semelhantes aos de outras religiões abraâmicas. Os muçulmanos em geral aceitam as posições científicas sobre a idade da Terra e do universo, porém, ao contrário dos muçulmanos amaditas, não aceitam a evolução. Os muçulmanos acreditam que os humanos foram inseridos na Terra em uma data muito posterior a partir da criação da terra.
O Islã também tem seu próprio evolucionismo teísta, que sustenta que a análise científica dominante sobre a origem do universo, é apoiada pelo Alcorão. Alguns muçulmanos acreditam no criacionismo evolucionista, especialmente entre os movimentos liberais dentro do islamismo.
Khalid Anees, presidente da Sociedade Islâmica da Grã-Bretanha, em uma conferência chamada "Criacionismo: Ciência e Fé nas Escolas", fez as citações seguintes: Não há contradição entre o que é revelado no Alcorão e a seleção natural e sobrevivência do mais apto. No entanto, alguns muçulmanos, como Adnan Oktar, não concordam que uma espécie possa se desenvolver a partir de outra.
Mas também há um movimento crescente de criacionismo islâmico. Semelhante ao criacionismo cristão, não há preocupação em relação a conflitos percebidos entre o Alcorão e os principais pontos da teoria evolucionista. O local principal desse movimento é a Turquia, onde menos de 25% das pessoas acreditam na evolução.Templeton-Cambridge.org
Existem vários versículos do Alcorão que alguns escritores modernos têm interpretado como sendo compatíveis com a expansão do universo, as teorias do Big Bang e Big Crunch.Harun Yahya, The Big Bang Echoes through the Map of the GalaxyMaurice Bucaille (1990), The Bible the Qur'an and Science, "The Quran and Modern Science", .A. Abd-Allah, The Qur'an, Knowledge, and Science , University of Southern California.
Muitos países de maioria islâmica aboliram o uso de livros didáticos que contêm dados sobre a evolução humana.
Judaísmo e cristianismo
thumb|upright=1.3|A Criação de Adão, afresco de 1511 de Michelangelo no teto da Capela Sistina.