Bougainville é a principal ilha da Região Autônoma de Bougainville, que integra a Papua-Nova Guiné. Possui uma área territorial de km². O ponto mais elevado da ilha é o Monte Balbi, com metros de altitude. A Buca, consideravelmente menor, com cerca de km², localiza-se ao norte de Bougainville, separada por um estreito com largura entre 400 e 500 metros, conhecido como Estreito de Buka. Apesar da curta distância, não há ponte ligando as duas ilhas; no entanto, existe um serviço regular de balsa entre os principais povoados de ambos os lados. A principal pista de pouso da região norte situa-se na cidade de Buka. A cidade encontra-se a aproximadamente 175 km da Ilha da Nova Irlanda, sendo esta a grande ilha mais próxima de Buca dentro da Papua-Nova Guiné.
No referendo realizado em 2019, a população de Bougainville votou majoritariamente a favor da independência da Papua-Nova Guiné até 2027. Contudo, o referendo possui caráter não vinculativo, e o governo do país ainda não assumiu um compromisso definitivo quanto à implementação do resultado.
História thumb|right|225px|Bandeira da ilha de Bougainville A ilha de Bougainville foi povoada há 28.000 anos. Há entre 3000 a 4000 anos, o povo austronésio começou a habitar Bougainville, levando consigo porcos domesticados, galinhas, cães e ferramentas de obsidiana. O primeiro contato europeu com a ilha foi em 1768, quando o explorador francês Louis Antoine de Bougainville.
A Alemanha reivindicou a ilha de Bougainville em 1899, anexando-a à Nova Guiné Alemã. Missionários cristãos chegaram à ilha em 1902.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Austrália ocupou a Nova Guiné Alemã, incluindo Bougainville. Tornou-se parte do Território de Nova Guiné, território administrado pela Austrália sob Mandato da Liga das Nações concedido em 1920.
Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão invadiu a ilha, mas as forças Aliadas lançaram a campanha em Bougainville para recuperar o controle da ilha em 1943. Apesar dos pesados bombardeios, as guarnições japonesas permaneceram na ilha até 1945. Após o fim da guerra, com a rendição do Japão, o Território da Nova Guiné, incluindo Bougainville, retornou ao controle australiano.
Em 1949, o Território de Nova Guiné, incluindo Bougainville, fundiu-se com o Território de Papua, também administrado pela Austrália, formando o Território de Papua e Nova Guiné, um Protetorado das Nações Unidas sob administração australiana.
Duas tentativas de independência da ilha de Bougainville ocorreram em 1975 e 1990. A primeira disputa entre nativos da ilha e o governo da Papua-Nova Guiné se deu no processo de anexação da ilha por esta última, depois da mesma ter pertencido à Alemanha e à Austrália. Já a segunda iniciada em 1989 por trabalhadores mineiros foi combatida pelo governo da Papua-Nova Guiné, que recebeu ajuda em armamentos da Austrália e de mercenários.
Em 1999, Mekere Morauta, do Movimento Democrático do Povo, tornou-se primeiro-ministro. No ano seguinte formou-se um governo interino em Bougainville.
No ano de 2001, foi definido que, no prazo de 10 a 15 anos a partir dessa data, haverá um plebiscito sobre sua independência.
O referendo ocorreu no dia 11 de dezembro de 2019. Os moradores votaram pela independência da Papua Nova Guiné. Quase 177 mil eleitores (98%) votaram pela autonomia total relativamente à Papua Nova Guiné.
De acordo com o acordo, a independência seria concedida a Bougainville entre 2025 e 2027.
Meio ambiente thumb|right|225px|Baía da Imperatriz Augusta em imagem da NASA A baía Imperatriz Augusta é a maior da ilha, localizada em seu litoral oeste e de onde o povo da ilha retira sua maior fonte de subsistência através da pesca. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi palco de intensa luta entre norte-americanos e japoneses, durante o início da reconquista aliada do Pacífico, em 1943.
Nas décadas de 1970 e 1980, a baía foi largamente poluída, ameaçando a pesca na região, por resíduos de cobre provenientes da maior mina de cobre do mundo, em Panguna, operada pela corporação transnacional anglo-australiana Rio Tinto. Os conflitos começaram quando a população se ressentiu da grande exploração pela empresa transnacional das grandes reservas de cobre da ilha, sem apresentar maiores benefícios para os nativos, além de poluir suas águas de onde tiravam a maior parte de seu sustento. O fato acabou desembocando na criação do Exército Revolucionário de Bougainville de secessão em Bougainville e em uma guerra civil que durou de 1989 a 1997. Este movimento separatista dos nativos de Boungaville foi chamado "Revolução dos Cocos".
Em 2007, os cerca de 2000 moradores que habitam hoje o pequeno atol de Carteret, parte da província da ilha de Bougainville, foram removidas para para a esta última, engrossando o grupo de vítimas do aquecimento global e da consequente subida do nível do mar, que não para de crescer nos últimos anos. Há pelo menos 20 anos, este atol a 90 km de Bougainville vem sendo tragado pelo aumento no nível dos oceanos.
Geografia
Bougainville está situada no sudoeste do Oceano Pacífico, na Melanésia. A ilha tem uma área de aproximadamente 9300 km² . O terreno é montanhoso e vulcânico, com o ponto mais alto sendo o Monte Balbi, que atinge 2715 metros de altitude. O vulcão Bagana, na parte centro-norte da ilha, é um dos mais ativos da região, com suas emissões de fumaça visíveis a longas distâncias. O clima é tropical, com chuvas abundantes e alta umidade. A ilha é coberta por florestas tropicais que abrigam uma rica biodiversidade .
A população de Bougainville é de aproximadamente 300.000 habitantes . A maioria da população é de etnia melanésia, mas há também comunidades de origem polinésia e micronésia, especialmente nos atóis mais remotos . O idioma mais comum para comunicação geral é o Tok Pisin, mas também se falam cerca de 20 línguas indígenas, pertencentes às famílias linguísticas austronésia e papuana . O inglês e o Tok Pisin são os idiomas oficiais do governo .
A religião predominante é o cristianismo, com cerca de 70% da população sendo católica romana e uma parcela significativa seguindo a Igreja Unida da Papua-Nova Guiné .
Cultura
A cultura de Bougainville é rica e diversificada, com fortes tradições nas artes, dança, música e narrativa oral. Uma das expressões culturais mais emblemáticas é a "Mona", a canoa tradicional de navegação oceânica. A construção de uma Mona é um processo cerimonial, envolvendo os anciãos do clã, e os três tipos de canoas são usados para pesca, viagens e como canoas de guerra. A Mona é um símbolo de orgulho e herança cultural, frequentemente associada a espíritos ancestrais. O Mona Festival é um evento cultural importante que celebra esta tradição, atraindo participantes e visitantes de toda a região .
Economia
Historicamente, a economia de Bougainville foi dominada pela mineração de cobre e ouro, principalmente na mina de Panguna . A mina foi fechada durante a guerra civil e, embora tenha havido planos para reabri-la, a questão continua sendo um tema espinhoso, com preocupações ambientais e questões de justiça social em jogo. Para um novo país, a economia de Bougainville busca se diversificar, explorando seu potencial turístico, com foco no ecoturismo, turismo de aventura e turismo histórico, devido à sua rica história da Segunda Guerra Mundial e da guerra civil . A agricultura de subsistência também é fundamental para a população local.
Status Político Atual (a partir de 2027)
Bougainville é agora uma nação soberana e independente. Este status é o resultado direto da vontade expressa pela população no referendo de 2019 e do processo de negociação política que se seguiu . O país está em processo de estabelecimento de suas instituições estatais e busca ativamente o reconhecimento internacional para se tornar um membro pleno da comunidade global. A relação com a Papua-Nova Guiné é de cooperação, semelhante ao modelo que a Austrália mantém com a PNG.
Ver também Revolução dos Cocos República de Salomão do Norte Ilhas Salomão do Norte
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